Notas iniciais
Heey, cheguei com o capítulo 7. Será que nosso casal vai se acertar? Boa leitura! Beijos Ranger girl

A cena invadiu a mente de Cole como um soco no estômago,lá estava Taylor, sua amada que havia se declarado na noite anterior, descendo de seu carro com o ex namorado. Em meio ao caos, as cenas que viveu nas areias da praia se misturaram ao que estava vendo agora. Era mesmo bom demais para ser verdade. Talvez seus pensamentos o estivessem enganando mais uma vez e a loira teria alguma explicação, afinal ele mesmo o havia dito para encontrá-la em sua casa mais tarde. Porém ao ver diante de seus olhos seu pior medo se concretizar,era difícil para o garoto das selvas manter a esperança.

Não era surpresa uma garota tão forte quanto Taylor tivesse se arrependido de ter largado um futuro seguro para reviver algo adormecido a anos atrás. Uma aventura que a fez escapar para um mundo de imaginação por um instante, mas logo o mundo real a chamou de volta.

A ideia de que o relacionamento deles era uma ilusão, algo que deveria ficar no passado, era dolorosa se aceitar para o ex líder, pois tudo que mais queria era estar com Taylor todos os dias,ouvir sobre seus voos, sobre seus dias monótonos e vê-la acordar descabelada todas as manhã. Contudo pelo visto ela não sentia o mesmo. Temendo ser visto, o leão vermelho se escondeu atrás de uma árvore e foi embora o mais depressa que suas pernas ainda bambas pela tristeza permitiam.

Taylor tentava inútilmente controlar seus pés que insistiam em bater em impaciência. Daniel já havia acompanhado até em casa, certo? Era hora de ir embora. Durante os seis meses de namoro ele nunca quis entrar em sua casa uma única vez, pelo menos não desse jeito, não era possível que depois do termino ele iria insistir. De toda forma o coração de Taylor se encarregou de bater mais rápido, pela urgência de ver Daniel ir embora e Cole chegar.

Ela não sabia até que horas a clínica do garoto das selvas funcionava, mas estava ansiosa para que ele passasse por aquela porta. Apesar da advertência e tudo,ela queria vê-lo, afinal ele não tinha culpa de fazê-la esquecer de todo o resto do mundo. Cole era seu porto seguro, sua calma e agora que a havia recuperado depois de tantos anos, não podia deixar que escapassem de seus dedos novamente.

— Você quer ajuda para entrar? —indagou Daniel a trazendo de volta ao momento presente da pior forma possível.

— Não, gritou mostrando as desespero do que deveria.

Não é que Daniel não podia saber que ela tinha encontrado o amor, não muito antes de conhecê-lo naquela sala do quartel, porém ele já tinha visto Cole como garçom e pensava que eles não se conheciam. Admitir que ela havia mentido e que na verdade o conhecia melhor do que qualquer outra pessoa no mundo, seria como assinar um atestado dizendo que seu passado guardava um mistério e a garota não gostava nem de pensar nessa possibilidade, afinal a confirmação da existência do Animarium seria algo muito interessante aos olhos das forças militares.

Daniel arregalou os olhos espantado com a reação da ex-namorada.

— Quer dizer, não precisa, eu estou bem de verdade e você já fez tanto.

— Imagina, é para isso que servem os amigos. — Daniel afirmou deixando escapar um tom de tristeza em sua voz.

— Eu sinto muito por tudo Daniel, eu deixei você chegar ao ponto de me dar um anel de noivado e…

—- Imagina, desde o primeiro momento você deixou bem claro que não se abriria completamente para o amor e por mais que me doa, eu sei que você não se abriu para mim tudo bem. — Suas palavras, no entanto, contradiziam a expressão de sofrimento em seu rosto. Era como se ele estivesse usando uma máscara para não mostrar o quanto estava magoado com tudo. A ex -ranger amarela não o culpava, afinal ela não tinha dúvidas de que ele realmente gostava dela.

— Não é nada com você, espero que saiba disso.

— Eu sei, de verdade. Independente de qualquer coisa, espero que possamos continuar amigos.

— Claro, imagina, você me provou isso hoje, eu nem te agradeci por ter me encontrado naquele helicóptero.

— Imagina era o mínimo, uma pena o que aconteceu ,sei que você sempre se sai muito bem pilotando nos testes.

— Pois é e agora estou com uma maldita advertência no meu currículo. — Reclamou tentando esquecer a voz grossa do comandante dizendo essa palavra.

— Sobre isso, você nunca se atrasa ainda mais em dias importantes, o que aconteceu, porque eu sei que não foi só transito Daniel admitiu fazendo a garota engolir seco. Ela não podia nem sonhar em revelar que se atrasou pois estava em uma transe profunda deitada nos braços de seu amado. Precisava inventar algo de pressa. Então uma ideia veio à sua mente.

— Isso é vergonhoso de admitir, por isso não quis falar para o comandante, mas estava com … diarreia. — Soltou para se arrepender segundos depois.

Suas bochechas ruborizaram durante os cinco longos segundos que Daniel demorou para responder.

— Ah, imagina eu entendo, mas você devia ter dito a verdade para o comandante quem sabe assim, ele não repense e…

— Não, é muito constrangedor, só vai piorar as coisas, além do mais ele pode dizer que eu estou inventando ,você sabe…

— Tudo bem, mas todo jeito eu vou falar com ele ,quem sabe não o faço reconsiderar?

Os olhos de Taylor brilharam diante da possibilidade.

— Você faria isso?

— Sim, eu faria tudo por você sendo minha noiva ou minha amiga.

A loira esboçou um sorriso. Passada a empolgação, porém, ela se lembrou de que precisava se livrar do companheiro de força aérea o mais rápido possível.

— Eu agradeço mais uma vez, agora preciso entrar, porque apesar de estar bem eu preciso descansar um pouco.

—- Sim, é claro, eu já vou indo, mas qualquer coisa, sabe que pode me ligar! Até amanhã.

— Até.

Logo que Daniel sumiu de sua vista, Taylor foi correndo para dentro, precisava estar pronta para quando ELE chegasse, era engraçado, ela nunca fora do tipo de se importar com aparência, muito pelo contrário, porém o ex- ranger vermelho despertava nela a vontade de agir como uma mulher vaidosa.

Diferentemente da noite de seu quase noivado, onde parecia estar se arrumando para um funeral, Taylor sentia um frio na barriga e não conseguia decidir o que vestir, quanta idiotice para uma tenente da força aérea que já havia salvado o mundo, só mesmo Cole para despertar a menina abobalhada que se escondia sob duras camadas.

Por fim, não coincidentemente acabou optando por uma blusa de manga curta vermelha que deixava seu pescoço suficientemente à mostra com um decote comportado, contudo Eliana pretendia usar aquela peça durante toda a noite. Ainda com os nervos a flor ela foi dar uma olhada na geladeira, afinal precisava oferecer alguma bebida, porém nas prateleiras não havia nada além de um queijo mofado e um refrigerante vencido.

— Que droga.

Pela primeira vez ela se amaldiçoou por procrastinar tanto as compras do mês. Seu primeiro instinto foi desejar que Alyssa estivesse ali para socorrê-la, porém não podia ligar para a ex-companheira que não via desde o fim da missão e dizer: “Oi Alyssa, aqui é a Taylor, eu sei que não nos falamos a anos principalmente porque eu nunca te procurei, mas acontece que o Cole está vindo para cá. Ah, você não sabe eu sou apaixonada por ele e queria oferecer uma noite especial, porém na minha geladeira não tem nada além de um estupido queijo mofado porque eu piloto aviões na altura e luto contra ogros ,mas sou preguiçosa demais para fazer compras. Você poderia me ajudar?” – Fazer esse papelão estava fora de questão.

Por sorte sua dispensa sempre tinha algo útil ao girar a maçaneta da porta marrom, no entanto, tudo que saiu de lá foi um monte de poeira.

— É eu sou mesmo uma péssima dona de casa, mas o que vou fazer agora? O Cole pode chegar a qualquer minuto e não preparei nada. Ainda com a voz do desespero em sua mente, Taylor voltou para a cozinha e dessa vez voltou sua atenção para a fruteira. Haviam duas maçãs inteiras, já era alguma coisa, então mostrando sua “enorme habilidade” como cozinheira, a piloto começou a picá-las, porém no meio do processo teve que parar pelo menos umas duas vezes devido a “acidentes de trabalho” acontece que aquela estúpida faca havia cismado que seu dedo era um pedaço de maçã teimoso. Sem dúvidas enfrentar Jindrax era bem menos doloroso.

Orgulhosa de seu trabalho, a loira colocou os pedaços em dois potes diferentes. A seguir vinha a parte mais fácil fazer uma linda decoração na sala. Taylor nunca nem de longe era adepta ao estilo romântico nunca havia ligado para esse tipo de formalidades , porém mais uma vez o garoto das selvas despertava nela emoções com as quais ela mesma não estava tão familiarizada. Por isso escolheu sua melhor toalha e a colocou sob a mesa de jantar ,era uma toalha bem bonita, branca com detalhes roxos ,porém faltava algo, flores, outra vez Taylor se lembrou de um de seus antigos companheiros de luta, Dany, afinal ele era especialista nesse tipo de decoração, porém novamente ela não poderia ligar para ele dizendo:

“Oi Dany tudo bem? Aqui é a Taylor, então lembra como a gente pegava no seu pé, porque você não tinha coragem de dizer a Kendall como se sentia? Então, eu sou apaixonada pelo Cole desde quando o conhecemos e só agora depois de anos tive coragem de me declarar, que coisa, não é?”

A tenente suspirou antes de se jogar no sofá desanimada.

— Isso está um desastre, uma toalha e dois potes de maçã picadas, com certeza até na selva Cole deve ter tido jantares melhores do que aquele.

Mas foi então que uma lembrança surgiu na mente da ex-ranger amarela como um presente do universo.

Era um de seus primeiros encontro com Daniel, eles haviam ido a um restaurante, ainda estavam se conhecendo ,porém justo naquela noite, o restaurante decidiu sortear um par de velas para que o casal sortudo pudesse aproveitar melhor a noite. Somente por educação, eles participaram, mas nenhum dos dois achavam que seriam sorteados, mas claro que eles foram. Porém era cedo demais para um jantar a luz de velas, então os dois optaram por guardá-las. Na época, Taylor as jogou em um canto sem dar muita importância, porém naquele momento ,poderiam ser sua salvação. Ao abrir o armário da sala, lá estavam elas. Na mesma hora Taylor as acendeu com um fósforo e as colocou em cima da toalha.

— Agora pelo menos está apresentável. — Afirmou para si mesma enquanto tentava acreditar nas próprias palavras.

Mas afinal, porque estava se preocupando tanto, ela era Taylor Earhardt, a águia veloz, ex ranger amarela e a melhor pilota da história da força aérea, quer dizer até aquela maldita advertência, mas tudo bem porque quando ELE entrasse por aquela porta a faria esquecer de tudo.

Cole abriu a porta do seu pequeno apartamento e ele parecia ainda menos colorido, o leão vermelho ainda podia acreditar em seus olhos, Taylor, que havia dormido alegremente em seus braços na noite anterior e jurado amor eterno, havia chegado em casa na companhia do ex-noivo. Talvez ele a tivesse trazido por algum motivo, mas em sua concepção, se ele foi para a casa dela ,não havia de ser apenas como um amigo. Seu maior medo havia se concretizado, Taylor havia mudado de ideia, sua realidade chique e militar a havia chamado de volta.

Parecia mesmo bom demais para ser verdade, tê-la ali ao seu lado, sentir sua pele que era ainda mais doce do que ele jamais havia sonhado, passar as mãos por seus cabelos loiros e sedosos enquanto captava sua energia de brilho, porque uma das coisas que ele mais admirava sob a nada era como ela conseguiu chamar atenção para si onde quer que estivesse, Taylor era durona feroz, mas exalava uma luz invejável uma luz que desde o primeiro momento o fez ter certeza de que ela era sua alma gêmea, um conceito tão bonito que Cole aprendeu quando ainda era um adolescente.

Na tribo em que foi criado, era costume que os garotos confeccionassem uma pulseira para presentear a garota de quem gostassem e acreditavam ser sua cara metade, ou alma gêmea , todos os outros jovens sabiam exatamente quais mãos queriam enfeitar, mas Cole nunca tinha se apaixonado, ele havia escutado sobre como era a sensação, toda vez que um garoto da tribo encantava por alguma garota chegava na cabana eufórico e só conseguia falar sobre aquilo durante vários dias, porém o filho de cientistas nunca havia sentido essa sensação.

— Percebendo o isolamento de Cole, o amã foi até ele.

— E você, não quer fazer sua pulseira para presentear alguém especial.

— Xamã, eu não tenho que presentear. — Admitiu ainda com rosto entre os joelhos.

— Nenhuma garota da tribo te agrada? .

— Não, será que tem algo de errado comigo? Porque todos os outros estão tão empolgados e já encontraram alguém, será que eu vou ficar sozinho pelo resto da vida. Será que não tenho uma alma gêmea?

O sábio deu risada.

— Ah meu jovem claro que tem, todos nós possuímos uma alma gêmea você só não encontrou a sua ainda. Mas vou te contar um segredo, algumas almas gêmeas têm uma ligação tão forte que são colocadas em lugares diferentes uma da outra, porque sua conexão é tão forte que acabam se encontrando.

— Então, minha alma gêmea pode estar por aí, fora da tribo?

— Com certeza e aí poderá presenteá-la.

— Mas xamã, como vou saber que encontrei minha alma gêmea?

— O seu coração vai te dizer.

Realmente, quando o ex-líder viu Taylor pela primeira vez, seu coração gritou, como um GPS quando chega ao destino, que a garota mal humorada de cabelos loiros era feita para ele. Por isso mesmo no fim da missão tomou coragem e depois de anos confeccionou a pulseira tradicional de sua tribo, porém infelizmente não teve a chance de dizer a Taylor na época o que aquilo significava e agora pelo visto ela realmente nunca saberia… Se pudesse voltar a tribo como diria ao xamã que tinha encontrado sua alma gêmea, mas a perdeu para sempre?

Depois de horas deitada no sofá, Taylor olhou as horas, já era tarde, mas Cole não era de se atrasar, será que ele havia desistido, será que teria se arrependido da noite anterior? Não podia ser tinha que haver uma explicação, ele pode não ter achado endereço. A garota se recusava a acreditar que tinha levado um bolo, porém depois de esperar por mais uma hora as lágrimas caíram.

— É, acho que eu cortei esses meus dedos para nada…

Como pode ter sido tão estúpida de achar que tudo seria como era antes, Cole havia mudado ficado ainda mais bonito, com certeza opções não o faltavam, a ideia de imaginá-lo com outra garota fez seu sangue ferver do mesmo jeito que aquele dia anos atrás naquela maldita fazenda, porém mais do que isso, fez uma tristeza indescritível se instalar em seu coração, enquanto olhava para o seu jantar improvisado, a tenente apagou as velas e foi para o quarto, seu primeiro instinto foi abrir a primeira gaveta onde seu bem mais precioso se encontrava, a pulseira dada por Cole.

Naquele instante, porém, ela pode deixar de se questionar quantas iguais àquelas ele não teria feito para enfeitar outros braços.

Não, ela se recusava a ficar se lamentando, por isso mesmo na esperança de fazer a dor passar, a loira fechou os olhos e adormeceu novamente, porém quando os abriu não estava mais em seu quarto.



Notas finais
E agora? Pra onde a Taylor foi? Até o próximo capítulo