O príncipe perdido
5 Capítulo 5 - O homem-bode vem com a gente
– Sr. Felpudo — disse a voz, na qual eu já podia distinguir o que era.
Da metade para cima era um homem assim como qualquer outro, com cerca de uns 23 anos, um cabelo preto encaracolado e uma barbicha crescendo. Mas da cintura pra baixo era um… carneiro, ou um bode, não sei direito. Ele era um fauno.
– Bondino, estou ocupado demais agora! Depois nós conversamos! Saia daqui!
– Mas ocupado como? O que seria tão importante assim para você perder as suas aulas de música, Felpudinho? — perguntou o fauno segurando o riso.
– Ora, não é da sua conta! E já lhe disse que não é para me chamar de “Felpudinho”! Além do mais, as aulas de música não me tem utilidade alguma!
– Estive te procurando a manhã inteira! Não vou sair daqui sem alguma explicação! — só então o homem-bode reparou que nós também estávamos lá, olhando os dois discutirem. — Ora, vejo que você tem duas crianças com você. Pra onde as está levando?
– Estou levando elas para a nossa rainha! — ele disse e bufou — Já tem sua explicação, agora saia da minha frente, estamos perdendo tempo!
– Quero ir com vocês! — falou Bondino tampando a passagem.
– Não, não e NÃO! Nem pensar! — disse Sr. Felpudo apressadamente.
– Porque não? Ora, Sr.Felpudo você sabe que sempre tive o sonho de sair em uma aventura, lutar contra monstros, descobrir coisas novas!
– Não é uma aventura! Só estou indo até o castelo! — disse o gato desviando do seu “amigo” e seguindo em frente — Vamos crianças!
Nós continuamos a andar, seguindo o Sr.Felpudo enquanto o fauno saltitava atrás dizendo “Por favor!” a cada 15 segundos. Enfim o enorme gato se cansou e permitiu que ele nos acompanhasse desde que parasse de falar e de que parasse de lhe dar “aulas de música” e o fauno assentiu.
Já tínhamos andado muito e já estava bem tarde. Já devia ser mais ou menos umas oito horas, pois já havia algum tempo que o sol se pôs. Nós comemos algumas ervas e tomamos um pouco de leite e nos sentamos embaixo de uma árvore onde o Bondino fez uma fogueira para tentar nos aquecer.
A noite era quente e calma. O som de água escorrendo nos fazia saber que por ali perto havia um riacho ou coisa parecida.
– Crianças, se ouvirem qualquer barulho durante a noite, acordem todos, porque podem ser os caçadores e eles não gostam de ver animais e pessoas na floresta. Eles não poupam ninguém.
– Quem são esses tais caçadores em que você tanto fala? – perguntou Matthew.
– Os caçadores são homens contratados pela Rainha para vigiar a entrada de inimigos ou de espiões pela floresta à noite, para que estejamos prevenidos caso isso ocorra. Mas os caçadores são cruéis e matam qualquer criatura que esteja fora de sua casa e na floresta à noite, partindo da desculpa de que não estavam enxergando direito e pensavam que era o inimigo.
– Que horrível! – eu exclamei sem perceber. – Mas e a Rainha? Ela simplesmente permite?
– Ela não tem opção! Ela precisa dos caçadores! Sem eles, seríamos atacados frequentemente.
– Mas… – parei para pensar um pouco. Era terrível, haveria de ter uma maneira de fazer com que isso parasse.
– Não fique pensando nisso, menina! – disse Bondino que já havia ficado quieto por tempo demais para ele. – Vamos dormir agora, vocês humanos se cansam facilmente.
Matthew pareceu um pouco ofendido, mas estava mesmo cansado e não disse nada. Deitamos todos nós sobre a relva, temerosos do que poderia se seguir naquela noite.
Mas eu ainda não estava com sono o suficiente para conseguir adormecer e fiquei observando o céu lotado de estrelas por um longo tempo. Mas não era como o nosso céu… Havia muito mais estrelas e elas eram muito maiores, mais brancas e muito mais brilhantes. Foi quando percebi que Matthew também estava acordado ao meu lado, admirando o céu também.
Virei de lado para que o pudesse ver melhor.
– Esse lugar é incrível, não acha? — perguntei a ele.
Ele ficou em silêncio por uns instantes, mas depois respondeu.
– Não tenho o mesmo ponto de vista que você, mas acho que tem razão… Aqui é um bom lugar. – ele sorriu pra mim mostrando suas covinhas.
– Já observou bem as estrelas?
–Sim… Elas são lindas não é? Muito maiores que as nossas…
Seus olhos brilhavam ao observar as estrela e dava pra ver muito melhor agora a cor verde azulada deles.
– Boa noite — disse a ele virando de lado e fechando os olhos.
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