O preço da Coroa
17 O Ultimato de Roma
A pressão sobre o trono de Mackenzie atingiu um nível que nem mesmo a força bruta de Dhorwack poderia ignorar. A chegada do Arcebispo de Roma, com suas vestes pesadas e olhar de julgamento, trouxe o peso da Igreja para dentro do conflito.
O Arcebispo não se sentou. Ele permaneceu de pé no centro do salão, o cajado de ouro batendo no chão de pedra para enfatizar suas palavras.
— O Papa observa com preocupação as notícias que emanam destas montanhas, Majestade — disse o Arcebispo, a voz arrastada e autoritária. — Um rei sem rainha é um trono incompleto. E um rei que se nega a selar alianças com o Sul coloca a paz da cristandade em risco. Roma exige estabilidade. O senhor tem exatamente uma semana para anunciar o seu matrimônio com uma nobre de linhagem pura. Se não o fizer, a Igreja retirará o apoio ao seu reinado, e o senhor sabe o que acontece com reis excomungados.
Malya, que estava escondida atrás de uma das grandes colunas para entregar o chá matinal, sentiu o sangue gelar. Ela viu a Baronesa Genevieve, que estava convenientemente por perto, dar um passo à frente com um sorriso triunfante.
— Majestade — disse Genevieve, fazendo uma reverência impecável. — Minha família sempre foi fiel a Mackenzie e à Igreja. Para salvar o seu trono e garantir a paz, eu me ofereço para ser a sua Rainha. Uniremos nossas terras e calaremos as línguas maldosas de Roma.
Dhorwack permaneceu em silêncio por um longo tempo, o olhar fixo no nada. Ele sabia que se recusasse, Roma daria a Urtred Styles e a Carlos Vanderbit a "permissão divina" para invadir Mackenzie e destroná-lo.
— Eu aceito — disse Dhorwack, a voz seca como papel velho. — Preparem os editais. O casamento será em sete dias.
O Surto nos Aposentos Reais
Mais tarde naquela noite, Malya entrou nos aposentos do Rei sem bater. Ela não trazia chá, nem compressas, nem sorrisos. Ela trazia uma fúria que parecia capaz de queimar as paredes do castelo.
Dhorwack estava de costas, olhando pela janela para o vilarejo escuro.
— Então é isso? — a voz de Malya saiu como um estalo de chicote. — Uma semana e você coloca aquela cobra de seda no seu trono?
Dhorwack não se virou.
— Você ouviu o Arcebispo, Malya. É uma questão de sobrevivência para o reino.
— SOBREVIVÊNCIA? — ela gritou, derrubando uma cadeira de carvalho no chão. — Você falou de amor! Você dançou descalço comigo! Você me prometeu que eu era a única coisa real na sua vida! E agora, ao primeiro sinal de um velho com um cajado de ouro, você baixa a cabeça e aceita se deitar com uma mulher que você despreza?
— Eu sou um Rei antes de ser um homem! — Dhorwack rugiu, virando-se com os olhos injetados de raiva e dor. — Se eu for excomungado, o vilarejo será o primeiro a queimar na guerra civil! Eu estou protegendo você, Malya!
— Não use o meu nome para justificar a sua covardia! — ela avançou, empurrando o peito dele com as duas mãos. — Você me usou para se sentir vivo e agora me joga fora para manter um pedaço de metal na cabeça! Você é exatamente o que eu disse naquela primeira noite: um homem pequeno em uma cadeira grande demais. Você prefere ser um Rei infeliz do que ser um homem de verdade ao meu lado!
Ela começou a jogar os objetos da mesa no chão — os mapas, os tinteiros, os cálices de prata.
— Eu odeio você, Dhorwack Mackenzie! Odeio cada mentira que você me contou enquanto me beijava! Vá se casar com a sua Baronesa. Vá ter herdeiros frios como essa pedra. Mas nunca mais... NUNCA MAIS ouse olhar para o Oeste. Para mim, você morreu hoje!
Malya arrancou o avental de criada e o jogou na cara dele, as lágrimas escorrendo livremente agora.
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