O que tem por trás de uma carinha de anjo?
11 Capítulo 11
Notas iniciais
— Para de me olhar assim caramba, estou ridícula eu sei, mas dá um tempo. – Falei rapidamente, sentindo meu rosto inteiro esquentar, deveria estar vermelha igual aqueles pimentões de feira, o vestido claro e florido era simples, mas eu achava que combinava comigo.
— Tem nada de ridículo, você está linda. – Sorriu sem jeito.- E chata como sempre. – Completou.
—Idiota. – Estirei a língua pra ele me divertindo com sua expressão divertida. — Ta bom vou acreditar, então deixa eu ir lá e depois te chamo ta bom? Fica calmo.
— Sim senhora. – Gargalhou fazendo sinal de continência.
Fiquei parado olhando ela subir com o vestido favorito da Tereza, meu Deus como era possível serem tão parecidas? Acho que to ficando louco. Fui interrompido dos meus devaneios por um pigarro nada discreto do Silvestre.
— Admirando a vista senhor?
— Perdeu o respeito Silvestre? Eu sou noivo esqueceu?
— Brincadeira. – Sorriu. – Ela é uma moça sensacional, apenas estou estranhando o fato de estarem se dando tão bem em questão de minutos o que um banho de chuva não faz?
— Realmente, às vezes penso que ela não é real. A conheci melhor só isso, tinha tirado conclusões precipitadas. E você senhor, está observando demais minha vida, apenas entendi que devo tratá-la bem para ter uma relação de convivência melhor para o crescimento da minha filha.
— Não está mais aqui quem falou. – Revirou os olhos e saiu indo em direção a cozinha.
Subi as escadas correndo, estranhando a sensação que aquele ambiente agora me trazia depois de tudo, não sei explicar, mas a atmosfera que nos envolvia estava diferente. Pude escutar os soluços do meu anjinho do corredor.
— Meu amor lindo, porque tanta lágrima minha carinha de anjo? – Disse, colocando-me dentro do quarto, seus olhos agora vermelhos se abriram assim que me viram.
— Ceci ta bem?- Choramingou manhosa me estendendo os bracinhos. Uma Estefânia assustada, me deu espaço para que a pequena se aconchegasse em meu colo, a mesma me olhava apreensiva como se investigasse algo.
— Ai minha linda, ta tudo bem meu amor.- Lancei um olhar compreensivo para Estefânia que suspirou aliviada deixando-nos sozinhas.
— Papai mal. – Chorou se aconchegando ainda mais a mim.
— O Gustavo estava apenas bravo pequena, mas eu também provoquei, tenha certeza que ele te ama demais e está muito arrependido.
— Ele gritou muito e machucou você. – Falou apontando a marca, agora exposta pela falta de manga do vestido.
— Isso não foi nada, vai ficar tudo bem prometo. – Falei beijando sua testa. – Está doendo em algum lugar?. – Negou já com os olhinhos fechados, adormecendo em seguida. Me acomodei em sua cama a deitando sobre mim, seu corpinho pequeno e tão quentinho me tranqüilizava, o cheirinho de colônia de bebê que exalava de seus cabelos me entorpeceu e sem perceber acabei dormindo também. Uma melodia tocava me despertando, ainda estava escuro e o corpo da Dulce descansava por sobre o meu, levantei com cuidado a colocando e cobrindo-a com carinho e segui a melodia agora conhecida de “Pais e Filhos”. Subi uma escada até então desconhecida, um lugar amplo cheio de flores descoberto onde éramos contemplados pela visão da lua agora cheia e das flores o Gustavo não percebeu a minha presença e continuou a cantar agora o refrão que fazia muito sentindo com tudo.
Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo, são crianças como você o que você vai ser quando você crescer... Sussurrou limpando uma lágrima solitária, nem preciso dizer, pois não resistir e diminuí a pouca distância entre nós indo até ele e lhe dando o abraço sincero do qual ele precisava, me esquecendo até então o quanto próximos estávamos, pois por impulso acabei sentando em seu colo...
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