Notas iniciais
Olá flores! Olha eu aqui de novo! Infelizmente ainda não é desta vez que Perfect e Survivors serão atts, sorry! Estou realmente insatisfeita com os dois capítulos e ainda não consegui desenrolar. Mas estou tentando. Enquanto isto, vamos mergulhar nas buscas, no namoro e descobri um segredo do passado das irmãs Lance. Grata por todas as rewiews passadas.... Aguardo mais rewiews, pleeeaaassseee!...Boa leitura..... Bjinhos flores. P.S: a música tema tem mais a ver com Laurel.

“Quando olhos nos teus olhos;

Não vejo a luz do amor;

Só as sombras do passado;

Só um fogo que se apagou;

A vida é assim;

Nosso espelho se quebrou;

É hora de se guardar;

Os segredos no coração...”

Quando Chove

Patricia Marx

Grupo de buscas (quarta-feira, 28/7- 5:43 a.m)

Narrador

—Falei a verdade senhorita. Não planejei prender meu irmão. Agi de improviso quando recusou-se aceitar a justa derrota! – Raymond Palmer assegura, sorridente, enquanto adentram o acampamento trazendo a lenha que haviam coletado.

—Está a insinuar que Eu planejei prender minha aia senhor Palmer? – inquire a jovem, arqueando a sobrancelha, duas graciosas covinhas formando-se em sua face ao rir-lhe de volta – Pois saiba que, assim como o senhor, agi de improviso! – garante, encarando-o de queixo erguido.

—Não imagina o quão feliz fico em ouvir isto!! – a observação os faz estancarem, surpresos ao depararem-se com o pai da garota.

—Pai!?!

—Delegado Lance!! – dizem ao mesmo tempo.

—Posso saber o porque da demora em recolher cinco míseros gravetos??? – bufa o delegado, desencostando-se da ramagem aonde encontrava-se, cruzando os braços ao encarar o jovem casal – Distancia Palmer. Distancia! – ordena, sinalizando com a mão, o rapaz dando um pulo de lado, afastando-se da loira, que bufa de volta, estreitando os olhos ao encarar o pai – E trate de mudar esta expressão senhorita! Deveria ser eu a estar furioso por ter-se embrenhado nesta comitiva masculina de forma temerária. Acaso esqueceu-se de seu papel ante a sociedade minha filha? – questiona-a.

—Qual papel senhor meu pai? De filha cordata? De acéfala por ser mulher? Ou seria futura esposa submissa? – contesta a jovem de forma atrevida.

—Sara. Louise. Lance! – recita o homem, tomando forte respiração antes de voltar a falar – Minha filha, tenho ciência de que não encaixa-se em nenhum dos papeis, para minha dor de cabeça! – declara, paciente – Porém, como Filha do delegado, a de servir como referência, modelo, as demais senhoritas de nossa cidade. Que pensarão se atira-se numa jornada como essa sem permissão de vosso pai? – reinquire, abrindo os braços.

—Que podem ser mais do que meros objetos de decoração ou satisfação aos desejos dos senhores seus maridos?? – devolve, corando levemente e fazendo Raymond corar também.

—Acredita, de fato, que jovens como a senhorita Evans ou Danvers ou ainda West devam atirar-se em aventuras semelhantes, seguindo seu exemplo? – questiona-a, fazendo o rubor em sua face aumentar.

—Evidente que não! – responde , baixando a vista, sem graça – Perdoe-me senhor meu pai, não pensei nas ramificações que meu ato poderia ter. Apenas não quis ficar sentada a espera de que os rapazes retornassem com nossos amigos. Não suportaria! – confessa, abrindo a boca para dizer algo mais, desistindo antes de o fazer.

—O que de fato deseja, além de ajudar nas buscas, coisa que devo admitir , admiro – reconhece, a sombra de um sorriso cruzando rapidamente sua face – O que não suportaria seria perder a “diversão” – faz aspas no ar – E neste ponto me culpo por haver estimulado este tipo de pensamento em você com minhas histórias...e trate de tirar esse risinho do rosto Palmer, ou irei arranca-lo – ameaça, voltando sua atenção para o moreno, este fazendo o que ordenara – Melhor levar esta lenha ou não sairemos daqui tão cedo! – sugere.

—Certamente senhor — anui o rapaz – Dê-me sua parte senhorita assim ficara mais a vontade para conversar com vosso pai – oferece, tirando os gravetos dos braços dela, fazendo uma breve reverencia antes de afastar-se.

—Não culpe-se por eu ter uma alma livre meu pai – Sara pede, olhando-o com ternura – E suas historias eram a melhor parte de meu dia. Aguardava ansiosa sua chegada para ouvi-las e sonhar em um dia partir em sua companhia a caça dos foras da lei que atreverem-se desafia-lo – relembra, emocionando-o – Não sabe quantos planos Laurel e eu bolamos a fim de convence-lo tornar-nos suas ajudantes mesmo que simbolicamente – revela.

—Ok, se queria quebrar-me, conseguiu – confessa o delegado, puxando-a para um abraço.

—Não era minha intenção, juro – confessa a jovem, aninhando-se no abraço paterno, pensando no quanto gostava de sentir-se protegida por ele, o que não admitiria em alta voz em hipótese alguma! – Quis apenas isenta-lo de tal fardo. Não culpe-se por ser a teimosa que sou – reitera.

—Sei disto Sara. Pode não parecer as vezes, mas conheço-a e a sua irmã muito bem – garante Lance, afastando-a delicadamente – Mas peço-lhe que jamais faça algo parecido novamente quando retornarmos, independente do resultado desta busca – pede, acariciando lhe a face.

—Pensarei no que pede-me! – brinca a jovem, fazendo-o rolar os olhos – Quando chegou? Esta sozinho? O rapaz indígena disse-nos que não estaria – interroga-o, curiosa, fazendo-o rir.

—Cheguei a pouco e não, não estou só – informa, ficando sério novamente – Robert Queen e um dos guerreiros da tribo a qual a mãe de Thawne pertence estão comigo – revela – Henry Allen e um de meus ajudantes, Jerome, retornaram a Starling por conta do acidente com Wilson – informa, sinalizando para que caminhassem de volta ao acampamento – Dois outros guerreiros que estavam com Urso cinzento...

—Urso pardo!?! – estanca a jovem, empalidecendo.

—É, pardo. Errei – assume o delegado, olhando-a desconfiado – O conhece? – questiona-a.

—N-não. Lógico que não .Como poderia? – gagueja a jovem – O que houve ao senhor Wilson? O jovem Cisco não nos contou detalhes, apenas disse-nos que havia levado um tombo feio – desvia o assunto, retomando a caminhada tendo-o logo atrás de si.

—Não sabemos bem o que se passou. Estava na retaguarda de nosso grupo quando o cavalo assustou-se com algo o atirou ao solo – explica, adentrando o acampamento juntamente com a filha – A queda o fez torcer o tornozelo além de machucar as costas. Apenas quando do acidente soubemos que estávamos sendo seguidos – diz, indicando o moreno alto a conversar com Eddie e Oliver – Devo admitir ter-me surpreendido duplamente – Lance afirma, observando o trio.

—Por que diz isto meu pai? – Sara quer saber, a inquietação tomando-a ao notar o olhar do guerreiro sobre eles.

—Por não havermos notado que nos seguiam e por tratar-se de alguém, como direi...- reflete um segundo, massageando o queixo – Prestativo, digamos – diz, respondendo ao aceno de Robert Queen – Sara, diga-me a verdade: como estão as coisas aqui? – pergunta, pondo-se a frente da filha, olhando-a nos olhos.

—Como assim? – devolve a jovem, sustentando seu olhar.

—Como estão fazendo no dia a dia desde que deixaram Starling até antes de chegarmos? – refaz, impacientando-se ante o olhar confuso da filha – Onde esta dormindo? Como faz quando precisa...você sabe...ir na casinha ou banhar-se? – pergunta, finalmente, a compreensão atingindo-a após alguns segundos.

—Uou!! Sério que está preocupado com isto, senhor meu pai? Com durmo ou se banho-me junto ao demais!?! – devolve mais uma vez – Honestamente, pensei ter-me em mais alta conta e confiar na educação eu dá-me e a Laurel – afirma, indignada.

—Confio em ambas as coisas – assegura o delegado, não a deixando falar – Não confio é neles! Melhor dizendo, nele – aponta diretamente para Raymond, que ajudava Cisco e Barry com o desjejum, Robert e Harper conversando próximos a eles, distraídos – Não é de hoje que tenho notado o jovem Palmer arrastando asa para seu lado, e nem perca seu tempo negando! – alerta-a, o dedo em riste – Então sim, estou preocupado de que forma minha filha mais nova tem passado as noites, em especial, numa comitiva aonde o mencionado rapaz encontra-se junto! -admite – Agora, responda seu pai – ordena, a garota suspirando resignada.

—Durmo junto a Oliver quando não estou de guarda em companhia dele ou de Thawne – informa – Saiba que afora termos ido procurar lenha juntos, Ray vem mantendo-me a distância, assim como Allen e mesmo Harper. Parece-me que os dois leões ali os ameaçaram sem que soubesse! – resmunga, cruzando os braços mal humorada ante o riso do pai.

—Desconfiei – diz, voltando-se ao notar a aproximação de Thawne – Então, seu amigo trouxe algo que não sabemos? – pergunta.

—Nada – responde, direto, olhando de pai para filha – Tomaremos o desjejum e retomaremos as buscas. Precisamos apressar-nos, há uma nova tempestade formando-se – alerta, indicando o céu ao longe.

—Uma tempestade não é nada bom. Irá apagar as já escassas pistas que dispomos – Lance lamenta.

—Uhum. Não percamos mais tempo – diz, acenando para juntarem-se aos demais, que já serviam-se do recém preparado desjejum, pai e filha acompanhando-o.

*** Planície homem morto (6:05 a.m) ***

Thomas

Agacho-me junto ao corpo do desconhecido examinando-o, sem tocá-lo, em busca de algo que pudesse ser-nos útil, o fungar forte seguido pelo grunhido levantando um pouco de pó, fazendo-me rir do já não tão pequeno filhote de lobo cinzento que seguira-me ao topo da caverna.

—Estão crescendo rápido amiguinho. Até quando permanecerão conosco sem ameaçar-nos?? – questiono-me em voz alta, observando-o cercar o cadáver, ora cheirando, ora dando pequenas mordidas nos membros, desconfiado.

—THOMAS! – o chamado doce faz-me sair do breve devaneio.

—ESTOU EXAMINANDO-O SENHORITA – respondo, esfregando as mãos, tomando fôlego (e coragem, admito) para mexer nos poucos pertences do falecido.

Viro-o de frente e arrependo me de imediato.

—Droga Thomas, agora tem um rosto para lembrar-se – resmungo, tentando não olhar a face do sujeito longamente.

Examino-o detalhadamente, de alto a baixo, decidindo descalçar lhe as botas, despir o casaco grosso (poderia servi-nos de abrigo para a chuva que preparava-se ao longe posto que não pretendo passar a noite aqui), pego cantil, que por sorte não lhe fora retirado por seus antigos “companheiros” e luvas, descartando o chapéu por conta do buraco deixado pela bala. Examino lhe os bolsos em busca de algo mais, um canivete ou arma escondida, frustrando-me ao não encontrar nada. Retiro o cinto com o coldre vazio (o couro poderia ser-nos útil) e por fim o lenço em seu pescoço deparando-me com uma medalha, um camafeu, para ser exato, surpreendendo-me. Abro-o encontrando duas fotografias recortadas em seu interior, os sorrisos da mulher e da criança entristecendo-me pois não iriam voltar a ver o homem , seja lá que ele fosse para elas.

—THOMAS, QUER, POR FAVOR, APRESSAR-SE!! – ouço Caitin pedir e sorrio.

—Mal nos envolvemos e já não consegue afastar-se de mim senhorita! – murmuro, meu sorriso morrendo ao pensar nas implicações daquele reconhecimento. Estávamos irremediavelmente envolvidos, não havia dúvidas. Eu a queria e ela a mim. Se era amor ou apenas algo passageiro nascido da situação pela qual passávamos, apenas o tempo diria – A questão é se teremos este tempo! – pondero, suspirando, erguendo-me após haver amarrado meu espólio com o pedaço de corda que encontrei com o falecido – Deus tenha pena de sua pobre alma meu amigo e perdoe-me não dar-lhe um tumulo descente. Além de não ter recursos para fazê-lo, o tempo agora passou a ser nosso inimigo – sussurro, retirando, num impulso, o cordão em seu pescoço, guardando-o no bolso de minha calça, sobressaltando-me quando uma pedra cai alguns metros de onde estou, o mesmo ocorrendo com o filhote, que deitara, estranhamente, junto ao corpo.

—THOMAS MERLYN, DESÇA JÁ AQUI! – ordena e arqueio a sobrancelha rindo ao ver o lobinho mover a cabeça lateralmente como a fazer-se a mesma pergunta que eu: Oi?? – POR FAVOR! – a suplica vem segundos depois, aumentando meu riso.

—Definitivamente precisamos claramente determinar regas aqui amiguinho, ou logo estaremos usando coleiras! – brinco, ele emitindo um som semelhante um bufo irritado, adiantando-se a minha frente pela encosta, chegando ao solo antes que eu o fizesse.

—Por que demorou Thomas? Estava a contorcer-me em cólicas tamanha preocupação a afligir-me! – Caitlin ralha mal paro a seu, cessando o carinho que fazia no filhote, erguendo-se com as mãos na cintura.

Por que você recebe afagos e eu bronca?, interrogo mentalmente, dirigindo um olhar enciumado ao bicho, que deita-se de barriga para cima pedindo mais – Saiba que é uma vergonha para sua espécie, pilantra vendido! – acuso, apontando-o, a risada doce e melódica chamando-me atenção... Este é, sem dúvida, o mais belo som que já ouvi em toda minha vida!.., penso, enlevado, tomando uma decisão silenciosa: iria fazer de um tudo para faze-la rir daquela maneira sempre. Sempre!

—Não me respondeu Thomas. Por que demorou-se tanto examinando um cadáver? Acaso ainda estava vivo quando e foi preciso enfrenta-lo em luta corporal? – provoca-me e resolvo entrar na brincadeira.

—Por certo que estava senhorita – confirmo – E evidente que tive de atrelar-me a ele a fim de proteger sua honra posto que ameaçou descer e toma-la a força! – minto, seus belos olhos castanhos abrindo-se em espanto em união com a boca, que descobri ser extremamente viciante. Ao menos para mim.

—Está a falar sério Thomas? O pobre infeliz estava vivo ainda? – preocupa-se.

—Não senhorita, não estava. Quis apenas assusta-la um pouco para ver se conseguia que pulasse em meu pescoço a pedir-me proteção! – digo, esquivando-me de seus tapas, rindo enquanto começava a fugir dela em direção ao laguinho.

—Não tem graça Thomas! – ralha perseguindo-me da melhor maneira que conseguia, tropeçando aqui e ali – Fiquei a imaginar o infeliz respirando com dificuldade durante todo o restante da madrugada, suportando a chuva, enquanto nós estávamos abrigados e a poder ajuda-lo – declara, tentando acertar-me novamente, quase tropeçando em um dos filhotes, que corriam a nossa volta.

—Verdade que estava a preocupar-se em ajuda-lo mesmo eu tendo dito que pretendia toma-la a força? – questiono, encarando-a enquanto caminho de costas.

—Não seja bobo Thomas, sabia que estava mentindo. Ao menos nesta parte estava – afirma, empinando o nariz atrevido – Ademais, tenho certeza de que não permitiria a nenhum homem tomar-me a força estando eu sob sua proteção, meu bobo e nem sempre tão nobre cavalheiro de armadura brilhante! – exclama e estanco, ela fazendo o mesmo alguns passos de mim – O quê?? – inquire, olhando-me séria.

—Sou seu cavalheiro de armadura brilhante? Mesmo após termo-nos...- Caitlin interrompe-me vencendo a curta distancia entre nós, envolvendo meu pescoço com seus braços delicados.

—O é – garante, olhando-me intensamente – Especialmente após a noite de ontem – declara, tocando meus lábios com os seus desajeitadamente, enrubescendo violentamente.

—Já disse-lhe o quanto vermelho cai-lhe bem senhorita? – indago, largando as coisas ao chão, envolvendo-a ela cintura trazendo-a para mais perto, praticamente colando nossos corpos.

—Uhum uhum – murmura, balançando a cabeça negativamente, entreabrindo os lábios de forma convidativa.

—É minha perdição senhorita! – sopro, aproximando minha boca da sua.

—Isto já disse quando pensou não estivesse ouvindo – revela e paro, surpreso, vendo-a corar ainda mais – As vezes pensa alto demais senhor Thomas! – adverte, baixando o rosto levemente.

Inclino meu rosto de modo a força-la erguer o seu, pondo-nos frente a frente mais uma vez.

—Penso não é? – inquiro recebendo um aceno emoldurado por um sorriso tímido – É...penso – anuo, tomando sua boca num beijo sedento que encerro apenas quando o ar nos falta, mantendo nosso rostos colados pela fronte – Caitlin, quanto calça? – pergunto fazendo-a afastar-se abruptamente, olhando-me confusa – As botas – digo, deixando-a ainda mais confusa – Peguei as botas do falecido e pensei em usa-las quando começarmos caminhar – explico.

—Thomas, não usarei as botas de um ...um...um defunto! – indigna-se, retirando os braços que envolviam meu pescoço – Além do que, devem ser enormes. Não me caberiam – completa, apoiando as mãos em meu peito visto que não a liberei .

—Sei disto senhorita – digo, não lhe dando chance dizer nada – Eu irei usá-la e a senhorita as minhas – comunico.

—Ainda assim ficara grande demais Thomas – insiste, seus dedos roçando-me a pele ao brincar com os cordões de minha veste, dificultando-me o raciocínio.

—Eu...- ponho uma mão por sobre as suas, fazendo-a cessar o contato – Sei senhorita. Mas se as calçar por sobre as suas...

—O que restou-me das minhas – interrompe-me, rindo divertida.

—O que restou-lhe das suas – parafraseio-a, rindo também – Se as calçar uma por sobre a outra irá servir. Ficara um pouco quente, por certo, porém será melhor do que arriscar-se com estas como estão. É deveras perigoso ficar com os pés desprotegidos por estes caminhos ainda mais tratando-se de pele tão delicada e sensível – digo, levando sua mão aos lábios, beijando-a ternamente.

—Por certo que sim e a segurança compensara o desconforto – anui, corando novamente – Senhor Thomas, não iriamos prepararmos para a caminhada de volta a casa? – questiona-me, sorrindo docemente.

—Certo....certo...preparar as coisas – repito, fascinado por seu sorriso.

—Thomas...os preparativos – repete, olhando fixamente para meus lábios.

—Podem esperar um pouco mais – sussurro, beijando-a outra vez.

**** Caitlin ****

Suspiro, afastando-me lentamente quando o beijo termina, estremecendo ao sentir os lábios de Thomas tocando-me a pele do pescoço enquanto seus braços apertam-me, mantendo-nos colados. Podia senti-lo por inteiro e isto era bom. Céus como era bom!

Deixo escapar um gemido quando sinto o toque em meu colo, suave e delicadamente fazendo-me experimentar sensações novas e arrebatadoras, o estrondo de trovões sobressaltando-nos. Nos afastamos com relutância.

—Parece que uma nova tempestade esta formando-se – comento, olhando o céu, mordendo o lábio preocupada.

—Não faça isto, peço-lhe senhorita – ouço Thomas dizer e olho-o, confusa – Não morda seu lábio desta forma. É deveras tentador! – avisa, dando-me um beijo rápido antes de largar-me, deixando-me momentaneamente zonza – Devemos começar os preparativos e também preciso encontrar um novo abrigo – diz, dando-me as costas, recomeçando caminhar depois de haver pego o que deixara cair

—Não pretende mesmo retornar a caverna Thomas? Parece-me ainda ser o melhor abrigo para nós, especialmente com esta chuva que está vindo – pondero, seguindo-o da melhor maneira que consigo.

—Apenas em ultimo caso senhorita. Não me agrada a ideia estarmos ali caso o cadáver comece atrair animais pouco amigáveis, como parentes de nossos amiguinhos ali – indica os filhotes, que iam e vinham, ora aproximando-se, ora sumindo por entre os arbustos.

—E para onde iriamos Thomas? Lembra que não encontramos nada quando buscamos? -relembro, suspirando, sobressaltando-me com novo estrondo – Thomas, deveríamos permanecer na caverna ao menos esta noite – pondero, parando a seu lado quando atingimos a clareira do laguinho.

—Se não houver escolha o faremos senhorita – concorda, olhando em volta – Por hora devemos preocupar-nos em alimentar-nos. Depois vemos como faremos – sugere, guiando-me ao local que acostuma-nos fazer as refeições, se é que podia chamar assim as frutas e peixes que comíamos dia e noite.

Após terminarmos nosso desjejum, Thomas convida-me examinar o espolio pego junto ao falecido: um casaco grosso, imenso, um cinto em couro com algo preso a ele, outro cantil, as botas, um par de luvas e um lenço juntando-os as coisas (os tecidos do forros de meu vestido, restos da crinolina e até os saltos que retirara de minhas botas) que deixáramos previamente guardados entre algumas pedras, numa fenda que encontráramos.

—Posso reaproveitar isto aqui? – pergunto, exibindo o cinto com a coisa grudado a ele, recebendo um aceno em resposta, concentrado em montar algo com os tecidos e casaco – Que está a fazer Thomas? – questiono-o, mexendo no cinto a fim de verificar se conseguiria fazer o que imaginara.

—Pensei montar um abrigo que pudéssemos levar conosco para proteger-nos do sol e alguma chuva ocasional – explica – Reaproveito a armação da...- estala os dedos na tentativa de lembrar o nome da peça de meu vestuário.

—Crinolina – elucido, rindo divertida.

—Isso! – anui – Prenderei o casaco a armação usando estes cipós que coletei ontem antes da chuva. São resistentes. Quero fazer algo semelhante as sombrinhas que usam – diz, concentrando-se em prender os arames soltos.

—Agora sei como minha sombrinha foi inventada! – brinco, vendo-o rir discretamente sem perder a concentração – Tentarei fazer disto um cestinho para que possamos levar algumas frutinhas conosco quando partirmos – informo, conseguindo sua atenção por um tempo – Pensei usar o tecido da crinolina por ser vazado. Que acha? – pergunto.

—Pode funcionar. Bem pensado senhorita – elogia e sinto meu rosto esquentar.

—Quando irá parar de chamar-me de senhorita Thomas? – indago, fazendo bico.

—Em breve senhorita – responde, sorrindo com o canto da boca voltando a concentrar-se no que fazia.

Olho-o alguns minutos porém como não dá-me atenção, concentro-me em transformar o cinto e seu acessório em algo útil para nós usando o tecido telado, terminado algum tempo depois, entediando-me por não ter o que fazer, uma ideia vindo-me a mente.

—Testarei minha cestinha enquanto termina o abrigo – aviso, levantando-me, sobressaltando Thomas, que ergue os olhos para mim.

—Como senhorita? – pergunta-me, confuso.

—Esquecera-me o quão distraído e absorto fica quando está trabalhando em algo Thomas – relembro fazendo-o sorrir do jeito que gosto – Disse que irei coletar amoras a fim de experimentar minha pequena invenção. Deste modo saberei quanto posso coletar e levar aqui dentro – refaço minha colocação, sorrindo-lhe – Voltarei em instantes – aviso, fazendo menção sair, estancando ao ouvir-lhe chamar.

—Caitlin, não afaste-se demais. Mantenha-se aonde possa vê-la – recomenda, sério.

—Viu como não doeu nada! – exclamo e o vejo franzir o cenho – Chamar-me pelo nome. Não doeu não é? – repito, enrugando meu nariz numa careta – Manter-me-ei a sua vista Thomas. Sempre – garanto, girando em meu eixo, caminhando em direção aos arbustos a poucos metros de distância, ganhando a companhia de prateada, a lobinha mais nova, creio por seu tamanho, e a mais, como direi...apegada a mim.

—Lembre-se: sempre a vista – ouço-o recomendar novamente e ergo o polegar em concordância, sorrindo para mim mesma, pensando em como, apesar de nossa situação não ser das melhores, estava feliz. E tudo por conta do acontecido ontem à noite! – Caitlin, ouviu-me? – pergunta e volto-me.

—Sim, Thomas – respondo-lhe, concentrando-me em colher amoras novamente, refletindo acerca de meus sentimentos por Thomas e os dele por mim.

Desde o principio ficara claro que não éramos indiferentes um ao outro. No entanto, a situação entre nossas famílias tornara complicado um envolvimento entre nós. Evidente que meus pais, minha mãe em especial, jamais permiti-a- me casar-me com alguém que julga inferior, como um servo, mesmo sabendo que tal condição era temporária. Jamais!

A questão a rondar-me a mente era se após todo este entrevero, caso sobrevivamos, logicamente, mudaria seu modo de pensar. Será que veriam a Thomas com outros olhos? Poderiam permitir-lhe fazer-me a corte e quem sabe casar-se comigo? A simples ideia de tornar-me sua esposa aquecia-me o coração tanto quanto assustava-me. Seria eu capaz de fazê-lo feliz? Satisfaria a seus anseios e desejos? E se tudo que pensamos sentir deva-se apenas as condições adversas que temos enfrentado mesmo antes de sermos largados a nossa própria sorte em meio ao nada? Seriam as coisas diferentes se Thomas não tivesse assumido o lugar de Thea em pagamento a divida de seu pai para com o meu o senhor Chase? Fossem os acontecimentos outros, Thomas notaria-me? Ver-me-ia dentre tantas garotas na cidade, algumas das quais já haviam-se deitado com ele?

—Evidente que não sua tonta! – sussurro, suspirando, olhando o nada a minha frente – Por certo ainda enxergar-me-ia como a pirralha que caíra no fosso ao fazer estripulias com a irmã de seu melhor amigo obrigando a ambos arriscarem-se a fim de retira-la do mesmo! – relembro, contorcendo meus lábios, desolada, reconhecendo que fosse outra a situação dificilmente nos encontraríamos ou seriamos obrigados aproximar-nos mais estreitamente, como ocorreu quando passou a servi meu pai em nossa casa, salvo se, por força de algum arranjo por interesse financeiro mutuo a nossas famílias, fosse-lhe dada em casamento, como ocorrera com Yvie. Neste caso, aceitá-lo-ia ou o rejeitaria apenas pelo fato de estar-me sendo imposto por convenção social?

Suspiro mais uma vez, distraindo-me com tais pensamentos a ponto de assustar-me ao sentir o toque em meu ombro, voltando-me rápido, vendo-me refletida na íris azul que tanto me encanta desde a primeira vez que vi-me ali!

—Onde estava senhorita, que não ouviu-me chama-la? – pergunta-me gentil, acarinhando-me a face – Por onde vagava em pensamentos? – quer saber, pondo uma mecha de meu cabelo por detrás de minha orelha, o toque fazendo minha pele arrepiar-se.

—Pensando em como viemos parar aqui e se seria diferente caso não estivesse a servi meu pai – digo-lhe, sincera – Iria ver-me Thomas, em meio a tantas outras garotas? Enxergar-me-ia ou ignorar-me-ia por completo? Seja sincero, por favor – peço-lhe, ansiando em ouvir-lhe a resposta.

—Sendo sincero senhorita, não tenho como responder-lhe – diz e sinto-me murchar – Pediu-me que fosse sincero Caitlin e o estou sendo – justifica-se pois por certo transpareci meu desapontamento – Que iriamos, em algum momento, conhecer-nos é fato. É amiga de Thea e por conseguinte não faltariam ocasiões para tal e certamente sua beleza e delicadeza chamar-me-iam minha atenção – lembra, sorrindo-me, os olhos assumindo um brilho diferente – Se nos envolveríamos ou se pediria permissão para corteja-la já é outra história. Por certo o faria com ou sem permissão de vossos pais pois, como disse a pouco, sua beleza me impulsionaria a fazê-lo – admite.

—E eu o poria em seu devido lugar, senhor conquistador! – brinco, fazendo-o rir alto.

—Por certo que sim senhorita – concorda, acarinhando-me a face mais uma vez – E eu insistiria até conquista-la – garante, tocando a ponta de meu nariz.

—E depois? – indago, vendo-o franzir o cenho – Depois de conquistar-me, que faria Thomas? Trocar-me-ia pela próxima conquista, por certo! – pressuponho.

—Por certo...- responde, assumindo um ar sério e compenetrado – Ou talvez fosse conquistado enquanto conquistava-a, perdendo-me neste olhos castanhos e cristalinos, neste sorriso meigo... em seus lábios doces como o mel recém colhido...- enumera fazendo-me reter o ar ao vê-lo aproximar-se devagar, os lábios tocando os meus tão suavemente quanto a brisa que começava a soprar, as mãos segurando-me o rosto com delicadeza – Já disse-lhe ser minha perdição não disse?- sopra, tomando-me num beijo sem esperar resposta – Poderia beija-la durante horas sem cansar-me – murmura sem que nos separemos, aumentando e diminuindo a pressão, suas mãos deixando meu rosto para envolver-me a cintura, trazendo-me para junto de si – Minha doce Caitlin...minha...só minha! – sussurra, de maneira possessiva, em meu ouvido após haver cessado o beijo, deslizando os lábios lateralmente por meu rosto, detendo-se na curva de meu pescoço, exercendo uma leve pressão ai que faz-me sentir fraca e por certo cairia se não estivesse em seus braços.

Fecho os olhos levando, timidamente, minhas mãos a seu cabelo, enroscando meus dedos, suspirando ao sentir-me prensada contra a arvore a minhas costas, nossos corpos moldando-se um ao outro com perfeição. Sinto a dureza de sua masculinidade a pressionar-me o quadril tal qual ocorrerá noite passada e novamente sou tomada por sensações inebriantes que tiram-me o fôlego mesmo antes de ter meus lábios tomados pelos seus mais uma vez, o ribombar seguido de trovões obrigando-nos afastar-nos sem no entanto soltar-nos

—Melhor retornarmos a caverna Thomas. Ainda é nossa melhor proteção – peço-lhe, vendo as nuvens cada mais escuras formando-se sobre nós.

—Sim – concorda, soltando-me lentamente, erguendo o rosto para o céu – Está será tão forte quanto aquela primeira – relembra e sinto um calafrio ao lembrar que água quase invadira a caverna – Desta vez teremos como impedir a água adentrar nosso refúgio – tranquiliza-me, lendo-me com exatidão – Venha senhorita. Recolhamos os frutos de nosso trabalho, colhamos mais amoras e melões silvestres, enchamos os cantis e corramos de volta a caverna antes que a tempestade desabe. Quero por em pratica uma ideia que ocorreu-me a pouco – diz, segurando minha mão, conduzindo-me de volta a beira do pequeno lago – Enquanto coletava amoras, terminei nossa proteção móvel e pesquei, com ajuda de meu amiguinho aqui – aponta os filhotes, que comiam restos dos peixes e algo mais – Alguns peixes e um extra que poderemos levar conosco quando partirmos amanhã – diz, recolhendo o saco que improvisei quando da primeira vez que pescara – Precisamos recolher lenha pelo caminho de volta antes que molhem. Pegaremos o máximo que pudermos – orienta, entregando-me o saco, as botas e outras coisas mais presas com o lenço – Quando estivermos na caverna, testaremos se dará certo calçar minhas botas por sobre as suas – prossegue, estancando de repente, olhando-me preocupado – Está tudo bem senhorita? – quer saber.

—Está – respondo com voz falha, limpando a garganta antes de falar novamente – Está sim. Apenas tentava acompanhar seu raciocínio Thomas – confesso – Que ideia ocorreu-lhe e para que? – interrogo, seguindo-o até abeirada do lago, aonde abaixa-se, enchendo os cantis.

—Subirei ao topo da caverna outra vez e arrastarei o falecido o mais longe que conseguir antes de a tempestade cair. Assim evitarei os animais aproximarem-se de nós posto que a chuva não fara escorrer sangue defronte a entrada como ocorreu na madrugada – conta, erguendo-se – Quanto a água, usaremos a capa além de cavarmos, com esta estaca, uma trincheira que faça-a correr para fora. Não sei como não havia pensado nisto antes! – exclama – Mas para que possamos tomar todas estas providencias precisamos chegar antes da tempestade, portanto, apresemo-nos – convida, pegando o restante das coisas.

Retornamos a caverna, parando vez ou outra para recolher lenha, ajuntando a maior quantidade até agora desde que nos abrigáramos ali. Quando chegamos, Thomas orienta-me em como guarda-la em segurança bem como aos alimentos que trouxéramos. A seguir, deixa-me, subindo ao topo como dissera, retornando quase uma hora depois, exausto, ainda assim encontrando forças para ajudar-me terminar de salvar nossa comida, preparar a fogueira e fazer a trincheira. Nesta tarefa ganhamos o reforço dos filhotes, divertiam-se escavando, jogando terra sobre nós. Ainda conseguimos coletar mais amoras nas moitas próximas antes de a tempestade desabar, tão feroz quanto da primeira noite, a “sombrinha” improvisada por Thomas mostrando-se eficaz.

Abrigados e alimentados, recostamo-nos no fundo da caverna, abraçados, aquecendo-nos um ao outro perto da fogueira, planejando o que faríamos no dia seguinte e qual direção tomaríamos, deitando-nos juntinhos, adormecendo quase que ao mesmo tempo.

**** Grupo de buscas (quarta, 21:34 p.m) ****

Sara Lance

Estico a manta que servia-me como cama em um dos cantos do abrigo que os homens haviam conseguido montar terminando segundos antes de a tempestade desabar sobre nossas cabeças.

Estávamos prestes a entra em campo aberto quando os lideres decidiram recuar a fim de proteger-nos da chuva torrencial que hora caia, o que mostrou-se uma escolha acertada por mais que fosse atrasar-nos. Seria-nos impossível progredir contra as rajadas de vento que açoitavam nosso abrigo neste exato momento fazendo-me erguer as olhos ao amontado de galhos e ramos recoberto por nossos capotes e alguns impermeáveis que meu pai e o senhor Queen trouxeram consigo, insegura.

—Não desabara, asseguro-lhe senhorita Lance – a voz forte soa as minhas costas, tentando transmitir-me calma.

—Devo confiar em sua palavra então? – indago, voltando-me, encarando (tentando, ao menos) o homem alto cujo porte fazia realmente lembrar um enorme urso, a barba e cabelos negros e compridos ajudando deixa-lo com uma aparência até certo ponto assustadora – A palavra de um mentiroso! – acuso, em tom baixo, erguendo o queixo.

Sabia o quão perigoso a uma mulher era desafiar um homem, especialmente um como aquele. Porém o rancor fora mil vezes maior e não contive-me.

—Não minto senhorita – responde-me em tom igualmente baixo.

—Não? Que nome dá ao que fez senhor Killigam, melhor dizendo, Urso Pardo? Embuste? – questiono-o, mantendo meu queixo erguido em desafio.

—Não menti – sustenta, entre dentes e estremeço porém mantenho-me firme – Sinto se não fiz-me entender claramente. Sua linguagem e expressões eram-me ainda muito difíceis de entender na época – justifica-se.

—Culpa-nos então? Nós que não o entendemos é isto? — irrito-me — Que tipo de homem, de guerreiro, é se omite-se e tenta isentar-se da responsabilidade por seus atos? Que pensariam o senhor Thawne e o jovem Cisco caso soubessem o que fez? E sua esposa? Que pensa sobre o assunto, se é que contou-lhe acerca de seu passado pouco recomendável para um líder tribal, ou este tipo de comportamento é tido como comum entre os seus? Talvez uma prova de sua masculinidade quem sabe! – teorizo, recuando um passo ao ver a expressão temerária em seus olhos.

—Não necessito fazer uso de nada para afirmar-me como homem – assegura, orgulhoso, irritando-me mais – Jamais quis magoá-la ou a senhorita, creia-me. Se tivesse o poder de regressar ao passado, não ia deixar-me dominar por meus sentimentos como o fiz. Cabia-me ter tido o controle necessário a evitar a situação. A mim, e somente a mim, cabe a culpa – acusa-se, para minha surpresa.

—Mas não o teve e partindo disto deveria ter assumido sua responsabilidade! – acuso novamente, atentando-me meu pai e os demais, que começavam a notar-nos.

—E o teria...se pudesse e tivesse certeza ser o correto – diz, prosseguindo – Responda-me senhorita: que tipo de vida poderia oferecer-lhe? Nada do que estava acostumada é certo – afirma, uma sombra de tristeza cruzando seu olhar – Por mais doloroso que tenha sido, fiz o que era certo para nós dois. Espero, honestamente, que possa perdoar-me algum dia – declara, fazendo uma pequena reverencia antes de afastar-se, deixando-me tão confusa e distraída que não percebo a presença de Raymond.

—Impressionante não? – questiona-me e olho-o sem nada entender – Ele – indica Killigan com um gesto de cabeça – É até meio injustos para nós, simples mortais, competirmos com alguém como ele, não que eu queira competir ou que tivesse alguma chance caso quisesse! Eu teria??– embanana-se, olhando-me com aqueles lindos olhos negros e pidões.

—Teria o quê senhor Palmer? Poderia ser mais especifico? – peço-lhe, olhando-o direto.

—Com a senhorita. Teria chance contra...bem...- titubeia e entendo.

—O quê? Não. Não! Pelos céus, não! – exclamo, vendo-o murchar e sorrio – Raymond, Não estou interessada nele – esclareço, o sorriso de menino iluminando lhe o rosto – Por que pensou isto? – questiono-o, ele levando a mão à nuca, sem graça.

—É que ...bem...Ouvi-o pedir-lhe perdão quando aproximava-me – revela, ficando vermelho – Não que estivesse prestando atenção aos dois – apressa-se dizer e rio.

—Estávamos não é? – pergunto, ele confirmando com um aceno. Encaro-o um segundo, segurando-lhe a mão, fazendo-o sentar-se a meu lado sobre o cobertor – Raymond, deixe-me explicar-lhe o que ouviu – peço.

—De forma alguma senhorita. Nada deve-me – apressa-se novamente fazendo menção levantar-se porém não o permito.

—Mas o quero fazer – insisto, respirando fundo, olhando a volta certificando-me estarem ocupados em garantir nossa segurança conforme Killi prometera – Ray, lembra-se quando fomos, Laurel e eu, passar algum tempo em casa de um parente nos arredores do vilarejo de Central por contar de nosso pai necessitar ausentar-se por longo período em captura a fugitivos? – pergunto recebendo novo aceno afirmativo – Pois bem, no trajeto fomos atacadas por malfeitores e não aconteceu-nos o pior porque dois homens surgiram e salvaram-nos. Um deles era Urso pardo, que conhecemos como Killigam – conto, pegando-o de surpresa – Ele e seu companheiro de viagem socorreram-nos, acompanhando-nos depois do perigo haver cessado a casa dos parentes em segurança. Não preciso dizer que foram convidados a pernoitar por ser tarde – lembro, meu olhar perdendo-se em memorias alguns segundos – A partir daquele momento, Laurel desenvolveu sentimentos por ele. E foi correspondida – revelo, o espanto tomando-o – Não posso contar-lhe detalhes posto que é da intimidade de minha irmã que falo. O que mais posso dizer-lhe é que Killi rompeu com ela após ter-lhe enchido de esperanças, magoando-a profundamente. Disse-lhe já ser comprometido, ou prometido, não sei qual termo correto no caso do povo deles. O fato é que fez minha irmã sofrer ao dar-lhe as costas por dizer-se obrigado a cumprir este compromisso. Depois disto, Laurel fechou-se para o amor. Jamais o perdoei pelo que fez a ela – concluo.

—Sara, não sei bem o que houve entre eles, mas posso afirmar que sua irmã não sofreu sozinha – Ray fala, após um breve silencio e enrugo o cenho, confusa – De fato, Urso pardo, ou Killi, como queira, estava preso a um compromisso que não se realizou. Ele não casou-se conforme era esperado – revela, fazendo-me abrir a boca, espantada – Desconheço as causas do rompimento e o sei apenas por Eddie ter comentado conosco, mas a verdade é que, assim como a senhorita Laurel, ele também fechou-se para o amor. Não envolveu-se novamente com mais nenhuma mulher quer seja de sua tribo, quer seja de outra. Eddie costuma dizer que tornou-se um solitário. O que aconteceu o afetou senhorita. Muito – garante, ambos olhando em direção a ele.

**** Starling City (22:30) ****

Residência Lance

Laurel

—Senhorita, precisa de meus serviços? – ouço a governanta pergunta e desperto do transe no qual encontrava-me, envolta em lembranças, nem todas agradáveis.

—Não senhora Michaels, pode recolher-se e você também Abgail – libero-as.

—A senhorita não irá precisar de ajuda? – questiona-me a aia de Sara e sorrio-lhe, negando.

—Não, não irei. Pode recolher-se tranquila – reitero.

—Pois não senhorita. Boas noites – despede-se, a senhora Michaels fazendo o mesmo após garantir0lhe igualmente que ficaria bem e recolher-me-ia dentro em pouco.

Ao me ver sozinha, caminho pela imensa sala vazia. Não pensei que sentiria tanta falta das contendas entre papai e Sara! O silencio no qual a casa passara a envolver-se após a partida de ambos era quase enlouquecedor. Admito que em horas como esta pego-me a pensar se deveria ter rejeitado tantos pretendentes , se não deveria ter-me casado com o jovem filho senhor Corvin, dono do hotel. Ou com o subdelegado, que declara-se mais de uma vez, desistindo quando percebeu não seria correspondido. Ou ainda com Oliver quando de nosso quase compromisso alguns meses antes de Felicity chegar a cidade vindo morar em companhia da mãe, ele encantando-se de imediato por ela. E ainda havia Thomas, mas por este nunca nutri sentimento algum além de amizade, mesmo após saber que ele nutri por mim (ao menos foi o que disseram-me).

—É Laurel, rejeitou alguns pretendentes, por outros sequer interessou-se e quando o fez lhe foi negado a reciproca! Poderia ter sua própria casa, seus filhos e um marido por quem esperar – suspiro, parando junto a janela, sentando-me sobre o dormente amplo, olhando por entre as cortinas a chuva cair ruidosamente lá fora – A quem estou tentando enganar! Mesmo não tendo o espirito livre como o de Sara, igualmente não sinto-me impelida a uma vida monótona como a maioria da mulheres passa a ter após casar-se. Talvez tenha sido este o principal atrativo que ele exercera sobre mim: a promessa de uma vida sem fronteiras, sem monotonia nem mesmices! – teorizo, deixando-me guia pelas lembranças, o rosto marcante de intensos olhos negros e lábios grossos vindo-me a mente, causando arrepios de puro prazer.

Como pude-me enganar tanto? Como deixei-me ludibriar a ponto de quase entregar-me por inteiro, corpo e alma? E acima de tudo, como posso continuar a nutrir sentimentos por aquele bastardo que não de raiva e rancor? Como posso ainda hoje ama-lo como amo? Que faria se algum o reencontrasse por acidente? A possibilidade sempre existiu posto que pertence a tribo da qual Eddie Thawne descende portanto, vive não muito distante da cidade. Quando descobri tal fato quase enlouqueci! Temia o momento em que viria a cidade ver Thawne, como alguns dos seus faziam, raramente, evidente, mas faziam. Como reagiria? Não sei, mas admito ter ficado tentada descobrir.

—Droga! Preciso arranca-lo de meu pensamento e de meu coração ou jamais conseguirei ser feliz mesmo que aceite a corte de alguém – resmungo, a leve batida na porta sobressaltando-me.

Escuto, atenta, a ver se não enganara-me, se não haveria sido algum barulhos do temporal, o calafrio em minha espinha formando-se ao escutar o som repetir-se. Quem poderia ser a uma hora daquelas?

—Quem é? – pergunto, protegida pelas cortinas, tentando enxergar lá fora, o breu da noite impedindo-me.

—Jerome, assistente de vosso pai – identifica-se – Não precisa abrir senhorita. Apenas verificava estar tudo bem posto ter visto luzes acessas – justifica-se – Caso necessite, estarei na esquina, sob o alpendre do velho senhor Stone. A um grito seu virei correndo – comunica e sorrio.

—Grata senhor Jerome – agradeço – Espere um segundo sim – peço antes que se vá.

Dirijo-me rapidamente a cozinha, pondo fatias de pão e bolo e uma jarra com café numa bandeja, retornando a sala, indo direto a porta frontal, protegendo-me com um xale antes de abri-la.

—Aqui, tome. Para mantê-lo forte nesta noite gélida – digo, estendendo-lhe a bandeja, que aceita satisfeito.

—Grato senhorita – agradece, tocando a aba do chapéu com um dedo.

—Tente descansar, dormir um pouco. Não faz-se necessário que fique desperto toda a noite após haver trabalhado todo o dia – recomendo sabendo que de nada adiantaria pedir-lhe que fosse para sua casa.

—Fique tranquila senhorita. Estou acostumado a noites em dormir – garante, sorrindo gentil e ao fazê-lo traz-me novamente a mente o homem que tentava desesperadamente esquecer – Boas noites senhorita Lance. E certifique-se de todas as portas estarem travadas – despede-se com a recomendação, dando-me as costas, sumindo em meio ao aguaceiro.

Fecho a porta, fazendo o que recomendara a seguir, subindo para meu quarto apenas quando certifico-me estar tudo trancado e seguro.

Dispo-me, tomo um banho rápido, visto a camisola e deito-me, rezando para que meu pai e irmã bem como os membros do grupo de busca estejam em segurança e abrigados da tempestade, rezando também para serem bem sucedidos e encontrarem a jovem Caitlin e Thomas vivos e bem, na medida do possível. Somente então permito-me mergulhar num sono profundo e reconfortante, repleto de sonhos envolvendo o guerreiro moreno que roubara meu coração.

“...Se chove lá fora;

Queima aqui dentro;

Que vontade de te abraçar, amor;

Quando chove, fica mais triste esperar;

Por alguém que não vai chegar...”

Notas finais
Até breve. bjinhos flores