O primeiro ato

1 Os bastidores/1


Em frente ao espelho do banheiro ela penteava suas longas madeixas, longos e delicados fios castanhos. Há uma semana atrás ela completará 15 anos de idade, um dia especial para uma adolescente, mas invés de festas e lindos vestidos rodados ela optou por ganhar um filhote de gato de seu pai, era tudo o que ela mais queria nos últimos meses, a até então gatinha chamada floco de neve, que faz jus a sua aparência, longos pelos brancos e olhos azuis como o céu.

Um estrondo vindo do andar de baixo a tira de seu transe, jogando a escova no chão ela desceu rapidamente as escadas, os degraus rangiam conforme ela os pisava, um chalé antigo, na média de 30 anos de idade, foi uma herança de seu avô, um velho escocês que acabou imigrando para o Brasil.

Chegando ao térreo o barulho se repetiu, um cheiro doce e familiar vindo da cozinha chamou sua atenção:

–Torta de morango..- Suspirou ela.

Faltavam poucos dias para o natal, a sala já estava quase completa, exceto pela árvore, caixas de enfeites estavam espalhadas pelo canto da sala, "Amanhã a decoramos" e esse amanhã nunca chegava.

–Papai — Sussurrou ela ao chegar a cozinha.

–Ah oi filha, achei que você ainda estava dormindo -Era Victor seu pai, um banqueiro de 27 anos de idade, em seus dias de folga ele adora cozinhar, Helena acaba sendo sua "cobaia" para provar seus novos pratos.

–O que aconteceu por aqui? -Perguntou ela passando o dedo em uma sobra de massa na tigela e levando a boca.

–Um pequeno acidente com a batedeira...-Lamentou ele limpando a testa suja de farinha com um guardanapo. Apesar da idade Victor já aparenta fios grisalhos, dando a ele um ar "intelectual", um charme que Helena não cansa de dizer que adora.

Helena se debruçou sobre o balcão e com o olhar ela observava seu pai amarrar o avental de babados que ela mesma tinha feito.

–Você esta uma graça com esse avental. -Disse ela o seguindo com o olhar. Apesar da pouca idade Helena sabe costurar super bem, com a ausência de sua mãe ela passou um bom tempo com sua vó até aquele "rolo" de divórcio acabar, sua avó Julieta acabou lhe ensinado muitas coisas, tais como costurar.

–Ah, vá ver se eu estou na esquina menina! -Riu Victor jogando seu guardanapo na garota. -Você Não tem Oftalmo hoje?

–Tenho. -Resmungou ela.
Usar óculos é a ultima noticia que uma adolescente gostaria de receber, é quase como ter de usar aparelho.

–Vai por mim, você vai ficar linda! Vá se trocar que quando terminar de arrumar essa bagunça nós já podemos ir.

Era verdade, a visão dela estava realmente ruim, ela acabou escondendo isso por alguns meses, mas como era época de jogos na sua escola sempre tem aqueles exames de visão, e seu hobbie preferido acabou a entregando.

–Quem precisa se arrumar para um exame? -Bufou ela revirando seu guarda roupas. Na ultima gaveta ela acabou encontrando um moletom velho, quer dizer O MOLETOM, ela havia ganhado aquilo á anos atrás e nunca tinha vestido porque era brega demais...

–Papai não vai mais poder reclamar por eu nunca ter usado essa coisa.- Batendo a porta do guarda roupa ela desce as escadas em disparada.

–Estou pronta disse ela. -Dando um voltinha de deboche para seu pai.

–Depois que a gente passar por aquela porta eu não quero ouvir você dar um pio para querer trocar de roupa. -Ele abriu a porta principal e fez sinal para ela passar.

10 minutos depois eles já estavam na sala de espera, e realmente isso é muito tedioso, folheando revistas e mais revistas Helena estava suspirando a cada minuto e aquilo já estava tirando Victor do sério.

–Helena, meu amor, por favor pare com isso. -Disse ele zangado.

–Vou ao banheiro. -Não dando a miníma para o que sei pai disse ela se levantou e foi em direção ao corredor, e no mesmo instante...

–Helen Morgan Herrison, o doutor irá vê-la agora, pode me seguir por favor. -Victor deu um suspiro de alívio, já Helena...
Um pequeno corredor levava ao consultório do Dr.Pedro, a secretária bateu na porta.

–Doutor, o Sr.Victor Herrison já o espera. -Sorrindo em direção aos dois ela diz. -Ele já os atenderá.

–Muito obrigado. -Disseram os dois juntos.

3 minutos depois, que para Helena foram uma eternidade a porta do consultório se abre.

–Foi um prazer Sr.Diogo. -Dr.Pedro apertou a mão homem e em seguida fez sinal para eles entrarem.

Helena estava estática, e que homem!

Olhos verdes, barba bem feita e aqueles cachos no cabelo...sem contar o delicioso perfume coffe ele usava.

Ele caminhou pelo corredor e em segundos sumiu na curva que dava para a recepção.

–Ei Helena! Não temos o dia todo.

–Aah...sim, já estou indo pai. -Lamentou ela tendo de entrar no consultório.

E naquele momento ela desejou com todas as forças poder voltar no tempo e ter se arrumado melhor.

Ah se arrependimento matasse...

Notas finais
Espero que tenha gostado, se puder peço que deixem seu apoio e um comentário! ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.