O que é amor?
1 O Retorno
Haruhi havia acabado de chegar no colégio Ouran, e com todo o seu desastre, acabou por quebrar um vaso estimado no valor de 8 milhões de ienes. Devido a esse acontecimento e sem ter condições financeiras para pagar por ele, ela se sentiu na obrigação de trabalhar no Clube dos Anfitriões para quitar sua dívida, escondendo, dessa forma, que era uma menina. Já havia mais ou menos umas duas semanas do ocorrido, e com a entrada dela no clube, os membros estavam agitados. Após essas duas semanas que se sucederam, num dia agradável de primavera, percebe-se um movimento por Tamaki:
—Ela está chegando, rápido, temos que comprar bolo! De chocolate com morango, é o favorito dela!
Haruhi estava sem entender nada, quem afinal seria ela? Alguma cliente especial, para o tanto de tumulto? Após as aulas da manhã, todos se reuniram no clube, estavam todos muito contentes com o que iria ocorrer, mas uma coisa chamou a atenção de Haruhi. Enquanto Hikaru e Kaoru estavam fazendo de tudo para tentar animar a todos, Honey-senpai e Mori-senpai estavam providenciando o tal bolo favorito dessa pessoa e Tamaki não sabia calar a boca de ansiedade, Kyouya estava se comportando como nunca antes. Ele sempre foi de ficar quieto, analisando a situação e fazendo contas, mas dessa vez, ele parecia distraído, fora do comum, parecia suar frio. Foi quando Haruhi seguiu até os gêmeos e perguntou se Kyouya estava bem.
—Você não sabe? Sayuri está chegando aí, depois de três meses fora. — os dois responderam.
—Sayuri? Quem é Sayuri? -perguntou Haruhi, tentando entender.
Eis que a porta se abre, e entra na sala uma menina muito diferente do convencional japonês. Ela era um pouco mais alta do que o normal, devia ter por volta de 1,75m de altura, tinha olhos claros como safiras, cabelos loiros e lisos, longos, com um dos lados levemente raspado. Não tinha os olhos puxados como os dos japoneses, porém, eram levemente amendoados, o que lembrava vagamente a característica asiática. Tinha também a pele bem clara, com um nariz afinado de europeu. Ela era mulher, e mesmo todos sabendo disso, ao contrário do que acontecia com Haruhi, ela usava uniforme masculino.
—Sayuriiiiiiii!!! -exclamou Tamaki, enquanto corria e, em seguida, pulava em sua direção.
Haruhi demorou um pouco, mas logo a reconheceu. Sayuri era uma lutadora de boxe sub 18 famosa internacionalmente e estava voltando após 3 meses de campeonatos no exterior. Sayuri, de forma alegre cumprimentou a todos, parecia muito feliz em vê-los. Foi em direção a Haruhi, de forma amigável e disse:
—Olá, você deve ser Fujioka, certo? Muito prazer, eu sou Sayuri, mas pode me chamar de Say.
—É um prazer, eu... sempre acompanho os campeonatos pela TV. E como você sabe o meu nome? -perguntou Haruhi, confusa.
—Tamaki me disse que havia um tal de Fujioka, membro novo e plebeu no clube, não poderia ser ninguém menos do que você, é claro.
Ela ficou corada, sem entender muita coisa, mas achou bem legal a atitude de Sayuri, que continuou:
—Aliás, por que ninguém me disse que era uma menina vestida de menino?
Haruhi ficou pálida, gélida, não sabia como proceder.
—E...eu? Menina? Não sei o que você está dizendo! -exclamou Haruhi, desesperada.
—Haruhi, me poupe, eu já usei disso várias vezes por motivos pessoais, acha mesmo que logo eu não saberia identificar uma mulher vestida de homem? -respondeu Sayuri.
Todos ficaram pasmos, mas começaram a rir. Haruhi, então, entendeu que aquela menina era boa pessoa, e não contaria a ninguém sobre seu segredo, afinal, ela tinha a confiança de todos.
Até aquele momento, Sayuri havia cumprimentado a quase todos, exceto Kyouya, que havia ido a outro lugar da sala buscar uns documentos. Quando voltou, se deparou com Sayuri, bem em sua frente, que logo também o viu. Em um instante, os dois se encararam e sem demora, Sayuri largou suas coisas no chão e Kyouya, soltou os papéis, tendo apenas um diálogo quase que simultâneo:
—Sa...Sayuri!
—Kyouya!!
Os dois saíram de seus lugares em passos acelerados, que desejavam que seus corpos se encontrassem logo. Terminaram em um abraço, como dois amantes que não podiam ficar juntos.
—Que saudade que eu estava de você... -disse Sayuri.
Como resposta, Kyouya só conseguiu a abraçar mais fortemente ainda, demorando-o o máximo que pôde.
—SAUDADE DELE?? E DE MIM?? NÃO SENTIU SAUDADES DE MIM??? -disse Tamaki, enquanto fazia escândalo e dramatizava uma depressão ao fundo da sala.
Kyouya e Sayuri se olhavam de forma apaixonada, mas não demonstravam afetividade entre si, pelo menos, não na frente dos outros, tentando ignorar seus sentimentos, ao que parecia para Haruhi.
Haruhi estava certa de que havia alguma coisa por trás daquilo, e foi perguntar aos gêmeos quem de fato era Sayuri, e o que ela fazia no Ouran.
—Ela é prima de Tamaki-senpai. -responderam Hikaru e Kaoru.
—An? Prima? -questionou Haruhi.
—É, prima. A mãe de Sayuri é irmã do pai de Tamaki. Quando era jovem, se envolveu com um chefe da máfia italiana, Piettro Ferro. O caso dos dois gerou Sayuri. Você não sabia? -responderam.
—Na verdade, eu não fazia ideia. Ela mora com Tamaki? -perguntou Haruhi.
—O pai quis a guarda dela, mas nunca conseguiu por não ser um pai presente e envolvido com a criminalidade. E mais tarde ela também não quis se envolver com ele, mas acabou sendo atingida pelos negócios do pai, sofreu perseguições desde muito novinha, foi por isso que ela começou a lutar boxe, para se defender caso estivesse sozinha. Como medida preventiva, há uns anos a mãe dela tirou ela da Itália e mandou ela aqui para Tóquio, para morar com a família Suou, sua família, deixando ela sob a guarda de seu irmão mais velho, o pai de Tamaki. -responderam.
—Nossa... que complicado, não? Mas ela está segura agora? -perguntou Haruhi.
—Aconteceram algumas coisas há uns anos atrás, mas agora ela está bem, competindo em vários países e se dedicando a fazer o que ela ama, que é fotografia e filantropia. -disseram os gêmeos.
Haruhi deu um sorriso e logo, todos foram realizar suas atividades. Mais tarde, quando Sayuri passava pelo corredor para ir na diretoria, Haruhi passou correndo por ela, o que a fez estranhar sua atitude. Quando olhou para o lado, viu que havia uma menina de pé, assistindo algo pela janela. Quando se aproximou, Sayuri viu as coisas de Haruhi jogadas na fonte do pátio. Não havia dúvidas de que aquela menina havia feito aquilo. Num piscar de olhos, Sayuri foi tirar satisfações:
—O que leva alguém a agir dessa forma?! -disse Sayuri a aquela menina.
—Tem pessoas que não sabem o lugar que ocupam. -respondeu ela, de forma arrogante.
—Não entendo o que quer dizer com isso. -respondeu Sayuri.
—Sabe, às vezes é preciso colocar algumas pessoas em seu devido lugar, senão elas começam, você sabe, a se misturar. Isso não é um lugar para plebeus. Você entende? — disse ela.
—Na verdade, o que eu entendo é que aqui no Ouran não é lugar de certas pessoas, de fato. -ela encarou Sayuri com um meio sorriso- Não é lugar para pessoas podres como você! Você devia se envergonhar!!!
Logo o meio sorriso sumiu, e a menina começou a gritar:
—A divisão sempre existiu! Não acha mesmo que vou me conformar em ter de dividir espaço com uma pessoa que nem ela, não é mes... — foi quando houve um estalo, que ecoou pelo corredor inteiro.
Sayuri, irritada e com intenção de mostrar o absurdo que aquela menina estava falando, soltou a mão em seu rosto. A menina, com os olhos cheios de água, se jogou no chão e começou a gritar escandalosamente. Logo, os membros do clube saíram de trás das paredes e a levantaram do chão. Haruhi havia assistido o ocorrido e Tamaki também havia escutado o que ela disse, e tomou uma atitude, a expulsando como cliente do clube.
Depois do estardalhaço, após todos terem ido embora, com tudo mais calmo, Sayuri se sentou no sofá da sala do clube, e lá ficou, pensativa sobre os absurdos que ainda ouvia. Já não havia mais ninguém no clube, apenas ela e Kyouya, que se juntou a ela.
—Você não muda mesmo, não é? -disse ele.
—E parar de defender o que eu acredito? Jamais. — respondeu ela.
—Você sabe que um dia isso pode te prejudicar, não é mesmo? Fazer algumas pessoas não gostarem de você... -disse Kyouya.
—O que me importa de quem não gosta? Só sei que há quem goste justamente por esse meu jeito, não é mesmo, senpai? -disse ela, olhando no fundo dos olhos castanhos de Kyouya.
Nesse momento, Kyouya pôs sua mão em cima da mão dela, e os dois entrelaçaram os dedos.
—Você sabe que não dá... né? -disse Sayuri.
—Só não vai dar quando pararmos de tentar. -respondeu Kyouya.
—Eu não acho uma boa ideia... não posso passar por tudo de novo. Me... me desculpe Kyouya. -disse Sayuri, de forma surpreendentemente doce, e em seguida, saiu. Deixando Kyouya para trás.
Kyouya ficou pensativo, porém, manteve sua postura fria e conteve seus sentimentos, que naquele momento, haviam despertado novamente, e revivendo tudo o que já havia ocorrido.
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