O que a chuva trás.
1 Único
Notas iniciais
Então se isso for bom o suficiente e merecer que eu dê mais atenção por favor me deixem saber.
Boa Leitura.
Amanheceu com chuva naquele dia, frio e com aquela névoa espiralada a percorrer as ruas vazias. Foi difícil deixar a cama e as cobertas quentes e macias, mas sua perna estava dormente e precisava se preparar para o dia. Bateu o calcanhar no chão e fez uma careta com o coque que percorreu seu corpo, isso a fez virar e olhar feio para o cachorro que ainda dormia. Hayate sempre subia na cama quando esfriava e escolhia sempre sua perna direita para fazer como travesseiro.
Apoiando as mãos em suas bochechas ela deu dois tapinhas extremamente leves no rosto e ficou de pé. Precisava se vestir e estar presente na cerimônia daquela manhã. Uma patente nova com chuva, ele ficaria com um péssimo humor e ela no fim do dia com uma dor de cabeça colossal.
Antes de alcançar o banheiro o telefone tocou e ela fechou os olhos respirando fundo antes de o puxar até seu ouvido.
— Tenente! – o tom estridente e choroso a fez afastar o fone por um momento. – Está chovendo, aquela chuva nojenta fina e fria.
— Sim senhor, eu já percebi.
— Isso é terrível.
— Basta o senhor fingir que não é um completo inútil em dias assim.
— Você é má Hawkeye! Muito má!
— Vá se aprontar senhor, passo para busca-lo em meia hora.
Encerrou a ligação antes que ele começasse a reclamar, quando estava chovendo ele ficava praticamente insuportável.
Riza se arrumou, preparou o café, deu comida a Hayate e finalmente pegou o casaco. Já estava quase atrasada, coisa que ela não tolerava. Quando o Coronel bebia ela sempre ficava responsável por deixa-lo em casa em segurança, nestes casos o carro ficava com ela e parada em frente ao prédio ela buzinou uma segunda vez. O Futuro General de Brigada surgiu todo encolhido sob um guarda-chuva. A cena a fez rir brevemente enquanto abria a porta por dentro para ele entrar.
— Bom dia Coronel.
O olhar frio nos olhos escuros e puxados a fez querer rir novamente, porém ela conseguia controlar-se com maestria. Certamente o Coronel Roy Mustang tinha feito planos para um dia ensolarado onde receberia sua nova patente, um passo mais próximo de conquistar seu ideal.
— Não se preocupe senhor a cerimônia foi transferida para o pátio interno, teremos cobertura o suficiente para livrá-lo da chuva nojenta. – Acelerou e ouviu ele resmungando com a cabeça apoiada no vidro fechado.
O único preocupado com o clima era o Alquimista das chamas, fora isso ninguém parecia se importar com o que acontecia do lado de fora daquelas paredes enquanto Mustang recebia o novo pin e as honras da patente.
Ela se manteve parada um passo atrás dele, como a guarda-costas que era, observando todos com cumprimentos que ele recebeu com seus olhos que não perdiam um único movimento. Os ouvidos atentos. Mustang estava cada dia mais próximo de concluir sua ambição e como prometido ela estaria lá para ele.
Com o fim do festejo eles seguiram para a rotina de seus dias no quartel. Foi bem próximo ao fim do expediente que a chuva parou, embora o ar ainda estivesse bastante úmido ela viu o vislumbre de um sorriso genuíno nos lábios do General.
— Eu deixo você em casa Tenente. – ele disse pegando o casaco dela e a oferecendo.
— Ainda falta alguns minutos senhor.
— Hawkeye, vamos embora. – antes que ela pudesse replicar ele completou. – É minha primeira ordem como General.
Ela deu um pequeno sorriso e ficou de pé fazendo uma continência para ele, em seguida se aproximou e pegou o casaco grosso que usava em dias frios. Eles se conheciam bem, desde jovens quando ele foi o pupilo que seu pai aceitou. Tendo passado por tantas coisas juntos ela sabia dizer o estado de espirito dele apenas pelo olhar. General Mustang estava feliz agora e isso a deixava também feliz.
A dor de cabeça do fim do dia seria concreta, primeiro era uma série de resmungos sobre o clima horroroso, agora ele não parava de falar sobre como estava animado com a nova patente e o que isso significava no trilhar de sua caminhada.
— Chegamos senhor. – o lembrou quando estavam quase em frente a seu prédio. – Obrigada pela carona.
Ele fez aquele sorriso e desligou o automóvel. Desceu e por pouco não perdeu a chance de ser o galante cavalheiro que ele gostava de mostrar as moças.
— O senhor não precisa gastar o seu cortejo comigo. – puxou a porta e a fechou. – Boa noite.
Mas ele não desistiria tão fácil, pois abriu a porta do prédio e subiu ao seu lado até seu andar.
— Mais uma vez senhor, obrigada pela carona.
O Som dos latidos de Hayate encheram o corredor silencioso e o comentário do General sobre querer ver o cachorro a fez revirar os olhos. E foi apenas abrir a porta para que o encontro fosse como em livros de romance, quando o mocinho encontra seu grande amor após anos separados.
— Vocês se merecem. – disse e entrou na casa louca para tirar o coturno.
Pediu licença ao General e foi para seu quarto, minutos depois voltava com um moletom e uma camisa de manga curta. Conhecia seu superior bem o suficiente, ele queria companhia e não tinha nada programado para a noite, e Riza era, claramente a reserva.
— O senhor gostaria de nos acompanhar num jantar simples?
— Seria adorável! – Deixou a estante de livros de lado e sorriu quando a viu. – Gosto quando fica com os cabelos soltos.
— Na verdade estou pensando em cortar. – respondeu ao controlar com sucesso um rubor.
— Não! Eu gosto deles compridos.
— Não é o senhor quem decide isso.
Tiveram um jantar com conversas aleatórias e quando ele disse que precisava ir ela se levantou, preferia quando eles eram apenas Superior e Subordinada, relembrar o passado a deixava um pouco ansiosa. Tolice. Nunca passaria disso, na vida militar você tinha que seguir cegamente as ordens.
— Tenha uma boa noite Sen.... – nunca chegou a terminar a frase, sequer tocar a maçaneta.
Os lábios do General Mustang cobriram os seus com uma urgência que a fez perder o ar. Ela nem soube quando fechou os olhos e permitiu o beijo se aprofundar daquela forma. Quando ele se afastou, minutos depois ela não quis abrir os olhos castanhos, foi necessário um beijo no lóbulo de sua orelha para ela o fazer.
A verdade era que não queria encarar como estava presa entre ele e a porta, com uma mão firme em sua cintura e aquele olhar apaixonado a encarar seu rosto.
— Senhor isso foi...
— Perfeito. Preciso, necessário. E não ouse dizer qualquer palavra com sentido contrário. – sentiu sua mão entre as dele e um beijo em seu pulso. – Não dá mais para fingir que sou indiferente a você. Não depois de tudo o que nos aconteceu e não finja que não é verdade.
— É proibido. – ele a beijou novamente.
— Sempre que contestar o que sentimos vou revidar com um beijo. Riza. Entre nós não há segredos, porque tentar esconder o que sentimos?
Ela sentiu o rosto corar e não teve chances de esconder, até poderiam passar a ideia de respeito mútuo para os outros, mas bastava olhar naqueles olhos escuros que ela via muito mais. Ergueu a mão e tocou o rosto dele. Longe dos olhares alheios era ainda mais difícil manter o controle. Deu-lhe um sorriso.
— Hayate vai manter o segredo, eu já conversei com ele. E quando for Führer você será minha primeira dama.
— Idiota. – ela deu um tapa leve no ombro dele e apoiou o corpo no dele, respirando fundo.
O som da chuva a fustigar a janela invadiu o local, mas naquele momento Roy não se importava com o clima.
Fale com o autor