O preço de uma dívida

4 Servidão: primeiros dias (II)


Notas iniciais
Olá flores! Mais vinte dias se passaram e cá estou eu. Vamos mergulhar um pouco mais na historia desses dois corações que estão começando a se envolver. Hora de começar as investigações. Grata por todas as rewiews passadas....more rewiews please...Boa leitura...Bjinhos flores

“Quando não houver saída;

Quando não houver mais solução;

Ainda há de haver saída;

Nenhuma ideia vale uma vida;

Quando não houver esperança;

Quando não restar nem ilusão;

Ainda há de haver esperança;

Em cada um de nós , algo de uma criança...”

Enquanto Houver Sol

Titãs

**Igreja de Starling (Domingo, 20 de Junho,1773– 07:30 a.m) **

Narrador

A manhã do domingo estava atipicamente ensolarada em Starling.

Uma a uma as famílias chegam para a celebração dominical a ser conduzida por Daniel Robinson, este recebendo-os a porta da igreja, cumprimentando-os alegremente.

— Bom dia Monsenhor Robinson, é muito bom tê-lo de volta – Moira Queen declara parando a sua frente acompanhada pelo marido e filhos.

—Também estou feliz em estar de volta senhora Queen. Sinto ter-me afastado por tanto tempo – declara o relativamente jovem pastor, sustentando a mão da mulher entre as suas – Senhor Queen, com está? – pergunta voltando sua atenção ao patriarca.

—Estamos bem Monsenhor, obrigado – Robert Queen responde, apertando a mão que lhe estendia.

—Fale pelo senhor! – Thea, a caçula da família, resmunga não tão baixo quanto deveria, recebendo o olhar de advertência dos pais – Desculpem-me – pede a garota, baixando a vista.

—Desculpe-nos pela falta de educação de nossa menina, Monsenhor – Moira Queen pede, mantendo o olhar severo sobre a filha.

—Não se preocupe, eu entendo. São os arroubos da juventude – diz o pastor, estreitando os olhos ao observar Oliver Queen – Procurando alguma coisa meu rapaz? Ou seria alguém? – sugere o religioso, entrelaçando os dedos das mãos, continuando sem dar-lhe a chance de responder – Foi bom terem chegado mais cedo, quero falar-lhe em particular, antes de iniciar nossa celebração – avisa, sorrindo e acenando para o casal que se aproximava acompanhado pelos filhos – Senhor e senhora Merlyn, Thomas meu rapaz, que bom revê-lo, e quanto a você, pequeno Davi, que anda comendo rapazinho? Está se transformando num gigante! – brinca, fazendo o garoto rir divertido – Entre. As senhoritas Snow e West estão lá atrás dando início a escolinha dominical. Um passarinho contou-me que teremos guloseimas para depois da missa! – “cochicha” ao ouvido do garoto, que se volta para os tios.

—Posso? – pergunta, animado.

—Certamente. Mas comporte-se entendeu? – Malcom libera, sorrindo ao vê-lo correr em direção ao interior da igreja, ficando sério ao voltar-se para os Queen – Robert, bom dia. Como vai? – cumprimenta o patriarca, este respondendo com um aceno.

—Bem, obrigado – diz, silenciando.

—Como está Rebecca? O bebê tem chutado muito? – Moira quer saber, sorrindo de maneira afável – Está bem próximo de dar à luz, não é? – pergunta.

—Sim, mais algumas semanas apenas – confirma a senhora Merlyn, alisando o ventre – Há momentos em que chuta bastante e outros que se aquieta – informa, tomando uma respiração profunda.

—Sei bem como é – solidariza-se a matriarca dos Queen.

—Bom que estejam todos presentes. Desejo falar-lhes após a celebração – avisa o pastor, notando a chegada relativamente discreta de Donna Smoak e sua filha – Senhora Smoak, como vai? – pergunta fazendo-as estancarem -Senhorita Felicity, poderia vir até aqui por favor? – convida.

—Eu? – indaga a loira, levando a mão ao peito.

—Existe alguma outra minha jovem? – devolve o pastor, chamando-a com o indicador – Meus caros Robert e Moira, poderiam emprestar-me vosso filho um segundo? – indaga assim que a garota se aproxima, dando atenção ao coroinha, que aproximara-se falando em seu ouvido – Jovem Merlyn, poderia ajudar este rapazinho? Ele lhe mostrara aonde – pede, Thomas acenando afirmativamente, seguindo o garoto – Entrem meus caros, prometo devolver vosso filho e vossa filha assim que terminar com os dois – convida, sorridente, sinalizando para as famílias se acomodarem antes de os conduzir para a sacristia – Por ali – indica, deixando-o irem a sua frente.

—Meu filho causou algum problema, Monsenhor? – Moira Queen questiona, posicionando-se a entrada de uma fileira de bancos, olhando do filho para a jovem Felicity, o rapaz voltar-se rápido ao escutar o questionamento.

—De maneira nenhuma. Desejo apenas esclarecer algumas coisas, nada mais – garante o religioso, sorrindo de forma afável, Thea chamando sua atenção para si.

—Monsenhor, disse que a senhorita Snow está na escolinha? Qual delas? – T interroga a garota.

—A jovem Caitlin – especifica o pastor.

—Posso ir até lá? – pergunta, voltando-se para os pais, que anuem com um meneio de cabeça, ela saindo rapidamente.

—Acomodem-se, por favor. Volto em alguns minutos – avisa o pastor, caminhando em direção a sacristia levando Oliver e Felicity consigo – Sentem-se — ordena o pregador assim que entram, fechando a porta, ele próprio o fazendo em seguida, apoiando as mãos sobre a mesa, entrelaçando os dedos, olhando de um para outro alternadamente durante alguns minutos antes de se pronunciar – Qual dos dois irá explicar-me, número um: por que não chegaram juntos a celebração? Número dois: por que não vejo alianças em seus dedos? E finalmente: por que vossas famílias e nossa comunidade não foram informadas acerca do casamento? – questiona, direto, erguendo um dedo para cada questionamento fazendo-os trocar um olhar apreensivo e ao mesmo tempo curioso.

—Como sabe que casamos Monsenhor? – Felicity indaga, não segurando a curiosidade.

—Minha querida criança, se há uma coisa que se espalha rapidamente entre meus irmãos de sacerdócio, é este tipo de notícia. Ainda mais quando o casamento é celebrado por um parente – diz, sorrindo misterioso – Vossa união foi celebrada por um irmão meu. De sacerdócio e de sangue, coincidentemente – revela – Nos vimos um dia antes de eu tomar a carruagem de volta. Como devem saber, o nome de nosso pequeno, porém prospero vilarejo chama um pouco de atenção por sua excentricidade – comenta, encarando-os – Então, que me responde estas questões? – reitera.

—Encontrei-me com Felicity por acaso, enquanto estava em viagem de negócios acompanhando meu pai – começa a contar o rapaz – Aconteceu de ela estar em casa de parentes na mesma cidade aonde estávamos. Talvez por estarmos longe da pressão de nossas mães, conversamos com mais calma, saímos para jantar....e...Bem, confirmamos o que já sabíamos: estávamos apaixonados – afirma – Respondendo suas questões, pretendia comunicar a nossas mães assim que chegássemos, reunindo-as em um jantar e o faríamos a comunidade na celebração de hoje. Porém, mediante os fatos, a situação que encontramos ao chegar, optamos por adiar o planejado. Contudo, ontem a noite fui a casa da senhora Smoak e contei-lhe o acontecido entre Felicity e mim...

—Que seria? – questiona o pastor, interrompendo-o, a jovem corando visivelmente.

—Bem...é que nós... Hã... Nos ...precipitamos – titubeia o rapaz, sem graça — Eu a amo! – apressasse dizer, segurando a mão da esposa, olhando-a enlevado – Amei desde a primeira vez em que nos vimos – afirma, dando atenção ao sacerdote novamente – Além da senhora Smoak e de meu pai, minha irmã já sabe. Apenas minha mãe ainda não foi comunicada, erro que pretendemos corrigir hoje após a celebração – avisa o rapaz.

—Ótimo. Quanto mais cedo comunicarem o fato, melhor será. Não os quero desfilando por ai como se solteiros fossem, ou encontrando-se as escondidas dando margem a comentários maldosos– alerta o pastor, encarando-os – Dito isto, retornemos a assembleia. Ainda terei outras reuniões hoje – convida, levantando-se, os dois o seguindo ainda apreensivos.

Durante toda a celebração, Oliver e Felicity trocam olhares apaixonados enquanto Thea dedicava-se a irritar os irmãos, alternando entre um e outro, que se encontravam sentados um a seu lado e outro a suas costas. Cochichava ao ouvido de Oliver que a esposa estaria sendo cortejada por um ou outro homem que a olhava mais demoradamente. Já com Thomas, insinuava que a jovem Caitlin Snow lhe dirigia olhares apaixonados nada discretos, fazendo o rapaz irrita-se em alguns momentos.

Ao final da celebração, o sacerdote convida os Queen, os Merlyn e as Smoak a o aguardarem na sacristia, juntando-se a eles após os fiéis terem-se ido.

—Muito bem, agora quero conversar acercar dos últimos e estarrecedores acontecimentos os quais fui atualizado logo após minha chegada a cidade – avisa, sentando-se por trás de sua mesa.

—Imagino que o comitê encarregado de fiscalizar a vida alheia deva ser o responsável por essa atualização! – Thea resmunga, recebendo o olhar repreensor dos pais.

—Se refere-se as bondosas senhoras que zelam pela convivência pacifica e salutar em nossa amada comunidade senhorita Queen, está correta – confirma o religioso, sorrindo complacente – E agradeço a elas por isto ou dificilmente saberia de toda a situação envolvendo vossas famílias – diz, voltando-se para os patriarcas — Que história é essa de Thomas estar a serviço, como escravo da família Snow e do senhor Chase? Tenho ciência de sua dívida junto a ambos, visto que o ajudei a negociar um prazo maior para que pudesse pagá-la após o roubo – relembra — Mas por Deus Malcom, como as coisas chegaram a este ponto? – pergunta, encarando o empresário.

—A única explicação que me vem a mente, Monsenhor, é vingança – Malcom afirma, passando a narrar os fatos que culminaram com o acordo firmado diante do conselho.

—Então quer dizer que Dominique e Adrian usaram seu passado para buscar ...vingança?? Por qual razão? – questiona.

—Honestamente, não saberei dizer-lhe – admite o empresário, respirando fundo – Não lembro de ter-lhes feito qualquer coisa, contra algum dos dois, que justifique ou ao menos explique o porquê dessa raiva que parecem sentir de minha pessoa. Especialmente Chase – assegura Merlyn.

—Essa raiva e aparente desejo de vingança não se restringe apenas a Malcom – Robert Queen intervém – Não fosse a interferência de Thomas, a qual não tenho palavras para agradecer – declara, encarando o jovem – Minha filha poderia estar presa a um compromisso indesejado com o filho de Snow ou mesmo seria ela a servi-los – lembra, fazendo a jovem estremecer – Faço minhas as palavras de Malcom quando diz não saber o motivo de tamanha ira para conosco.

—É certo tratar-se de vingança? – o religioso questiona.

—Quando cheguei de viagem e minha esposa me pôs a par do acontecido, procurei Chase e Snow, separadamente, em sigilo, e ofereci-me para quitar toda a dívida do Merlyn a fim de que liberassem Thomas da obrigação. Ambos recusaram. Por mais que insistisse, não aceitaram – Robert Queen revela, surpreendendo-os.

—Neste caso não resta dúvidas sobre as verdadeiras intenções de ambos. Resta-nos saber o porquê – conclui o religioso, massageando o queixo – O que me leva a questionar a segurança do jovem Thomas – preocupa-se.

—O conselho também preocupou-se. Se algum dos dois ou qualquer pessoa ligada a eles colocar a integridade ou a vida de meu filho em risco, o acordo é automaticamente anulado – Malcom revela – Consegui a inclusão de uma clausula no acordo permitindo-me libertar meu filho de ao menos um deles mediante quitação de minha dívida – informa o empresário – Irei esforçar -me ainda mais em recuperar capital a fim de realiza-lo – garante.

—Nisto poderei ajuda-lo – Robert afirma – Retornei com muitas ideias para a cidade e para pô-las em prática irei precisar construir. Para tanto contratarei sua firma Merlyn– avisa, fazendo uma reverencia polida, o empresário retribuindo o cumprimento.

—Bom. Muito bom. Pelo que vejo, apesar de trágica, a situação ao menos serviu para reaproxima-los e unir os irmãos – sorri para os dois jovens – Confesso que me preocupei algumas vezes com o fato de serem próximos e não terem conhecimento do parentesco entre vocês – admite.

—Temia que eu e Tommy nos envolvêssemos Monsenhor? – Thea questiona.

—Para ser honesto, sim. E muito! – confirma – Os jovens senhores Oliver e Thomas são muito inquietos, adeptos a ...noitadas em certa casa que não preciso mencionar, ou preciso? – questiona, os dois rapazes negando com gestos de cabeça — Este hábito, no entanto, deve mudar de agora em diante para um deles, correto senhor Oliver? – interroga, o rapaz concordando com novo gesto – O que me leva o outro assunto – diz, sinalizando para Felicity e sua mãe aproximarem-se – Devem estar se perguntando por que convoquei a senhora Smoak e sua filha a permanecerem conosco– indaga, olhando-os atentamente – Bem, ao menos alguns de vocês – acrescenta – Quer falar ou eu mesmo falo senhor Queen? – pergunta, olhando diretamente para o patriarca da família.

—Eu falo – Robert se dispõe, voltando-se para a esposa – Moira, minha querida, durante nossa estadia no vilarejo de Jersey, Oliver e a jovem senhorita Felicity cuja presença na mesma localidade foi tão somente uma mera coincidência, diga-se, acabaram por se envolver de maneira mais.... intima– começa a dizer, cuidadoso – Por conta disto, me vi obrigado, o que não significa que não esteja feliz, apenas queria que tivessem sido mais pacientes...

—Senhor meu marido, está dando toda essa volta para comunicar-me que nosso filho contraiu matrimonio com a filha da senhora Smaok? – Moira questiona, interrompendo-o, deixando a todos surpresos – Uma mãe sempre sabe quando seus filhos estão escondendo algo, no caso, Thea – diz.

—Desculpa Ollie, mas mamãe quis saber sobre o que cochichávamos e não consegui lhe mentir – confessa a jovem, sem graça – Foi melhor assim afinal ela e a senhora Smoak conversaram e...

—Como é? – Felicity corta-a, espantada, voltando-se para a mãe – Quando conversou com a senhora Queen? – interroga.

—Ontem à tarde – revela a loira, que até então escutava tudo calada – Imagine minha surpresa quando o mensageiro entregou-me o bilhete convidando-me a tomar um chá na confeitaria em companhia da distinta senhora Queen para tratarmos de assuntos de nosso interesse, no caso, sua mudança para a residência da família de seu esposo – conta, alisando o vestido simples e comportado.

—Mu-mudança? – a jovem balbucia.

—Certamente minha querida. Não espera continuar morando separada de seu marido espera? – Moira indaga, prosseguindo – Sua mãe e eu já acertamos tudo. Aguardávamos apenas me comunicarem para oficializar sua mudança. Hoje mesmo enviarei dois ou três de nossos empregados para buscar suas malas, que acredito já estarem prontas – avisa a matriarca dos Queen.

—Quase. Não podia arrumar tudo sem falar com minha filha antes – Donna justifica-se, olhando a jovem com carinho.

—Já mandei prepararem o segundo maior quarto da casa para o casal. Permanecerão conosco até que providencie uma casa para vocês – diz, olhando do filho para o marido – Aliás, este já pode ser um contrato para a empresa do senhor Merlyn, não acha meu marido? – sugere.

—Certamente – anui o homem, recuperando-se da surpresa – Iremos a seu escritório amanhã para falarmos sobre isto Merlyn – Robert avisa.

—Estarei aguardando – concorda o empresário.

—Excelente! – comemora o religioso – No próximo domingo comunicaremos a comunidade durante a celebração. Darei uma benção especial sobre o casal, mas já podem começar a usar as alianças para evitar dar margem a boatos e maledicências – ordena, o jovem casal obedecendo sem contestar – Agora as coisas estão começando a entrar nos eixos. Quanto a sua situação meu rapaz, irei ter com Snow esta tarde e amanhã falarei com Chase. Tentarei chama-los a razão – avisa, Thomas sorrindo fracamente.

—Agora que tudo está resolvido, será que podemos ir? – Thea questiona – Não me leve a mal Monsenhor, mas essa formalidade toda me deu fome....E tédio! – solta garota, revirando os olhos — Não podiam ter resolvido de forma mais leve? Tinha que ter toda esta pompa e circunstância? Sem falar na tensão. Alguns minutos a mais um dos dois ficaria viúvo por certo! – exclama a garota, levantando-se.

—Theresa Dearden Queen!! – Moira chama energicamente, encarando a filha.

—A senhora disse meu nome completo! Isso nunca é um bom sinal – resmunga a jovem fazendo uma careta de desagrado.

—Que modos são estes, senhorita? Tratamos de assuntos sérios aqui – ralha a matriarca Queen.

—Sua mãe está correta — Robert endossa – Vidas e sentimentos são assuntos sérios Thea, não fonte de diversão – admoesta-a.

—Desculpem-me – pede ela, inclinando a cabeça.

—Desta vez passa. Não repita essa atitude novamente ou recebera o castigo merecido – Robert alerta-a – Melhor nos retirarmos agora. Monsenhor deve estar querendo descansar um pouco e ainda precisamos providenciar a mudança de minha nora – lembra, voltando-se para Donna – Senhora Smoak, aceitaria almoçar em nossa residência? – convida.

—Eu?? – espanta-se a loira, pondo uma mão sobre o colo.

—Sim minha querida. Agora somos uma só família. Será sempre bem-vinda em nossa casa – Moira acresce, sorrindo polidamente.

—Eu...aceito, obrigada –Donna responde, desconfiada – Quando forem buscar as malas de Felicity, irei junto – avisa, levantando, a filha fazendo o mesmo.

—Nos vemos dentro de uma hora, então – Moira avisa, imitando-as, os demais fazendo o mesmo – Monsenhor, sua benção – pede, reclinando levemente o corpo.

—Deus abençoe a todos. Tenham um bom dia – deseja, conduzindo-os até a porta, observando-os rumarem cada um para suas casas, pensativo.

*** Ruinas da antiga empresa Merlyn (15:26 p.m) ***

Thomas

Caminho por entre os escombros do que já foi a primeira sede da empresa de meu pai tentando descobrir alguma pista.

Lembro de ter, no dia em que ocorreu o incêndio, ficado assustado com a rapidez com que as chamas devoraram tudo deixando muito pouco da estrutura de pé, erguendo a cabeça ao escutar o estalar de madeira as minhas costas. Volto-me para ver meu amigo aproximar-se.

—Fogo e água são elementos dúbios: trazem vida e as tiram – Eddie diz, parando alguns passos de onde estou, olhando a volta – Assim como criam e destrói coisas e lugares – conclui, agachando-se, pegando um punhado de terra e pó com a mão.

—Acha que ainda é possível, após todo este tempo, encontrar algo que nos diga se o incêndio foi criminoso ou não? – questiono-o.

—Para ser sincero, não meu amigo – responde, erguendo o rosto para me encarar – Mas sempre podemos tentar. Quem sabe a sorte não nos sorri – anima-se, ambos nos voltando ao escutar o xingamento de alguém.

—Falei para não virem conosco não falei? – Oliver afirma, surgindo por entre a vegetação seguido de perto por sua esposa, irmã, as duas Lance, Harper, Barry, a senhorita West e...

—O que ela faz aqui? – pergunto, não escondendo minha irritação ao ver a filha caçula de Dominique Snow junto com o grupo.

—O que Toda essa gente faz aqui? – Eddie corrigi-me, tão ou mais irritado que eu – Só faltou o...- cala-se ao escutar o xingamento bravo.

—AI! Droga de raiz! – Raymond Palmer bufa, aparecendo saltitando num pé só logo atrás de Sara Lance, que rola os olhos, impaciente.

—E não faltou ninguém! – Eddie bufa novaente, erguendo os braços, exasperado.

—Oliver...?? – interrogo-o, encarando meu amigo, incrédulo.

—Se pudesse teria vindo sozinho, acredite, mas realmente não foi possível. Ou as deixava vir ou teria problemas – justifica-se, conduzindo a esposa pelos escombros – Chegou a muito tempo? – pergunta.

—Algum – respondo, evasivo, encarando a jovem senhorita Snow – O que faz aqui? – rosno, não me importando em ser educado.

—Para seu governo, senhor mal-agradecido, quando Thea me contou o que pretendiam fazer, ofereci-me para ajudar de alguma forma. Mas se isto o irrita, posso ir embora – responde, me encarando.

—Ajudar? A senhorita? Como, posso saber? Acaso as freiras a ensinaram a encontrar resquícios em escombros entre uma aula de bordado e outra? – desdenho – Ou seu intuito é coletar informações para seu pai e o amigo cretino dele? – suponho, recebendo um olhar furioso em resposta.

—Disse-lhe em minha casa que sou contraria a esta situação ridícula – lembra, dando dois passos em minha direção, parando, erguendo o rosto a fim de encarar-me – Não menti. O que puder fazer para ajudar a reverte-la farei, mesmo que isto signifique ir contra minha família – assegura, completando – Quanto aos ensinamentos que recebi, ficaria surpreso em saber a temática de algumas de minhas aulas extracurriculares! – exclama, erguendo o queixo desafiadora.

—Será mesmo? – revido, rindo com o canto da boca.

—Pelo amor de Deus, vocês parecem um casal discutindo quem comeu o ultio biscoito!! – ouço Sara dizer e a encaro vendo-a rir divertida.

—Abaixe a guarda Thomas, a senhorita Caitlin está do nosso lado. A bem do mais, ela não tem culpa pelas atitudes do pai – Laurel Lance a defende, agitando as mãos – Apenas eu estou incomodada com a quantidade de moscas neste lugar?? – resmunga.

—Deve haver algum animal morto aqui perto – Eddie supõe fazendo-a emitir uma interjeição de nojo.

—Laurel, dissemos para não vir não foi? Já que não nos ouviu, veja se para de reclamar– Felicity ralha, afastando os incômodos insetos com um lenço.

—Por onde começamos? – Sara pergunta, puxando um ramo de mato do cabelo de Raymond, olhando em volta – É uma área bem extensa. Pensei ser menor.

—Tudo ficava concentrado aqui senhorita, a empresa inteira: os escritórios, o deposito de ferramentas, o estoque – Harper explica, indicando os locais com o dedo – O local onde estamos era o prédio principal onde ficavam o escritório e sala de projetos. A esquerda o deposito de ferramentas leves, um pouco mais para o fundo, do mesmo lado, o de ferramentas pesadas. No local onde está, senhor Thawne, ficava o deposito de material de limpeza. Mais ao fundo, o de material de construção que incluía madeira, chapas, vigas e tudo que se precisa para erguer uma casa simples ou de andares – explica – Ali – aponta uma área por detrás de Oliver e Felicity – Ficavam o estabulo e o celeiro onde mantínhamos os animais e tudo que precisávamos para transportar o material para as obras: carroças, selas, correntes e, logico, feno – conclui.

— Por onde exatamente o incêndio teve início? – Oliver questiona, encarando-o sério.

— Supostamente nos estábulos, mas eu particularmente não acredito nesta hipótese – Harper informa e o encaro intrigado – Se assim fosse, senhor Thomas, como explicar que, à exceção do pangaré do velho senhor Mortimer, os demais animais que se encontravam presos lá dentro tenham saído antes que o fogo os atingisse? – revela – Nenhum funcionário relatou ter liberado os animais, no entanto foi claramente isto que parece ter acontecido.

— Devo concordar com Harper – Eddie diz, massageando o queixo, sinalizando com as mãos o local aonde estávamos – Toda está área está destruída e dificilmente nos fornecerá alguma pista, ao passo que as demais, incluindo os estábulos aonde supostamente foi o ponto de ignição, ainda apresenta estruturas de pé, como aquelas vigas – aponta-as, fazendo-nos olhar na direção indicada por ele – Se o incêndio tivesse começado ali nada sobraria.

— É realmente estranho o ponto de origem ainda ter alguma estrutura de pé – Oliver anui – Acho que vou começar por lá – diz, encaminhando-se para o local, Felicity o seguindo de perto.

— Vamos para lá – Barry diz, apontando a área aonde ficavam os depósitos, estancando – Mas o que devemos procurar? – questiona.

— Algo fora do normal ou que não deveria estar aqui – Eddie explica.

— Tipo?? – Sara quer saber.

— Saberão quando encontrarem senhorita, acredite – meu amigo afirma, eles espalhando-se pela área.

— Será que ainda conseguiremos encontrar alguma pista mesmo depois de tanto tempo? – interrogo, encarando Eddie.

— Quem sabe não damos sorte – responde, otimista (algo pouco comum nele)

— Como essa coisa sob seus pés? – Snow pergunta, apontando o solo abaixo de Eddie – O que é isto? – questiona, enrugando o cenho, curiosa.

— Boa pergunta senhorita Caitlin – ele responde, agachando-se, limpando o pó – Parece-me um pedaço de assoalho – identifica, sacando o punhal com o qual sempre anda cavando a volta da peça.

— Como é possível uma parte do assoalho ter ficado intacta? – questiono, agachando-me junto a ele, ajudando-o a cavar, notando a aproximação da Snow. Penso em manda-la afastar-se, mas desisto. Mesmo tendo pouco tempo de convivência, já notei o quanto pode ser teimosa quando quer.

— Parece que algo caiu sobre ele e grudou feito...cola – ouço-a opinar tendo de admitir que estava certa – É comum trabalhar com cola em construção não é senhor Merlyn? – pergunta, cutucando-me quando demoro responder – Senhor Thomas? – insiste.

— É. É muito comum – confirmo, ajudando Eddie a desenterrar o pedaço de madeira – O que acha Eddie, pode ser aqui que o incêndio teve origem se alastrando para as demais áreas? – quero saber.

— Pode ter sido sim meu amigo, mas não posso afirmar com segurança absoluta – responde – Talvez se tivéssemos vindo alguns dias depois do incêndio poderia...- cala-se, assustando-se, assim como Snow e eu, quando uma barra fixa de madeira cai bem ao nosso lado, levantando poeira– Mas que diabos mulher, perdeu o juízo por acaso? – vocifera, irritado, erguendo o rosto para encarar as irmãs Lance e Thea, que sopravam pelo esforço.

— Disse que saberíamos quando encontrássemos algo anormal não disse? – Sara lembra, esfregando as mãos uma na outra a fim de limpar a poeira.

— O que uma barra de madeira tem de anormal mulher, quer me dizer? – Eddie bufa, levantando e faço o mesmo.

— Segundo o senhor Harper tudo – Laurel diz, apontando o gerente de meu pai, que se encontrava agachado examinando o solo perto do que suponho um dia fora a entrada do estabulo, Barry a seu lado, Íris próxima aos dois, sapateando, espantando os insetos – Disse tratar-se da trava que fechava o estabulo onde os animais...

— Sei para que serve uma trava senhorita Lance – Eddie a interrompe, impaciente – O que quero saber é o que isto – aponta a viga — Tem a ver com isso? – explica, abrindo os braços indicando toda a área.

—Acho que tenho sua resposta Eddie – afirmo, entendendo o raciocínio de Harper – Se o fogo tivesse começado pelo estabulo de fato, como seria possível justamente a trava da porta estar intacta? – questiono – Isto só reforça a tese de Harper que alguém libertou os animais.....

—Pondo-os em segurança antes que o fogo atingisse o celeiro posto que as chamas estavam concentradas na origem, ou seja, bem aqui! – Caitlin Snow conclui meu pensamento, olhando-me triunfante.

— Era exatamente isto que estava prestes a explicar não tivesse sido interrompida – Laurel afirma, encarando Eddie de queixo erguido, sua pose me fazendo rir baixinho – Mas evidente que o troglodita não poderia deixar passar não é mesmo? – provoca-o, não dando chance a ele rebater – Vocês homens se acham tão superiores, auto suficientes...Mas esquecem que sem nós, mulheres não seriam nada – exagera, pondo o dedo no peito de meu amigo, os olhos brilhando como sempre ficam quando se inflama. Conheço bem o rumo que as coisas tomariam dali em diante e trato de cortá-lo.

— Deixe seus discursos inflamados para outro momento senhorita Laurel – peço, fechando os olhos ante a onda de protestos não apenas dela – Querem fazer o imenso favor de ficarem quietas!? Esta discursão não nos levara a lugar nenhum – reclamo, olhando-as.

— O senhor Thomas está correto Laurel – ouço a Snow declarar e me volto, encarando-a de sobrancelha erguida – Mesmo porque os machões Jamais – inclina-se em minha direção, aumentando a voz ao falar perto de meu ouvido – Admitirão que podemos ser tão inteligentes e capazes quanto eles...Ou mesmo superá-los em algumas coisas – provoca-me, sustentando o olhar que lhe dirijo.

— QUEEN! – Eddie grita, pegando a todos de surpresa – Da próxima vez, deixe sua mulher e irmã presas em casa. Assim as senhoritas não se animarão em vir junto e nos atrapalharem – resmunga, encarando-as de braços cruzados.

— Como é senhor Thawne? Atrapalhar? Escute aqui...- Sara começa a dizer, o dedo em riste, olhos faiscando, seu protesto sendo interrompido por Raymond, que chama nossa atenção para si com um assovio.

— Hã... pessoal, acho que descobrir o porquê de tantas moscas e daquelas aves lá – aponta uma arvore ressecada ali perto onde vários abutres assentavam-se – Melhor verem isto – diz, apontando uma valeta a sua frente – E, com todo respeito a senhorita Lance...Sara...e as demais também, não acho que irão gostar de ver o que encontrei – afirma de mão erguida, a palma virada em nossa direção ao ver que as garotas nos acompanhavam.

— Por que não deixa que julguemos isso senhor Pamer? – Sara protesta, levantando a saia do vestido o suficiente para que pudesse andar mais rápido, subindo o pequeno desnível aonde Ray se encontrava, alcançando-o, estancando e girando nos calcanhares – Oh, céus! – exclama, fechando os olhos, segurando sem seu braço.

— Avisei não avisei? – Raymond lembra-a, fazendo uma careta ao sentir o beliscão.

— Quem será o pobre coitado? – Barry questiona, protegendo a boca e o nariz com uma mão.

— Há quanto tempo estará ai? – Oliver questiona fazendo menção descer, Felicity o impedindo.

— O que está pretendendo fazer senhor meu marido? – indaga, as mãos na cintura, fazendo-o estancar imediatamente.

— Verificar se tem alguma identificação – informa ele.

— De jeito nenhum vai tocar num defunto! – bufa – Ao menos se quiser dormir na mesma cama que eu esta noite – ameaça fazendo-o recuar.

— E duvido que tenha alguma identificação Ollie – afirmo, observando o corpo fétido – Mal dá para distinguir os traços do rosto. Deve estar aí há semanas – suponho.

— Não creio Tommy. Se fosse o caso estaria mais decomposto – Barry afirma – Para ser sincero, parece-me estar há apenas a um dia ou dois...

— Ou horas talvez – Eddie opina, descendo até metade da valeta, olhando o corpo melhor, retornando rápido – O que acham de irmos embora? – sugere de repente – Já temos o que queríamos e além do mais a tarde já avança. Não é aconselhável deixar a noite cair para retornarmos à cidade – acrescenta, sinalizando para nos afastarmos.

— Vamos deixar o pobre infeliz nessa vala!? – Snow questiona.

— Não, vamos leva-lo conosco e entrega-lo ao delegado Lance! – respondo, continuando sem dar-lhe chance rebater – Aproveitamos para explicar-lhe o que fazíamos nas ruinas da empresa de meu pai – digo de forma sarcástica, encarando-a.

— Entendi o recado senhor Merlyn, não precisa ser grosseiro! – bufa, girando nos calcanhares, começando a trilhar o caminho de volta a cidade sem nos esperar.

— Não precisava mesmo. Qual o problema com você? – Thea questiona, me encarando, brava – Quantas vezes terei que dizer que ela não tem culpa Tommy? — reclama, me dando as costas, apressando-se em seguir a amiga.

— Por que faz tanta questão de ser grosseiro? Nem parece você! Ela está sendo honesta ao dizer que deseja ajudar, não merece ser tratada desta maneira – Sara ralha, dando-me as costas, Laurel e a senhorita West fazendo o mesmo após me dirigirem olhares nada amistosos, Raymond, Barry e Harper seguindo-as a uma distância segura.

— Agora eu sou o vilão da história, é isso? – interrogo, sentindo a mão de Oliver em meu ombro.

— Não, mas reconheça que está sendo injusto com ela Tommy – declara — Não há porque descontar sua raiva, e sei que está com raiva, eu também estaria, sobre a pequena – aconselha, dando o braço a esposa, chamando atenção do grupo – Todos vocês ai a frente, esperem. Não devemos separar-nos até estarmos bem próximos a entrada da cidade – pede, o grupo estancando, nos aguardando – Qual o próximo passo? – questiona, olhando-me.

— Honestamente não sei – assumo – A suposição de incêndio acidental ainda é válida, tendo esse começado ou não no estabulo...

— E o que encontramos não pode ser considerado prova ...Ou pode? – Felicity questiona.

— Não sei dizer-lhe – digo, honesto – A verdade é que vir até aqui serviu apenas para me irritar ainda mais – admito, torcendo o nariz

— E quanto ao morto? – Snow, que retornara, questiona, a resposta sendo adiada pela chegada intempestiva de sua dama de companhia.

— Graças a Deus a encontrei! – exclama a garota, tomando grande respiração antes de falar novamente – Sua mãe já começa a desconfiar de sua ausência....e a senhora Queen também a procura senhorita – alerta, apontando Thea e ambas fazem uma careta gozada.

— O que disse a minha mãe Adissa? – Snow pergunta, tensa.

— Que estava em companhia da senhorita Queen, o irmão e a esposa em um passeio e havia me dispensado para que arrumasse seu quarto – conta, respirando fundo mais uma vez.

— Melhor entrarmos juntos na cidade meu amor, assim confirmamos a estória da moça e não causaremos nem teremos problemas – Felicity sugere.

— Assim o faremos amor – Oliver anui – Raymond, poderia acompanhar as senhoritas Lance? – pergunta.

— Com muito prazer – concorda nosso amigo, olhando de uma para outra com um sorriso bobo fazendo-as rolarem os olhos – E seria bom a senhorita West e o senhor Allen virem conosco também, não acham.

— Concordo – Oliver anui, voltando-se para mim – Tommy....

— Vou sozinho, não se preocupe – me adianto – Quanto ao nosso amigo lá atrás, que faremos? – repito vendo a senhorita Snow arquear a sobrancelha – Concordo que não podemos deixa-lo lá, está feliz agora senhorita? – indago, encarando-a.

— Sim, muito senhor Thomas – responde, sorridente.

— Vou a delegacia avisar sobre o corpo – Eddie prontifica-se.

— Por que você? – Sara questiona-o.

— Porque todos sabem que costumo caminhar pelas redondezas da cidade algumas vezes, por isto senhorita– explica – Ou prefere a senhorita mesma ir contar sobre a descoberta e explicar o que fazia por estas bandas ? A não ser que pretenda dizer que passeava ao pôr do sol em companhia do senhor Raymond, sozinha – Eddie a provoca recebendo um olhar resignado, porém raivoso da loira – Foi o que pensei – vangloria-se, retomando a caminhada, passando por entre ela e Raymond.

—Qualquer dia destes perco a paciência com ele – Sara avisa, bufando, voltando-se para a irmã – Vamos logo. Agora quero chegar o mais rápido possível em casa – diz, praticamente arrastando Ray, Laurel abrindo os braços, seguindo-os.

— Bem, ao menos o pobre coitado terá um enterro – Thea comenta, olhando Caitlin Snow, que anui com um gesto de cabeça.

—Certamente – Barry concorda, passando por elas junto com a namorada.

— Sobre o que estão falando? – a dama da Snow quer saber, Thea e ela enlaçando seus braços ao da jovem, adiantando-se um pouco nossa frente, passando a narrar os fatos de a pouco.

—Excelente. Agora em pouco tempo Snow e Chase saberão que estamos investigando. Sabia que não era uma boa ideia deixa-la ficar – resmungo, retomando o caminho para a cidade.

— Tommy, por que essa implicância com a garota? – Oliver questiona.

— Não estou implicando...Só quero manter-me em meu lugar, nada mais – justifico-me, dando de ombros, observando-a caminhar ao lado de minha recém descoberta irmã e sua dama – Já me basta ter que aturá-la em sua casa agora terei que fazer o mesmo fora de lá, entre meus amigos? – interrogo, mal-humorado.

— Sabe, se não o conhecesse bem diria que a está querendo afastar por outro motivo – meu amigo diz e me volto para encara-lo.

— Que outro motivo teria? – questiono-o.

— Não sei, me diga você – devolve, rindo discretamente.

— Nos separamos aqui – Eddie avisa, adiando minha resposta – Assim que chegar a cidade procurarei o delegado. Boas tardes a todos – despede-se, afastando-se rapidamente.

— Boas tardes – Ray e as irmãs Lance dizem juntos, tomando outra direção.

— Até mais ver mal-humorado! – Thea despede-se, vindo até mim, me dando um beijo estalado na bochecha.

— Até mais ver Tommy – Oliver despede-se, sua esposa me acenando.

— Até mais ver senhor Merlyn. Espero que tenha uma boa e revigorante noite de sono para que seu humor melhore – Snow deseja, acenando e sorrindo antes de dar-me as costas, seguindo com sua dama, minha irmã, Oliver e esposa.

— Duvido muito já que terei que aturá-la durante toda a semana – resmungo.

— Melhor a ela do que ao senhor Chase, senhor Thomas – surpreendo-me com a observação feita por Harper – Acredite em mim, quando estiver a serviço do Chase sentira falta das implicâncias da senhorita Snow – assegura- Até mais ver – despede-se, deixando-me sozinho.

— Ao menos com o senhor Chase terei que me preocupar apenas em não cometer erros ao passo que com ela....- murmuro, observando-a enquanto some de minha alça de visão, respirando fundo antes de voltar-me e tomar o caminho de casa.

“.... Quando não houver caminho;

Mesmo sem amor, sem direção;

A sós ninguém está sozinho;

É caminhando que se faz o caminho...

Enquanto houver sol;

Enquanto houver sol, ainda haverá ....”

Notas finais
Nos vemos em vinte dias. Aviso aos navegantes: próximo capitulo marca o inicio do final da calmaria em Starling e redondezas!