O preço da Coroa

12 Refugiando na aldeia


A fuga de Malya do corredor do castelo deixou um rastro de eletricidade no ar. Ela não correu por medo da autoridade de Dhorwack, mas pelo pavor do que sentia quando ele chegava perto demais. Precisava do chão batido, do cheiro de terra e do som de gente de verdade.

​Capítulo 8: O Fogo da Terra e o Gelo do Trono

​O vilarejo de Malya, incrustado no sopé das montanhas Mackenzie, era um mundo à parte da frieza de pedra do castelo. Quando ela chegou, a fogueira central já lambia o céu escuro. O som dos alaúdes e tambores preenchia o ar com uma energia rústica e vibrante.

​— Ora, se não é a nossa "dama do castelo"! — gritou Liam, o primo de Malya, puxando-a pelo braço assim que a viu. — Pare de carregar bandejas para o Rei e venha carregar o ritmo desta festa! Você é a melhor dançarina destas terras, ruiva!

​Malya riu, jogando a preocupação para trás das chamas. Ela entrou na roda, os pés descalços batendo no ritmo da dança típica do Oeste. Seu cabelo ruivo balançava como uma extensão da própria fogueira, e seu sorriso era largo, livre das amarras da etiqueta real.

​O que ela não sabia era que, nas sombras da floresta, um cavaleiro solitário observava. Dhorwack permanecia imóvel sobre seu cavalo negro, oculto pela escuridão. Ele vira Hadassa dançar em bailes de gala, como uma boneca de porcelana movida por fios, mas nunca vira nada como isso.

​Malya dançava com a alma. Ela era a personificação da vida, do calor e da liberdade que ele, em seu trono, nunca ousara ter. Ele ficou enfeitiçado pelo movimento dos quadris dela, pelo suor que brilhava em sua pele ao calor do fogo. Ali, ela não era uma criada; era uma rainha da terra. Sem dizer uma palavra, Dhorwack virou seu cavalo e galopou de volta para o silêncio de seus muros, com o coração batendo em um ritmo que nenhum decreto real conseguiria silenciar.

​A Surpresa na Cozinha

​Na manhã seguinte, a rotina das cozinhas foi interrompida por um guarda real carregando uma caixa de madeira entalhada e um pergaminho com o selo pessoal do Rei.

​— Para a criada Malya — anunciou o guarda, sob os olhares chocados das outras cozinheiras.

​Malya, com as mãos sujas de farinha, abriu a caixa. Dentro, repousava um colar de âmbar puro, da cor exata de seus olhos quando o sol batia neles, e um par de sapatos de couro macio, feitos para dançar em salões, não em tavernas. Junto, o convite:

​"O Rei solicita a presença de Malya do Oeste para um jantar privado em seus aposentos esta noite. Não como serva, mas como convidada. A saia de trabalho não será necessária."

​As outras criadas começaram a cochichar imediatamente. "Ela enfeitiçou o Rei", diziam umas. "Ela vai ser a próxima a ser descartada", diziam outras.

​Malya olhou para o colar, sentindo o peso do âmbar na palma da mão. Ela sabia que cruzar aquela porta à noite não seria apenas servir um chá; seria o início de algo que poderia incendiar o reino inteiro.