O que Realmente Importa no Amor?
13 Acasos da Vida
Notas iniciais
Gary dirigira por duas horas pela redondeza. Não encontrara Chelsy em lugar algum. Parara o carro próximo à uma avenida. Mirara os carros que passavam em alta velocidade.
– Droga, Chelsy! Onde você está...? – Dissera para si, esmurrando o volante. Seu coração estava disparado. Porque foi dizer aquilo? Pensara. Como pode voltar a usar suas antigas palavras frias e mal pensadas? Não acreditava no que havia feito... Sabia que o tinha magoado. Lágrimas invadiram seus olhos, pingando pesadamente em suas roupas. Será que ele estaria com frio? Estaria com fome? Lembrara-se que o mesmo estava a preparar uma sopa para ambos. Como pode dizer que não precisava dele, se agora mais do que nunca dependia de seu sorriso, de sua fala brincalhona e suas investidas, das quais não conseguia mais resistir? Chorara, grudado ao volante que a pouco surrara, pedindo perdão mentalmente a quem de fato estava perdidamente apaixonado... – Só mesmo eu... Pra conseguir afastar as pessoas que mais amo... – Falara.
Chelsy arrumara um quarto em um hotel. Agradecera por sempre estar com sua carteira ao bolso traseiro. Mas fora isso, não tinha trazido mais nada consigo. Havia pego um quarto no terceiro andar, de um hotel na avenida principal da cidade. Não acreditava que havia andado tanto... Fora até a janela, puxando as cortinas. Mirara a cidade lá de cima. “E quem falou que eu preciso de você?”, a voz de Gary não lhe saía da mente. Como pode pensar que Gary mudaria?
– Eu desisto... – Dissera, após sentir suas lágrimas quentes, lhe molharem o rosto. Não queria mais tentar, não queria mais insistir. Pensara seriamente em pegar um voo para qualquer lugar do país, e começar uma nova vida, longe de tudo e de todos. Estava cansado de tentar, estava cansado de se fazer de idiota em pensar que poderia algum dia mudar o “cavalo” que era Gary. Não estava mais afim de continuar levando coice de quem rejeitava sua presença. Concluíra.
Gary não pregara o olho durante toda a noite. Havia ligado para a empresa e explicado o que havia ocorrido. Pedira para que Tom entendesse, e que não iria naquele dia. Até que seu telefone tocou, e mil e uma coisas passaram em sua mente. A primeira foi de que algo poderia ter acontecido a Chelsy.
– Alô?! – Dissera, em desespero e pressa.
– Gary?
– Sim? Quem fala? — Era uma voz grossa e masculina.
– É o Mark, Chelsy está? Eu estou na cidade, e preciso falar com ele. – Dissera.
– Não, Chelsy não está aqui. – Respondera, tristemente.
– Ah... Obrigado. Tentarei ligar novamente no celular dele. – Respondera, desligando o telefone na cara de Gary.
– Velho mal educado! – Bufara Gary com raiva, batendo o telefone ao gancho. Chelsy havia deixado todos os seus pertences para trás, inclusive seu celular. Mas presumira que ele estivesse bem, já que era esperto e estava com seus documentos e cartão de crédito. Mas então, começara a chorar novamente. Notando o silêncio da casa, e a falta imensa que Chelsy fazia.
– DESGRAÇADO! AONDE VOCÊ FOI?! – Gritara para o vazio.
O sol não aparecera. Chelsy acordara cedo, afim de fuçar as lojas à procura de agasalhos. Já havia ido ao aeroporto e comprado uma passagem só de ida para uma cidade distante. Não conhecia a cidade em questão, mas isso não era um obstáculo para ele. Não tinha medo de recomeçar sua vida quantas vezes fosse. Era preciso. E apesar de tudo, dos trancos e barrancos que já havia enfrentado, não iria parar de continuar, afinal era livre.
Perto da hora do almoço, finalizara as compras. Encontrara um restaurante, e a poucos passos de alcança-lo, sentiu alguém lhe puxar fortemente o braço.
– Ei! – Gritara. Mas engolira em seco, ao ver seu pai mirando-o ferozmente. – Me solta! Está me machucando! – Dissera Chelsy, que tentara se desvencilhar das mãos fortes de seu pai.
– Você vem comigo! – Disse ele, que o puxara para a lateral da calçada, onde havia poucas pessoas.
– O que você quer? – Perguntara o garoto, mirando-o.
– Voltei pra te levar pra casa!
– Eu não vou a lugar nenhum!
– Ah, você vai sim! E vai me obedecer, porque sou seu pai! Sua mãe está preocupada com você, seu ingrato!
– Preocupada? Desde quando ela se preocupou comigo? E você? Eu não sou mais uma criança pra fazer as coisas que me manda! Sou maior de idade, sou independente! – Seu pai dera uma gargalhada estridente.
– Você É MEU FILHO!
– Seu filho! Não sua PROPRIEDADE! Não é você mesmo que diz ter vergonha de mim? O que ainda faz me procurando então? Me deixe em paz!
– É por sua mãe que estou aqui!
– Ahh! Não me faça rir! – Gritara Chelsy, que sentira seu braço arder nas mãos do pai. Poderia se livrar dele facilmente se lhe aplicasse uns golpes, mas não desejava isso, pensara. Apesar de tudo, sentia pena de Mark.
– Você vai voltar comigo, e vai ser AGORA! – Dissera. Mark não vira, estava de costas para a rua, mas Chelsy pareceu enxergar tudo em câmera lenta. Um carro perdera a direção, avançando rapidamente para a calçada onde estavam. Não pensara, apenas empurrara seu pai para o lado, antes de ser atingido em cheio pelo carro que o arremessou à metros dali.
– CHELSY!
***
Gary derrubara o copo com água de suas mãos. O vira quebrar em mil pedacinhos, estilhaçando ao chão. Uma pontada extremamente forte, lhe assolara a cabeça, fazendo-o cambalear perigosamente para trás. Teve a nítida impressão de ter ouvido Chelsy lhe chamar.
Seu telefone tocara em seguida. Gary atendera, ainda se sentindo tonto.
– Alô?
– Gary... – Era a voz de Mark. – Chelsy...
– O que tem ele? – Perguntara, uma pontada lhe acometera o peito.
– Um acidente... Ele... Ele tentou me defender...
– DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? AONDE VOCÊ ENCONTROU O CHELSY?! ONDE ELE ESTÁ?! – Gary gritara desesperado ao telefone.
– Ele está internado. Ele sofreu um acidente... – Dissera Mark por fim. Estava chorando. Gary sentira sua garganta travar. Aquilo estava confuso, sua cabeça girava. Não entendia o que estava acontecendo. Então sua parte fria tomara partido.
– Me fale em que hospital estão. – Perguntara, antes de anotar endereço que o tio lhe passara.
Não soube dizer como chegara ao hospital. Parecia que estava fora de si, vendo tudo e todos como borrões que passavam por ele. Vira Mark ao fim do corredor, chorando. Então caíra na realidade, que lhe atingira em cheio como uma bala avassaladora.
– Onde está ele? Onde está o Chelsy? – Perguntara impaciente. Mark erguera os olhos para ele. Estavam vermelhos e úmidos. – Mark! O que aconteceu?! – Dissera, chacoalhando o tipo pelos ombros.
– Eu voltei para busca-lo. A mãe dele me pediu para leva-lo de volta pra casa... Achei que ele estaria com você. Então o encontrei por um acaso, perto de um restaurante... – Dissera soluçando, enquanto chorava. — ... Nós brigamos, então... Eu não vi! Não vi, mas Chelsy... Ele viu o carro... Então ele... Ele me puxou, e o carro... O carro o acertou... – Gary engolira em seco. Seu coração parecia que ia sair pela boca.
– Como ele está? – Perguntara, não conseguindo evitar as muitas lágrimas.
– Está em coma. – Mark o mirou, tentando focá-lo. Gary lhe soltara os ombros, dando alguns passos para trás. Sentira a parede fria atrás de si. Levara as mãos ao rosto.
– Não... Não pode ser...
– Os médicos eles... Disseram que Chelsy teve uma lesão na cabeça. Não sabem se ele...
– Pare! ELE NÃO VAI MORRER! NÃO VAI! – Gritara, sentindo o medo lhe invadir. – Eu quero vê-lo! – Dissera, alcançado uma enfermeira. – Por favor! Preciso ver meu primo!
– Calma senhor... Sabe a sala em que ele está?
– Não exatamente... Ele esta em coma... – Dissera, confuso. A enfermeira o mirou pesarosa.
– Vou pedir aos médicos para lhe trazer notícias sobre seu primo. Como é o nome dele?
– Chelsy Donner... Frost. – Ela anotara, sorrindo a ele.
– Pedirei ao médico que está cuidando dele, para lhe trazer notícias. Ok? – Ele meneara a cabeça positivamente. Era óbvio que não lhe deixariam entrar. Concluíra. Estava tão desesperado, que se esquecera.
A família fora avisada. Chelsy passara por um cirurgia para a retirada de um coágulo, que não afetara partes cruciais. Mas seu estado era incerto. Os médicos não davam grandes esperanças, Chelsy poderia acordar na semana seguinte, ou jamais acordar. Depois de tudo, seus parentes puderam finalmente visita-lo.
Os pais de Chelsy foram os primeiros que puderam vê-lo. Mas Gary não sairia de lá sem que o visse. E foi o que aconteceu, passadas algumas horas.
Ele caminhou silenciosamente pelo quarto. Os cabelos razoavelmente curtos e castanho claros de Chelsy, era pouco visto em meio a tala que lhe cobria boa parte da cabeça. Um respirador era mantido, e um aparelho que lhe mediam os batimentos cardíacos também. Gary sentou-se na cadeira reservada para visitas. Mirara o rosto do primo. Com alguns arranhões nas bochechas. A expressão plácida, incomum a Chelsy, lhe enfeitava a face bela. Gary segurara-lhe as mãos frias, beijando-as cuidadosamente.
– Chelsy... Eu sei que você pode me ouvir...
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