O que Realmente Importa no Amor?

16 O Que Realmente Importa no Amor?


Notas iniciais
Último capítulo, minna! Espero que gostem, e bem... tenham uma ótima leitura! *o* Nos vemos nas notas finais! ;D

Gary continuara na empresa, mas avisara que em breve partiria. Não pretendia ficar mais tempo ali.

– Mas, você vai trabalhar em que? – Perguntara Chelsy, em uma manhã de segunda feira.

– Ainda não tenho certeza... – Dissera ele.

– Como?

– Não sei...

– Mas... Você vai sair de um emprego sem saber o que vai fazer depois?

– Sim. – Dissera Gary tranquilamente, mordendo a torrada em suas mãos.

– Você só pode estar louco... – Gary rira.

– Não... Eu tenho uma conta bancária bem gorda... Se eu quiser, posso nunca mais ter que trabalhar na vida... – Chelsy erguera uma sobrancelha.

– Uau! Eu estou namorando um homem rico, e nem se quer sabia! Fala se eu não sou um cara de sorte? – Gary movera a cabeça negativamente, sorrindo.

– Você é um corvo preguiçoso... – Dissera.

– Ei! Preguiçoso não! – Rebatera. – E meu cabelo não é mais preto... Portanto, chega de corvo!

– Você voltou com a cor natura de seus cabelos, mas não aposentou as roupas pretas... Então, é corvo sim!

– E nem vou aposentar... – Disse ele, sorrindo. – Eu amo preto! Botas pretas, calças pretas, unhas pretas... Cabelos pretos... – Ele mirou o primo.

– Nem olha pra mim... – Dissera o mais velho, sorrindo.

– Impossível... Eu te amo, não dá. – Gary o fitara.

– Eu também te amo. – Respondera seriamente, mirando-o profundamente. Chelsy sentira um arrepio ao mirar aqueles olhos sedutores e tão amados. Direcionara o olhar para os lábios do primo, desejando beijá-los. Umedecera os próprios lábios. Gary lendo suas reações, se aproximara dele, apoiando os cotovelos à mesa, até alcançar sua boca, beijando-a. – Quero viajar com você... Vamos a capital do país. Quero que faça alguns cursos, todos que desejar, e assim, possa escolher uma faculdade que queira cursar. – Chelsy o olhara.

– Eu não tenho dinheiro... Isso vai ter que esperar...

– Não se preocupe com dinheiro...

– Não quero depender de você pra tudo...

– Não vai... É por isso que quero que estude. Você ainda é um adolescente, precisa estudar. E estou lhe dando uma oportunidade de fazer isso, sem se preocupar com dinheiro. – Chelsy pensou por alguns minutos. Ele tinha razão. Da forma que vivia na casa de seus pais, era impossível para ele estudar. Só pensava em trabalhar para ir embora dali, e o que mais tinha em mente era um trabalho, estudos haviam ficado em segundo plano. Não podia desperdiçar a chance que Gary lhe oferecia.

– Eu ainda não tenho ideia do que cursar de faculdade... – Dissera.

– É por isso que quero viajar com você... Quem sabe, não trabalhamos juntos em algo? – O rosto de Chelsy se iluminara. – Eu considerei aquilo que me disse há algum tempo atrás, sobre eu ter meu próprio negócio... E estou pensando seriamente. – O mais novo sorrira.

– Seria ótimo se pudéssemos trabalhar em algo juntos! E melhor ainda se fosse nosso próprio negócio! Eu aceito! – Gary sorrira. Tentara se mover, mas sentira uma tremenda dor nas costas, ainda estava debruçado na mesa.

– Chelsy...

– O que...?

– Me ajude aqui... – Dissera. Chelsy dera uma gostosa gargalhada, em seguida ajudara-o a se levantar. – Acho que estou ficando velho...

– Que nada... É só paixão...

– Mas o que uma coisa tem a ver com a outra?

– Tecnicamente... nada! – Ambos riram e aproveitaram mais alguns minutos juntos, antes de Gary ir trabalhar.

**

Chelsy havia ganhado peso, seu rosto voltava a ficar mais redondo aos poucos. Gary o observava comer pipoca, e rir enquanto assistia um filme que havia comprado.

– Ahh, eu amo esse ator! – Dissera ele, mirando Gary. Então notara que o mesmo não estava vendo o filme, mas sim, olhando-o. – O que foi? – Perguntara.

– Nada... – Dissera ele, desviando os olhos para a tv. Chelsy se arrastara na cama, até encostar a cabeça em seu ombro.

– Quer? – Oferecera a pipoca.

– Por Deus, Chelsy...! É a sétima vez que você me oferece essa bomba de caloria!

– Ahhh por Deus digo eu! Quando você vai deixar de ser chato?

– Quando você se tornar mais prudente...

– Então... – Ele o mirara. – Você nunca vai deixar de ser chato...

– É tão difícil assim ter uma alimentação mais saudável?

– Não é isso! É que essas suas comidas são muito sem graça...

– Sem graça vai ser na hora que você tiver um ataque cardíaco por excesso de gordura nas artérias!

– Você está no trabalho errado, amor. Devia ser nutricionista, médico, ou coisa parecida...

– Eu devia mesmo...! – Dissera ele.

– Devia! – Ambos olharam um para outro, e começaram a rir. Chelsy largara a pipoca na mesinha de cabeceira, e se aproximara do mais velho, beijando-o os lábios.

– Você está cheirando pipoca...

– Pare de chatice! – Gary sorrira, puxando-o para si, beijando-o avidamente. Chelsy se deixara levar, e quando dera por si, já estava passeando os lábios pelo pescoço do mais velho, alcançando o lóbulo de sua orelha. Chelsy sentara-se sobre o seu colo, enquanto ainda o beijava. Sentira-o desabotoar sua camisa, beijando seu peito, até alcançar seu pescoço. A velha pontada no baixo ventre alcançara-o, então ele se afastara de Gary, mirando-o. — O que está fazendo? – Perguntara, sua voz estava ofegante.

– O que você acha? – Respondera.

– Não... Você não gosta disso...

– Ei, ei! – Gary o segurara, notando que Chelsy estava prestes a levantar de seu colo. – Eu quero. – Respondera. Chelsy o mirara surpreso.

– Oi?

– Você pode fazer... – Gary estava corado, suas mãos tremiam. O mais novo acabara sorrindo, um sorriso que poderia condenar o quanto sua sabedoria ultrapassava qualquer idade cronológica. — Não precisa se forçar a isso... Eu sei que você não quer. – Dissera. Gary o fitara.

– Eu faria isso por você. Eu pensei muito a respeito... Se for com você eu acho... Eu acho que posso fazer. – Chelsy sorrira abertamente. Levando uma das mãos as bochechas do primo. Sentia que Gary tremia fortemente, e pode notar o medo e aflição em sua voz.

– Eu me sinto honrado, Gary. Não sabe o quanto meu coração está pulando de alegria agora, por saber que confia em mim dessa maneira... – Dissera, acariciando seus fios negros. – Mas eu não posso... Não posso fazer isso. – Gary levantara os olhos para ele.

– Mas...?

– Eu andei lendo a respeito dos assexuais. Sabe, eu revirei a internet à procura do assunto, li todos os artigos e vi todos os vídeos que eu pude encontrar, porque eu queria saber mais sobre você... Queria entende-lo melhor. E eu descobri que há várias formas de um assexual enxergar o sexo, e você me disse, logo quando vim pra cá, que tinha nojo disso... Se lembra? – Gary abaixara os olhos.

– Mas eu não tenho nojo de você... Não é isso.

– Eu sei... Gary, está tudo bem... – Dissera, percebendo a agitação na voz do mais velho. Ele no entanto, permanecia plácido. – Eu te amo... – Disse, erguendo o queixo do primo, a fim de fazê-lo mirar-lhe.

– Eu também... E é por isso que eu não ligo em fazer. – Chelsy sorrira.

– Eu disse que te amo... Você não entendeu? – Perguntara, fitando-o. – E amar implica em respeitar. Eu estaria forçando você a fazer isso... O que pra mim é o mesmo que um estupro, por mais que eu tenha seu consentimento, vai contra sua natureza, vai contra sua vontade natural. E eu sou homem suficiente pra não aceitar transar com alguém contra sua vontade, ainda mais se esse alguém for a pessoa que eu amo. Que espécie de amor seria esse, se eu fizesse tal coisa? – Ele vira uma lágrima contornar o rosto de seu primo, e pender sob seu queixo. Gary o puxara a seu encontro, abraçando-o fortemente. Estava com medo, confessava, jamais havia feito sexo com alguém antes, e jamais se vira fazendo isso na vida. Sempre quisera distancia de material pornográfico ou qualquer coisa que o levava a isso. Mas aceitaria fazer o que mais abominava, em nome de quem amava, e com quem amava. Por mais que violasse sua vontade, passaria por cima disso... Mas escutar o que Chelsy acabara de lhe dizer, estava muito além do que poderia ter previsto. De todas as atitudes que ele pensara que o primo tomasse, aquela o havia pego de surpresa, pois não a imaginava nem em seus sonhos. Pensara que ele não perderia tempo, e que agiria imediatamente... Como se enganara... Tinha muito ainda pra conhecer de seu primo...

– Eu faria qualquer coisa por você, Chelsy. – O mais novo sorrira. Não sabia nem se quisesse, descrever o tamanho da sua felicidade.

– Eu sei... Acabou de provar isso... Ainda mais conhecendo você como eu conheço. – Respondera, pousando o rosto no ombro de Gary. O mais velho apreciava o calor de seu corpo e a presença forte que sempre fora uma marca de Chelsy.

– Mas como vai ser pra você? Se pretende mesmo ficar comigo... – Chelsy apartara o abraço, calando Gary com um selinho.

– Sim, eu pretendo, se você me quiser...

– É claro que quero! Mais do que imagina... – Chelsy sorrira. – Mas e aí? Como vai ser pra você? Só sou eu o assexual aqui...

– Oras, como que vai ser? – Perguntara ele, rindo. – Conhece essa parte magnífica do corpo chamada “mão”? – Gary acabara rindo.

– Chelsy!

– Ué? Existem tantos meios pra satisfazer essa necessidade física, sem que seja necessariamente o sexo, sabia?

– Você vai enjoar de mim... Todos enjoam, com o tempo, todos vão embora...

– Todos... Eu não sou “todos”. Eu te amo desde a primeira vez que te vi daquele berço, e segurei os seus dedos... – Gary o fitara surpreso.

– Como se lembra disso? – Chelsy sorrira.

– Segredo... – Falara, piscando um dos olhos... – Desde aquele momento, eu sabia que te amava... – Disse. – As pessoas dizem que não podem viver sem sexo, eu acredito mesmo que não se possa viver sem amor... E amar é uma coisa que o ser humano ainda precisa aprender... E eu aprendi que o que realmente importa no amor, não é o sexo... Está muito além disso... As coisas mais importantes são a cumplicidade que conquistarmos um do outro, a amizade que não morrerá jamais, o respeito e o companheirismo. Não há nada mais importante do que isso... Pois isso que é amar. Talvez eu tenha aprendido de maneira torta. Acabei sendo exposto ao sexo mais cedo, antes da minha mente estar realmente preparada... E talvez por isso eu tenha ficado assim, mas eu estou aprendendo... E eu sei que posso lidar com qualquer coisa nesse mundo, se eu estiver do seu lado. – Gary sorria como um idiota, admirado e emocionado com aquelas palavras tão doces e mesmo assim tão fortes. Carregadas de sentimentos e verdades que até mesmo ele desconhecia. Parecia um sonho. Havia encontrado alguém que o compreendia, que o entendia como ninguém mais podia entender. E o mais engraçado, aquela pessoa sempre estivera ao seu lado, sempre chamara por seu nome, sempre correra em sua direção. Como pode evita-lo por tanto tempo? Como pode ter sido tão besta, ao ponto de não enxergar sua alma gêmea ali, na sua frente, a sua vida inteira...?

– Me desculpe ter demorado tanto pra aceitar você... – Chelsy rira.

– Eu desculpo... Se você fizer mais pipoca pra mim... Vou ter que voltar o dvd... Já passou boa parte do filme. – Gary acabara rindo com ele.

– Só se for pipoca sem óleo e com sal marinho.

– Ohhh meu senhor... – Balbuciara Chelsy, que levantara de seu colo, acertando-o com uma almofada.

– Ei! – Gary apanhara uma outra, acertando-o também.

– Há! Isso tá parecendo aquelas cenas clichês de filmes, só falta a almofada estourar e penas voarem pra todos os lados! – Gary parara, mirando-o.

– Não uso travesseiros com penas. – Chelsy rira. Como não previra isso? — É uma judiação o que fazem com os gansos, sabia? – O mais novo o mirara.

– Sério? Eu não sabia...

– É mesmo muito mal informado, não é? Seu corvo preguiçoso!

– Melhor ser corvo, do que ser um cavalo que vive dando coices!

– Ei! – Voltaram a se acertar com as almofadas. Gary jamais esqueceria aquela conversa que tivera com Chelsy, pois fora naquele dia, que realmente descobriu o quanto se amavam. A vida ainda tinha muito o que reservar para ambos, sabia que passariam por mais provações lá na frente, mas pensava como Chelsy, enfrentaria o que fosse se estivesse junto dele. Estava confiante, se sentia confiante... Aquele belo rapaz de olhos âmbar e personalidade forte, o havia ensinado muito mais do que podia imaginar, e sabia que ensinaria mais, se ele permitisse, e estava mais do que disposto em aprender... Pois, viver era isso... Estar sujeito a mudanças a todo instante, e estar disposto a aprender com elas era mais do que uma simples ideia, era uma regra. Abrir a mente e aprender com os erros, ultrapassar seus medos e descobrir a verdadeira força que talvez jamais havia notado em si. Vivera sua vida enclausurado, com medo de dar um passo para fora de seu mundo. Mas descobrira que a vida não era assim tão amarga, se você souber olhar com olhos otimistas, ela pode ser de fato, colorida. Sempre tivera medo de amar, e por isso se afastara de tudo e de todos... Mas descobrira que não precisava ter tanto medo assim... Queria gritar para o mundo o que aprendera, queria que todos também pudessem aprender... Afinal, o que realmente importa na vida é o amor! E o que realmente importa no amor, é amar...

~~ The End ~~

Dedico essa história a todos os assexuais, que lutam para que esse mundo tão sexual, entenda a diferença entre amor e sexo. Também dedico aos homossexuais que passam a vida tentando serem aceitos, e principalmente aqueles que sofrem com a rejeição da família. E obviamente, dedico esta história com todo o meu coração a vocês, meus maravilhosos leitores, que arrumaram um tempinho pra lê-la. Muito obrigada a todos que comentaram, leram e estiveram comigo! Que a luz e o amor os acompanhem, sempre...

"O que Realmente Importa no Amor?"

– Escrita por Evelyze Nunez – Julho de 2014

Notas finais
Bom, é isso... xD Muito obrigada a vocês, que leram, acompanharam, e comentaram. Se a história pode diverti-lo e entretê-lo ao menos um pouco, eu já estou contente... ^^ Obrigada pelo tempo que você arrumou para lê-la, espero que realmente tenha agradado ou ajudado de algum jeito - afinal esse sempre foi meu objetivo em escrever.. ^^ - Se você gostou da história, e deseja conhecer mais do meu trabalho, não hesite em visitar minhas histórias já postadas! ^^ Um grande abraço a todos vocês e obrigada mais uma vez!!! Até algum dia, minna-san! *o* Um super abraço e um beijo no coração! ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!