O preço da responsabilidade
1 Capítulo 1 - Beco
Notas iniciais
Marinette sentiu um toque em seu braço e escutou seu nome em uma voz familiar, primeiro em um sussurro, depois em um tom mais alto e, por último, quase como um grito. Com o susto, caiu da cadeira, ouvindo gargalhadas e, em seguida, alguém a ajudou a levantar. Foi então que entendeu onde estava, tinha dormido no meio da aula de literatura e Alya tentou acordá-la para que não recebesse um sermão da professora, mas acabou assustando a menina, chamando atenção de Caline Bustier e estragando seu plano.
— Espero que esteja bem acordada agora, Marinette. — falou a professora— Bom, como eu dizia, o trabalho será em grupos de até quatro alunos. O tema será os maiores nomes da literatura francesa. Por favor, dividam-se em grupos.
Adrien e Nino se entreolharam, assim como Alya e Marinette.
— Então, vamos formar um grupo? — perguntou a morena e os três assentiram. Logo, os amigos escreveram seus nomes em um papel e entregaram para a professora, assim como o resto dos alunos.
— Para que ninguém fale sobre a mesma pessoa, vou anunciar o tema de cada grupo. — disse Caline — Chloé e Sabrina, o trabalho de vocês será sobre Charles-Pierre Baudelaire. Rose, Juleka, Mylène e Ivan, vocês vão pesquisar sobre Arthur Rimbaud. Kim, Max, Alix e Nathanaël, o tema do trabalho de vocês será Jules Verne. Alya, Marinette, Nino e Adrien: vocês falarão sobre Alexandre Dumas. O trabalho será entregue na próxima aula e deve ser apresentado para a turma. — O sinal anunciou o fim das aulas e o grupo de amigos andou até a porta do colégio.
— Então, podemos fazer o trabalho amanhã, na minha casa? — perguntou o loiro.
— Tem certeza disso? Não vai ter nenhum problema com seu pai? — disse Nino.
— Tenho. Ele está viajando, só volta em uma semana. — respondeu Adrien.
— Então por mim, tudo bem. — falou o moreno.
— Por mim também. — afirmou Alya.
— E você, Marinette? — perguntou o loiro.
— Por mim tudo bom, quer dizer, bem, muito bem, incrivelmente bem. Sua casa, amanhã, tudo bem. — a menina, como sempre, mal conseguia falar perto de seu amor secreto e recebeu olhares confusos.
— Então nos vemos amanhã. — falou o loiro, acenando para os amigos e entrando no carro. Nino também se despediu das meninas e foi para casa.
— Dá para acreditar? Eu estou no mesmo grupo que o Adrien! — falou a azulada.
— É, graças a mim. De nada! — disse Alya.
— Ah! Tem razão! Eu esqueci que tenho a melhor amiga do mundo! — Marinette exclamou, abraçando a morena.
— Quer dar uma volta no parque mais tarde? — perguntou Alya.
— Claro! — as amigas se despediram e a azulada foi para casa, ajudou seus pais na padaria e fez algumas tarefas da escola. No fim da tarde, encontrou Alya no Place des Vosges. As duas conversavam animadamente, quando ouviram um estrondo, logo em seguida, viram um furacão aproximar-se delas, a morena foi atingida e a azulada conseguiu desviar, mas tropeçou e, sem perceber, deixou a bolsa que sempre carregava consigo cair no chão. Assim que se levantou, percebeu que Chat Noir estava no local, lutando contra o akumatizado.
— Eu sou o Quinto Elemento e posso controlar o fogo, a água, a terra e o ar e, quando conseguir seu miraculous e o da Ladybug, poderei descobrir o quinto elemento e controlá-lo! — O vilão gritou e Chat Noir começou a rir.
— O Quinto Elemento? Nossa! Que horrível! Hawk Moth deve estar sem criatividade para nomes! — Disse o loiro, rindo.
— Pegue o miraculous dele, agora! — Hawk Moth ordenou e o akumatizado iniciou uma luta corporal com o herói.
Marinette percorreu os olhos pelo parque, procurando um lugar seguro e, quando chegou lá, percebeu que tinha perdido sua bolsa. Começou a procurá-la e, assim que encontrou, correu até o objeto.
— Renda-se, Chat Noir! — Exclamou o vilão, cercando o felino.
— O que você vai fazer? Jogar água em mim? Saiba que o gatinho aqui, ao contrário da maioria, não tem medo de água. — Disse o loiro.
— Não se preocupe, não vou jogar água em você, gatinho. — Chat sorriu, fingindo alívio — Mas espero que você goste de brincar com fogo! — O akumatizado selecionou o elemento fogo em sua arma e iria atirar no herói. A azulada encarou o parceiro, que estava com os olhos fechados, e a sua bolsa durante alguns segundos, sabia que não dava tempo de se transformar. Sem pensar duas vezes, se atirou sobre o vilão, fazendo-o errar o alvo e acertar uma árvore, que entrou em chamas.
— Quem você pensa que é, garotinha? — disse o akumatizado, iniciando uma luta corporal com Marinette. A azulada apenas desviava dos ataques, pois, além de estar sem seu ioiô, não poderia se expor dessa maneira para Chat Noir afinal, o gato poderia desconfiar dela. Quando O Quinto Elemento atingiu Marinette, o loiro levantou-se rapidamente e estendeu o bastão, acertando em cheio no akumatizado. Enquanto este se recuperava, Chat segurou a azulada nos braços e a levou para longe da batalha, em um beco.
— Fique aqui! — disse o menino, assim que colocou Marinette no chão e, logo em seguida, voltou para o parque.
— O quê? Mas eu preciso pegar a minha… — a menina viu o gato desaparecer nas ruas de Paris — bolsa. — Completou a frase para si mesma e suspirou, teria que voltar ao Place des Vosges para se transformar, pois Tikki estava dentro de sua bolsa. A menina voltou ao local da batalha e viu Chat Noir lutando contra o akuma, tentou pegar o objeto sem ser vista, mas seu esforço foi em vão.
— Ah! A nova super-heroína de Paris voltou! Espero que esteja pronta para outra rodada! — exclamou o akumatizado, atacando Marinette. A azulada tentou desviar, mas acabou sendo pega pelo vilão, Chat Noir investiu contra O Quinto Elemento, na tentativa de distraí-lo.
— Saia daqui, Marinette! — gritou o herói, mas o akumatizado selecionou o elemento terra em sua arma e, logo em seguida, atirou no chão, criando um terremoto. A menina caiu e acabou machucando a perna. Quando o loiro viu sua colega de classe no chão, com uma careta de dor, imediatamente atacou o vilão, pegou a azulada nos braços e a levou novamente para o beco.
— Você está bem? — perguntou Chat Noir, assim que chegaram ao local.
— Estou, foi só um arranhão, nada que eu não esteja acostumada. — respondeu Marinette.
— Ótimo, então agora eu posso brigar com você. — disse o loiro, recebendo um olhar confuso da menina — Por que você não ficou aqui, como eu mandei?
— Como é que é? Desde quando você "manda" em mim? — falou a menina, cruzando os braços.
— Como eu pedi. — O menino se corrigiu.
— Eu precisava pegar a minha bolsa. — respondeu a azulada.
— Por que não me falou? Eu te entregava!
— Você não me deixou falar!
— De qualquer maneira, ela seria entregue a você, pois a Ladybug vai chegar e vamos derrotar o akuma. — Ao ouvir essas palavras, Marinette teve vontade de gritar que, se ela não voltasse para pegar a sua bolsa, Ladybug nunca chegaria, já que Tikki estava ali dentro — Se você tivesse ficado aqui, nada disso teria acontecido.
— Eu já disse que não foi nada.
— É, mas poderia ter sido. Não sei se você sabe, mas os vilões de Hawk Moth são muito poderosos. — A azulada estava ficando sem paciência.
— Você acha que eu não sei me cuidar?
— Eu não disse isso.
— Mas você pensou. Eu não sou essa garotinha frágil que você pensa, Chat.
— Eu não acho que você é uma garotinha frágil.
— Acha sim!
— Não acho!
— Você está me protegendo como se eu fosse uma princesinha em perigo!
— Claro que não! Estou te protegendo porque é meu dever como super-herói.
— Tinha outras pessoas naquele parque, sabia? Por que você não as protegeu? Não é o seu "dever como super-herói"? — A menina ironizou a fala do gato.
— Nem sempre conseguimos salvar todos. — Respondeu o gato.
— É, mas você poderia pelo menos ter tentado.
— Está dizendo que eu não salvei aquelas pessoas porque eu não quis?
— Sim, é isso o que eu estou dizendo.
— Ao invés de ficar reclamando, você tinha que me agradecer por ter te salvado.
— Agradecer? Pensei que fosse seu " dever como super-herói". — A azulada ironizou novamente a fala do gato.
— Pare de ser tão teimosa!
— Pare de tentar me proteger! Eu não sou uma princesinha em perigo!
— Eu nunca disse isso!
— Mas você pensou! — Os dois começaram a rir.
— Nós parecemos duas crianças brigando. — Disse o loiro.
— É, você tem razão. — Marinette e Chat Noir continuaram rindo durante alguns segundos, até ouvirem um estrondo.
— Eu preciso ir, fique aqui, por favor. — a azulada suspirou e o menino entendeu o que ela quis dizer— Marinette, você não entende? Eu não estou te protegendo porque te acho fraca, mas porque eu não quero te perder! — o loiro gritou, recebendo um olhar surpreso da menina. Foi então que os dois perceberam o quão próximo estavam seus corpos. Por impulso, o gato puxou a azulada pela cintura e a beijou. A menina ficou surpresa, nunca imaginou que Chat faria isso com ela sem sua máscara da Ladybug, mas retribuiu o beijo, que foi interrompido por mais um estrondo. Os dois se encararam durante alguns segundos, em silêncio.
— Fique, por favor. — disse o gato, indo em direção ao local da batalha. Marinette observou o parceiro desaparecer sobre os prédios de Paris.
— Marinette? — chamou a kwami, despertando a azulada de seu transe.
— Desculpa, Chat, mas eu não vou ficar aqui. Tikki, transformar! — Já trajada de joaninha, a menina foi para o Place des Vosges e encontrou Chat Noir lutando contra o vilão. Rapidamente, a dupla de heróis venceu o akumatizado. O loiro cumprimentou sua parceira e lembrou de Marinette. Será que ainda estava no beco? Resolveu ir até lá, mas foi impedida por uma garota que ele não conhecia.
— Chat Noir, você salvou minha vida! — Disse a menina, se atirando nos braços do herói.
— Não foi nada, eu só… — O felino foi interrompido, pois a garota roubou-lhe um beijo, mas ele não retribuiu. A azulada não conseguia acreditar no que estava vendo, primeiro Chat Noir beija Marinette e depois uma completa desconhecida? Pensou que o gato fosse apaixonado por Ladybug, mas percebeu que ele se atirava nos braços de qualquer uma. Sem saber o porquê, saiu dali e foi para casa.
O loiro empurrou a menina, que se desculpou por tê-lo beijado, sem se despedir ou dar explicações para os jornalistas e fãs, ele saiu e foi até o beco, mas não encontrou Marinette. Pensou em visitar a casa dela e ver se estava lá, porém só restava três minutos para que sua transformação acabasse e tinha aula de piano. Então, foi para casa.
Assim que a azulada colocou os pés no quarto, sua transformação terminou. A menina ofereceu alguns cookies para Tikki e se deitou na cama. Aquele dia tinha sido muito confuso. Alguns minutos depois, Marinette já estava cochilando. Quando acordou, resolveu ligar para Alya, tinha até esquecido que deixou a amiga no parque. A morena reclamou que não conseguiu filmar a luta de Ladybug e Chat Noir, pois tinha sido atingida pelo akuma.
Depois de terminar sua aula de piano, Adrien entrou em seu quarto e não conseguia parar de pensar em Marinette. O loiro estava muito confuso, sabia que gostava de Ladybug, então por que beijou sua colega de classe? Ele precisava esclarecer isso para si mesmo e, principalmente, para Marinette, não queria iludir a menina.
A azulada terminou de falar com sua melhor amiga e estava se preparando para dormir quando ouviu batidas na janela.
— Oi! — Disse Chat Noir, do lado de fora.
— Chat? O que está fazendo aqui? — Falou a menina, abrindo a janela.
— Eu… vim me desculpar pelo o que aconteceu no beco. — Marinette o encarou, confusa — Você sabe, a discussão e…
— O beijo? — o loiro assentiu — Não precisa se desculpar, está tudo bem.
— Não é isso, é que…
— Eu já disse que está tudo bem. — A azulada respondeu secamente e o silêncio permaneceu no local durante alguns segundos.
— E… também quero te agradecer por ter me salvado, se não fosse você eu teria virado churrasquinho de gato. — O loiro pensou que diminuiria o clima tenso com a piada idiota, mas não adiantou muito.
— Não foi nada. E… obrigada por ter me salvado também.
— É meu…
— "Dever como super-herói", já sei.— A menina completou a fala do gato.
— Bom, então… é isso. Eu… estou indo. Tchau!
— Tchau! — A azulada observou o parceiro desaparecer nas ruas de Paris. Marinette deitou na cama e a imagem de Chat Noir a beijando naquele beco não saía de sua cabeça. O que estava pensando? Ela gostava de Adrien, certo?
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