Notas iniciais
Ops... Me desculpem ta??

— Posso ser sincera? Tô cansada desse joguinho idiota de vocês – Estefânia me olhou de lado.

— Se eu disser que não, você vai falar do mesmo jeito. Diz. – Falei revirando os olhos imaginando o que seria.

— A Dulce consegue ser mais adulta que vocês, não acredito, dois adultos feitos se tratando como adolescentes que se gostam, mas não dão o braço a torcer.

— Não fantasia coisa onde não tem, ele é noivo.

— Desde quando noivado é pretexto para separar duas pessoas que se gostam Cecília? Esse disco é antigo e não adianta usar comigo. O único problema é que nem o Gustavo e nem você tem atitude, por isso gostei do Vitor fácil, me conquistou e veja onde estamos. – Falou apaixonada.

— Você fala como se fosse ta fácil. – Suspirei. – Não teria chance alguma com a Nicole, você já viu como ela é linda?

— Linda pode até ser, mas é chata demais e levando em consideração você tem duas armas na manga, linda você é e nem tem como contestar isso, simpática e tem o coração da Dulce, acho que alguém tem mais vantagens aí, sem contar que você não percebe como o Gustavo te olha menina? – Falou isso me deixando sozinha enquanto ainda resmungava coisas que não conseguia entender mais. Voltei a deitar no sofá, relaxando, minha cabeça ainda doía e o que ela me disse me deixou ainda mais inquieta.

Cecília Pov— Um mês se passou desde o ocorrido, cada dia que se passa amo mais a Dulce, principalmente por suas qualidades, esperta, carinhosa, ela se tornou a luz do meu dia, graças a Deus me adaptei muito bem ao trabalho, consegui organizar as contas e dei até um dinheirinho pra Fátima aproveitar com um dia de lazer. Estava me sentindo realizada, o meu único problema e o mais doloroso era a frieza do Gustavo, não só comigo mais com sua filha também, era domingo estava em casa mais uma vez escrevendo em meu diário quando meu telefone tocou.

— Cecília? – Ouvi o desespero na voz da Estefânia.

— Oi? Aconteceu alguma coisa?- Falei levantando.

— Diz por favor, que a Dulce está com você. – Chorou.

— Comigo? Não a vejo desde ontem.

— Não se faça de desentendida garota, eu sei que ela está aí, sabia que você andava fazendo a cabeça da minha filha. – Os gritos do Gustavo chegaram até mim.

— Se ela estivesse aqui comigo não teria motivos para escondê-la pelo amor de Deus o que aconteceu?

— Vem pra cá que a gente te explica Cecília. – Era a voz do Padre Gabriel dessa vez.

— Ok, estou indo. – Falei correndo em direção ao meu quarto.

~ FlashBack On — Dulce Maria ~

Brinquei a manhã inteira com a titia de várias coisas, me diverti bastante, fui até pra Missa com ela ver o titio também, estava tudo normal, um domingo igual aos outros, meu pai estava em casa, mas quando a Nicole chega ela rouba todas as atenções e esse domingo não poderia ser diferente, parece até que ele está hipnotizado por ela.

— Vamos à farmácia meu amor? Preciso comprar um remédio. – Titia falou enquanto me abraçava forte mais uma vez.

— Estou cansada tia, vou pro meu quarto, fica com raiva não?

— Awn minha princesa mais linda, se comporte, eu volto logo, qualquer coisa você chama o Gustavo que ele vem, ta bom? É rapidinho meu amor. – Deu-me um beijo e saiu. Subi as escadas devagarzinho parando em frente ao quarto do papai, que parecia alterado.

— Já disse que não dá mais pra esperar, você só quer fazer as vontades da sua filha mimada e nosso noivado não anda.

— Não pode ser assim como você quer meu amor, eu preciso convencer a Dulce em aceitar você em nossas vidas.

— Já te falei pra deixar ela de vez lá naquele internato, ela nem vai sofrer já está acostumada, tem o Gabriel lá pra ficar com ela, poderia também deixá-la com a Cecília, a “boa moça” se faz de mãe pra ela.

— Não sei se seria o melhor a fazer. Porque não a levamos conosco?

— Ou ela ou eu meu bem, antes de voltarmos pra esse inferno aqui nós éramos tão felizes sem essa menina pra atrapalhar. Viajávamos e agora mal saímos pra jantar.

— Não sei... – Suspirou.

Saí correndo de lá chorando, meu pai não me queria mais por perto.

~ FlashBack Off – Dulce Maria~