O que me faz bem.
1 Capítulo 1 - Mudanças podem ser bem vindas.
Notas iniciais
Desde que Scott foi mordido eu aprendi muitas coisas, tais coisas que mudaram minha vida. Mas, a mais importante é que licantropos ficam com raiva muito facilmente, e se um licantropo ficar com raiva de você, correr não é a melhor escolha. Eles são muito mais rápidos que você. Sentir medo também não é bom, eles sabem o que você está sentindo, as vezes isso é pior que correr. Derek é um bom exemplo disso, ainda tenho as marcas de nossa ultima discussão. Em meus braços ainda é possível ver as marcas de suas garras, o quão profundo elas penetraram minhas pele, em meu pescoço ainda se vê a marca de suas presas, felizmente ele estava consciente o suficiente para não me “dar a mordida”. Derek sempre foi assim, mesmo antes de assumirmos um relacionamento, ele vivia me prensando contra a parede, me dava tapas e dizia “Você sabe o por que”, na verdade, eu nunca sabia o por que, mas aceitava — quem sou eu para questionar Derek Hale, o lobisomem mais estourado que conheço?
No dia que começamos a namorar ele me disse os por quês, “Por que eu te amo, você me tirava do serio, você me irrita, mas tudo isso é por que te amo”. Normalmente depois que brigamos Derek pede desculpas – eu sempre as aceito, afinal, eu o amo — e passa dois ou três dias sem me ver, ele diz que é por que fica arrependido e que tem medo de perder o controle de novo, que ele não controla seu lobo interior direito. Já se fazem 5 dias que não vejo Derek, ele deve precisar de mais tempo, eu não entendo, quem precisa de tempo aqui sou eu.
Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015. 5:14 da manhã
– STILES! Acorda, você vai se atrasar para aula.
Acordo com meu pai me chamando, justo hoje que eu queria faltar ele resolve entrar mais tarde no trabalho. Não quero ir para escola, não com as marcas da minha ultima briga com Derek, as pessoas iram me encarar e dizer coisas ofensivas, como já fizeram inúmeras vezes, eu não iria ouvir, mas Scott sim, isso o deixaria furioso. Me levanto e, como de costume, preciso urinar. Tento não olhar para nada que posso refletir meu rosto. Não quero ver o roxo em um de meu olhos, não foi Derek quem o fizera, eu bati em uma arvore quando voltava para casa no dia de nosso ultima discussão. Saio do meu quarto e sigo em direção ao banheiro no final do corredor. Entro no banheiro olhando para meu pés, não quero me ver no espelho. Faço minhas necessidades e desço para tomar café. Sinto cheiro de ovos e bacon, o de sempre. Meu pai não sabe cozinhar muito bem, então normalmente comemos fora ou pedimos algo, mas o café é sempre ele quem faz.
– Ah, oi Stiles – ele diz, mas sinto um ar de desapontamento em sua voz.
– Oi pai – digo olhando para o chão, não quero que ele tenha que ele comece o dia vendo meus hematomas. — O que temos para o café?
– O de sempre, ovos, bacon, suco de laranja e pão... — ele diz mordendo um pedaço de bacon.
– Não estou com fome então vou subir e me arrumar, qualquer coisa como algo na escola. — digo me levantando da mesa.
– Stiles! — ele me chama – Por que filho? Por que você continua com o Derek? Por que você continua aceitando isso?
– Por que eu o amo pai, eu o amo mais do que já amei a Lydia. — digo e vou para meu quarto.
Meu pai não é a favor do meu namoro Derek, na verdade ele não aceita que seu único filho seja gay, e que esteja namorando com um cara mais velho, que alias, já foi acusado de matar sua propria irmã. Enquanto me arrumo sou obrigado a me olhar no espelho, ver o hematoma em meu olho, não está tão roxo como antes, mas ainda da para se ver de longe, o toco, ainda doi. Sinto meus olhos se enchendo de lagrimas. Termino de me arrumar e saio de casa. Como sai mais cedo vou andando, tento não tirar os olhos dos meus pés. No caminho da escola tento não pensar nas brigas com Derek, em todas as marcas que ele já me deixou, tento apenas pensar nas coisas legais que fizemos juntos... mas é impossível.
– Stiles! Stiles! Espera. — escuto alguém gritar. Olho para tras e vejo que é o Isaac, o espero
– Oi Isaac, ta indo mais cedo por que? — pergunto, não o espero chegar perto, sei que ele vai escutar.
– É que eu passei na sua casa, pra ver se você tava bem... — ele da um sorriso tímido – Err.. é.. E ver se você tinha noticia do Derek.
– Derek? Não o vejo a seis dias, deis da nossa briga... — digo envergonhado – Ele não está na antiga casa dos Hale? Ele costuma ir para lá depois que brigamos...
– Não, não está. Já fui lá. — ele diz, agora ele está do meu lado.
–Bem, ele deve ter ido para algum lugar pra passar o tempo sozinho.
– É... Pensei que você não ia ir para escola hoje, por causa dos seus hemat... — ele se interrompe
– Eu não ia, mas meu pai estava em casa então ferrou com meu plano de faltar na escola hoje... e talvez pelo resto do ano – digo com dom de brincadeira, Isaac ri.
– Se você não fosse eu ia perguntar se você queria que eu ficasse com você hoje – ele diz, percebo a vergonha em suas palavras – Caso você não quisesse ficar sozinho
– Obrigado, mas acho que o que eu iria querer era ficar sozinho mesmo
– Ah, tudo bem.
Vamos para escola conversando, coisas aleatórias; lacrosse, musica, filmes, tudo. Nunca tinha passado tanto tempo com Isaac, ele é legal e temos o mesmo gosto para praticamente tudo. Ele me fez esquecer o Derek. Chegamos na escola e felizmente não tem quase ninguém, significa que posso ir direto para sala e sentar na ultima carteira, pelo menos no primeiro tempo. Isaac não é da minha turma, mas fica comigo até os outros alunos começarem a chegar, e, infelizmente ele tem que ir para sua sala, pois sua professora de sociologia já chegou. Scott não veio hoje, estranho. Deve ter achado que eu não viria também, por não ter passado na casa dele. O dia passa rápido, tão rápido que não percebo que já está na hora de ir embora. Não ter mais que encarar os olhares das pessoas da uma certa alegria. Estou quase saindo da escola quando escuto alguém cochichando:
– Esse ai não cansa de apanhar, já é a quarta vez que ele vem cheio de hematoma para escola, deve gostar, é gay, deve estar acostumado – Isso me deixa com raiva, me viro para dizer algo, mas Isaac já pegara o garoto que disse tais coisas pelo pescoço. Ele o tem prensado no armário, seu amigo parece estar apavorado.
– Retire o que disse! Peça desculpa agora! — Isaac o prensa no armario com mais força.
– Me desculpe, me desculpe! — o garoto grita. Isaac não o solta.
– Isaac, solta ele, agora! — grito, vejo que seus olhos estão começando a ficar amarelos. O garoto fica mais apavorado ainda quando os vê. — Isaac! Solta ele – grito mais uma vez, ele se vira para mim, seus olhos estão voltando ao normal, ele vai descendo o garoto aos poucos.
– Mas ele falou...
– Eu sei o que ele falou, eu ouvi. — digo. O passa correndo por mim junto com seu amigo
– Stiles, me desc..
– Não precisa se desculpar, você só queria me ajudar. Eu te agradeço – digo o interrompendo.
– Bem, você vai voltar andando?
– Sim, quer ir comigo? — pergunto
– Sim.
Passamos a viajem inteira conversando, sobre as mesmas coisas que hoje mais cedo, mas nada. Ele diz que vai passar na casa dos Hale pra ver se o Derek está lá, e como a casa dos Hale fica na mesma direção que a minha ele me deixa em casa.
– Bem, então é isso. — digo
– É... — Isaac diz e olha para cima – Posso passar aqui amanhã?
– Sim! — digo com felicidade.
– Então tá, até amanhã.
– Ah, se você ver o Derek... diz que estou com saudades – digo
–Tudo bem – ele diz, mas parece estar desapontado
Entro em casa e vou direto para cozinha, deixo minha bolsa na cadeira, pego uma caneta e escrevo em um papel. “Comi quando cheguei em casa, estou com sono, não me perturbe.” e deixo em cima da mesa, pego algumas coisas para comer e subo para meu quarto. Troco de roupa e me deito na cama, não tenho animo para nada, então apenas como e fico deitado pensando em coisas aleatórias até dormir.
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2013. 2:38
Acordo com um barulho de passos no meu quarto, me viro para janela e esperando ver Derek, mas levo um susto com quem eu vejo, Isaac, ele entrara pela minha janela, assim como o Derek fazia.
– O que você esta fazendo aqui? — pergunto me levantando da cama
– Sonhei com você... — ele faz uma pausa – bem, era um pesadelo.
– O que acontecia nele? — pergunto curioso — Deve ter sido algo realmente assustador para te fazer vir aqui a essa — faço uma pausa e olho para o relogio no criado mudo ao lado da cama — vir aqui a essa hora
– Deixa pra lá, foi só um pesadelo mesmo.
– O que aconteceu no pesadelo, Isaac?! — digo exaltado, eu realmente estou curioso.
– O Derek... — ela faz mais uma pausa, dessa vez mais demorada – O Derek, ele te matava.
Fico assustado com o que ele diz, e sem reação. O Derek, me matar? Isso nunca ia acontecer. Ele já disse que não iria conseguir viver sem mim, varias vezes. Isaac parece ter sentido meu medo.
– Pode ficar tranquilo, isso nunca iria acontecer – digo, tentando o acalmar, e acalmar a mim mesmo.
– De qualquer forma eu só queria saber se você estava bem.
– Estou sim, obrigado por se preocupar. — digo pensando no que dizer a seguir — Bem, está tarde, e agora que acordei vai ser dificil dormir de novo será que você poderia ficar aqui e fazer companhia a mim, só até que eu durma de novo, isso se eu chegar a dormir.
– Sim! Claro que fico! – Isaac parece realmente animado ao responder.
Vou até a estande e pego um tabuleiro de xadrez — Isaac me disse que achava xadrez um jogo incrível devido as estrategias que eram necessárias para ganhar, mas que nunca havia tido a oportunidade de aprender a jogar, nisso me ofereci para ensina-lo.
– Temos 2 horas até que meu pai acorde e me faça ir para escola, acho que é tempo suficiente para te ensinar o básico do xadrez.
Isaac me olha com os olhos arregalados e brilhando, o medo que antes era visível parece ter ido embora. Me sento na cama e faço um gesto para que ele faça o mesmo, abro o tabuleiro e começo minha aula de xadrez.
As cinco horas da manhã meu pai grita para que eu acorde, como já estou acordado ele não precisa chamar mais de uma vez. Digo para Isaac me esperar lá fora, explico que meu pai não vai gostar de ve-lô aqui, ele assente com firmeza e salta pela janela. Sigo toda minha rotina diária. Saio de casa sem comer novamente, mas levo comigo duas maçãs e duas torradas. Vejo o Isaac me esperando do outro lado da rua sentando na quina da calçada entre dois carro, aceno para que ele venha junto a mim. Indo para escola passamos na casa do Scott, mas ele não estava lá, sua vizinha, Sra. Miller, disse que ele viajou com sua mãe, só volta mês que vem. Ele viajou e não avisou seu melhor amigo, isso é a prova de que meu namoro com o Derek está acabando com minha amizade. Scott não é a favor do nosso relacionamento. Eu e Isaac vamos para escola e voltamos juntos, todos os dias. Essa tem sido minha rotina, com exceção que as vezes ele fica na minha casa jogando comigo.
Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2015. 14:48 da tarde.
Já se fazem dezenove dias que não vejo o Derek, desde que o conheci nunca fiquei tanto tempo sem o ver. Felizmente tenho passado muito tempo com Isaac, ele me faz bem. Isaac tem ido todos os dias na casa Hale, ele diz que sente o cheiro de Derek, lá e no meu quarto, isso é estranho por que não vejo Derek a dezenove dias. Deve ter alguma roupa minha com seu cheiro. Esses dezenove dias que passei longe de Derek me fizeram bem. O tempo que passei com Isaac me fez bem.
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