O que nunca pude te dizer
1 Para você
Notas iniciais
Calçava salto alto e vestia uma saia justa. Nada muito extravagante, nem nada que chamasse a sua atenção. Na verdade, meu lado masoquista quis ir à esse lugar. Só por que você estaria.
Como eu sei? Stalkear é uma boa resposta. Ninguém realmente mandou você confirmar presença no Facebook.
Usava a minha pulseira da sorte, e todos me apelidaram de Cinderela por causa dela. Um sapato transparente era o pingente principal, seguido por algumas coroas. Talvez o apelido seja pela pulseira, ou talvez pelo meu amor por contos de fadas. Acreditava, porém, que príncipes não existiam, e que uma garota comum como eu não acharia um cara que se parecesse com um. Mas eu estava aqui, como uma boba. Tentando.
A música tocava alta, mas eu realmente não sabia qual era. Passava das dez e nem sinal de você. Onde você anda?
Tentei encontrar um lugar naquele monte de gente. Realmente eu não pertencia à tudo aquilo. Resolvi sentar em uma cadeira perto da saída, que era para onde eu poderia ir se algo acontecesse. Acho que fiquei um pouco encabulada com as recomendações da minha mãe.
– Minha filha, Alice, não seja boba. Nesses lugares, há brigas e bebidas, quando não algo mais. Vá e veja por si mesma. Empresto-lhe aquele meu conjunto que fica ótimo em você e horrível em mim, aquele azul, sabe?! Porém, volte às duas. Acho que é tempo suficiente para ir e não gostar.
As palavras ainda martelavam na minha cabeça, junto com a dor forte por causa da música alta. Ela realmente me conhece, minha mãe. Sabia desde o começo que eu não gostaria deste lugar, que não me encaixaria nessas pessoas e que o barulho me deixaria louca. Bom, se ela não sabia disso tudo exatamente, ela tinha uma boa noção quando disse-me para não vir. Acho que vou escutá-la da próxima vez. Espere, que próxima vez?
A próxima vez que eu me apaixonar?
Alguém apareceu ao meu lado. Um menino. Minhas mãos gelaram e meu coração saltou. O que estava acontecendo comigo?
– Olá, menina. Nunca te vi por aqui.
– Deve ser esse o motivo pelo qual eu estou de cara amarrada sentada aqui, não acha? — disparei sem dó.
Vi que ele pareceu meio ofendido, mas riu logo em seguida e puxou uma cadeira, sentando de um jeito bem esquisito, apoianfdo os braços no encosto da cadeira.
– Também não estou gostando muito desse barulho, se isso te serve de consolo. — ele disse alto, para que eu escutasse além da música, ou barulho, como ele mesmo chamou.
– Interessante... — murmurrei, mais para mim mesma do que para ele, com desdém, inclusive.
– Leonardo.
– O que? — falei, sem entender.
– Leonardo. Você disse "interessante" e tenho certeza que, se soubesse meu nome, você diria, " interessante, Leo".
Olhei-o meio incrédula.
– Prazer, Leonardo. — disse ele, buscando minha mão e levando-a aos lábios, como se fazia antigamente. Quem nos visse acharia que somos ridículos. Ele olhou nos meus olhos e por um segundo, achei que algo havia se mexido no meu estômago. Acho que era algo que eu havia comido, só pode.
– Como você se chama? — perguntou.
– Alice.
– Que nome bonito. Você realmente me lembra a Alice, do desenho do País das Maravilhas.
– Ninguém nunca havia dito isso.
– Acho que é por causa do vestido azul. Mas também pode ser uma Cinderela,ainda não decidi.
– Vai me contar quando fizer essa incrível descoberta? — arrisquei.
– Será a primeira a saber, eu garanto. Mas eu duvido que eu decida hoje ainda, então vou precisar do seu telefone.
– Acho melhor que você decida rápido, então. Ainda essa noite. — fui dura.
– Vou me esforçar ao máximo, garanto.
***
Percebi que Leonardo era meio insistente. Engatamos alguns assuntos, sem terminar nenhum, na realidade. Falávámos sobre alguma coisa banal quando você apareceu por aquela porta, onde daqui eu tinha uma bela vista, e bem iluminada, vendo seus olhos verdes claramente. Eles estavam de encontro aos meus, surpresos pelo flagra.
Você logo avastou-se de mim, mas eu queria que chegasse perto. Disse que iria ao banheiro e levantei-me da mesa rapidamente, saindo de perto daquele estranho amigável para rodar a pista à sua procura. E aqui estou eu, a metros de distância de você. Vendo-te dançar ao som de um pop agitado.
Uma menina aparece, alta, morena e se insinua. Não achava que você era disso, porém algo surpreendeu-me. E não foi só o fato de você ter ligado para ela. Mas foi o jeito que você a segurou. Como eu havia sonhado que um dia o faria, porém comigo. Acho que alfgo mais discreto, entretanto, coisa que eu achei que você fosse, mas acho que fantasiei isso também.
Mil desculpas por pensar coisas tão boas sobre a sua pessoa. Vi que era tudo mentira.
Vi uma mensagem no meu celular, que tocou alto, abafando o som do meu coração partindo.
–---
Volte para casa.
Mamãe.
–---
Acho que ela sabia. De tudo, aliás.
Não era tão difícil de esconder, nunca fui daquelas meninas que se produziam até para ir ao supermercado da esquina. Nem naqueles dias felizes e ensolarados de férias. Nunca.
Você deve estar se perguntando sobre Leo? Deixei-o esperando naquela mesa. Se o destino quiser, ele que faça o trabalho. Cansei de procurar e me meter em encrenca.
Voltei para casa e abracei forte a minha mãe, por ela estar certa, sempre.
E agora, bom, agora estou aqui. Faz um mês que isso aconteceu e estou sentada na janela do meu quarto, admirando as estrelas, como fiz naquela noite. Um livro está ao meu lado e enquanto lia tive essa ideia. De escrever para você. Para o garoto que eu amei.
Com amor,
De mim.♥
***
O seu nome era Alice. E o meu continua sendo Leonardo. O único problema é que parecia que eu não era mais eu, depois que te vi.
Seus cabelos loiros se assemelhavam a algo angelical. Eu realmente não tenho certeza se não era realmente um anjo ali, pois senti que algo mágico havia acontecido quando te vi parada naquele lugar, sozinha e com uma ruga entre as sobrancelhas, acho que por causa do barulho. Você olhava pra todos os lados, e eu gostaria de ser a pessoa que você estava procurando tão incansavelmente.
Em um ímpeto, decidi que eu ia ser aquela pessoa.
Vi você se sentar e não tive dúvidas de que iria ir até lá. E fui.
Vi que parecia não querer conversa, mas eu não deixei de tentar. Sempre fui assim, persistente até o último segundo.
Você me recebeu com patadas, e o meu sorriso não parava de se alargar. Você é difícil, e eu percebi isso na primeira vez que falou. Porém, por algum estranho motivo, não fui embora. Já não era mais persistência, garanto. Era mais como um imã, me puxando até você. Mais e mais.
Não posso deixar de rir agora, com a ridícula comparação. Você parecia ser o lado negativo e eu o positivo. Não entendo muito de ciências, mas sei que eles se atraem. Paguei para ver na prática. Infelizmente perdi.
Vi você observando aquele outro cara. A sua cara era a de maior boba apaixonada, me desculpando a total franqueza. Mas eu não queria, naquela noite, ter visto a sua cara de decepção.
O meu coração se cortou com o seu. Se partiu no mesmo instante. E era audível em todos os cantos daquele lugar o seu coração, palpitando forte e lançando em dois.
Tal como o meu quando você passou pela saída.
Tentei te seguir, mas preferi te observar de longe. Ah, menina Alice... Se você soubesse que eu estava aqui...
Com todo amor do mundo,
Eu.
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