O que fui para ti.

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Primeira história, então, espero que gostem, de verdade.

FERNANDO

Muito tempo se passou, minha viagem de lua de mel com Letícia foi espetacular, não havia nada no mundo que pudesse me deixar para baixo, estar com ela era como tocar o céu, sua ternura, sua pele na minha, era algo que nunca mais gostaria de me distanciar. Mas, infelizmente a hora de retornar à empresa havia chegado, e mesmo querendo, não tinha como escapar de tal responsabilidade. Me sentia bem, estava com o amor da minha vida ao meu lado, porém, a Conceptos era um local que as vezes me trazia algumas recordações não tão boas.

– Fernando! – exclamou Marcia ao nos ver chegando a empresa, logo no estacionamento. – Letícia! Que maravilhoso ver vocês por aqui, meu Deus, estou muito feliz. Sejam bem-vindos de volta!

– Obrigada Dona Marcia... – sorriu Letícia, sem perder aquele lindo e velho costume de chamar a Marcia de “Dona”, as vezes ela me chamava de “Seu Fernando”. – Quer dizer, Marcia.

– Também é bom te ver, Marcia. – respondi a abraçando. – Agora, me diga, já conseguiu destruir essa empresa?

– Fernando... – Letícia riu e me bateu com o cotovelo.

– Deixe ele comigo, Lety. – Marcia direcionou uma piscadela a ela. – Agora vamos, tem muita gente por aqui com saudade de vocês.

A seguimos e a cada passo que dávamos era motivo de mais falatório e festa. Alice continuava aquela mulher encantadoramente superficial e insuportável, só que agora a única diferença é a de que estava casada com Tomas Moura, e pareciam estar bem. Paula Maria e Saimon pareciam muito felizes, e o Quartel nos recebeu com muita festa e eu finalmente me senti em casa novamente. Omar, meu velho amigo, estava de casamento marcado com Carolina, e eu sinceramente não consigo compreender como essa mulher consegue suportar aquele animal, mas a parabenizo por ter finalmente provado a ele que o amor existe.

–LETÍCIA

Nunca consegui acreditar que havia me casado com o Fernando, o meu Seu Fernando, tão lindinho... Tudo estava tão bem que nem ao menos parecia verdade, mas infelizmente o tempo foi passando e algumas coisas foram acontecendo.

– Lety! – exclamou Paula Maria correndo em minha direção, um belo dia, nos corredores da empresa. – Tem uma pessoa te aguardando na sala de reuniões.

– Quem, Paula Maria? — perguntei curiosamente, pois não estava a espera de ninguém.

– Ele pediu para não ser anunciado. – ela sussurrou olhando para os lados como se fosse para ninguém ouvir.

– Tudo bem, já estou indo, muito obrigada. – respondi voltando a caminhar, mas desta vez rumo a sala de reuniões.

– FERNANDO

– PAULA MARIA! – gritei assim que sai do elevador, a preocupação me atingia pois não via a Lety desde quando chegamos a empresa. – Você viu a Letícia por ai?

– Seu Fernando, sabe o que é... – começou Marta. – Ela não estava se sentindo bem e foi ao banheiro.

– Sério? – minha preocupação aumentou. – Vou até lá ver se ela está bem, afinal, já entrei diversas vezes naquele banheiro.

– Seu Fernando, não! – gritou Lola. – Ela não quer ser interrompida.

– Lola, — comecei a dizer me aproximando. – Esqueceu que agora eu sou o marido dela? – sentei-me à mesa de Marta e as chamei para chegarem mais perto. – Me respondem uma coisa, com toda a sinceridade do mundo? – usei um tom de brincadeira em minha voz.

– Claro, Seu Fernando, nós sempre fomos super sinceras com você. – respondeu Sara se apoiando em meu ombro. Todas entraram em minha brincadeira, como sempre.

– Então, o que estão escondendo de mim? – perguntei, voltando a seriedade total.

– Nós não... – Sara começou a dizer.

– Onde está a Letícia? – perguntei mais uma vez dando ênfase em seu nome.

– Vou dizer, Seu Fernando. – respondeu Irminha, como sempre. – Ela está na sala de reunião.

– LETÍCIA

– Oi, Letícia. – Aldo disse assim que entrei na sala de reunião. – Eu só vim porque estava morrendo de saudade, não consegui esquecer você. – meu coração parou por alguns minutos, se o Fernando o visse ali, sabe-se lá o que poderia acontecer.

– Aldo, o que... – eu não conseguia falar, meu olho começou a pular.

– Letícia, não, eu não quero nada, apenas conversar com você, ver como está. – ele me interrompeu. – Por favor, sente-se.

– Não posso, e se o Fernando... – as palavras não saiam.

– Não se preocupe, Letícia, ele não vai poder dizer nada se vamos apenas conversar. – ele se levantou e puxou a cadeira para que eu me sentasse ao seu lado. – Por favor.

– Tudo bem, mas porque não vamos a presidência? – perguntei. Meu olho não parava de pular.

– Lá há mais risco de Fernando nos ver. – Aldo não se dava por vencido, meu coração saltitava. – Por favor, lhe imploro, apenas uma conversa.

– Apenas uma conversa... – me sentei ao seu lado e começamos a conversar.

Ele me contava detalhes de como estava sua vida no litoral e eu aos poucos fui me deixando levar por suas palavras. Nada estava acontecendo, apenas conversas de bons amigos, até que ele resolveu segurar minha mão e eu não consegui recuar.

– Sinto sua falta, de verdade... – ele sussurrou aproximou seu rosto do meu e beijou minha testa, depois minha bochecha. De repente, escuto a porta da sala de reunião se abrir e meu coração para completamente.

– FERNANDO

– Aldo Domenzolín... – sussurrei, minha respiração era dolorosa perante aquela cena, eu não queria acreditar no que estava vendo. – Lety...

– Fernando, eu não fiz nada, eu te juro, só quis vir conversar com a Letícia. – Aldo se levantou rapidamente e se encaminhou para perto de mim.

– Seu Fernando... – Lety se pôs a frente. – Fernando, meu amor, não houve nada, estávamos conversando.

– Eu vi a conversa que este cozinheiro estava tendo com você trancado aqui nessa sala. – a raiva estava presente em cada músculo de meu corpo.

– Fernando, não começa, você já a tem... – Aldo começou a dizer, mas sua voz me dava nojo, cheguei um dia a pensar que nunca mais na minha vida iria ter que ouvir aquele fingimento todo outra vez.

– Começo sim, cozinheiro. – não me agüentei. – Você está certo, agora eu a tenho, ela é minha, então isso não te dá a liberdade de se trancafiar em uma sala sozinho com ela, sem a minha presença e permissão.

– Fernando... – Lety pegou minha mão e me olhou com os olhos cheios de lágrimas, eu nada mais pude a fazer a não ser acariciar seu rosto e beijá-la, sentir a paz e a ternura que apenas aquela mulher me proporcionava.

– Só Deus sabe o quanto eu te amo, Letícia... – sussurrei me soltando dela. – Vou sair um pouco, esfriar a cabeça.

– Fernando, não, por favor, fica. – ela chorava e aquilo partia meu coração.

– Quando chegar quero esse cozinheiro fora da empresa da minha família, fora de nossas vidas. – olhei para Aldo e me virei. A porta estava lotada com o Quartel, Luigi, Marcia, Omar, Alice e Tomas, mas dei meu jeito de me desviar deles e ir o mais rápido possível para longe daquele lugar. Eu não queria perder a cabeça, não outra vez, não queria brigar e nem bater em ninguém, por mais que minha vontade fosse desconfigurar o rosto daquele cozinheiro de quinta, eu sabia que não podia fazer aquilo, pela Letícia, a minha Lety.

Entrei em meu carro e dei a partida, sai sem rumo, como naquela vez que Letícia havia ido embora e eu, em uma quase tentativa de suicídio, sai sem direção, indo parar ironicamente no litoral. Mas, dessa vez seria diferente, sairia sem rumo, sim, mas com a única exceção de que passaria muito longe do litoral.

Não queria pensar no que tinha visto, preferia morrer do que pensar na possibilidade de ter sido traído por Letícia, aquele pensamento me atordoava. Será que havia acontecido algum beijo entre eles? Porque o Domenzaín resolveu aparecer? Claro, a resposta era óbvia, porque ele amava me irritar, só por isso. Minha vontade era a de que ele se asfixiasse, se afogasse, e eu me arrependia de não ter feito isso quando tive tempo.

Senti lágrimas escorrerem por meu rosto, mas não queria me deixar levar por aquele sentimento, eu precisava de Letícia comigo, lutei tanto por ela e não era aquele mínimo acontecimento que havia de fazer com que meu amor acabasse, eu apenas precisava arejar meus pensamentos para não ter que matar Aldo naquela empresa que tanto ralei para reconquistar.

Tomei um gole de conhaque que havia em minha pequena garrafa prata jogada no banco ao lado, mas em um movimento repentino, acabei perdendo o controle do carro e me chocando bruscamente contra um caminhão que do nada havia aparecido em minha frente. Meu último pensamento antes de perder completamente os sentidos foi: Letícia...

– LETÍCIA

Não conseguia acreditar no que estavam me falando, não poderia ser verdade. Meu coração não existia mais, era tudo apenas escuridão, cinzas, vazio... O Fernando, o meu Seu Fernando, nunca mais iria voltar. Isso não entrava em minha mente. Como poderia ser verdade que o homem da minha vida havia morrido em um acidente? Era contra qualquer lei idiota da vida, não podia ser.

Lágrimas não eram mais o suficiente, nada poderia ser verdade. Me lembrei da primeira vez que o vi, meu coração não se agüentava de tanta felicidade, os nossos beijos, o encanto de nossa primeira noite de amor, todos os momentos que vivemos juntos, a decepção, mas ainda assim o amor que sempre esteve vivo em ambos. Me arrependi amargamente de todo o tempo em que fiz com que ele sofresse, sei que o machuquei muito, ele pagou com lágrimas de sangue tudo o que um dia me fez, mas agora não estava mais ao meu lado. Foi tudo tão rápido, nunca será possível para mim, Letícia Padilha Solís, viver em um mundo em que não exista Fernando Mendiola, o Seu Fernando, o meu lindinho.

Notas finais
Espero de coração que tenham gostado . Obrigada, beijos!! :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!