O que Yashiro esconde?
1 Único
Notas iniciais
Caramba, amei tanto o anime que corri para o mangá, e aqui estou eu: Escrevendo para o projeto.
Boa leitura.
Limpando o espelho do banheiro com um pano, Yashiro Nene cantarolava animada e lançava olhares apaixonados para o nada. Tudo normal até aí, afinal, fantasiar com contos de fadas impossíveis era a especialidade da garota, contudo, o que realmente estava estranho era o fato dela não reclamar em nenhum momento de ter que limpar aquele banheiro. E, o mais grave de tudo: fazia uma semana que ela estava com esse comportamento incomum.
Claro que tais ações esquisitas não passariam despercebidas por seus amigos Hanako e Minamoto Kou, que agora estavam olhando-a com estranheza enquanto ela polia o espelho do banheiro e ria bobamente de alguma coisa que só fazia sentido na cabeça avoada de Yashiro.
Hanako, principalmente, não estava gostando nada disso, pois adorava vê-la reclamando do trabalho de limpar, dizendo que não era nem um pouco feminino, enquanto ele dava apoio moral. Já Kou se preocupou se havia acontecido algo grave, como sua senpai estar pensando em se declarar para seu irmão, ou algo sem noção que ele sabia que provavelmente daria errado.
— Terminei — Ela disse animada, guardando os materiais de limpeza — Até amanhã, Hanako-kun e Kou-kun — Yashiro sorriu, e Kou sentiu uma flecha atravessar seu coração. Como ela conseguia ser tão fofa? E Hanako ficou com ciúmes de como o amigo humano a olhou.
Se despediram e, saltitando alegremente, ela saiu do banheiro rindo de novo de alguma coisa que até agora eles não sabiam o que era.
— Tem algo estranho — Constataram o óbvio, mas queriam tirar a prova antes de qualquer atitude.
Os dois seguiram Yashiro no dia seguinte e aconteceu a coisa mais bizarra que eles já viram, pensaram até que era impossível acontecer algo daquele tipo. Nene foi convidada por um veterano para tomar sorvete. Claro que se fosse uma ocasião normal, ela iria aceitar e surtar, mas aconteceu o impensável:
— Não, obrigada, eu vou estar ocupada hoje com… — Ela pareceu pensar um pouco, nervosa. — Um trabalho! Isso! Um trabalho. Desculpa, senpai.
Yashiro se despediu rapidamente e saiu saltitando como se não tivesse acabado de acontecer o que ela mais desejava. Os dois garotos, que observavam de longe, se escorando na quina de uma parede, se encararam completamente incrédulos.
— Aquela não pode ser a Yashiro! — Disse Hanako com a mão no queixo, pensando o que poderia estar acontecendo e flutuando na posição de lótus em volta do mais novo.
— É estranho, mas acho que não é nada demais — O exorcista iniciante ergueu o queixo confiante — Eu respeito a privacidade da senpai.
— Tem certeza que não quer descobrir? — Abriu um sorriso travesso que chegava a ser diabólico — Você não está nem um pouco curioso em saber o que a Yashiro está escondendo? — Ele se aproximou mais, intimidando o loiro, com Kou se afastando conforme o fantasma avançava — E se tiver a ver com a gente?
— Quem garante que ela está escondendo algo?
— Quem garante que não? — Com isso, o Minamoto pareceu pensar um pouco — Você viu o que acabou de acontecer? Não é normal.
E assim, Hanako convenceu Kou a descobrirem o que Nene tanto escondia atrás daqueles sorrisos bobos — ou se realmente era ela, porque para dispensar um garoto que era o tipo dela, que a garota surtaria só de imaginar um convite de encontro, provavelmente ela foi substituída. Alguma aparição devia ser culpada disso, mas o número 7 dos mistérios não fazia a menor ideia de que fantasma seria o culpado.
Kou faltou aula só para ficar de olho em Yashiro, junto com Hanako. Até o momento, Nene só estava prestando atenção na aula, nada demais, enquanto os dois garotos observavam tudo pela janela. Eles usavam óculos de sol, boina preta, binóculo, uma lupa e máquina de fotos. Queriam juntar provas.
— Tem certeza que precisa disso tudo, guri? — O fantasma perguntou, se referindo aos apetrechos de investigação.
— Claro que sim, precisamos ficar camuflados.
— Isso aqui chama mais atenção do que se estivéssemos sem — Ele disse, mas o Minamoto sequer deu atenção. Hanako deu de ombros, afinal, ele era um fantasma, só Kou e Nene poderiam vê-lo, o único que estava pagando mico ali era o humano. E, bem, havia vários alunos lançando olhares tortos para o loiro.
Durante a aula aconteceram várias coisas interessantes, como nada, nada e mais nada. Mas isso não os abalou, estavam certos de que havia algo estranho. Durante o clube de jardinagem, só viram-a cavando a areia com uma enxada, espalhando terra para todos os lados para plantar sementes e tirando ervas daninhas das plantas. Nada de especial ou suspeito.
Então, seguindo Nene pelos corredores, eles perceberam que ela sentou em um lugar distante, nas escadas, e ficou usando o celular. Celulares eram proibidos na escola, finalmente algo suspeito. Como esperado, ela começou a rir em alguns momentos, balançar as perninhas de rabanete em animação e ficar muito vermelha, parecia que ia explodir com alguma coisa que lia ali, além de digitar freneticamente, concentrada no aparelho.
— Tem algo no celular — Os dois rapazes assentiram, decididos a pegar o aparelho, seja lá como iriam fazer para conseguir isso, já que Nene ficava com ele o tempo todo escondido entre as roupas.
Um pouco mais tarde, Nene encontrou Aoi na sala de aula e entregou o celular para a melhor amiga ver o que tinha ali. Hanako e Kou observavam tudo escorados na quina da parede. As meninas ficaram muito animadas, falando algumas coisas que nenhum deles entendiam muito bem.
— Ficou muito bom, Nene-chan! — Aoi disse animada e entregou de volta o celular para a de cabelos prateados — Com certeza vão gostar.
Hanako e Kou ficaram ainda mais curiosos. Já nessa altura, o fantasma sabia que não se tratava de nada sobrenatural, mas, mesmo assim, queria descobrir o que Yashiro tanto escondia e porque estava tão estranhamente feliz.
Quando ela saiu da sala com Aoi, os dois vasculharam a mochila dela, procurando se tinha alguma coisa comprometedora, mas só haviam cadernos, estojos e mangás com homens bonitos e sexys.
— Nada aqui — Hanako disse, fechando novamente a mochila.
Vendo que a hora de limpar o banheiro feminino se aproximava, os rapazes trataram de arquitetar um plano para conseguir pegar o aparelho da menina. Não parecia ser muito difícil, já que ela estava mais interessada em ficar rindo como idiota para o nada.
E lá estava ela, passando o esfregão no piso escorregadio como se até gostasse de fazer esse trabalho, nem parecia a menina que reclamava dizendo que limpar o banheiro era cruel demais e que precisava viver sua juventude.
Hanako olhou para Kou, arqueando as sobrancelhas e rindo como um anjinho inocente — o que ele passava longe de ser. Só com isso, o loiro entendeu o recado, pigarreou e se aproximou sutilmente da garota, fitando o bolso do vestido e prestando atenção nos movimentos que ela fazia para passar o pano no piso.
O Minamoto só não esperava que ela fosse virar subitamente, batendo o cabo de madeira nas pernas dele. Os dois se assustaram, ele por ter sido pego no flagra, e ela por não tê-lo notado se aproximando. O loiro deu passos para trás no piso molhado e escorregadio, e não deu outra! Kou escorregou e caiu de bunda no chão.
— Você me assustou, Kou-kun — Disse, estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar — Você está bem?
— Desculpa, senpai — Respondeu, morto de vergonha, então lançou um olhar mortal para Hanako, que tentava conter o riso da desgraça alheia.
Primeiro plano falho, assim como os outros cinco que eles tentaram no dia seguinte. Tentaram enganá-la dizendo que Minamoto Teru queria falar com ela, mas Yashiro não deu confiança. Tentaram pegar o celular durante a aula quando não estava olhando, colocaram insetos falsos para assustá-la, até soaram o alarme de incêndio, mas a garota não desgrudava do celular. Ela podia cair da escada e não largava por nada. O único momento em que ela soltava era para mostrar para Aoi sabe-se-lá-o-quê.
A curiosidade estava os matando pouco a pouco, a única pista que tinham era aquele maldito aparelho cor-de-rosa, sem falar que Yashiro já estava começando a suspeitar que seus passos estavam sendo muito bem observados.
— Gente, por que vocês estão usando óculos de sol dentro da escola? — Yashiro perguntou para os amigos, que se encararam nervosos — Faz dias que vocês estão assim.
— Não é nada, Yashiro! O guri me deu, disse que era a última moda. Você não gostou? — Hanako mentiu descaradamente e Kou só concordou.
— Eu acho que ficou bonito.
— Sério? — Ele sorriu e só isso foi suficiente para Yashiro corar — Olha só, desse jeito você parece mais um tomate, ao invés de um rabanete.
— Você não devia chamar a senpai disso.
— Isso não foi legal! — Yashiro concordou ainda rubra, inchando as bochechas gorduchas em irritação, o que a deixava mais fofa.
Ela virou-se para passar pano nos espelhos do banheiro.
— Desculpa — Pediu e abraçou-a apertado por trás, entrelaçando os braços na cintura fina. Kou olhou o ato do fantasma, abismado — Não vou fazer de novo — Sussurrou próximo ao ouvido dela.
— Solta ela, seu pervertido! — Minamoto entrou no meio para separá-los, conhecia muito bem o fantasma e não confiava nele, pois às vezes ele fazia essas coisas duvidosas com sua senpai.
Minamoto estendeu a relíquia da família dele de exorcistas, como se fosse ameaçar o sétimo mistério escolar. Hanako sequer se preocupou, apenas ficou sorrindo. Já Yashiro, ficou mais vermelha do que sabe-se-lá-o-quê, e quase derreteu no chão com a atitude. A garota terminou de limpar rapidamente o banheiro e não disse mais nada, saiu apressada, como se tivesse hora marcada para algum compromisso.
— Acho melhor a gente desistir — Minamoto disse cabisbaixo.
— Ué, por que, guri?
— Não conseguimos nada até agora, e acho que tudo bem ela ter seus segredos.
— Hmm, é? — Hanako colocou o dedo indicador inocentemente nos lábios — Logo agora que conseguimos? — Estendeu o celular com a capinha rosa brilhante na frente do loiro.
— Quê… como? — Perguntou embasbacado e Hanako deu de ombros — Por que você não fez isso antes?! — Perguntou indignado e o moreno apenas sorriu em resposta. Até parece que ele não queria ver a desgraça do Minamoto.
— Vamos ver o que tem aqui? — Os dois sorriram porque, além de estarem fazendo algo errado, finalmente iriam saciar sua curiosidade. Será que ela estava conversando com alguém? Eles iriam descobrir agora.
Os dois encararam a tela do celular com os olhinhos brilhando, sorte que Yashiro não colocava senha, senão tinha tudo ido por água abaixo. Quando desbloquearam a tela, já estava com um aplicativo aberto, então eles fuçaram tudo o que tinha para fuçar.
Yashiro pegou sua mochila na classe e tateou o bolso do vestido para pegar o celular e voltar para o entretenimento, porém, sentiu que seu coração falhou algumas batidas quando não achou nada. Nene ficou nervosa, procurou dentro da mochila, debaixo da carteira, de um lado para o outro. Não podia deixar ninguém ver o que havia ali, senão ela pularia da janela por tamanha vergonha de ter seu segredo descoberto.
Nene procurou em todo lugar, até no achados e perdidos, mas não encontrou. Ela se viu ainda mais nervosa com a possibilidade do celular estar no banheiro feminino. Em desespero, ela correu até o antigo prédio, correu tão rápido que perdeu o fôlego no meio do caminho e, mesmo assim, se forçou a chegar mais rápido, antes que o pior acontecesse.
Descabelada e suada, ela chegou ao banheiro, escancarou a porta com um chute, que a fez bater na parede com a força que sequer ela sabia que possuía. Momentos de desespero pedem atitudes impensáveis.
Yashiro parou um pouco, procurando desesperadamente por oxigênio, e depois fitou o fundo do banheiro, onde os dois rapazes se encontravam juntos, com o brilho da tela iluminando a parede. Nene sentiu um calafrio percorrer a sua espinha e, temerosa, deu alguns passos para frente.
— Gente, vocês viram meu celular? — Perguntou com um sorriso amarelo e uma gota de suor escorrendo pela têmpora.
Os dois viraram o rosto na direção dela, que sentiu todos os seus pelinhos se arrepiando.
— Senpai… — Yashiro olhou para o loiro, que estava com uma expressão horrorizada de desgosto — Nunca pensei que você fosse capaz disso.
— Yashiro — Ela olhou para Hanako, ao lado, que sorria tranquilamente, mas depois mudou a expressão para um intimidadora — Que segredo, hein.
— Calma, gente, não sei o que vocês viram, mas não é bem isso — Tentou se defender inutilmente.
— Eu pensei que o Hanako era o único pervertido aqui! — Kou gritou — Senpai, você lê essas… coisas inapropriadas?
— Claro que não, Aoi-chan me mandou esse link aí.
— Claro, claro — O fantasma disse, sorrindo de canto, sarcástico e com uma sobrancelha arqueada. — Foi o seu hamster que pediu.
— Bem… — Ela disse, brincando com os dedos, completamente envergonhada — Foi ele sim.
Que vontade de enfiar a cara na terra e nunca mais tirar!
— Quer dizer que esse tempo todo que você tava rindo e mexendo no celular, era porque estava lendo dois caras se pegando? — Kou parecia transtornado, encolhido no canto da parede.
— Sim… — Nene respondeu sem jeito — Mas eu leio outras coisas também.
— Yashiro… — Hanako se aproximou mais da garota, a segurando pelos ombros — Você escreve isso também?
— Bem… — Ela sorriu sem graça e vermelha. Meu Deus, se Nene pudesse se atirar pela janela, o faria agora mesmo, mas ela tinha amor por sua vida — Às vezes.
— Eu sempre pensei que você fosse fofa — Kou disse, choroso — Você é mais pervertida que o Hanako!
Yashiro entrou em um ataque de risos nervosos.
— Você dispensou um veterano para ler e escrever pornô gay? — O fantasma perguntou.
— Prioridades — Respondeu.
— "Ele me segurou pelos pulsos e me pressionou mais contra a cama, nossos corpos suados colados um no outro. Excitante." — O moreno começou lendo um trecho do que havia no celular. — "Não aguentava mais as roupas que nos separavam, queria rasgar tudo, eu desejava tê-lo dentro de mim."
Yashiro arrancou o aparelho das mãos de Hanako. Era muita humilhação.
— Vocês não tinham que olhar minhas coisas! — Ela gritou e saiu correndo do banheiro.
Se ela pudesse, nem olhava mais para a cara deles de tamanha vergonha. Que mal tinha escrever algumas fanfics de yaoi e lemon? Ela não estava fazendo nada de errado.
Com isso, Yashiro aprendeu uma lição valiosa: nunca deixe o seu celular desbloqueado, algumas coisas não devem ser vistas e você pode ter amigos curiosos demais.
Notas finais
Agradeço a @Aika_Momoi pela capa divina. Está maravilhosa! Eu amei, obrigada.
E também agradeço a @Mi_kun por ter corrigido todos os meus errinhos. Se não fosse vocês essa fanfic não estaria com tamanha qualidade ♥
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