O preço de uma dívida
8 Desaparecidos (III): onde estamos?
Notas iniciais
“Baby, lay on back and relax;
Kick your pretty feet up on my dash;
No need to go nowhere fast;
Let’s enjoy right here where we at;
Who knows where this road is supposed to lead?
We got nothing but time;
As long as you’re right here next to me;
Everything’s gonna be alright…”
Meant To Be
Florida George Line
**Em algum lugar ermo(sábado,24/7-06:00a.m) **
Caitlin
Desperto assustada escutando um uivo curto parecendo muito perto.
Olho em volta confusa, tentando entender o que se passava e principalmente aonde estava, a realidade me atingindo como um soco no estomago.
—Thomas?? – sussurro, olhando em volta mais uma vez, desta a sua procura – Thomas? – repito mais alto, temendo chamar atenção dos lobos (ao menos presumo que sejam eles os responsáveis pelos uivos) para mim, apoiando as mãos na parede da caverna levantando devagar.
Meu vestido enxugara parcialmente. Por conta disso estava pesando consideravelmente e me arrependo não ter escolhido um modelo mais simples ao invés deste.
— Mas como poderia adivinhar que seria largada à míngua Caitlin? Fosse este o caso não teria sequer saído de casa! – resmungo comigo mesma, sobressaltando-me ante novo uivo ainda mais próximo – Thomas? – chamo novamente, um pouco mais alto, a aflição e o medo de ter sido abandonada se apoderando gradativamente de meu ser, impelindo-me para fora ao escutar mais uivos.
Saio da caverna de forma atabalhoada, quase indo ao chão ao tropeçar na barra de meu traje, segurando firme a saia, erguendo-a o máximo que consigo a fim de caminhar melhor e mais rápido, os saltos de minhas botas fincando-se na terra fofa, dificultando-me o caminhar.
— Outra escolha infeliz! – sopro, estancando, perscrutando o ambiente em busca de encontrar Thomas – Não posso crê que tenha me abandonado! Ele não faria isto. Por mais que odeie meus pais, não faria isto! – sussurro, esperançosa, o pânico começando a tomar-me enquanto volto a caminhar a sua procura.
Temia gritar não apenas por conta dos lobos, mas também por receio chamar atenção de algum transeunte que por ventura estivesse nas redondezas cujas intenções desconhecia, obviamente.
Certo que alguém nos encontrar seria esplêndido...desde que Nos encontrasse, a nós dois e não apenas a Mim! Não saberia ou poderia defender-me do ataque de algum malfeitor e pensar que Thomas me abandonara sem importar-se doía muito.
—Pare com isso agora mesmo Caitlin! Ele Não faria isso! – reforço, estancando, enxugando as lágrimas que teimavam em cair, girando a cabeça de uma lado para o outro, respirando aliviada ao vê-lo alguns metros a minha direita recostado a uma rocha. Ergo meu vestido mais uma vez, andando rapidamente até o ponto onde encontrava-se.
O alivio que sentia muda-se rapidamente em raiva ao ver a expressão em seu semblante. Parecia relaxado, feliz até, os olhos fechados, respirando compassadamente.
Um fogo sobe-me à cabeça e antes que consiga controlar-me avanço em sua direção, furiosa, ignorando os alertas emitidos por minha consciência.
—Como ousa assustar-me desta maneira, Thomas Merlyn? — esbravejo, assustando-o, fazendo-o voltar-se para mim – Oh, Céus! – exclamo, surpresa, vergonha e choque misturando-se, fazendo-me corar até a raiz do cabelo. Giro nos calcanhares (não tão rápido quanto deveria) levando uma mão ao peito, ofegante.
—Mas que diabos mulher, que pensa estar fazendo? — ouço-o xingar prosseguindo sem dar-me chance falar – Deveria estar dormindo ainda. E por que tanta fúria? – questiona.
—Desculpa....me desculpa...E-eu, eu não queria...não pretendia ...- enrolo-me, apertando as mãos, nervosa – Acordei assustada com o uivo dos lobos e quando não o vi, julguei ter-me abandonado – confesso.
—Que ótima ideia faz de minha pessoa! – diz, o tom irônico não escondendo a magoa por traz de sua observação — Que tipo de homem eu seria abandonando uma senhorita em meio ao nada, indefesa e sozinha? – interroga e volto-me rápida e inadvertidamente, esquecendo momentaneamente o que vira.
—Perdoe-me eu...- começo dizer, meu olhar descendo a sua cintura sem que pudesse controlar. O desvio tão rápido quanto consigo – Eu...Hã...- limpo a garganta a fim de conseguir falar, olhando em todas as direções excerto para ele – Como já disse, assustei-me ao acordar e não tê-lo por perto. Pensei que teria partido sem mim afinal sei o quanto odeia a meus pais e....
—O que sinto em relação a seus pais nada tem a ver com a situação na qual nos encontramos, senhorita – corta-me, dando dois passos em minha direção -Jamais a deixaria sozinha nesta situação, entregue à própria sorte. Jamais! – assegura dando outro passo – Estava dormindo e não quis perturbá-la, nada mais. Não sei que horas eram quando finalmente adormecemos por isso deixei-a descansar e sai para explorar o local... e me aliviar – explica tranquilamente.
—Aliviar-se? – a pergunta sai antes que possa impedir e mordo minha língua, corando novamente ao ver o sorriso jocoso em seu rosto.
—Sem querer ser atrevido ou mal-educado, não sei quanto a senhorita, mas tenho certas...necessidades matinais que requerem ser aliviadas quando desperto de manhã cedo – frisa, esclarecendo ao notar que ainda estava confusa –Urinar.
—Como?? – indago, ridiculamente assombrada...Que coisa, Caitlin! Ficou estúpida de repente!! , xingo-me em pensamento, recriminando-me por dirigir meu olhar a linha pouco baixo de sua cintura outra vez...Por Deus, pare de olhar antes que ele note! , admoesto-me.
—Xixi, senhorita. Vim fazer xixi – explica como a uma criança — E já notei – acresce, sorrindo, e fecho os olhos, mais envergonhada do que nunca, sentindo-o passar por mim.
—Aonde vai? – pergunto, abrindo os olhos, voltando-me para ele.
—Procurar algo que possamos comer, ver se há alguma fonte de água que não a chuva que está por vir e o principal: tentar descobrir aonde estamos – enumera, apontando as nuvens escuras sobre nossas cabeças, fazendo menção afastar-se.
—Espere senhor Thomas – peço de maneira formal fazendo-o estancar – Hã..eu ..também preciso ir...a casinha – digo, sem graça.
—Fique à vontade. Não pretendo espiá-la, se é o que a preocupa – alfineta, me dando as costas
Mereceu essa Cait!— Espere, por favor- peço, ele estancando novamente – Desculpe-me, não quis espiá-lo. Apenas assustei-me com...Bem, não irei repetir-me. Se puder, ou quiser, aceite minhas desculpas – friso, segurando-o pelo braço, retendo-o uma vez mais – Por favor, não afaste-se. Não quero ficar sozinha – peço, olhando-o nos olhos — Não poderia apenas ficar aí, parado, me aguardando? Posso ajudá-lo a procurar comida também, basta que me diga o que pode ou não ser comestível...E tem os lobos...A-acho que estão por perto – negocio, receosa.
Após me encarar por um tempo que pareceu-me uma eternidade (seu olhar causando-me a sensação de milhares de borboletas batendo asas em meu estomago)Thomas cruza os braços, dando-me as costas, permanecendo imóvel.
—Tente ser rápida, por favor. A chuva não tarda recomeçar e quero evitar outro banho desnecessário — pede.
—Obrigada – agradeço, erguendo meu vestido sem dar-lhe as costas, regozijando-me desta feita por ter escolhido (sem minha mãe saber) a combinação de calçola e blusa de seda, mais fáceis de tirar e vestir do que o espartilho ou outra peça mais complicada. Mesmo assim, gasto um tempo considerável para conseguir arriá-las e outro igualmente demorado para ergue-las outra vez e segurar o amontoado de tecidos das saias de meu vestido a fim de evitar sujá-las de urina, dedicando a mesma preocupação as minhas botas. Já bastava toda aquela situação delicada pela qual estava passando e ainda ficar fedendo a xixi era por demais desconfortável além de vexatório.
Confesso ter-me surpreendido com a paciência de Thomas. Em momento algum apressou-me tampouco fez comentários grosseiros ou pejorativos, aguardando-me terminar pacientemente.
—Desculpe-me a demora – peço, parando a seu lado quando finalmente termino, arrumando meu vestido, erguendo o rosto para ver o seu – Por onde começamos? – pergunto, agarrando seu braço ao escutar os uivos novamente.
—Não há o que temer por hora, senhorita. São filhotes – Thomas informa e enrugo a testa.
—Como sabe? – questiono-o.
—Porque dormiram conosco – conta calmamente, rindo de meu espanto – Acordei algumas vezes e os vi deitados as nossos pés. São três e não devem ter mais do que cinco semanas de vida – conta — Devemos preocupar-nos caso os pais apareçam, muito embora acredite que estejam mortos ou os filhotes não estariam desgarrados – pondera, suspirando.
—Mortos? Por quem? Por quê? – quero saber, entristecendo em pensar nas pobres criaturas sem pais para cuidar deles.
—Caçadores, muito provavelmente, por causa da pele ou por prazer, infelizmente – informa, sério, sacudindo a cabeça – Nada podemos fazer em relação a isto. Devemos concentrar-nos em procurar comida e água limpa. Precisamos alimentar-nos ou enfraqueceremos – alerta, começando a caminhar e o sigo mantendo meu braço enlaçado ao seu.
“...If it’s meant to be, it’ll be, it’ll be;
Baby, just let it be;
If it’s meant to be, it’ll be, it’ll be;
So won’t you ride with me, ride with me?
See where this thing goes;
If it’s meant to be, it’ll be, it’ll be;
Baby, if it’s meant to be…”
***** Thomas *****
Após alguns minutos de caminhada tendo Caitlin sempre grudada a mim (o que estava tornando difícil manter minha sanidade!) encontro uma moita de frutas vermelhas semelhantes a amoras que haviam nos arredores de Starling e as quais sabia serem comestíveis.
—Aqui, podemos comer essas frutinhas – aviso, colhendo algumas, levando-as a boca a fim de fazê-la perder o medo e acreditar no que dizia – São um pouco azedas no princípio, mas doces ao final....Como certa senhorita, suponho!— garanto, sorrindo ao vê-la colher três ou quatro, comendo-as com vontade após a insegurança inicial, erguendo os grandes olhos castanhos para mim ao escutar os lobos uivando – Não tema, são os filhotes – repito e assobio igual fizera pela manhã quando acordei, os três surgindo por entre os arbustos, vindo até onde estávamos.
—Você os adestrou? Em tão pouco tempo? – admira-se e por um breve segundo penso em contar vantagem confirmando, mas por alguma razão não consigo.
—Na verdade pretendia espantá-los quando assobiei mais cedo, mas aconteceu o inverso – confesso vendo-a sorrir, o gesto causando-me o já familiar rebuliço no estomago.
—Então agora temos três filhotes de lobo para cuidar e proteger além de nós mesmos – afirma e a encaro estupefato.
—Não temos não! Certamente irão embora assim...
—E se não forem, que faremos? – corta-me, olhando-me docemente.
—Irão – asseguro – São lobos senhorita, não cães. Não se apegam a pessoas. Normalmente fogem delas ou as matam, quando adultos. Estão por perto por... por ...- titubeio, calando-me, pensativo, observando os filhotes brincando sobre meus pés.
—Estão perto por que mesmo senhor Thomas?? — ouço-a questionar em tom de galhofa e ergo os olhos para ver que sorria, convencida.
—Não por amare-nos, garanto – insisto, irritando-me – Esperam que morramos para devorarem nossos cadáveres sem precisarem-se esforçar – digo, arrependo-me mal as palavras saem de minha boca ao ver seu riso mudar-se em lágrimas – Mas isto não irá acontecer – asseguro.
—Não? Não morreremos aqui? – indaga, chorosa e sinto vontade de bater-me por ter sido tão insensível.
—Não – ratifico firmemente, segurando e erguendo seu queixo, enxugando uma lágrima com o polegar – Desculpe-me as palavras insensíveis senhorita. Não quis assustá-la. Apenas alerta-la que não deve apegar-se aos filhotes. Eles partirão se não hoje, amanhã ou depois, basta apenas sentirem-se mais fortes e seguros – explico, satisfeito ao ver o sorriso tímido ressurgir, o ribombar de trovões sobressaltando-nos – Melhor voltarmos a caverna antes que a chuva caia – conselho.
—Podemos levar algumas frutinhas conosco – sugere, colhendo-as rapidamente, juntando-as na saia antes que pudesse avisá-la.
—Manchara o tecido, senhorita, estragará seu vestido por certo – advirto vendo-a dar de ombros.
—Meu vestido já está parcialmente estragado Thomas – diz, continuando a coletar – Acha que há alguma fonte de água por perto? – questiona, encarando-me.
—Por certo ou nossos amiguinhos não estariam tão dispostos – aponto os lobos – Pelo pouco que sei sobre lobos, as fêmeas procuram lugares seguros e com água nas proximidades quando estão para parir – lembro, dando atenção ao céu sobre nossas cabeças – Não poderemos averiguar isto agora. A tempestade caíra a qualquer minuto. Melhor nos protegermos – reitero, colhendo algumas frutinhas apressadamente, as primeiras gotas de chuva começando a cair – Vamos senhorita – chamo, caminhando a passos largos em direção a caverna onde nos abrígaramos noite passada – Rápido senhorita, rápido – apresso-a na tentativa de evitar nos molharmos novamente, o que não seria nada bom.
—Thomas, espere-me, por favor – ouço-a pedir e volto-me vendo-a evoluir com dificuldade.
Respiro fundo, retornando, encontrando-a no meio do caminho.
—Tome isto e segure-se – peço, pondo as frutinhas que havia colhido junto às dela, surpreendendo-a ao tomá-la em meus braços, carregando-a, a chuva cada vez mais forte e o vento dificultando-me enxergar e caminhar, alongando o percurso.
Quando finalmente entramos na caverna, estávamos ensopados mais uma vez.
Ponho-a no chão, sacudindo braços e pernas a fim de tirar um pouco do excesso de água.
—Sinto muito, por minha culpa nos molhamos novamente. Desculpe-me – pede, abaixando o olhar, enrubescendo.
—Tudo bem, é só água — minimizo, passando as mãos por meu cabelo – Ao menos não sentiremos calor – tento brincar, o riso tímido fazendo-me notar seus lábios tremerem. Um olhar mais atento e percebo estarem ficando roxos e que suas mãos tremiam enquanto segurava a saia onde puséramos as frutinhas colhidas – Está com frio? – pergunto, recebendo sua confirmação com um aceno– Venha, sente-se aqui – faço-a sentar-se (com certa dificuldade devido suas vestes) recostada a parede da caverna, agachando-me a sua frente – Dê-me suas mãos – ordeno, ela obedecendo-me após certificar-se que as frutas não cairiam de seu colo. Seguro-as sentindo a maciez da pele gélida– Estão geladas. Sente seus dedos? – pergunto, preocupado, examinando-os atentamente.
—Estão um pouco dormentes – confessa, estremecendo quando uma lufada de vento mais forte nos atinge fazendo-a estremecer.
Estávamos no fundo da caverna e mesmo assim o vento açoitava furioso, assobiando ao passar entre as fendas do local.
Posiciono-me de modo a protegê-la um pouco melhor, evitando que recebesse o impacto diretamente em seu corpo delicado. Em silencio, uso minhas mãos para esfregar as suas, aquecendo-as, soprando vez ou outra a fim de fazer com que voltassem à temperatura normal. Repito o gesto até sentir a pele aquecida.
—Melhorou? – pergunto, sem soltá-las, olhando dentro de seus olhos, a resposta vinda em um movimento, lento, afirmativo – Bom. Caso sinta-as dormentes novamente, avise-me – peço, recebendo um sorriso tímido, porém encantador em resposta, desviando minha atenção quando ouço barulho as minhas costas.
Volto-me a tempo de ver os filhotes entrando, sacudindo-se próximos a mim, molhando-me.
—Hei, parem com isto ou os transformo em casacos de pele! Melhor, em luvas para a senhorita – ameaço, um deles encarando-me – Faço mesmo, não duvide –asseguro, escutando o riso divertido de Caitlin.
—Três peles de lobo e tudo que conseguiria confeccionar seria um par de luvas? – indaga.
—Quem sabe uma echarpe para que proteja o pescoço – acresço, dando de ombros.
—Teria coragem de matá-los somente para isto? — questiona-me, retirando suas mãos dentre as minhas lentamente, pegando duas frutinhas e levando-as a boca.
—Não – confesso, sentando-me de forma a poder ver os filhotes sem deixar de protege-la do vento, observando-os “enxugar-se” desta feita usando a língua – Não teria – ratifico, sobressaltando-me ao sentir o toque em meus lábios.
—Deveria comer um pouco mais – recomenda, permanecendo com o braço estendido em minha direção – Tome, coma – ordena delicadamente– Se quiser, naturalmente – acresce, corando outra vez.
—Obrigado – agradeço, pegando as frutas de sua mão, encarando-a.
Já havia sido por demais torturante acordar tendo seu corpo sobre o meu, sentindo seu cheiro, seu calor (fato que aumentara consideravelmente minha ereção matinal) e receber comida diretamente de suas mãos, sentir os dedos delicados tocando minha boca era pedir para perder a sanidade de vez e a isto não poderia dar-me ao luxo acontecer. Não aqui, não agora.
—Do que recorda-se sobre ontem Thomas? – pergunta de repente, prosseguindo sem esperar resposta – A derradeira lembrança que tenho é de termos entrado na carruagem para regressarmos a nossa casa e ter-me sentido estranhamente sonolenta pouco tempo depois. Após isso nada até acordarmos aqui, em meio ao nada – lembra.
Reflito alguns minutos organizando as lembranças do dia e noite anteriores.
—Lembro-me de ter levantado, na carruagem, para socorrê-la e ao fazê-lo senti a cabeça girar, a visão embaralhar...perdi o equilíbrio caindo a seus pés e de sua aia, que recuou..- franzo o cenho forçando-me recordar –Segundos depois notei a carruagem parar...a porta sendo aberta...o cocheiro surgindo...Ele está acordado!...Não por muito tempo!...” , de os dois haverem trocado algumas palavras pouco antes de ele vir para cima de mim, acertando-me um soco e um chute na cabeça – relembro, levando a mão ao local atingido – A lembrança seguinte é de nosso amiguinho sobre minhas costas quase ao mesmo tempo em que escutei-a gritar – digo, olhando os filhotes aconchegarem-se uns aos outros, esquentando-se mutuamente e sorrio.
—Por que nos fizeram isto, Thomas? – pergunta, e volto-me para ela – Se queriam roubar-nos, que o fizessem e nos deixassem na estrada. Por que nos abandonar em meio ao nada, sem água e comida? Para morrermos?...Estaríamos mortos, não é? – interroga, encarando-me com olhos aterrorizados – Caso não tivéssemos despertado antes da tempestade, estaríamos... A-acha que teríamos morrido? – questiona, apavorada.
Sustento seu olhar durante alguns segundos refletindo se deveria ou não dizer-lhe o que penso, optando pela verdade.
—Provavelmente – admito, endireitando o corpo – Poderíamos sufocar com a água da chuva, mas também poderíamos ter despertado ao senti-la. Nosso tempo de reação ao sentirmos a chuva seria determinante. Em meu caso, como encontrava-me de bruços, poderia afogar-me em uma poça que se formasse sob meu rosto...
—Também estava de bruços – revela, cortando-me e percebo-a estremecer.
Envolvo seus ombros trazendo-a mais perto, esfregando seus braços por cima do tecido de algodão, sentindo-a estremecer involuntariamente, não sei se pelo frio, pelo teor de nossa conversa...ou se pelo contato mais íntimo entre nós.
—Não pense nisto agora senhorita. Estamos vivos e assim permaneceremos até que venham em nosso socorro – afirmo na tentativa de tranquilizá-la.
—E se demorarem a chegar? E se julgarem estarmos mortos e desistirem? – questiona, tensa.
—Não irá acontecer –asseguro, apoiando o queixo sobre sua cabeça, apertando-a forte – Não irão desistir de procurar-nos mesmo que fosse para nos dar um enterro decente, coisa que se depender de mim não ocorrerá – garanto, sentindo-a espalmar as mãos em meu peito, acariciando-o instintivamente – Por que não descansa um pouco? Quando a chuva cessar, caso não tenha escurecido, acordo-a e iremos em busca de água, que me diz? – sugiro.
—Uhum – anui, aconchegando-se mais a mim – Por onde começaremos a procura? Para qual lado, quero dizer – indaga, deitando a cabeça em meu peito, as mãos descendo um pouco mais, parando no abdômen.
—Pensei em seguir nossos amiguinhos – revelo — Acredito que foram até a água quando sumiram pouco antes da chuva. Suponho que a fonte não seja muito longe posto que não demoraram regressar – pondero, fechando os olhos.
Tê-la tão perto estava sendo ao mesmo tempo reconfortante e torturante. Era-me dificílimo manter a mente livre de pensamentos impuros quando brincava com o fio que pendia da gola de minha camisa com uma mão, enrolando-o em seu dedo, enquanto a outra afagava meu abdômen delicadamente por sobre o tecido, provocando uma onda de calor e arrepios...Merda! Por que não fica quieta? Por Deus, deste jeito enlouquecerei antes de sermos resgatados...penso, respirando profunda e lentamente em busca de controlar minhas emoções.
—E se estiver enganado? Se não houver água fresca por perto, que faremos? – questiona, a voz saindo abafada devido a proximidade com meu corpo.
—Procuraremos até encontrarmos – afirmo, suspirando – Mas não estarei enganado. Os filhotes mataram sua sede em algum lugar e faremos o mesmo. Agora tente dormir um pouco. Precisa poupar energia caso tenhamos que caminhar a procura da água – peço.
—Se fizer o mesmo, também o farei – condiciona – Precisa descansar Thomas – diz, a respiração morna tocando minha pele através do pequeno decote em minha camisa, tornando-me ainda mais ciente de seu corpo colado ao meu.
—Farei senhorita – afirmo, silenciando a fim de que fizesse o mesmo.
Volto meu rosto para a entrada da caverna, observando a chuva cair pesadamente lá fora, rezando mentalmente para conseguir fazer as duas coisas: manter-nos vivos enquanto a ajuda não vem...e resistir à tentação de tomá-la em meus braços e fazê-la minha!

**** Residência Quentin Lance (Sábado, 27/7 –22:30 p.m) ****
Narrador
Abandonando a proteção do alpendre em frente a pensão, a figura alta e esquia corre, atravessando a rua deserta tanto pelo adiantado da hora quanto pela chuva forte que caia, alcançando a varanda do lado oposto ao que estava rapidamente, movendo-se com agilidade por entre os moveis e barris dispostos em alguns pontos pelos proprietários das lojas.
Descendo uma vez mais para a rua virando à esquerda, adentrando a rua que o levaria aonde queria: a residência do delegado.
Uma nova corrida e atinge seu objetivo, subindo os degraus da escada de acesso a varanda da residência, despindo o casaco grosso com o qual protegera suas vestes, passando a mão vigorosamente na cabeleira loira a fim de secá-la minimamente, desarrumando-a, pendurando o casaco no encosto de uma cadeira, batendo o solado das botas contra um dos degraus para livrar-se da areia e lama acumulados sob as mesmas para somente então bater à porta, aguardando alguns segundos , enrugando a testa ao escutar a estranha pergunta vinda do interior da casa.
—Qual é a senha? – a voz feminina questiona-o.
—Como é? – devolve o rapaz, encarando a madeira escura, escutando o coro pronunciar o nome da jovem senhorita Queen ao mesmo tempo em que a porta é aberta – Que diabo está acontecendo aí dentro? – questiona o loiro, encarando a morena a sua frente.
—Deixe as perguntas para depois senhor Thawne! Entre antes que o vejam –Laurel Lance recomenda, puxando-o pelo braço, olhando para os lados antes de retorna ao interior da casa, fechando a porta atrás de si – Tem certeza de que não foi seguido? – pergunta, encarando o loiro.
—As ruas estão desertas, senhorita Laurel – diz, soltando um suspiro impaciente ante o olhar inquisidor da garota – Tenho. Ninguém me seguiu, posso assegurar senhorita — reitera, voltando-se para os demais – Pensei tratar-se de uma reunião para decidirmos o que e como fazer para encontramos Tommy e a senhorita Snow, não do clube do chá! – ironiza.
—Mais uma observação machista, senhor Thawne, e verá do que o clube do chá é capaz! – Sara Lance ameaça, brava, o dedo em riste.
—Eddie, um conselho: provoca não! – Ray Palmer sugere, Barry Allen rindo divertido.
—Que tal deixarmos as gentilezas de lado e nos concentrarmos no que importa: resgatar o senhor Thomas e Caitlin – Felicity Queen intervém antes que o rapaz pudesse retrucar – Meu marido contava-nos sobre as suspeitas que tem haverem sido drogados, correto senhor Thawne? – questiona a loira, ele confirmando com um gesto de cabeça.
—Tommy jamais se deixaria prender em sã consciência e gozando de saúde perfeita – assegura, caminhando até o centro da sala onde o amigo e a esposa estavam cercados pelos demais, olhando em volta ao parar próximo ao casal – Trouxe o que pedi Harper? – pergunta.
—Sim – o moreno diz, levantando-se – Melhor irmos para a mesa de jantar, se não se importam senhoritas, posto que preciso de espaço para exibi-lo – avisa o rapaz.
—Por aqui – Sara convida, indicando a sala anexa com um gesto de mãos – Abgail prepare-nos um chá de capim santo com limão. O senhor Thawne aqui é um admirador –provoca aloira, encarando-o – E traga algumas fatias de bolo e biscoitos – acresce, a jovem empregada fazendo uma reverencia antes de retirar-se para a cozinha.
—Só para constar, estou do lado dela – Ray avisa, apontando para a loira, Oliver e Felicity rolando os olhos enquanto Thea, Íris West, Barry Allen, Ronald Palmer e Laurel acomodam-se ao redor do móvel.
—Só para constar, não dou a mínima! – Eddie rebate, dando atenção a Harper novamente – Ponha-o sobre a mesa, por favor – pede, ajudando-o a abrir o imenso mapa que trouxera.
—Uau! Isso sim é um mapa – Allen admira-se.
—Onde o conseguiu Harper? – Oliver questiona, ajudando a prende as pontas para que o mesmo ficasse esticado.
—Ficava no antigo escritório do senhor Malcom. Foi uma das poucas coisas a salvar-se do incêndio – revela.
—Como? – Ronald questiona, curioso, prendendo a ponta a sua frente com um jarro.
—O havíamos retirado para limpar. Estava dentro de seu invólucro original, em couro. A parte externa queimou quase completamente, mas a interna foi preservada, por muito pouco, para nossa sorte – admite, voltando-se para Eddie – O que quer mostrar-nos senhor Thawne? – pergunta.
—Bem, uma das possibilidades levantada foi de que a carruagem estaria em algum lugar nesse quadrante, próxima a rota original – indica a área extensa com as mãos.
—Isto partindo do pressuposto que teriam sido obrigados esconder-se por conta da tempestade – Oliver conta, apoiando as mãos sobre o mapa, observando-o atentamente.
—Mas não foi isto que pensam ter acontecido correto? – Thea pergunta, mordendo o lábio, olhando o irmão, ansiosa.
— A possibilidade existe, Speedy, porém não é a única – Oliver responde, olhando-a atentamente – Há também a hipótese de os cavalos terem-se assustado com algo ou alguém e a carruagem se desgovernado – conta, a jovem retendo o ar nos pulmões, temerosa.
—Como meu irmão lembrou-os no caminho de volta, existem dois abismos, um a direita e outro a esquerda, ambos extremamente perigosos no caso de a segunda hipótese ter acontecido – Ronald acrescenta.
—O que significa dizer que se a carruagem se descontrolou e foi parar em um dos lados, eles podem estar....- Laurel começa dizer, Eddie a interrompendo.
—Ou não – diz — Fiquei martelando acerca do que Raymond dissera. Algo não fazia sentido por isto fui até Harper – conta o loiro, prosseguindo – Tinha lembrança de haver apenas um precipício, ou penhasco, como queiram, e não dois. Estava certo – afirma, chamando atenção de todos para o mapa – Existe um penhasco a esquerda no sentido ida para Central City que termina diretamente no mar. Este aqui – indica-o no mapa – Estende-se por quase toda a costa e cair dele, com ou sem cavalo, é morte certa – afirma fazendo os presentes reterem o ar nos pulmões – Porém, está muito distante da rota das carruagens. Mesmo que os cavalos disparassem o cocheiro disporia de tempo hábil para retomar o controle da situação e evitar a queda – garante, deslizando o dedo pelo papel grosso – Já do lado oposto a situação é outra. Não se trata de um penhasco, mas sim um desfiladeiro com uma descida íngreme, complicada, porém possível de ser feita mesmo por uma carruagem bastando ao condutor conhecer o terreno, o que é o caso de noventa por cento dos cocheiros da cidade – afirma, uma batida discreta impedindo-o prosseguir – Estamos esperando mais alguém? – questiona, Laurel negando.
—Não – diz, encaminhando-se a entrada da casa, abrindo uma fresta na cortina a fim de visualizar o visitante inesperado.
—Senhorita Olivia?! – espanta-se.
—Boa noite senhorita Laurel. Desculpe-me ter vindo sem avisar, mas acho que tenho informações que podem ser úteis– Olivia Snow diz sorrindo amarelo, a jovem aia que a acompanhava olhando para os lados, assustada.
—Informações? – questiona a morena deixando o grupo dentro da residência em alerta.
—Acerca do desaparecimento da carruagem que trazia minha irmã e o senhor Thomas. Sei que alguns estão reunidos em sua casa conversando a respeito assim como meu pai está reunido com o conselho e o senhor seu pai – solta de um fôlego só, puxando ar antes de falar novamente – Não vim espionar sua reunião. Realmente acredito ter algo que possa ajudar. Permitem que entre? Está frio aqui fora e sai sem que minha mãe soubesse — revela, sorrindo quando a outra abre a porta – Grata – agradece ao passar por Laurel.
—Será algo na água ou terá haver com o clima?? – Ronald Palmer indaga, massageando o queixo, pensativo.
—O que? – Oliver pergunta, franzindo o cenho.
—As mulheres desta cidade parecem ter a forte tendência a desobedecerem a ordem natural das coisas! – exclama o rapaz, dando atenção as duas jovens que adentravam.
—E qual exatamente seria esta ordem natural senhor Palmer? –Sara Lance questiona, estreitando os olhos, encarando-o.
—Fazia-me a mesma pergunta – Thea anui, cruzando os braços.
—Por que não vemos qual informação fez a senhorita Olivia se deslocar de sua casa até aqui às escondidas e depois retomamos este questionamento? – Roy sugere, apaziguador, erguendo a mão.
—De acordo – Oliver apressa-se dizer – Como soube que estaríamos aqui senhorita? Alguém mais em sua residência sabe? – interroga.
—Bem, soube por Adisse, aia de Caitlin, que por sua vez soube pela aia de Thea – revela, apontando a amiga – E apenas minha própria aia sabe além de nos duas – aponta de si para a outra jovem – Tive que explicar-lhe porque queria que tomasse meu lugar na cama para o caso de minha mãe ir até meu quarto antes que retornasse – explica, Thea Queen rindo divertida.
—E eu que pensei estar sendo original! – exclama, recebendo um olhar abismado do irmão e da cunhada – Felicity é sua esposa Ollie, pode sair em sua companhia a qualquer lugar e qualquer hora. Já eu não tenho a mesma liberdade. Evidente que pedi a Serena que tomasse meu lugar em meu quarto. Esqueceu-se que nossa mãe não me permitiu acompanhá-los? – lembra, o loiro rolando os olhos outra vez.
—Cristo, tenho pena dos pobres infelizes escolhidos para serem seus maridos! – Eddie solta, recebendo um trio de olhares furiosos.
—Hã...Podemos voltar nossa atenção ao mapa? Tommy e a outra senhorita Snow estão lá fora, em algum lugar, talvez feridos, certamente com fome e sequer sabemos o porquê de isto estar acontecendo a eles – Raymond argumenta, olhando-os um a um.
—Ray está certo – Oliver anui – Devemos deixar outros assuntos para depois. Nosso amigo e a senhorita Caitlin precisam de nossa ajuda – conclui, dando atenção às recém-chegadas – O que sabe que pode nos ser útil senhorita Olivia? – pergunta.
—Talvez a resposta a observação feita pelo senhor Raymond, isto se suas desconfianças estiverem sobre o senhor Chase – afirma, Oliver e Eddie trocando um olhar tenso – Achei que sim – anima-se a jovem – Então deveriam saber que durante a festa de noivado de nossa irmã mais velha, na quinta a noite, meu pai, o senhor Chase, o prefeito, o delegado e o senhor Robert tiveram uma reunião a portas fechadas no escritório em nossa residência. Não sei o teor, mas posso afirmar que o mesmo saiu de lá visivelmente contrariado para não dizer furioso. O vi falando ao ouvido do senhor Thomas pouco tempo depois – acresce.
—Também o vimos – Felicity comenta, olhando o esposo, apreensiva – Acredita que tenha sido advertido quanto ao comportamento do dia anterior meu marido? – questiona.
—Acredito que sim – anui Oliver, explicando-se ante o olhar interrogativo dos presentes a exceção de sua esposa e irmã – Tommy deixou um caixote contendo uma encomenda cara cair, espatifando o conteúdo. Por conta disto Chase o castigou...com chicotadas – revela.
—Miserável filho da p...
—Thawne, controle-se – admoesta-o, cortando o impropério.
—Como soube? – Laurel questiona, contendo a irmã com um olhar severo.
—Thomas buscou refúgio em casa de minha mãe posto que o senhor Chase ameaçou represálias contra a família dele e contra Thea – Felicity elucida – Não quis correr o risco de ir para casa no estado em que se encontrava...
—Que seria? –Sara a interrompe, os olhos em brasa pela raiva contida.
—Lastimável – afirma a esposa de Oliver – Não o vi pessoalmente, mas pelo que meu marido e minha mãe contaram-me estava bem feio.
—Esta tem sido outra fonte de preocupação para mim. Tommy não estava completamente restabelecido. Ser privado de comida, água e tratamento para os ferimentos certamente lhe custara caro – Oliver pondera, passando a mão pelo cabelo.
—Isto explica não ter reagido, caso não tenha sido drogado – Eddie comenta, torcendo o nariz.
—Meu patrão não sabe nada sobre isto ou já teria ido ter com Chase – Roy argumenta.
—Não sabe e não deve saber ainda mais agora – Oliver recomenda – Tudo que não precisamos neste momento é a fúria de Malcom Merlyn. O filho está desaparecido, a esposa fragilizada pelo nascimento dos bebês, ele precisa de toda a calma do mundo – alerta.
—Pressupondo que o cocheiro seja gente dele e que seria uma forma de punição ou vingança por ter sido repreendido pelo conselho sobre o que aconteceu na quarta, por que envolver a senhorita Caitlin? – Ray levanta o questionamento fazendo todos pensarem.
—Talvez para castigar o senhor Snow – Eddie pondera, voltando-se para a jovem Olivia – Saberia nos dizer qual a posição de seu pai senhorita? Apoiou Chase ou se omitiu? –quer saber.
—Não sei dizer-lhe – informa ela, ruborizando ao ter a atenção do grupo sobre si.
—Omitiu-se – ouvem a voz declara e voltam-se para a dama postada alguns passos atrás da jovem a qual servia – Escutei meus patrões conversando a mesa do café, no dia seguinte, após a partida da carruagem. A senhora questionava se o senhor não deveria ter demonstrado apoio ao amigo e sócio...
—Sócio? – Oliver, Ronald, Roy, Ray e Eddie indagam em uníssono.
—Foi desta maneira que ouvi a senhora referir-se ao senhor Chase – reafirma a aia – Quanto ao cocheiro, este sempre prestava serviços ao meu patrão. Se o traiu deve ter um bom motivo. O mesmo não posso dizer sobre a dama que acompanhou a senhorita Caitlin. Ela sim trabalhava para o senhor Chase, que por sinal, recomendou ser ela a acompanhar a senhorita dizendo ser mais seguro uma mulher mais velha e experiente acompanhá-la do que uma jovem desmiolada – revela com amargura.
—Ele armou tudo! – Thawne rosna, socando a mesa – O mis...- cala-se, respirando fundo – O sacripantas armou para nosso amigo, não resta duvidas.
—Vá com calma Thawne, não podemos provar – Ronald aconselha, cuidadoso – Compartilho sua opinião, entretanto se não há provas melhor calar — aconselha.
—Mais uma vez – Harper bufa, inconformado.
—Senhores, sei que é difícil, mas iremos conseguir as provas que precisamos. O delegado está investigando o corpo que encontramos. É questão de tempo Chase cometer um erro –Oliver assegura, erguendo o queixo altivamente – Encontraremos Tommy e a senhorita Caitlin, os traremos de volta para casa e depois iremos em busca da aia e do cocheiro. Não o deixaremos escapar desta vez! – exclama, os olhos brilhando.
—O problema, meu amigo, é que se escolheu o desfiladeiro nossa tarefa não será nada fácil – Eddie começa dizer, chamando atenção do grupo para o mapa novamente – Após terem descido e passado por este vale estreito entre as duas montanhas – indica o local com o dedo – Chegarão a uma imensa área aberta onde poderão escolher qualquer direção encontrando desde mata fechada a áreas desérticas, o que faz deste o destino predileto daqueles que não desejam ser encontrados como foragidos da lei, ladrões de carruagem...
—Como sabe estas coisas senhor Thawne? – Thea corta-o, curiosa, não lhe dando chance responder – Pensando bem esqueça, não quero saber! – exclama, erguendo a mão.
— Não tenho problemas em contar-lhes em outra ocasião senhorita Queen – garante o loiro, voltando-se para Oliver –A amplidão de rotas é nosso principal desafio. Qualquer direção tomada irá expô-los a toda sorte de intempéries além dos animais que ali habitam além de malfeitores. Caso tenha sido ordenado serem abandonados à própria sorte, sem água e comida... – cala-se, respirando fundo antes de voltar a falar – Ao escolhermos o lado errado estaremos assinando a sentença de morte de ambos – assegura, fazendo a todos silenciarem por um longo tempo.
—Então escolhamos o certo – Oliver declara, seguro – Conhece a região não é? – pergunta, encarando o amigo, este acenando afirmativamente – Então será meu guia – decide, apoiando as mãos sobre a mesa – Partiremos amanhã antes do raiar do dia, antes do grupo organizado pelo delegado, evitando que Chase tome conhecimento de nossos planos. Iremos....
—Também irei – Ray diz rápido – Tommy é meu amigo e quero ajudar.
—Raymond, se permitir isto nosso pai me mata – Ronald afirma – Se um de nós deve ir este sou eu por ser mais velho – diz.
—Por isto deve ficar. Entende dos negócios melhor que eu. Levaria nossa família à falência em vinte e quatro horas o que certamente resultaria na minha morte igualmente – argumenta – Além do mais sou melhor cavaleiro do que você – pontua, Oliver cortando o protesto do Palmer mais velho.
—Decidam entre si, em casa, e o vencedor nos espere na saída da cidade no horário marcado – avisa.
—Irei também – Harper avisa – Certamente meu patrão não poderá ausentar-se com o grupo de busca organizado pelo delegado por conta do estado da esposa, logo me sinto no dever de fazê-lo – prontifica-se.
—Iremos os quatro então: Harper, Eddie, um dos Palmer e eu –Oliver contabiliza – Barry, poderia organizar um baú, mochila, o que seja, com medicamentos que possamos precisar para quando os encontrarmos? –pede, o jovem anuindo, pensativo – Excelente. Vamos para nossas casas prepararmos o material necessário a embrenhada. Levem apenas o suficiente para sobrevivermos por uma semana.
— Uma semana apenas? Por quê? – Laurel questiona.
— Após este tempo, não haverá mais esperança de encontrá-los com vida – Eddie responde, sincero – Sinto muito senhoritas, mas é a verdade – desculpa-se ao notar as lágrimas nos olhos de Thea e Olivia – Preparem-se para o melhor...e para o pior – aconselha.
—Devemos ir para nossas casas agora. Já é tarde e a reunião do conselho não tarda findar – Oliver reforça, retomando o controle da situação — Lembrem-se: o delgado e nossos pais devem saber de nossa partida o mais tardiamente possível – frisa, olhando as mulheres uma a uma.
— Assim será feito – Laurel responde, estranhando o silencio da irmã – Pedirei a nossa governanta que lhes prepare comida e água para a viagem. Antes que partam entregaremos em sua casa – avisa, olhando diretamente para Felicity – Será nossa forma de contribuir.
—Gostaria de fazer o mesmo, porem não sei se consigo – Olivia afirma, tristonha.
—Não se preocupe senhorita. Apenas em ter-se arriscado vindo nos trazer informações já ajudou – Oliver pontua – Agora melhor que vá. Sua mãe pode desconfiar e não queremos que tenha problemas – aconselha.
—Vamos todos – Eddie diz, enrolando o mapa com a ajuda de Roy – Nos encontramos a saída da cidade antes do amanhecer. Passarei em sua casa para pegar os remédios Allen – avisa, caminhando para a porta – Não se atrasem – recomenda, saindo assim que é aberta, pegando seu casaco, olhando em volta para certificar-se que não eram observados.
Em grupos, os demais saem tendo o mesmo cuidado, Laurel fechando a porta após todos terem partido, voltando-se para a irmã.
—Por que está tão quieta Sara? – inquire, desconfiada.
—Por nada – responde, evasiva – Venha, vamos providenciar a comida antes que nosso pai retorne – chama, a morena a seguindo ainda desconfiada.
Fale com o autor