O preço de sua posse: entre arte, amor e poder

1 Capítulo 1 - Entre o medo e a chuva (remake)


-- Isso é que é sorte -- murmurei, jogando a mochila no chão, tirei a jaqueta e a jogando também -- a chuva começou bem na hora que eu ia entrar -- murmurei abrindo a mochila e pegando um spray.

Chequei a hora, no meu relógio indica 21:36. Coloquei a máscara de proteção, o silêncio daqui aqui é quase absoluto, as únicas coisas que escuto é a minha respiração sob a máscara, a chuva que ficando intensa lá fora e a bolhinha dentro do meu spray azul royal sendo chacoalhada.

Mas eu, Skarlet Karashima, senti um arrepio percorrer pelo meu corpo, não era o frio pela minha roupa ainda gelada pela a chuva... eu estava sendo observada. Eu ouvia passos... passos firmes e calculados ecoavam no galpão. Essa sensação é familiar: o medo de ter errado... me levantei devagar, ao me virar, dei de cara com um homem alto, com um terno de alfaiataria preto, com postura imponente e um olhar gélido que olhava em minha direção.

Um olhar que parece calcular tudo, desde minha respiração até as rotas de fuga nesse lugar... quase como se já tivesse decidido o meu destino.

Eu sentia as minhas mãos gelarem sob as luvas e o meu ritmo cardíaco acelerar...

-- para ter invadido meu galpão você deve ter muita coragem... ou uma estupidez preocupante -- ele comentou vindo em minha direção, com a voz plana, sem emoção aparente -- me o diga o seu nome e um motivo para acabar com sua vida aqui mesmo -- ele se aproximou ainda mais, eu tinha que levantar um pouco a cabeça para continuar o encarando.

-- eu me chamo Skarlet Karashima... pensei que o galpão estava abandonado, eu ia passar a noite aqui e ia sair amanhã cedo -- confessei tentando manter o tom de voz estável sob a máscara, segurando firmemente o spray na mão direita -- e sobre acabar com a vida... o que você ganha com isso exatamente? -- tirei a máscara de proteção, esquecendo totalmente do meu único escudo contra ele.

Me surpreendi... ele sorriu, era imperceptível, mas era um sorriso -- eu mato por necessidade e não por prazer... mas com você é diferente, então, você decide, senhorita Karashima. Quer trabalhar para mim ou voltar para a rua na chuva? -- ele propôs com a voz plana, mas com um brilho de diversão nos olhos.

--trabalhar para você? O que eu ganho com isso? -- questionei, mesmo que a oferta seja boa, preciso saber se isso realmente vale minha liberdade.

-- o que você ganha? -- ele repete, claramente se divertindo com a situação -- ganha um quarto confortável, roupas, comida e você pode pintar meus automóveis, quadros para eu expor e até mesmo encadernar meus manuscritos do século XVIII. O que acha? -- ele explica, dá para ver na cara dele que só tá esperando eu aceitar... mas não dá para recusar...

-- eu aceito -- respondi rápido, ele colocou a mão no meu queixo -- perfeito. Agora vamos, você deve estar cansada -- ele falou se virando e fazendo um sinal para o seguir, um dos seguranças faz um reverência em sinal de respeito, aposto. O outro segura um guarda-chuva sobre a gente, ele abriu a porta para mim e eu entrei. Ele deu a volta no carro, também entrando e ficando do meu lado do banco do passageiro.

No ar era possível sentir o cheiro de couro e perfume amadeirado, é bom.

-- a propósito meu nome é Adam Vance -- ele diz do nada, mas pelo menos eu sei o nome dele agora -- você invadiu o meu galpão, mas por qual motivo você ia passar a noite lá? -- ele questiona, não com pena... é quase como se essa informação fosse dar a ele algum controle, mas não tinha motivos para esconder -- fugi de casa -- respondi direta.

-- fugiu... -- ele testa a palavra -- fugiu de casa e na mesma noite se tornou minha propriedade -- ele brinca, com um sorriso imperceptível -- eu tenho um dono agora? Que legal -- ironizei, olhando para a janela, me dando conta que já estavamos andando.

-- um dono? -- ele repete, eu continuava a olhar para a janela, sem olhar para ele -- cuidado com as palavras que usa, Karashima. Me dar esse título pode trazer mais consequências do que você imagina -- ele fala, a voz dele parece ter ficado um pouquinho mais rouca.

Eu observava as luzes lá fora, sem ligar muito para a presença do meu novo ''dono'' -- precisa de algo, Karashima? -- ele pergunta -- por que? Eu não preciso de nada agora -- expliquei tentando não transparecer muito o que eu sinto -- não minta para o seu dono, Karashima -- Adam usa minha ironia num tom autoritário -- mesmo não precisando, você quer algo, mas não pede por orgulho -- ele argumenta com a voz baixa.

-- e você faz isso para ter controle... então, posso jogar no seu celular? -- perguntei sem muita expectativa, escorando nele, para ver como ele reagiria -- jogar? no meu celular? -- ele questiona, dava para ver como ele ficou surpreso -- pode abaixar o que quiser -- ele fala com um sorriso que ele dá quando está comigo, me dando um aparelho de última geração que vi poucos dias atrás, já desbloqueado.

Eu abaixei dois jogos, Friday Night Funkin' e o Pocket Love, que foi o primeiro que eu abri. Pude sentir Adam se movimentar do meu lado -- jogando jogos de casinha no meu celular, Karashima? -- ele questiona enquanto eu escolhia um pet -- este sou eu nessa sua casinha? -- ele pergunta enquanto indicava o bonequinho com um terno, cabelo escuro e arrumado com uma carinha séria, mas totalmente fofa.

-- sim. Aqui está escrito ''Amor'', coloca o seu nome ou deixa assim? -- perguntei inocente, claro, as vezes eu sou assim -- deixe assim para amolecer o seu coração, mas na vida real quero que me chame pelo nome -- ele responde focando em mim, com um brilho de posse no olhar que não tava ali antes... onde fui me meter?

-- mas prefiro ''dono'' -- argumentei, mostrando a casinha -- você é inacreditável -- ele murmura com um tom levemente divertido na voz. O carro para diante de uma mansão... gente, meu dono é rico, pensei admirada e ele deve ter notado, mas isso é o de menos.

Ele saiu, recebendo um guarda-chuva de um dos seus funcionários, mesmo que eu pensava que o funcionário acompanharia Adam enquanto segurava o guarda-chuva para ele.

-- vamos? -- ele chama abrindo a porta do carro, continuei em silêncio, o seguindo debaixo do guarda-chuva... os estalos molhados de nossos passos ecoavam até chegarmos na entrada, tirei os coturnos úmidos, não queria sujar a casa dele, mesmo que ele não se importe com isso.

-- preocupada com o piso, Karashima? Minhas empregadas ganahm o suficiente para limpar tudo sem reclamar -- ele diz olhandono fundo dos meus olhos, quase como se tentasse dizer indiretamente que dinheiro compra tudo.

-- estou cansanda meu corpo dói. Onde a sua pet de luxo vai dormir? -- o cansaço é real, mmas não podia perder a oportunidade para debochar um pouco -- direta ao ponto. Venha -- ele chama indo na frente, subindo as escadas, indo ao segundo andar, parando em frente à uma porta de madeira escura.

-- aqui, entre. Lá você pode tomar banho e vestir roupas limpas e secas, o seu jantar chega em breve -- ele informa enquanto abre a porta. Eu entrei, ali havia uma cama king-size arrumada, escrivaninha e dava para ver o closet aberto. Me joguei na cama -- humm, tão bom... -- murmurei com a voz abafada pela coberta -- eu vou deixar a porta destrancada, mas não saia até eu mandar, entendido? -- ele ordenou, mas nem tô ligando muito para isso -- entendido -- falei com um tom de tédio.

Ele saiu, guardei as poucas coisas que ainda estavam comigo no criado-mudo ao lado da cama. Fui ao banheiro, lá havia toalhas limpas, banheira, mas preferia o chuveiro.

Tirei minhas roupas para ligar o chuveiro, enquanto a água caia no meu corpo, processando tudo... estou na casa de um homem rico e desconhecido, que age como um mafioso e se ele for um?

Sai de toalha pelo quarto, indo para o closet aberto, o perfume amadeirado preenchia o ambiente. Ali... obviamente, não tinha roupas femininas, então decidi pegar uma camisa cinza dele. Ficou grande em mim, mas melhor assim.

Quando voltei para o quarto, havia uma bandeija em cima da cama, a janta que o meu ''dono'' havia prometido. Um prato chique que nunca vi na vida, suco e um pudim.

Após comer coloquei a bandeija na escrivaninha e fui dormir.


Minha garganta tá seca... levantei da cama, tava tudo escuro, mas minha sede era maior que minha preguiça e orgulho. Abri a porta de madeira escura e sai andando pelos corredores até achar a cozinha.

Quando achei, peguei uma jarra de água da geladeira, colocando o líquido em um copo de vidro estilo Zaira. Não imaginei que ele tinha esse gosto para copos, quando me virei para guardar a jarra... eu gelei.

Tive um leve sobressalto ao ver Adam parado na porta da cozinha, sem o pateló do terno, com as mangas da camisa perfeitamente dobradas até os cotovelos e segurando um copo que deve ter uísque com gelo. Ele vinha em minha direção... e agora? O que ele vai fazer?

-- eu mandei você ficar no quarto até eu mandar, está tentando fugir? -- ele questiona com a voz baixa, colocando a mão livre gelada no meu queixo, me forçando a olhar para ele.

-- eu vim só beber água... nem tenho para onde ir, como eu iria fugir? -- perguntei tentando manter o tom, olhando para os olhos azuis dele, que varria o meu rosto, tentando descobrir se estou mentindo.

Ele largou o copo de uísque com gelo, pegando o copo Zaira com água, ele aproximou a borda do copo nos meus lábios -- beba... bem devagar -- ele virou o copo com cuidado, erguendo um pouco mais o meu queixo.

Bebi tudo, devagar... ele colocou o copo no balcão -- pronto, agora volte para a cama e não sai de lá -- ele ordenou -- sim, dono -- respondi, o ''dono'' não saiu como o mesmo deboche, soou quase submisso. Voltei para o quarto, me jogando na cama e ne envolvendo na coberta tentando esquecer o que ocorreu.