Notas iniciais
Olá flores! Apareci finalmente! Desta vez o sumiço não foi por minha culpa. Meu note deu bronca. Positivamente não quero mais saber desta marca fuleira!!! Ainda não recebi de volta. Só hoje a noitinha o técnico, que também é meu vizinho,rsrsrsrsrs, vai me entregar e dizer o que houve e se posso esperar nova bronca. O fato é que já estou pesquisando outros de marcas melhores. Hoje a tarde consegui pegar o de meu sobrinho emprestado enquanto ele foi treinar. Vou escrever o máximo de capitulos que conseguir, salvar no drive e assim que possível postar. Por hora, para matar a abstinência, atualização aqui. Caso dê tempo atualizo outra antes de meu sobrinho chegar e caso o sono não seja mais forte, depois que o meu estiver em casa, atualizo outras de madrugada mesmo fazendo jus a meu segundo codinome: Lady Vamp srsrsrsrr. Por aqui, uma revelação inesperada tanto para vocês quanto para Felicity e as meninas que ficaram na cidade; Tommy e Cait tomando uma decisão sobre seu destino. No mais, grata por não desistirem da historia....Grata por todas as rewiews passadas....Alimentem uma escritora faminta com mais rewiews, pleaseee....Boa leitura....Bjinhos flores. Leiam as notas finais

“Parece uma rosa;

De longe é formosa;

É toda recalcada;

A alegria alheia a incomoda...”

Erva Venenosa

Rita Lee

*** Residência Snow (Terça-feira, 27/7 – 14:55 p.m) ****

Evelyne “Yvie” Snow

Finalizo a maquiagem leve, ajeito meu cabelo, prendendo alguns fios rebeldes por detrás da orelha, ajusto meu busto ao decote notando o vestido ainda folgado.

—Aperte um pouco mais. Precisa marcar bem meu busto e cintura – ordeno, empertigando-me a fim de que a aia pudesse fazê-lo – Ande criatura parva! Não posso demorar-me – apresso-a, admirando minha imagem refletida no espelho.

—Apertei o máximo sem que dificulte-lhe respirar senhorita – avisa, afastando-se após finalizar sua tarefa.

—Muito bem — digo, levantando-me a fim de admirar-me por inteiro ficando satisfeita com o que vejo.

Mais cedo ordenara que a aia de Caitlin escovasse meu cabelo até dar-lhe o brilho que agora exibia, afinal aquela inútil estava recebendo sem fazer praticamente nada. Não entendia por qual razão era mantida posto que sequer sabíamos se minha irmã estava viva. Devo reconhecer que fizera um bom trabalho.

Pego minhas luvas e um chapéu discreto para proteger-me muito embora parte considerável da cidade, a que importa de fato, estaria fazendo a sesta, incluindo as fofoqueiras que costumam dar plantão em suas janelas ou outro ponto qualquer que lhes permitisse ampla visão da praça central. Meu diletíssimo noivo por certo também estaria a dormir àquela hora da tarde, portanto seria-me seguro sair. Só precisaria tomar cuidado com a xereta da casa de tolerância. Aquela infeliz sim poderia ir a causar-me problemas.

—É bem capaz de estar a espreitar-me nas sombras! – bufo baixinho sentindo meu estomago embrulhar.

Tivera a infelicidade de cruzar com uma das “funcionárias” daquele antro certa madrugada quando regressava após meu encontro clandestino, ela reconhecendo-me. Por dias obriguei-me a manter olhos e ouvidos atentos até certificar-me que não tentaria revelar o que vira a ninguém pois mesmo que a desmentisse, e o faria evidente, e mesmo tendo minha palavra mais valor que a dela, a suspeita estaria lançada e não seria nada bom para mim. Nada mesmo — Lembre-se: caso minha mãe acorde antes que tenha regressado, diga-lhe que fui a confeitaria acertar a encomenda para meu casamento e não a levei por estar ocupada na arrumação, o que de fato fara, sem pressa, entendeu? – questiono, voltando-me para ela.

—Sim senhorita – assegura, baixando a vista.

—Quando terminar sua tarefa pode recolher-se para a sesta, se ainda for tempo – ordeno, saindo do quarto, tendo a infelicidade de topar com Olivia e sua aia.

—Yvie? Vai sair? Pensei que estivesse a descansar – indaga, protegendo a boca com a mão, abafando a tosse.

—Pensei o mesmo a seu respeito. Que faz fora da cama? Acaso esqueceu-se das recomendações médicas? – questiono-a, voltando-me para sua aia – E você, aparvalhada, por qual razão permitiu que ela saísse da cama? – irrito-me.

—Não a culpe Yvie, quis descer um pouco para arejar e Nara apenas obedeceu-me. Não suporto mais ficar trancada naquele quarto! – choraminga e rolo os olhos, impaciente.

—Se já o fez retorne para a cama. Por certo mamãe ficara deveras irritada caso saiba que desobedeceu as ordens do doutor Hallowey. Ande, recolha-se – ordeno, calçando as luvas, retomando a caminhada.

—Aonde vai? Onde está Celine? Não a levará consigo? – interroga – Não devemos sair sozinhas, como bem sabe. Ainda mais você por estar noiva. Podem...

—Aonde vou e como não é de sua conta irmãzinha – corto-a, estancando, voltando-me para encara-la – Devo satisfações apenas a meus pais e noivo, como bem lembrou– friso.

—Por suposto. Mais uma razão para não sair desacompanhada. Sabe que mamãe irá irritar-se quando souber que o fez no meio da tarde quando deveria estar a descansar – alerta e lhe dirijo um sorriso sarcástico.

—Mais irritada ficara caso descubra de qual maneira contraiu esta pneumonia, não acha? – retruco, meu riso aumentando ao ver seu rosto ficar branco feito cera.

—C-Como? – gagueja.

—Isso mesmo que ouviu irmãzinha! – sustento, aproximando-me lentamente – Acaso acha que não sei por que caiu de cama tão repentinamente? Pensa que não soube de sua escapulida sorrateira no meio da noite? – lembro-a, a palidez em sua face aumentando – A princípio não entendi aonde fora àquela hora em companhia da aia de Caitlin. Mas quando papai falou do tal grupo formado por aquele mestiço metido, somei dois mais dois – revelo — Agora, se não deseja que nossa mãe saiba com quem a encontra-se às escondidas, na calada da noite, trate de voltar para seu quarto e ficar quietinha ou você, sua aia e aquela dissimulada aia de nossa irmã mais nova sofrerão as consequências – ameaço, dando-lhe as costas, seguindo meu caminho sem esperar resposta. Olivia jamais iria arriscar-se desagradar nossa mãe nem poria em risco o ganha pão daquelas infelizes.

Desço a escadaria de forma apressada dirigindo um olhar ao imenso carrilhão no canto da sala. Havia perdido um tempo precioso com aquela molenga. Precisava apressar-me se ainda queria ter alguns minutos com ele.

Opto por fazer uso da porta do escritório de nosso pai, mais discreta, ajustando o chapéu cuidadosamente antes de sair à rua. Seria uma caminhada longa, mesmo utilizando-me do atalho costumeiro, e não podia perder mais um segundo sequer.

Apresso-me, evitando defrontar-me com algum conhecido até atingir o beco lateral a confeitaria, local que dar-me-ia acesso ao atalho que por sua vez conduzir-me-ia aonde queria.

—Só espero que aquela pequena arrogante esteja a dormir! – sussurro, apressando ainda mais o passo.

Mais alguns minutos e encontro-me defronte a casa, sorrindo satisfeita ao notar a calmaria.

Respiro aliviada mantendo-me a lateralmente evitando ser vista, sempre atenta a movimentação em volta. Ao avistar o homem baixo e atarracado que faz as vezes de mordomo, aceno pedindo-lhe que esperasse. Venço a distância rapidamente, parando em frente a ele.

—Boas tardes. Saberia dizer-me se a senhorita Wilson encontra-se em casa? – questiono.

—Boas tardes senhorita. Miss Wilson estar a tirar a sesta em companhia de sua preceptora. Já a senhora Hoggins foi as compras. O patrão deu-me ordens para, caso a senhorita viesse visita-lo, a conduzisse direto a seus aposentos. Siga-me por favor – pede, e o faço deixando-me conduzir ao interior da casa.

Após adentrarmos, conduz-me através do corredor até uma porta estancando diante da mesma. Após bater discretamente, abre-a, ficando de lado permitindo-me passar, fechando-a tão logo adentro o recinto.

—Mas que bela e agradável surpresa! – exclama o homem seminu, esticado na imensa cama, as costas apoiadas aos travesseiros, estes a cabeceira permitindo-lhe ficar parcialmente ereto – Julguei que não iria querer ver-me novamente após nosso derradeiro encontro – declara, desnudando-me com o olhar.

—E deveria, afinal, deixou claro que iria preterir-me por minha irmã caçula – lembro-o descalçando as luvas, retirando o chapéu, pondo tudo sobre o aparador antes de o encarar, seu olhar languido fazendo-me sentir calores em certas partes – Fiquei deveras magoada por isto Slade – digo, fazendo um muxoxo.

—Minha querida, sabe bem por qual razão pretendia cortejar sua irmãzinha – diz, um sorriso zombador formando-se em sua face.

—Não venha-me com aquela conversa fiada de dote! Terei um até maior se assim desejar, sabe bem disto. Seu interesse em Caitlin, seu real interesse é bem outro, eu sei – acuso vendo-o rir abertamente.

—Este também. Seria-me um tipo de bônus – admite e bufo, irritada – Arriscou-se vindo até aqui, a esta hora, apenas para discutirmos Evelyne? – questiona, estreitando os olhos matreiros, prendendo-me com seu magnetismo.

—Na-Não – gaguejo, apertando as mãos nervosamente.

—Foi o que pensei – declara, convencido – Agora, seja uma boa menina e tranque a porta. Não queremos ser pegos de surpresa não é mesmo minha flor? – insinua olhando-me mais intensamente e retenho o ar, obedecendo com mãos tremulas – Muito bem. Agora feche as cortinas – ordena e movo-me até a imensa janela, fazendo o que pedira-me cuidadosamente, certificando-me de que nenhum olhar curioso pudesse enxergar dentro do aposento – Agora – ouço-o dizer com voz rouca enquanto ainda estou de costas – Dispa-se. Quero vê-la caminhar nua até mim! – ordena e sinto meu centro pulsar em antecipação – Apresse-se. Não temos a tarde inteira – exige.

Respiro fundo levando as mãos as minhas costas, puxando a ponta do trançado que fecha meu vestido. Puxo, afrouxando-o. Mais alguns puxões e está totalmente aberto, pronto para ser despido, o que faço com propositada vagareza deixando a peça cair a meus pés ficando apenas de combinação, o rosnado seguido da observação impaciente dele fazendo-me sorrir vitoriosa.

—Pelos céus mulher, apresse-se! – exige, o farfalhar de tecidos as minhas costas avisando-me que provavelmente já se despia à minha espera.

Sem pressa, dispo minha combinação mantendo-me sempre de costas para ele, escutando-o gemer quando a peça junta-se ao vestido.

—Vire-se – ordena e estremeço.

Apesar de não ser a primeira vez que ficava nua em sua presença, o fazer as claras, no meio da tarde, ainda me incomodava um pouco.

—Vire-se – repete, seu tom demonstrando o quão impaciente estava, o que, se por um lado era temerário, por outro excitava-me por demais! – Não pedirei uma terceira vez mulher! – exclama e ponho fim a meu pequeno jogo, voltando-me para encontrar seus olhos famintos sobre mim – Linda! Deliciosamente linda. Venha – obedeço sentindo meu centro pulsar cada vez mais forte e a umidade entre minhas pernas aumentar a tal ponto que escorre por minhas coxas – Pare – ordena quando estou à beira da cama e o faço, retendo o ar quando o vejo sair da posição na qual encontrava-se, deslizando para a borda, a perna cujo tornozelo estava enfaixado pendendo para fora, levando consigo o lençol, exibindo sua masculinidade ereta. Desvio o olhar, envergonhada – Adoro vê-la encabular-se! – exclama, deslizando a mão por meu braço, segurando-me o pulso, pegando-me de surpresa ao puxar-me contra si, a mão livre apertando meu queixo com força, obrigando-me encara-lo – Está certa em julgar que desejava deflorar sua doce irmãzinha, assim como fiz com você. Na verdade, ainda desejo, muito embora não sei se isto será possível posto que, se sobreviveram à seja lá o que lhes aconteceu, Thomas Merlyn não perdera a oportunidade de o fazer – declara, correndo a língua por meus lábios, insinuando-a para dentro de minha boca – Quanto a abandona-la, tranquilize-se. Não está em meus planos fazê-lo mesmo que venha a casar-se com seu centenário noivo – brinca, rindo e mordendo meu lábio inferior, fazendo-me gemer baixo.

—Pretende manter-me como sua mesmo após contrair núpcias com outro homem? – espanto-me ao ter a boca liberta, gemendo outra vez a sentir-me tocada na intimidade.

—Se achar que aquele velho irá satisfaze-la como eu, deixo-a livre – afirma, forçando dois dedos em meu interior inesperadamente. Preciso morde o lábio com força para conter o grito – Tão apertada e molhada, pronta para receber-me. Não a farei esperar mais tempo – declara, surpreendendo-me mais uma vez, retirando seus dedos, puxando-me de forma a fazer-me cair de bruços sobre o colchão macio, cobrindo-me com seu corpo de imediato, invadindo-me de forma vigorosa, um gemido mais alto escapando por meus lábios – Sem gritos hoje, embora ame ouvi-la fazer isto enquanto a possuo! – sussurra em meu ouvido, saindo de mim apenas para entrar logo a seguir, mais forte e fundo.

—Hummm! – sufoco o grito colando meu rosto ao cobertor, mordendo-o com força.

—Cheirosa... gostosa....cheirosa, gostosa e apertada. Que delicia estar dentro de você! – sopra, movendo-se com mais força e rapidez, as mãos inquietas passeando de meus seios para os quadris, apertando sem piedade, mantendo-me junto a si.

Fecho os olhos agarrando o lençol, tentando em vão controlar meus gemidos, um grito baixo e gutural escapando quando ele entra mais fundo fazendo meu corpo estremecer. Contorço-me em espasmos cada vez maiores até libertar-me a sua volta. Amoleço, sentindo-o crescer em meu interior, saindo antes que também se libertasse. Slade faze-me girar de frente para ele, minhas pernas sendo abertas com certa brutalidade. Arqueio-me, gemendo febril o senti-lo dentro de mim outra vez, as mãos firmes segurando-me pelo quadril mantendo-me imóvel enquanto me possui vigorosamente.

Minutos se passam sem que canse ou diminua o ritmo. Slade investe sem piedade, reclinando-se sobre mim, sugando e mordendo meus seios alternadamente até induzir-me novo gozo. Segundos depois sinto-o sair, o jato quente atingindo minha barriga, ele desabando, exausto, sobre mim.

Mais minutos se passam sem que nos movamos, nosso suor exalando um cheiro almiscarado... Cheiro do pecado!, penso, um sorriso entre temeroso e arteiro vindo-me aos lábios. Suspiro, refletindo que Slade até poderia realizar seu desejo e deflorar minha irmã caçula caso, como ele próprio insinuou, Thomas Merlyn não o faça, mas tenho certeza de que voltara para mim tão logo o consiga. Minha pudica e inocente irmã não conseguira satisfazer seus desejos e vontades como faço. Nunca. Escuto um grunhido rouco e baixo segundos antes de sentir sua mão buscar minha intimidade, instigando-me mais uma vez, seu membro tomando o lugar dos dedos tão logo a umidade entre minhas pernas aumenta. Novamente sou arrebatada por sensações inebriantes, deixando escapar seu nome quando atinjo o ápice, uma letargia tomando conta de meu corpo enquanto ele investe até dar-se por satisfeito.

—Adoraria tê-la mais tempo em meu leito, mas é melhor que se vá – declara algum tempo depois, levantando-se tão inesperadamente quanto se pusera sobre mim a princípio – Faça uso do creme que dei-lhe a fim de evitar machas e lava-se com água fria para diminuir o inchaço e a vermelhidão – recomenda, passando a mão em meu sexo – Quero-a em forma para nosso próximo encontro, que espero não tarde – comunica, inclinando-se até tocar-me lá com seus lábios, sugando e mordiscando levemente– Vamos minha pequena e saborosa flor. Levante-se, vista-se e volte para casa antes que deem por sua falta – reitera, segurando minhas mãos, erguendo-me.

Obrigo-me fazer o que dizia mesmo sentindo meu corpo envolvido num torpor, minhas pernas mal a obedecer-me. Com sua ajuda (após haver prendido uma toalha a cintura), ponho meu vestido, calço minhas botas e luvas, o chapéu sendo o último item a colocar.

—Não está a mentir-me não é? Quando diz que nada tem a ver com o sumiço daqueles dois. Ou quando diz não pretender deixar-me por ela ou qualquer outra!? – questiono, encarando-o.

—Minha querida, nada tenho a ver com a fatalidade acontecida a sua irmã e àquele rapaz – garante, uma mão em meu rosto acariciando-me – Como também não pretendo abrir mão do prazer que me proporciona por nada. Na verdade, estou a repensar minha decisão.

—Qual decisão? – quero saber.

—Deixa-la casar-se com aquele bode velho. Nunca fui bom em compartilhar o que é meu – declara, tomando-me num beijo avido que tirar-me o fôlego – Agora vá. Não devemos correr riscos desnecessários — ordena.

Anuo com um gesto de cabeça, encarando-o um segundo antes de girar a chave abrindo a porta.

Olho para fora certificando-me de não haver ninguém por perto. Saio sorrateiramente, alcançando a porta que dava para a rua em segundos. Afasto-me o mais rápido que minhas pernas trêmulas permitem-me, parando apenas ao alcançar o beco da confeitaria, recompondo-me antes de seguir adiante.

Adentrando o local, praticamente vazio àquela hora, escolhendo sentar-me numa mesa discreta junto a janela, sinalizando a atendente tão logo o faço.

—Uma xícara de chá quente e uma fatia de torta – peço, descalçando as luvas – e diga a sua patroa que preciso falar-lhe – aviso.

—Pois não senhorita – anui a garota, afastando-se a fim de atender meu pedido.

Por mais que estivesse a desejar um banho, precisava fortificar meu álibi caso mamãe decidisse verificar. Sorrio para mim mesma, abanando-me a fim de espantar o calor enquanto aguardava meu pedido, a lembrança de Caitlin me vindo repentinamente a mente, fazendo-me sentir um misto de tristeza e raiva.

***Confeitaria Star (16:26 p.m) ***

“...De longe não é feia;

Tem voz de uma sereia;

Cuidado não a toque;

Ela é má pode até te dar um choque;

Venenosa;

Êh, êh,êh, erva venenosa, êh, êh;

É pior do que cobra cascavel;

Seu veneno é cruel...”

Felicity Megan Queen

— Só estou a dizer que acho deveras estranho terem dito que haveria um prisioneiro federal a pernoitar em Starling e as únicas pessoas a descerem da carruagem, afora os tais agentes, um deles já a tossir feito um louco, foram uma mulher com traços asiáticos e uma criança, um menino, e ninguém mais. Se bem que após haverem descido, a carruagem dirigiu-se para detrás da cadeia e não para o repouso, como é costume – Kara Danvers, uma das amigas de minha cunhada, Thea, comenta, tirando-me do devaneio. Encaro-a confusa.

—Como sabe disto Kara? Acaso está a fiscalizar a delegacia? – Laurel Lance questiona mexendo a colher em sua xícara de forma displicente, o rosto apoiado a mão, entediada.

—Ou estaria a observar certo ajudante que regressou junto com o pobre moribundo senhor Wilson? – Thea ironiza, divertindo-se ao ver a amiga, cuja pele era extremamente alva, adquirir a tonalidade vermelha.

—Quê? Não, não. Apenas coincidiu de estar por perto na hora em que a carruagem chegou a cidade, atrasada, diga-se, nada mais – garante a garota, baixando a vista para seu prato, dando-me a certeza de que mentia.

—Não há problema algum em interessar-se por um rapaz solteiro, de boa índole, honesto, trabalhador – enumero imitando a Lance mais velha, igualmente entediada. O engraçado que este pequeno passeio fora ideia minha justamente para distrai-la posto que encontrava-se sozinha em casa desde a partida do pai – Laurel, tente animar-se. Estou certa de que vosso pai e meu sogro irão encontrar meu marido e os demais, incluindo sua irmã, em segurança. Eddie Thawne tem seus defeitos, mas jamais permitiria que algo ruim acontecesse a Sara – asseguro arrancando-lhe um sorriso discreto.

—Sei disto senhora...Felicity – corrige-se, pois, pedira-lhe para tratar-me pelo nome quando estivéssemos entre amigas –Porém não consigo evitar angustiar-me. São meu pai e irmã lá fora, expostos a intempéries e perigos desconhecidos, animais selvagens, bandidos...índios – enumera, suspirando – Sara já provou o quanto é impetuosa e decidida. Temo que mesmo sob a tutela de Oliver e Thawne faça algo temerário e venha a ferir-se gravemente ou machucar-se. Deveria ter-me atentado a forma como aquietou-se após haverem saído àquela noite – declara mas antes que possa retrucar, a sineta da porta de entrada tilinta chamando minha atenção.

—Urgh! – deixo a expressão de desagrado escapar seguida por uma careta.

—O quê? – Laurel volta-se de maneira pouco discreta a fim de ver do que tratava-se– Oh droga! – xinga, retornado a sua posição original, protegendo a lateral do rosto com uma mão.

Faço o mesmo fingindo coçar uma franja imaginaria, Thea, Íris e Kara olhando-nos intrigadas até Yvie Snow passar por nossa mesa apressadamente indo sentar-se num canto discreto, perto da janela, abanando-se vigorosamente, acenando a atendente, que vai a seu encontro, saindo segundos depois de ela haver ordenado, suponho.

—Urgh! Espero que não nos veja e se vir-nos não venha falar-nos – Thea choraminga, mexendo-se na cadeira em busca de evitar ficar de frente para a citada senhorita.

—Como é possível Caitlin e Olivia serem tão amáveis ao passo que essa dai é a personificação do entojo!? – Kara dispara e preciso me controlar para não rir.

—Entojo é pouco! – Íris corrobora, olhando atravessado em direção a Snow mais velha.

—Pelo jeito a senhorita Snow não goza do afeto de nenhuma das damas a ocupar esta mesa! – o comentário feito pela jovem que nos servia pega-me de surpresa. Não apenas pelo atrevimento do gesto, posto que sempre serviam todos com elegância silenciosa, mas por achar a voz familiar – Deseja mais chá jovem senhora Queen?? – interroga fazendo-me erguer os olhos para ela, minha boca abrindo-se num perfeito O de espanto.

—Alameda!?!? – espanto-me, soltando a exclamação antes que possa segurar minha língua – Que faz aqui? — questiono, corrigindo-me de imediato – Não que não possa estar aqui servindo como qualquer pessoa normal... E não que você seja anormal, sabe disso, e não necessariamente deva estar aqui servindo e não sendo servida...- tagarelo, atrapalhada, fazendo-a rir discretamente antes de falar.

—Felicity, já entendi. Acalme-se – pede-me a ruiva, encarando-me ainda a sorrir – Mais chá? – reitera.

—Vocês se conhecem? De onde? – minha cunhada quer saber, curiosa.

—Da casa de mama – Alameda responde antes que a impeça, servindo-me apesar de não haver-lhe respondido.

—Oi??? – as quatro mulheres sentada comigo à mesa indagam juntas, olhando dela para mim alternadamente.

—Desculpa. Isto é um problema para as senhoritas?? – Alameda questiona, tensa, tomando ciência da bobagem que dissera – Posso pedir a outra que as atenda...

—Não !!– respondem juntas novamente, um pouco alto demais, atraindo atenção dos poucos fregueses àquela hora, incluindo a proprietária, senhora Lacrosse, e de Yvie Snow(infelizmente)

—De forma alguma – Laurel toma a palavra abaixando o tom de voz – Não entenda-nos mal. Apenas admiramo-nos em saber que...bem...de onde conhecem-se – completa, sem graça, indicando-nos com um gesto de mãos.

—Como? Quando? Por que? – balbucio, eu mesma ainda surpresa.

—As damas não reclamam? – Íris interroga – Afora nós, evidente – diz, enrugando o cenho – Digo, não estamos a reclamar, conforme Laurel falou a pouco, posto que serve-nos divinamente e também não tenho reservas ou preconceito em relação sua outra ...hã...profissão...- atrapalha-se, fazendo Thea e Kara rirem.

—E eu a pensar ser exclusividade de minha cunhada embananar-se com as palavras quando nervosa! – observa minha dileta cunhada e a fuzilo com o olhar.

—Bem, as damas não nos conhecem posto que não frequentam a casa de Mama – Alameda responde, servindo mais chá a Laurel – Quanto aos cavalheiros, aqueles que por ventura nos reconhecem fora da casa, calam-se por não quererem prestar esclarecimentos a suas esposas, filhas, mães ou qualquer dama que os estiverem acompanhando.

—Por que está a falar na terceira pessoa?- Kara dá voz minha dúvida.

—Pelo fato de Ester e Valquíria trabalharem, uma na cozinha e outra atrás do balcão, neste mesmo estabelecimento – informa, sorridente.

—Estão saindo da casa de minha mãe? – pergunto, alegrando-me intimamente. Cresci com algumas destas garotas e torcia muito para que deixassem essa vida ingrata a qual muitas foram obrigadas por força das circunstâncias.

—Caminhando para isto senhora Queen – afirma, segura – Sabe do sonho que acalento há anos! – lembra-me– Mas para tal, preciso ajuntar dinheiro. Mama é gentil e justa, mas as despesas da casa são muitas, como bem sabe, por isto quando a senhora Lacrosse pôs o anuncio precisando de ajudantes, candidatei-me a vaga. Como fui aceita, Ester e Val animaram-se fazer o mesmo e cá estamos – conta, pondo os pratos e talheres com as fatias de torta que pedíramos sobre a mesa.

—Então sua patroa não sabe aonde...moram? – Laurel questiona, cuidadosa.

—Sabe. Mama fez questão de vir falar-lhe a fim de evitar mal-entendidos bem como que percamos nossos empregos quando descobrisse. Por sorte a senhora Lacrosse mostrou-se compreensiva e demonstrou não ter preconceito algum. Claro que nossa discrição contou a favor – conta, tranquila — Assim garantimos a renda extra para, num futuro não muito longínquo, espero, realizarmos nossos sonhos – declara, servir-nos – Desejam algo mais? Suco, docinhos, salgados? – oferece, solicita, depositando o bule de porcelana sobre o descanso.

—Por hora estamos satisfeitas. Chamaremos caso desejemos, obrigada – digo, sorrindo-lhe, ela fazendo uma reverencia antes de sair empurrando o carrinho.

—Alameda? Que tipo de nome é este? – Thea adianta-se, cortando os questionamentos que Laurel e Íris ensaiavam – E que modos lindos!

—Pensava a mesma coisa cá com meus botões – Kara exclama, sorrindo, meiga.

—Impressionou-me mais a eloquência com que fala – Laurel assume – Não pensei que garotas como ela pudessem ter uma linguagem tão primorosa. Onde aprendeu? Sua mãe paga preceptoras ou faziam uso da que lhe acompanhava? – pergunta, curiosa.

—Nenhuma das opções– respondo, tomando um gole do chá antes de responde-la – Tudo que aprendi foi com livros presenteados a mim por meu padrasto. Ele e mamãe sempre incentivaram-me continuar aprendendo mais e mais mesmo após meus estudos haverem cessado. Como Alameda disse, os custos de sustentação da casa são altos. O dinheiro mal dá para quitar as contas mensais quiçá pagar preceptoras. E nem todas meninas tem mentes abertas, fazem planos ou mesmo desejam deixar a vida que levam. Por inúmeras razões – digo, pesarosa – Quanto a Alameda, já chegou como a viram no que diz respeito a modos e eloquência. Não sabemos aonde ou com quem aprendeu – conto — Mamãe e Devon, meu falecido padrasto, encontraram-na numa viagem a New Hampschire. Fora violentada, espancada e deixada largada em um beco úmido e sujo certamente para que morresse – revelo, o terror transparecendo em seus semblantes – Levaram-na a um hospital. Quando acordou, não soube dizer o que passara-se consigo, quem a agredira nem onde vivia. Sequer lembrava o próprio nome. Ainda não lembra na verdade – divago um segundo – Não tiveram coragem de deixá-la abandonada a própria sorte então levaram-na com eles quando retornaram para casa nossa em Massachusetts, onde morávamos na época. Tinha pouco mais de treze anos – revelo, estarrecendo-as – Quando ela se restabeleceu, prontificou-se ajudar como paga por a terem socorrido. No começo mamãe a pôs nos serviços domésticos, longe do salão, porém certa noite, acabou por chamar atenção de um frequentador assíduo, um homem até certo ponto bondoso o qual sustentou-a por mais de dois anos em troca de exclusividade. Acredito ter-se-ia casado com ela não tivesse sofrido o acidente que o deixou invalido, a mercê da própria família. Nunca mais o vimos ou soubemos dele. O resto é lenda, por assim dizer – concluo, sorvendo mais um pouco de chá, tirando um naco da torta com o garfo.

—Por que Alameda? – Kara insiste.

—Ela quem escolheu. Acho que deve ter algo a ver com alguma lembrança oculta em seu inconsciente – pondero, escutando Íris e Thea gemerem – O quê??? – questiono, a resposta vindo-me na voz de Yvie Snow.

—Boas tardes. Que feliz coincidência as encontrar aqui! – comemora, posicionando-se de forma que todas pudéssemos vê-la – Senhora Felicity Queen, sinto tanto que minha irmã seja parte responsável pela ausência de seu marido e sogro! – lamenta-se, não dando-me chance responder – Senhorita Lance, lamento por sua irmã. Seu pai deve ter ficado deveras irritado por ela haver-se embrenhado numa comitiva exclusivamente masculina de forma tão temerária. Por certo será difícil conseguir um bom casamento após isto, o que é uma pena. Sara é tão linda! – elogia, fazendo a Laurel o mesmo que fizera comigo – Senhoritas Queen, Danvers e West, justamente as pessoas que queria ver! – exclama, animando-se – Como sabem estou a agilizar os preparativos para meu casamento. Como parte, quero convida-las a serem minhas damas de honra. Que me dizem? – interroga, calando-se (finalmente!).

—Está a planejar uma festa mesmo sua irmã estando desaparecida? – Thea questiona, espantada.

—Que exatamente quis insinuar sobre minha irmã? – Laurel interroga, tensa.

—Não insinuei nada que não tenha passado pela cabeça de vosso pai e de todos os que souberam do que Sara fez – repete, tranquila – Estou certa que já deva ter escutado os comentários acerca do assunto, como igualmente minha família tem ouvido acerca de minha irmã estar, sabe-se lá onde, a sós e a mercê do jovem Merlyn – declara, irritando Thea.

—Está a insinuar que meu irmão aproveitar-se-á da situação para...para...

—Deitar-se com minha irmã? Senhorita, honestamente, acha que não o fara?- devolve, levando as mãos a cintura – Igualmente já correm boatos e suposições sobre a senhorita Sara e o jovem Raymond Palmer, posto que já andavam demasiadamente próximos antes desta aventura desloucada – segue parecendo não notar a irritação crescente a provocar em todas nós – Quanto a meu casamento, não é segredo a idade avançada de meu noivo, portanto não temos tempo a perder. Tenho certeza de que Caitlin alegrar-se-ia em saber que estamos tocando a vida...

—Alegrar-se-ia? Passado? Já dá como certa sua morte? Há pouco insinuava que meu irmão iria deitar-se com ela! Melhor decidir-se senhorita Yvie! – Thea ironiza, agressiva.

—Não foi o que quis dizer, mas devemos nos preparar tanto para o melhor quanto para o pior – responde, inabalável – Ainda não responderam se aceitam meu convite – indaga, deixando-nos boquiabertas.

Estou prestes a dar uma resposta à altura do cinismo demonstrado por ela quando Alameda providencialmente intervém, derramando suco sobre a Snow, que salta de lado, assustada, esbarrando no carrinho, derrubando tudo que encontrava-se sobre ele no chão.

—Sua desastrada! – esbraveja em alto e bom som, esfregando a saia do vestido com as mãos – Estragou meu vestido inteiro! Irá pagar por isto – ameaça, pegando um guardanapo na mesa vizinha a nossa.

—Perdoei-me senhorita, não foi proposital. Por certo pagarei seu prejuízo – Alameda prontifica-se, humilde, mantendo a vista baixa.

—Pode estar certa de que irá! – Yvie Snow bufa, irritada.

—Não, não irá pagar por nada! – a voz rouca e inconfundível (para mim evidente) de Valquíria chega e meus ouvidos e volto-me, vendo-a aproximar-se rapidamente, parando junto a nós – Foi um acidente. Não pagará um centavo sequer – repete, surpreendendo-me ao encarar a Snow de igual para igual.

—Como? Quem pensa que é para falar-me desta maneira? Será demitida. As duas serão – Yvie volta ameaçar.

—Neste caso não preciso preocupar-me em guardar certo segredo inadequado de certa senhorita! – devolve a ameaça em voz baixa, atenta a aproximação da senhora Lacrosse – Perdão senhorita, Alie é um pouco desastrada. Pagaremos pelo estrago em suas vestes – diz, humilde e abro a boca espantada tanto com a mudança em seu comportamento e tom de voz, quanto pela resposta de Yvie Snow.

—Não é preciso, está tudo bem – assegura, respirando fundo — Este nem é um vestido novo – declara, voltando a limpar-se.

—Desculpe-me pelo entrevero senhorita Snow. Evidente que iremos pagar o prejuízo – garante a senhora Lacrosse, que parara ao lado dela, olhando de forma dura para as meninas.

—Não precisa. De verdade. E não penalize as pobres coitadas. Por certo iria fazer-lhes falta qualquer trocado que lhes desconte do pagamento – pede, sorrindo polidamente – Retorno em outra hora para fecharmos o pagamento, antecipado evidente, da encomenda para meu casamento– combina fazendo um enorme sorriso surgir no rosto da mulher – Espero a resposta de vocês em breve. Temos que providenciar os vestidos. Até mais ver – despede-se, saindo (não sem antes dirigir um olhar feroz a Val).

—Perdoem-me toda esta confusão senhoritas e senhora Queen. O chá é por conta da casa – prontifica-se a proprietária.

—De forma alguma – retruco rápido – Tudo não passou de um infeliz acidente...

—Causado por mim – Kara acusa-se fazendo a todas voltar-nos para ela – Meu pé estava no caminho. Não disse nada por medo. Desculpa – pede, abaixando os olhos, encabulada.

—Acidentes acontecem senhorita Danvers, como a própria senhorita Snow afirmou. Esqueçamos o incidente sim – pede, dando atenção a Val e Alie – Limpem tudo e depois podem ir por hoje. Estão em cima da hora. Nos vemos amanhã – avisa, sorrindo para elas antes de girar no próprio eixo e sair, ambas as garotas suspirando aliviadas.

—Mais alguém além de mim sente-se perdida, confusa e chocada? – Íris enumera assim que a mulher afasta-se, erguendo a mão. Todas a imitamos.

—Estou a imaginar coisas ou realmente ameaçou Yvie Snow? – Laurel questiona, olhando diretamente para Val.

—Não pretendia fazê-lo, mas quando a ouvi falar daquela maneira com Alie, não consegui conter-me – assume, abaixando-se para recolher os cacos – Esta senhorita não passa de uma fingida filha de uma mãe! – bufa, ainda limpando – Posa de dama recatada, de pudica, mas na calada da noite visita um homem em sua casa – acusa fazendo-me sentar abismada.

—Oi??? – Thea, Kara e Íris espantam-se.

—Está a dizer que Yvie Snow não é mais pura? – Laurel questiona-a outra vez.

—A unha encravada do meu pé direito é mais pura do que a senhorita em questão!!– escarneia, erguendo-se, limpando as mãos, encarando a Lance sem pestanejar.

—Val, não deveria falar assim – Alie pede, temerosa.

—Já suportei abusos demais vindo desta ...Dama! Faz questão de pisar-nos sempre que possível e não apenas a nós, mas àqueles a quem considera inferiores a ela. Conheço muito bem o tipo – relata, amarga.

—Val, a acusação que faz é grave, sabe disto não sabe? Não deve repeti-la em público a não ser que possa provar – admoesto-a.

—Evidente que não berrarei em praça pública, mesmo porque negaria e minha palavra de nada vale – assegura– Mas se meter-se a besta conosco novamente...- deixa a insinuação no ar.

—Veja bem minha cunhada, apenas o fato de Yvie Snow haver recuado ante a ameaça velada, por si só é prova ser verdadeira a afirmação feita pela senhorita Valquíria – Thea conclui, encarando-me, sentando-se devagar – O que viu senhorita?? – questiona e desta feita Val pondera antes de falar.

—Felicity, lembra-se quando contrai catapora de um rapaz cujo pai levara a casa para inicia-lo? – relembra, voltando-se para mim e anuo com um gesto de cabeça – Fiquei impossibilitada de trabalhar por um bom tempo. Certa noite, depois de todos haverem-se recolhido, a cidade inteira não apenas a casa de mama, sai a fim de espairecer e dei de cara com a dita senhorita esgueirando-se pelas sombras. Mal a reconheci escondida sob a imensa capa negra – conta – A princípio tencionei não dar atenção ao fato, mas ao vê-la acompanhar-se de um dos homens que trabalha para o dito cidadão, a curiosidade foi maior e resolvi segui-los – admite – Vi-a adentrar a residência por uma porta lateral, saindo apenas cerca de duas horas e meia depois – relata ao mesmo tempo em que finaliza a limpeza – Não pretendia que me visse, porém distrai-me e acabamos por nos esbarrarmos quando passava apressada pelo beco. Ficou estarrecida, porém recuperou-se rapidamente. Olhou-me de alto a baixo, menosprezando-me ao reconhecer-me, por certo, erguendo o queixo, seguindo seu caminho sem olhar para trás – prossegue, ajudando Alameda arrumar o carrinho – No dia seguinte, quando ela passava defronte à casa de mama e encontrava-me na varanda, atrevi-me acenar-lhe apenas para provoca-la. Não imaginam a cara de terror feita pela referida dama. Quase caiu com as fuças no chão enlameado! – lembra, sorridente – Ficou claro para ela que eu sabia de seu pequeno segredinho sujo! – conclui, fazendo menção retirar-se.

—Espera – Thea a retém pelo braço – Quem é? Com quem Yvie encontra-se as escondidas? – quer saber, um sorriso ladino formando-se no rosto de Val.

—Não é difícil adivinhar – assegura, olhando-nos – Qual cavalheiro em toda Starling, viúvo, pelo que sabe-se dele, homem de bem e cidadão modelo, seria capaz de tal afronta aos bons costumes locais? – indaga, piscando antes de retirar-se juntamente com Alameda.

—Quem? – Kara abre os braços frustrada, Thea imitando-a.

—Não faço...- começo dizer, Laurel cortando-me

—Wilson!! – exclama e a olhamos abismadas – Yvie Snow está deitando-se com Slade Wilson!

**Caverna na planície (madrugada da terça para a quarta, 28/7)**

Narrador

O estampido seco ecoa pelo vale fazendo Caitlin e Thomas despertarem assustados.

—Que foi isto? – pergunta a jovem, retendo o ar ante novo som precedido por relâmpago -THOM..- o grito morre-lhe a boca, o rapaz tapando-a com uma mão, trazendo-a para si com a outra, recostando ambos a parede da caverna.

—Quieta senhorita. Há algo acontecendo acima de nós. Algo ruim ao que parece-me. Convém não nos expormos– sussurra, mantendo-a na mesma posição enquanto escuta atentamente, o som de vozes alteradas fazendo-se ouvir por sobre a chuva, relâmpagos e trovões.

< Piedade! Fiz o que pediu-me! Estão retidos na cidade e não sairão tão cedo. Será fácil pegar a mulher e o menino. Piedade, por favor! > a voz chorosa implora deixando ambos aflitos.

< Não me diga! E deve pensar ter-me feito um imenso favor não é!? Assim sendo, por que fugiu quando nos viu chegando? > outra voz, fria como gelo, interroga, não aguardando resposta < Eu digo porque: por saber que estar errado! > afirma.

< Mas...ela está sob controle, em local de vigilância fraca. Não terá dificuldade em captura-la e a criança > repete a primeira voz.

< Se há algo que aprendi nesta vida, é que nada é tão fácil quanto parece > a segunda retruca < Não fez-me favor algum, idiota! > rosna < Para começo de conversa, ela sequer deveria estar respirando, quanto mais em companhia dos malditos agentes, expondo-me e a meus planos. Se tivesse cumprido minhas ordens à risca estaria livre deste estorvo e teria o menino comigo > completa.

—O que está a acontecer Thomas? Quem são estes homens? – Cailin sussurra contra a mão do rapaz, que permanecia a tapar lhe a boca parcialmente.

—Ninguém que queiramos saiba de nossa presença, senhorita, portanto façamos silencio até se irem – responde em tom baixo, atentando-se a conversa outra vez.

< Mas...mas....> escutam o balbuciar temeroso, uma terceira, mas forte e poderosa voz sobressaindo-se.

< Estamos a perder um tempo precioso com este verme! Façamos o que há para ser feito e sigamos adiante. Temos muito chão pela frente se pretende dar cabo daquela mulher! > conclui fazendo Thomas gelar.

< Não pretendo. Darei. Homem nenhum desafia-me e sai vivo para contar história quiçá uma mera mulher > escarneia o líder do bando causando enjoo a Caitlin < Sigamos adiante > comanda.

< Eu quanto a mim? > o questionamento baixo mal chega aos ouvidos de ambos, distraídos com os filhotes, que começavam agitar-se.

—Shiiii, quietinhos! – Thomas ralha em direção aos pequenos lobos.

< Evidente...que não! > a exclamação é seguida por três estampidos secos causando-lhes sobressalto, o grito de pavor da jovem abafado pela mão de Thomas mais uma vez, até mesmo os filhotes aquietando-se em um canto, ressabiados < Deveria saber que não perdoo falhas cretino. Montem. Não percamos mais tempo > declara num brado alto, acima dos trovões.

< E quanto ao corpo? > uma nova voz questiona.

< Que os animais se encarreguem dele > decreta.

< Não chamara atenção em demasia? > reinquire a mesma voz.

< Ninguém anda por estas bandas excerto se deseja esconder-se. Caso os abutres sejam vistos por viajantes irão apenas lamentar a infeliz vida perdida. Sigamos adiante > determina, o som de cascos estalando nas pedras sumindo gradativamente.

—Foram-se embora? – Caitlin pergunta, tremendo abraçada a Thomas.

—Acredito que sim, senhorita – responde, atento aos sons lá fora – Por segurança permaneçamos quietos mais alguns minutos. Vamos sentar e aguardar – avisa, fazendo-a sentar-se a seu lado, refletindo para si acerca do que ouvira e o que acontecera a pouco sobre o topo da caverna, notando a pequena poça de sangue, trazido pela água da chuva, a forma-se defronte à entrada.

—Thomas, aquilo que disseram sobre não passar ninguém nas proximidades...acha...que é verdade? Digo, quais as chances de sermos encontrados se não...- balbucia a garota, tremula.

—Nenhuma – interrompe-a, respirando, deixando-a afastar-se o suficiente para ver-lhe o rosto – Nenhuma senhorita. Não seremos encontrados se permanecermos aqui – afirma, sincero, afagando-lhe o rosto – Por outro lado, se sairmos em caminhada, não teremos garantias de sermos encontrados antes que nossa água acabe. O cantil é pequeno e mesmo enchendo a garrafa de uísque não teremos um suprimento duradouro. E também não teremos comida ou como levar estocado algo do que dispomos aqui – enumera, olhando-a carinhosamente – Se ficarmos, teremos água e comida por algum tempo. Um bom tempo. Porém, a partir de amanhã, os animais começarão a surgi por conta do cadáver acima de nós. Abutres e outras espécies inclusive lobos adultos. Afora o mal cheiro posto que não temos meios para enterra-lo. Teremos que abrir mão desta caverna em algum momento – silencia dando a jovem tempo para assimilar o que dissera.

—Está a dizer-me que se ficarmos podemos morrer e caso resolvamos sair podemos igualmente pornôs em risco de morte? – questiona Cailtin, encarando-o com olhos assustados.

—Estou – confirma Thomas, sustentando seu olhar.

—E independente disto teremos que abandonar a caverna por conta do morto acima? – acresce, mordendo o lábio temerosa.

—Sim – confirma mais uma vez, ambos permanecendo em silencio um longo tempo, Thomas quebrando-o – Há também a dura verdade que ouvimos. Esta não é uma rota usual. Não veremos qualquer pessoa ou grupo passar perto ou longe excerto foras da lei, como os de a pouco. Apenas se o grupo de buscas que certamente já deve estar a nossa procura optar por buscar em locais ermos teremos alguma chance – alerta.

—Que devemos fazer Thomas? Estamos fadados a morrer neste final de mundo, esquecidos de todos!?- exclama, pesarosa.

—Não iremos morrer senhorita, já disse-lhe isto e repito – assegura, respirando profundamente – Está decidido, iremos em busca de ajuda. Haveremos de encontrar os que nos buscam ou alcançaremos uma rota usual. Seremos resgatados e retornaremos ao seio de nossas famílias senhorita, prometo-lhe – diz, tocando-lhe os lábios com suavidade – Logo que o dia raiar, estando o tempo firme ou não, subirei ao topo da caverna, verei se há algo que possamos aproveitar junto ao morto e pensaremos, a senhorita e eu, em qual direção iremos tomar bem como o que conseguiremos levar conosco. Tomaremos o dia de amanhã para planejarmos tudo isto e um novo local para pernoitarmos longe do cadáver. Somente no dia seguinte, com tudo organizado, partiremos rumo a nosso lar – declara, enxugando as lagrimas que teimavam cair dos olhos da garota com o polegar – Por hora, devemos seguir o exemplo de nossos amiguinhos e descansar. Teremos longos dias e noites dentro em pouco e precisamos guarda nossas energias – afirma, trazendo-a para junto e si mais uma vez, beijando-lhe a fronte, as bochechas, a ponta do nariz e por fim os lábios tão suave e delicadamente quanto fizera anteriormente, fazendo-a repousar a cabeça sobre seu peito, afagando-lhe os cabelos carinhosamente enquanto observa o tempo lá fora, rezando mentalmente para conseguir cumprir a promessa que fizera mesmo sabendo que isto significaria perde-la, talvez, para sempre.

Notas finais
No próximo capitulo alguns entreveros em Starling, o encontro dos dois grupos de busca, um novo personagem surgirá (alguém que mexe com a Laurel), o começo da caminhada de Tommy e Cait. Até breve. Bjinhos flores