Petúnia Evans nasceu em um dia cinzento. Não havia tempestade, nem trovões rasgando o céu, apenas um silêncio pesado, daqueles que fazem o mundo parecer contido, como se estivesse esperando algo que nunca chega. Sua mãe diria, anos depois, que foi um parto tranquilo. Sem complicações e sem sustos. “Uma menina perfeita” — foi o que a parteira dissera quando entregou a recém nascida nos braços da mãe. A Sra Evans encarou a bebê no seu colo e confirmou com a enfermeira: ela era, perfeita. Pequena, rosada, com os olhos claros que demoraram a decidir se seriam azuis ou verdes. Não chorou por muito tempo, como se, desde o primeiro instante, já entendesse que não devia incomodar. Seu pai a segurou com cuidado, quase rígido, como se tivesse medo de quebrá-la e sua mãe sorriu ainda mais com a imagem do marido com a primogênita no colo, cansada, mas satisfeita. Tudo estava… certo e ainda assim, nada parecia extraordinário. E foi assim que Petúnia cresceu: cercada de um amor gentil, organizado, previsível. Beijos de boa noite. Vestidos limpos. Elogios educados. Ela era a filha que não dava trabalho, a que obedecia, a que entendia e que sem que ninguém precisasse dizer, aprendeu cedo que havia valor nisso: ser boa quase perfeita, ser calma e ser… suficiente. Nos primeiros anos, isso bastava. Ela segurava a mão da mãe ao atravessar a rua, ajudava a guardar os brinquedos, sorria quando recebia um “muito bem”, como se aquelas duas palavras fossem pequenas medalhas invisíveis que ela colecionava com cuidado e que talvez fosse, porque Petúnia gostava de ser vista, mesmo que fosse por coisas pequenas, mesmo que fosse daquele jeito. Havia tardes tranquilas no jardim, onde o vento passava leve entre as flores e o mundo parecia simples demais para esconder qualquer tipo de dor. Ela gostava de flores. Gostava de observar cada pétala com atenção, como se houvesse ali algum segredo esperando para ser descoberto. Mas nunca havia. As flores eram apenas flores e o mundo apenas o mundo. Sem magia. Sem mistério. Sem nada além do que podia ser tocado, explicado, entendido. E Petúnia acreditava que aquilo era o suficiente, porque era tudo o que ela conhecia e tudo o que lhe era dado. Às vezes, à noite, deitada sob as cobertas, ela imaginava como seria ser mais. Não sabia exatamente mais o quê: mais interessante, mais especial, mais inesquecível talvez? Mas essas ideias vinham como sussurros, leves demais para se tornarem pensamentos de verdade. E então desapareciam. Porque Petúnia era uma boa menina e boas meninas não queriam demais, boas meninas eram felizes com o que tinham e ela ora bolas, já tinha tudo, ou pelo menos… era o que parecia.

Notas finais
Oii gente, confesso que estou um pouco enferrujada com escrever fanfics kkkk mas espero que vocês gostem dessa história linda que to desenvolvendo de um dos relacionamentos mais complexos da saga!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!