O pulso ainda pulsa

2 Capitulo 2 - Mais uma vitima


Notas iniciais
Conrad é surpreendido com a noticia de que o fantasma do Hospital São Rafael fez mais uma vitima. Justamente quando ele, Conrad estava no Hospital.

Com o passar dos minutos, a secretária estava mais calma, ainda pálida e assustada. O investigador anotava algo em sua pequena caderneta sem desviar o olhar que mirava sua mais nova testemunha. O Dr. Botelho foi chamado às pressas para acompanhar o encaminhamento do enfermeiro supostamente vitimado pelo fantasma. Coube à Madre Catarina segurar uma pequena jarra, quase vazia, uma vez que a testemunha de Conrad havia bebido praticamente toda a água.

– Você disse que o fantasma atacou o tal enfermeiro. Correto? – Questionou ao se levantar, forçando a secretária a olhá-lo de baixo para cima. Uma estratégia de interrogatório.

– Sim. Está correto. – A voz não estava trêmula, mas transmitia nervosismo.

– Como ele, o fantasma, atacou o tal enfermeiro? – Conrad firmara a ponta da caneta na pequena folha.

– O tal enfermeiro tem nome, senhor. – Disse irritada. – Chama-se Fernando.

– O nome dele não me interessa agora, senhorita. – Não havia aliança em nenhum dedo de Ayala, Conrad presumiu que ela não nutria nenhum relacionamento fixo com alguém no momento. – Se não for pedir muito, responda aquilo que pergunto. – A rispidez ora era preciso.

– Claro...me desculpe. Estava voltando do toilette, o corredor estava vazio. Vi o Fernando e acenei para ele. Ele estava...estava estranho...olhou pra mim e não disse nada. E...e... – as palavras foram sufocadas por uma crise de choro. A Madre serviu o restante da água, o que ajudou a acalmar Ayala.

– Senhorita Ayala, e o quê?

– Responda filha...- a Madre Catarina interveio – o detetive não está aqui para julgá-la. Responda. – Alisava os longos cabelos castanhos e pranchados de Ayala.

Ele vai achar que estou louca...ele vai...eu sei que vai... – gritava para si a jovem secretária.

– Veja bem, talvez você não tenha entendido o que a Madre disse. Não a julgarei sob circunstancia alguma, não sou juiz...- mirou os olhos lacrimejados de Ayala — ...não sou psiquiatra.

As palavras de Conrad foram como calmante. Um poderoso calmante que não é vendido em farmácias, pois apazigua a alma e não o corpo ou a mente.

– Ele...ele foi suspenso...e foi jogado contra a parede por umas três vezes...isso, três... – Ayala parecia não gostar do que via em suas lembranças.

– Quem fez isso com ele? Você viu o rosto? – Conrad tomava nota do relato.

– Não vi... era como se ele fosse...

– Invisível. – Completou a Madre que fazia o sinal da cruz enquanto pronunciava aquela palavra, termo tão...familiar.

– Isso Madre. Invisível. – Concordou Ayala. O Dr. Botelho entrou na sala com polidez, estava menos sorridente, para alegria de Conrad.

– Detetive, o enfermeiro Fernando está em coma e você não tem nenhuma testemunha além da senhorita Ayala. – Direto, sem delongas.

– Hum... – Alexis Conrad olhou para o Dr. Botelho e não riscou nada em sua caderneta do que ele dissera. – O senhor poderia me responder como é que um corredor de uma ala cirúrgica de um hospital como este fica vazio?

– Esse corredor era usado para operações pelo SUS. Mas encerramos nossas atividades em convênio com o governo, não usamos mais as salas para procedimentos cirúrgicos. Esse foi outro fator que me fez fechar meu consultório naquele corredor.

– Compreendo. O corredor é um corredor fantasma... – Conrad sorriu disfarçadamente com o trocadilho que acabara de fazer. – E o que você foi fazer no toilette daquele corredor Ayala?

– Lá fica mais vazio... então ficamos mais à vontade...sabe? – Conrad não sabia, ou não tinha certeza, julgava que ela estava com diarréia. Diarréia nos prega peças barulhentas – pensou tentando entender as razões de Ayala. – E até então, não acreditava em nada disso... de fantasma...sabe?

– Sei. Só mais uma pergunta... sentiu algo diferente no corredor?

Como ele pode saber disso se estava o tempo todo aqui? – Perguntava-se a secretária.

– Sim. Frio. Um frio repentino, forte. – Afirmou.

– Grato. Madre, Dr. Botelho, volto assim que tiver novidades. E terei novidades muito em breve, com a análise das gravações. Além do mais, tem alguma peça solta em toda essa história. Dr. Botelho, quero a agenda dos dois enfermeiros vitimados pelo suposto fantasmas, a agenda dos últimos três meses.

– Providenciarei isso. – Disse a Madre Catarina. – Venha comigo detetive.

Notas finais
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