Notas iniciais
Bom, aqui está o capitulo único!

O que muitos chamam de Morte

Morte, uma palavra tão pequena e ao mesmo tempo tão assustadora para muitos, na verdade temida, e por quê? O medo do desconhecido. Por desconhecer algo, o homem ou tem medo, ou agride e tenta destruir, ou possuiu curiosidade, e com a morte não é diferente, mas não dá para destruí-la, talvez atrasá-la, porém ninguém escapa quando a hora chega.

Pensar nisso me traz a lembrança um caso interessante, o de um menino, Samuel, se não me engano. Não tinha mais do que cinco anos, pele cor chocolate, cabelos negros e crespos, olhos grandes e escuros, mas, apesar da pouca idade, tinha feições mais velhas que já vi, não sei se era por conta de sua doença, que o prendia no hospital, ou se era mais maduro que os outros de sua idade. Só me lembro que, da primeira vez que o vi, ele sorriu para mim com todos os seus dentinhos brancos como leite e falou:

– Me perguntava quando iria vir. – sua voz inocente me desconcertava.

– Estou aqui para cuidar de você, Samuel. — falei com naturalidade.

– Sei que está. E eu espero que não seja doída para ninguém a minha partida. – seus olhos negros também sorriam para mim.

– Que tal desenhar, Samuel?- mudei de assunto, vendo-o rir do meu desconforto.

Entreguei-lhe os papeis e os lápis de cor, e assim ele começou a desenhar várias pessoas, que mais tarde descobri serem seus familiares.

Durante meses permaneci ao seu lado, saindo apenas quando devia cumprir o meu dever, acompanhando de perto a evolução de sua doença em fase terminal, ao ponto que ele não conseguia mais se levantar sozinho. Ele era um menino forte e corajoso, e, apesar de todas as complicações devido à doença, não deixava de sorrir para todos que o visitavam, nem mesmo para mim.

No último dia de vida, quando sua mãe e seu pai estavam em seu leito rezando por ele, e eu o observando do canto do quarto, ele falou com sua voz fraca e quebradiça:

– Sabe, os anjos nunca abandonam os corações das pessoas, muito menos os filhos, e eu vou ser um anjo-filho. – e sorriu um daqueles seus sorrisos encantadores. Sua mãe caiu em lágrimas pelas suas palavras, porque entendia que aquilo era uma despedida. "Não chore mamãe...".

– A mamãe não consegue... — respondeu a mulher, ainda em prantos, agarrando-se aos lençóis do leito do filho. – Não consegue viver sem você.

O pai não conseguia esboçar qualquer reação à despedida de seu filho e o desespero de sua mulher, ele tinha feito tudo que podia para dar uma oportunidade de seu filho viver. Lágrimas grossas rolavam de seus olhos escuros em direção a sua boca fechada em uma linha.

– Mamãe, eu não vou deixar você e o papai, eu sempre vou estar aqui! A morte não separa uma mãe de um filho, por que nada vai me tirar de você! Vou sempre estar aqui!- levantou um de seus bracinhos com muita dificuldade e tocou carinhosamente o braço de sua mãe, o seu sorriso nunca deixava seu rosto.

Foi nesse momento que o coração dele falhou, foi nesse momento que os aparelhos do quarto começaram a apitar, chamando os médicos, foi nesse momento que o pai saiu de seu estado de choque e agarrou-se ao filho, gritando para que ele ficasse, foi nesse momento que a mãe gritou de desespero e caiu no chão chorando e abraçando seu corpo, foi nesse momento que eu vi a alma daquele garotinho sair de seu corpo e vir em minha direção, uma alma plena, sem medo, sem sofrimento.

– Estou aqui para te guiar, Samuel. — falei com a voz neutra.

– Sei que está!- O sorriso que esteve presente em toda a sua vida estava lá, em seu espírito.

Sem mais palavras, sem mais olhar para trás, eu deixei o quarto, onde ninguém mais me via, com o pequeno Samuel a me seguir em direção ao seu novo começo. E eu segui com os meus afazeres, o que muitos chamam de Morte.

Notas finais
Então o que acham? ^^ Gostaria muito de saber.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!