Notas iniciais
Olá flores, voltei!! Após quinze dias vivenciando as emoções da JMJ estou de volta!! E roxa de saudades de vocês. Espero que não tenham me abandonado, rsrsrsrs. Cheguei ontem e apenas hoje a tarde consegui tempo para me dedicar aos meu babies! Tive que reler alguns capítulos, ainda não pus as fics que leio em dia, mas tudo bem, afinal não fazem nem vinte e quatro horas que regressei. Para diminuir um pouco meu déficit com vocês, estou postando capitulo aqui pois deixei pronto antes de viajar. Tive apenas de revisar. A partir de amanhã, recomeço os que estão pela metade e na metade da semana que vem já irei recomeçar a atualizar as demais. Desta vez terei de montar um cronograma e manter-me nele ou ...desistir porque as responsabilidades serão muito maiores em casa daqui pra frente (se é que podem ser ainda mais!!). Mas deixemos isto para adiante e vamos ao que interessa. Por aqui, como o próprio titulo já avisa, medidas extremas serão tomadas e as consequências não será nada fáceis ou agradáveis. As vidas de Tommy e Cait começarão a mudar radicalmente. Grata pelas rewiews passadas (se não respondi ainda irei fazê-lo em breve, prometo)....Aguardo mais rewiews, pleaseeee....boa leitura...Bjinhos flores. P.S: houve uma passagem de tempo

“Simplesmente aconteceu;

Não tem mais você e eu no jardim dos sonhos;

No primeiro raio de luar;

Simplesmente amanheceu;

Tudo volta a ser só eu;

Nos espelhos, nas paredes de qualquer lugar;

Não tem segredo;

Não tenha medo de querer voltar;

A culpa é minha;

Eu tenho vício de me machucar;

De me machucar...”

Simplesmente Aconteceu

Ana Carolina

**Residência Snow (Sábado, 4/9 – 7:09 a.m)**

Caitlin

Discretamente, afasto a cortina abrindo uma pequena fresta que permite-me olhar a rua pela janela de meu quarto. Vejo-o passar, parando um segundo, dirigindo seu olhar a fachada de minha casa durante alguns minutos antes de retomar seu caminho para o armazém de Adrian Chase, cabisbaixo.

Deixo o tecido floral ceder e volto para a cama, atirando-me sobre o colchão, permitindo-me chorar silenciosamente como fazia desde que fora proibida por minha mãe a sequer dirigir-lhe a palavra.

Isto estava sendo tão doloroso quanto a iminente ameaça de um noivado com Slade Wilson ou com o novo pretendente que chegaria a cidade junto com meu pai dentro de algumas horas.

Uma semana depois de eu haver retornado para casa, papai partira em viagem atendendo o chamado da matriz do banco para o qual trabalhava....E minha vida tornar-se um inferno desde então!!....

**** Flashback On ****

Segunda semana de Agosto

—Deve estar a brincar comigo senhor meu marido – ouço mamãe dizer enquanto descia as escadas em companhia de Adissa e congelo – Não bastasse ter liberado o infeliz, contra minha vontade, devo lembrar, do acordado ante o conselho, agora cogita dar-lhe permissão para cortejar nossa filha?!? Nunca!! – declara, taxativa e sinto meu estomago revirar.

Desde que papai contara-me sobre o pedido de Thomas (no qual prometera pensar), aguardava, tensa e ansiosa, a conversa que teria com minha mãe antes de tomar uma decisão.

Evidente que não esperava dela concordância imediata de mamãe, mas mantinha uma tênue esperança de que papai conseguisse convence-la de Thomas ser sim um bom partido, mesmo sua família estando ainda a recuperar-se financeiramente. Também esperava que a demovesse da ideia de dar-me em casamento ao asqueroso senhor Wilson, que voltara a cercar-me, ou a meu novo pretendente (que sequer conhecia!), o filho do patrão de papai.

Ouvi-la pronunciar em alta voz e de forma tão enfática sua negativa, esmagara tal esperança por completo.

—Carla, o rapaz está mudado. Tem trabalhado dia e noite com o pai mesmo nos dias em que serve a Adrian. Não tem sido visto frequentando a casa de tolerância....

—O que não significa dizer que não esteja frequentando aquele antro! – mamãe rebate e sinto meu estomago revirar outra vez.

—E daí? É homem, saudável, não tem compromisso algum por hora...é mais do que esperado satisfazer seus desejos. Estranho seria se não o fizesse – papai retruca parecendo calmo – A meu ver, é tão bom quanto Wilson ou o filho de Crumble – diz, trazendo-me um curto sorriso a face.

—Pois ao meu não! – rebate mamãe – Como pode comparar aquele....pé rapado a dois homens de posses, que podem propiciar uma vida de rainha a minha princesa!? – argumenta – Que tipo de vida pode este rapaz oferecer a Caitlin? Luxo? Certamente que não, recebendo a miséria que deve recebe do pai, se receber! Isto sem mencionar a condição na qual encontra-se e vai permanecer por anos ainda – relembra, oprimindo-me o peito – Mesmo que passasse vagamente por minha mente, somente após o termino de seu período de servidão, poderia cogitar concordar com tal insanidade! Não Dom. Não, não e não! Jamais permitirei nossa filha casar-se com o filho do Merlyn! – ratifica, entristecendo-me.

—Mesmo que esteja ao lado dele a felicidade dela? – papai surpreende-me ao questiona-la.

—Não seja tolo. Felicidade nenhuma sobrevive a falta de comida na mesa, roupas rotas, uma casa insalubre e feia entre outras coisas – mamãe enumera.

—E se ela o amar? – insiste, surpreendendo-me novamente – Tenho para mim que se amam Carla – papai declara.

—Amor não enche barriga dia após dia nem alimenta os filhos quando estes chegam! – mamãe rebate mais uma vez — Caitlin aprendera a amar o homem que escolhermos para seu marido e pronto. É assim que tem sido e é assim que será. Só não insisti em que a desse em casamento ao senhor Wilson por conta do interesse que o senhor Crumble demonstrou em tê-la como mesmo tendo-a visto apenas na fotografia em sua mesa. Que mãe não ficaria satisfeita em ter sua filha casada com o futuro herdeiro de um prospero banco? – questiona, suspirando tão alto que posso ouvi-la – Ao invés de cogitar outro pretendente, ainda mais um tão ridículo, deveria preocupar-se com o fato de que Olivia sequer esteja sendo cortejada pelos solteiros da cidade – argumenta — Assim que decidirmos a quem daremos a mão de Cait, trataremos dela. Quem sabe dá-la ao pretendente que perder a disputa por ....

—Agora sou eu a dizer: deve estar brincando comigo minha esposa!! – papai a interrompe – Escute Carla, estou em cima da hora para pegar a carruagem. Quando regressar, retomamos esta discussão. Até lá, tente não passar por cima de minhas decisões. Basta-me todos os problemas a serem resolvidos no trabalho. Não preciso que torne-me motivo de chacota na cidade! – reclama, surgindo a porta do escritório, Adissa e eu fingindo, de imediato, havermos acabado de chegar – Minha pequena princesa, venha despedir-se de seu velho pai – pede e praticamente atiro-me em seu pescoço, ainda sob o efeito de suas palavras em defesa de Thomas – Tente não irritar-se nem irritar sua mãe até que eu volte – recomenda em meu ouvido, soltando-me, erguendo o olhar para o topo da escadaria – Minha outra princesa! Venha aqui Liv – chama e abro espaço para minha irmã despedir-se – Faço-lhe a mesma recomendação: tente não irritar-se nem irritar sua mãe até minha volta – repete, afastando-se – Trarei presentes para todas e para meu provável netinho que pode estar a caminho – promete, sinalizando a nosso serviçal para acompanhar-lhe com sua bagagem – Venham, mulheres de minha vida, acompanhem-me a porta ao menos – convida, fazendo minha irmã e eu rirmos – Voltarei no início do próximo mês – avisa, beijando-nos e a mamãe antes de sair.

—Olivia, vá tomar seu desjejum. Vocês duas, com ela – ouço mamãe determinar tão logo papai vai-se e volto-me a tempo de ver o olhar preocupado de minha irmã e aia enquanto a obedeciam – Venha comigo Caitlin – chama antes que possa esquivar-me, dando-me as costas em direção ao escritório de papai.

Sem opção, sigo-a, resignada, meu nervosismo atingindo o ponto máximo ao escutar a porta ser fechada após entrarmos. Paro em meio a saleta apertando minhas mãos enquanto a aguardo falar.

Em silencio, mamãe passa por mim seguindo diretamente para um armário no canto, pega uma chave do bolso em seu vestido, abre a segunda porta do móvel localizado junto a janela de onde retira uma caixa que põe sobre o birô.

—O que...é isto? – não consigo evitar perguntar, encolhendo-me quando ergue seu olhar frio para mim.

Devo admitir: nunca havia reparado como mamãe pode ser intimidadora quando deseja.

—Isto, minha querida filha, é a diferença entre liberdade e cadeia para um certo jovem – afirma, fazendo-me reter o ar nos pulmões –Quando ficou interna, perguntei a bondosa senhora Hallowey se havia atirado suas veste no lixo e disse-me que iria fazê-lo, mostrando o saco no qual as pusera – conta, abrindo a caixa lentamente. Reconheço a peça lá dentro imediatamente – Tem algo a contar-me Caitlin? Algo que fez e Não deveria ter feito? Algo que envolve aquele miserável Merlyn? – questiona-me, abrindo meu vestido, uma pequena mancha de sangue sendo vista ao centro da saia, entre a sujeira acumulada.

—E-eu...não estou entendendo aonde quer chegar mãe – assumo, tensa.

—Quero chegar em você esquecendo tudo que ensinei-lhe. Quero chegar em você deixando-se seduzir e deitando-se com aquele cafajeste, é aonde quero chegar!! — exclama, seu tom baixo e forte deixando claro o quão zangada estava – Seu pai contou-me a pouco que ele teve o atrevimento de pedir para corteja-la – continua, baixando o olhar em direção a caixa enquanto alisa o tecido roto – Deixei claro minha posição, mas conheço seu pai e sei que ira ceder caso diga ser isto que deseja – ergue seu olhar para mim outra vez e ao fazê-lo temo-a como nunca a temi antes – Infelizmente Sei que deseja receber a corte daquele infeliz...ainda mais depois disto! – indica a mancha novamente.

—Mamãe...eu...eu não estou entendendo – titubeio, encolhendo-me quando circula a mesa vindo até mim.

—Então serei clara – diz, aproximando-se — Não a criei ou a suas irmãs, com tamanho zelo e devoção, para vê-las estragarem-se a desqualificados como ele, arrastando o nome de nossa família na lama, dando-se ao desfrute!! – praticamente cospe as palavras, segurando meu pulso com firmeza – Quando seu pai regressar irá dizer-lhe que não deseja ser cortejada pelo Merlyn. Que respeitara nossa decisão e irá casar-se com aquele que determinarmos – ordena, apertando-me com mais força – Caso desobedeça-me, farei com que seu pai perceba o cafajeste fingido que Thomas Merlyn é. Contarei que se aproveitou da situação para tê-la. Verá como deixará de lado toda gratidão por manter aos dois vivos esvaecera-se rapidamente. O convencerei que aproveitou-se da situação para seduzi-la, como já fez com outras. Se o infeliz der sorte, seu pai o porá apenas na cadeia – ameaça — Imagino o quanto meu marido ficara possesso ao perceber que foi enganado! – comemora, sorridente.

—Não faria isto! Poderia expor-nos também– tento chama-la a razão, o nó em minha garganta dificultando-me a fala, meu pulso ardendo com a dor.

—Não da maneira como farei — garante, tranquila, levando-me as lágrimas.

—Por que faz isso? Por que odeia tanto a Thomas? – questiono-a aos prantos.

—Não é de sua conta! Trate apenas de obedecer-me se não quiser ver aquele infeliz ser execrado em praça pública. Sabe que o farei. Faço qualquer coisa para evitar vê-la tornar-se uma Merlyn. Qualquer coisa! – reitera enfaticamente – De hoje em diante, se encontrar com ele na rua irá virar-lhe o rosto. Se o vir antes que a veja, mudara de lado. Sequer um bom dia dar-lhe-á mesmo estando em companhia de sua aia ou minha. Irá deixar claro que o que existiu entre vocês acabou! – ordena, fuzilando-me com o olhar – Faça isto e nada de mal acontecera ao rapaz. Desobedeça-me, uma única vez, e saberei e o farei pagar caro por a haver maculado — assegura, soltando-me quando anuo com um aceno, incapaz de falar – Agora suba e recomponha-se antes de tomar seu desjejum – manda, fechando a bendita caixa – Mais uma coisa – chama minha atenção quando saia e estanco, voltando-me para ela – Nem pense em contar o teor de nossa conversa a ninguém ou irá arrepender-se! – avisa.

—Sim...senhora – respondo aos soluços – Posso retirar-me? – pergunto.

—Deve – libera – E não demore-se. Não quero sua irmã enchendo-me de perguntas – avisa.

Novamente anuo, esperando sair de sua vista para correr a meu quarto, aonde dou vazão a toda dor que sentia...

**** Flashback Off ****

...Tenho seguido suas ordens à risca desde então, deixando todos, a começar por Thomas, completamente confusos.

Thea e Olivia por vezes tentaram fazer-me contar-lhes o que acontecia mas não o fiz, elas acabando por desistir. Mesmo Adissa, que persistia continuamente, não conseguira fazer-me revelar o que passava-se, porque passara, de uma hora para outra, a aceitar abertamente a corte do homem que jurava detestar enquanto repudiava aquele que havia-lhe confessado amar.

E hoje as coisas só iriam piorar posto que o tal filho do patrão de meu pai virá a cidade juntamente com seu pai a fim de conhecer-me, ou seja, terei oficialmente um novo pretendente.

—Que farei, Senhor? Como poderei escapar do destino infeliz para mim traçado por minha mãe ao lado de um homem que não amo? E como não fazer Thomas infeliz juntamente? Ou irá esquecer-me tão logo case-me? E se não amar-me da mesma forma que o amo? Se tudo não passou de entusiasmo passageiro? E se deixou-se envolver pela magia do momento e quando retornamos percebeu não ser real o que sentia? – questiono-me abraçada ao travesseiro, assustando-me ao escutar a voz de Adissa, que entrara sem que a notasse.

—Sabia!! Tinha certeza de que havia algo errado e que vossa mãe estava por detrás de sua frieza com o senhor Thomas!! – comemora, contendo-se ao ver minha tristeza – Perdoe-me senhorita, mas disse tantas vezes a senhora Gertrudes e as meninas que havia-lhe acontecido algo de muito ruim para fazê-la agir como vem agindo. Já não reconheço a senhorita alegre e vibrante, apaixonada pela vida...e por certo rapaz.....

—A quem não posso almejar pertencer algum dia!! – corto-a, sentando-me – Sim, está certa. Não tenho sido eu mesma desde a partida de meu pai – confesso, suspirando.

—Que houve senhorita? Por que tem rejeitado o senhor Thomas mesmo o amando? Que vossa mãe fez-lhe? – Adissa questiona-me, afagando meu cabelo carinhosamente.

—Nada. Ainda. Não fez-me nada mas poderá fazer e não a mim mas a ele – começo dizer, olhando a porta apreensiva – Mamãe ameaçou fazê-lo ser preso ou pior caso não agisse como ordenou-me – confesso por fim.

—Mas como poderia fazer tal coisa? – questiona-me – Vossa mãe ainda dorme. Ficou acordada até tarde agilizando os preparativos para o jantar de logo mais e ordenou não ser acordada antes do almoço – informa ao ver-me olhar a porta novamente e sinto-me tão aliviada que acabo por contar-lhe tudo que sucedera, sua expressão transmutando-se de espanto para horror tão logo termino.

—Pelos céus Adissa, mamãe não pode sequer desconfiar que contei-lhe a verdade! – imploro, encarando-a aflita.

—Não saberá senhorita – assegura-me – Agora entendo sua tristeza e apatia. Sequer passa-me pela cabeça o quanto tem sido difícil a senhorita esconder tudo isto de todos – solidariza-se, sentando-se na cama.

—O pior tem sido ter que rejeitar Thomas em público – assumo – Imagino como deva estar confuso isto se não odiar-me pelo que tenho-lhe feito – suspiro, secando uma lagrima com a ponta do cobertor – Se ao menos pudesse explicar-lhe, se pudesse fazer-lhe entender o que está a se passar comigo...

—Escreva-lhe! – Adissa sugere de repente.

—Acaso pensa que já não cogitei ou mesmo tentei fazê-lo? – digo, tristemente – Mamãe controla tudo que sai de casa, especialmente de minhas mãos. Por que pensa haver sido castigada semana passada? – revelo.

—Oh!! Vossa mãe disse estar sentindo-se mal e que ela mesma cuidaria da senhorita. Até deu-me o dia de folga – relembra, mordendo o lábio, ficando pensativa um segundo – Faça senhorita. Escreva-lhe uma carta contando tudo que darei um jeito de entregar-lhe ainda hoje! – assegura.

—Não sei Adissa. Se mamãe desconfiar, terá problemas e não sei se conseguirei protege-la de sua ira – pondero.

—Não pense senhorita, apenas faça – reitera, decidida – E não preocupe-se, sei cuidar-me bem – tranquiliza-me, pondo-se de pé – Agora escreva que ficarei a porta, alerta, para o caso de alguém surgir – prontifica-se, seu entusiasmo contagiando-me.

Estico-me, alcançando o criado mudo de onde retiro meu diário e lápis. Sento-me, recostada a cabeceira, rasgando uma folha, escrevendo no ritmo que meu coração batia a mais importante carta de minha vida!

*** Adissa (8:41 a.m) ***

Deixo o quarto após ajudar a senhorita Caitlin banhar-se e vestir-se.

Apesar de ter-lhe dito que ficasse tranquila, não era assim que sentia-me. Meu coração saltava tanto no peito que se acaso abrisse a boca poderia saltar-me pela boca tamanho nervoso que sentia.

Precisava cumprir a promessa feita a senhorita. Não suportava vê-la sofrendo como estava. Mas como? Como sair sem levantar suspeitas? Como chegar até a carta sob sua janela sem ser vista?

—Pense Adissa, pense!! – estimulo-me mentalmente enquanto sigo para a cozinha, a solução vindo-me da senhora Gertrudes.

—Nora, vá a mercearia e traga-me estas compras o mais rápido possível! – ouço-a ordenar e praticamente corro, adentrando a cozinha de supetão, recuando ao ver a senhora sentada a mesa.

—Algo errado senhorita Slone? – questiona-me, entrelaçando os dedos.

—Nada senhora. Apenas vim... vim... – atrapalho-me, o que não é nada bom para mim.

—Estou esperando senhorita – diz, olhando-me de alto a baixo – Acaso tencionava sair? – pergunta, deixando-me ainda mais tensa.

—Pedi a Adissa que fosse a confeitaria para mim, minha mãe. Acordei com desejo de comer as tortinhas de limão feitas pela senhora Lacrosse – escuto a senhorita Caitlin dizer e retenho o ar. Estava provocando a mãe propositadamente e isto poderia não ser nada bom para ela. Nem para mim

Durantes tensos minutos o silencio impera no ambiente. De repente, a senhora levanta-se e, sem nada dizer, desfere uma sonora bofetada no rosto da senhorita Caitlin fazendo-me estremecer. Por certo receberia o mesmo tratamento.

Preparo-me mentalmente para tal quando volta-se para mim, porém nada acontece a princípio.

—Erga os braços – ordena repentinamente tocando-me no ombro e obedeço mais do que depressa. Suas mãos apalpam-me agressivamente mal o faço, tateando-me inclusive dentro do corpete de meu vestido. Por um segundo, quando abaixa-se a meu lado, penso que iria ergue minha saia mas não o faz, limitando-se desamarrar minhas botas verificando seu interior – Ajude Nora com as compras. Na volta, compre as tortinhas – libera, indo sentar-se depois de haver-se certificado não estar escondendo nada – Quanto a você, sente-se e tome seu desjejum. Quando terminar, volte para seu quarto. Descera somente quando mandar chama-la – determina, a senhorita Caitlin obedecendo em silencio, indo sentar-se junto a mãe, o rosto ainda vermelho – Apressem-se. Meu marido chegara em breve e provavelmente teremos convidados para o almoço – anuncia – Nada de tagarelar com outros criados. Façam o que devem e regressem. Há muito a ser feito – completa.

—Sim senhora – anuo, fazendo-lhe uma reverencia antes de pegar uma cesta, Nora fazendo o mesmo, a senhora Gertrudes entregando-lhe a lista de compras.

—Adissa, traga-me tortinhas também – a senhorita Olivia pede-me, a voz embargada denunciando-a.

—Trarei senhorita – digo, dirigindo um olhar solidário a minha senhora antes de sair com Nora.

—Pobre senhorita Caitlin. A senhora não dá-lhe trégua! – exclama minha amiga, enrugando o cenho quando vê-me ir até o jardim sob a janela dos quartos – Que está fazendo Adissa? – pergunta e volto-me com o dedo nos lábios pedindo-lhe silencio.

Olho para o lados certificando-me que ninguém observava-nos antes de catar o envelope cinza, dobrando-o e pondo-o cuidadosamente entre meu vestido e a faixa em minha cintura.

—Adissa, que está aprontando? – questiona-me quando seguro-a pela mão, praticamente arrastando-a rua afora.

—Ajudando a senhorita a lutar por sua felicidade! – respondo, já buscando em minha mente uma forma de entregar a carta ao senhor Thomas sem chamar atenção.

*** Thomas (11:24 a.m) ***

—Snow! – ouço o chamado e paro o que fazia, voltando-me a tempo de ver o pai de Caitlin parado em meio a rua alguns metros de onde encontro-me, Adrian Chase indo encontra-lo.

Durante um breve segundo dirige-me um olhar estranho, como a pedir-me desculpas, logo voltando sua atenção a meu...senhor.

Retomo meus afazeres, dando-lhes as costas, porém não consigo desligar-me da conversa, que migrara para o trecho final da varanda na mercearia, a sombra. Os dois conversam em tom moderado, uma ou outra palavra chegando a meus ouvidos.

—Merlyn, que está fazendo? – Chase praticamente berra e estanco, tenso, olhando o caixote em minhas mãos – Estes caixotes, os três, devem ser levados para o estoque – alerta e dou-me conta que carregava o objeto para uma carroça próxima – Preste atenção ao serviço estupido! – xinga e respiro fundo, engolindo a raiva, dirigindo-me a lateral do armazém por onde poderia acessar o estoque mais fácil e rápido.

Lá dentro, ponho o caixote em seu lugar, parando um segundo a fim de recobrar a calma. Respirando lenta e profundamente.

Desde que retomei minhas obrigações perante ele (Snow cumprira o que prometera, liberando-me), Chase estava ainda mais implicante, para dizer o mínimo. Não dava-me sossego durante todo o tempo. Mal deixava-me comer. Havia sempre algo a ser limpo, mudado de lugar, entregue e agora, além de servi-lo no armazém, também mandava-me a sua residência realizar pequenos trabalhos, (sempre sob vigilância, infelizmente), o que dificultava-me manter a promessa feita ao senhor Snow de esforçar-me em dobro a fim de mostra-me digno de sua filha ainda que a esperança em dar-me sua permissão para corteja-la fosse mínima (para não dizer ínfima!).

—Jovem Merlyn — escuto chamarem e volto-me, deparando-me com o dito – Não tomarei seu tempo posto que conheço bem o mau humor de Chase – começa, erguendo a mão quando vou protestar – Deixe-me falar por favor – pede-me, fazendo meu coração disparar. Será que havia-me enganado? – Prometi-lhe pensar acerca do pedido que fez-me e o fiz – garante, limpando a garganta, aumentando minha expectativa – Assim como fez o que disse-me iria fazer mesmo com dificuldades – diz, puxando ar de uma forma que faz, antecipadamente, minha esperança definhar – Quero que saiba o quanto admiro sua tenacidade e força de vontade. Tem demonstrado ser um rapaz trabalhador, respeitoso e isto certamente lhe trará bons frutos em breve e uma boa esposa...Mas não minha filha – declara por fim – Sinto muito meu rapaz, mas minha esposa está irredutível. Chegamos a discutir pouco antes de viajar quando toquei neste assunto e honestamente não creio que tenha mudado de ideia nestes poucos dias em que estive ausente – declara — Não quero problemas em meu casamento. Por essa razão, não dar-lhe-ei lhe permissão para que faça a corte a Caitlin – reforça – Ser-lhe-ei eternamente gato por a ter mantido segura e viva até serem resgatados e honestamente espero que supere o que diz sentir por ela, encontre uma boa jovem e seja feliz – deseja, tocando meu ombro antes de retirar-se deixando-me sozinho...pelo menos assim julgava estar, o riso sarcástico de Adrian Chase ecoando pelo galpão.

—Ahhh, Thomas, Thomas – recita, aproximando-se – Achou mesmo que Carla Snow lhe permitiria cortejar a filha? Justo ela, que está sendo pretendida por duas grandes fortunas? – interroga, recostando-se a parede defronte a mim, encarando-me de braços cruzados – Ainda que tivesse tomado a menina para si quando estavam longe, não dar-lhe-ia permissão. Antes a faria casar-se tão rápido que sequer teria chance tentar impedir acontecer – assegura, rindo-se mais — Dar-lhe-ei lhe um conselho: esqueça-a. A jovem Caitlin está fora de seu alcance. Teve sua chance. Deveria ter-se aproveitado estarem longe do controle materno, em especial, e sumir mundo afora levando-a consigo, se realmente a queria. Agora, de volta e tendo a mãe a influenciá-la com acenos de uma vida farta, repleta de mordomias, por certo irá render-se, se já não o fez – insinua – Diga-me: acaso o procurou após regressarem? Têm mantido contato? Suas famílias tornaram-se amigas depois de a ter salvo da morte? – interroga, ele próprio dando a resposta – Não. E não irá fazê-lo. Além de obediente, como toda boa filha o é, sabe que não tem nada a ganhar estando a seu lado. Porque para elite como vocês, isto é tudo que importa: dinheiro, pode, posição! – cospe as palavras em minha cara — Resta-lhe aceitar... ou roubá-la no meio da noite – sugere, rindo de viés — Do contrário, irá vê-la ser entregue a outro, Wilson talvez, casar-se, ter filhos e esquece-lo tão logo passe a desfrutar do que não pode oferecer-lhe– discursa, saindo da posição que encontrava-se – Agora volte a suas tarefas. Quero fechar o armazém cedo pois, ao contrário de você, fui convidado a jantar na casa dos Snow logo mais à noite, quando o novo pretendente a mão de Sua amada, irá conhece-la e muito provavelmente pedir e receber permissão para fazer-lhe a corte ...ou quem sabe já firmem compromisso, afinal, os comentários e maledicências acerca do tempo em que esteve a sós com a menina já começaram. As pessoas estão a questionarem se permanece de fato pura! – provoca-me – Ande, volte a lida. Não quero atrasar-me – ordena, dando-me as costas, subindo a seu escritório ainda rindo-se – Ah, uma coisa devo agradecer-lhe: há tempos não divertia-me tanto! – exclama, olhando-me do alto da escada, dirigindo-me um sorriso cínico antes de entrar, batendo a porta, suas palavras reverberando em minha mente.

—Não será de mais ninguém Caitlin. Não permitirei. Nunca! – rosno baixinho, cerrando meus punhos – Será minha e somente minha! Dou-lhe minha palavra. Mesmo que para isto precise...

—Ai está você! – a observação tira-me monologo e volto-me, deparando com Louis, um dos atendentes do balcão — Thomas, estamos precisando de ajuda na frente. O movimento aumentou de um salto – informa – Poderia vir?

—Sim – limito-me responder, engolindo a raiva momentaneamente, seguindo-o para a frente do armazém, que encontrava-se apipado de gente.

Distraio-me ajudando nas compras de algumas freguesas, esquecendo o tal jantar em casa dos Snow logo mais por um curto período, o mesmo voltando-me a memoria quando ouço uma voz familiar.

—Oh, como sou desastrada!! – exclama a jovem aia de Caitlin, Adissa, se não engano-me – Perdão – pede, abaixando-se para limpar o estrago que fizera ao quebrar um pote de biscoitos.

—Deixe senhorita, limparei tudo – apresso-me, indo até ela, abaixando-me – Pare. Meu patrão irá irritar-se se a vir fazendo meu serviço – peço, segurando-lhe uma mão, surpreendendo-me quando segura-me com a outra, pondo algo contra a mão que apertava.

—Da senhorita – sussurra, erguendo-se rápido, deixando o armazém antes que pudesse entender o que se passava.

Olho o envelope cinza cuidadosamente dobrado que entregara-me discretamente, confuso.

—Merlyn, que faz parado? – Adrian Chase surge – Há entregas a fazer. Mexa-se! – ordena, batendo sobre o balcão.

—Sim senhor – respondo, guardando o envelope em minha cintura de forma que não pudesse ser visto, recolhendo os cacos rapidamente, erguendo-me, seguindo meus afazeres, deixando a leitura para o final do dia.

**** Narrador (19:37 p.m)****

A noite cai sobre a cidade de Starling e seus moradores.

Na residência dos Snow, os serviçais correm, finalizando os preparativos para o jantar enquanto os anfitriões arrumavam-se, nem todos animadamente.

—Thomas já terá lido a carta? Dar-me-á credito? Irá entender e perdoar-me? Quem sabe pensara numa forma de resolver esta situação. Já contei-lhe o quanto é engenhoso?– Caitlin pergunta, ansiosa, andando pelo quarto, inquieta.

—Apenas uma dezena de vezes senhorita – responde-lhe a aia, sorrindo amável – Não saberia responder-lhe, mas se o fez por certo dará um jeito de falar-lhe. Agora é melhor que sente-se, senhorita. Precisa terminar de arrumar-se para o jantar – recomenda, fazendo a jovem sentar-se defronte a penteadeira.

—Este jantar será um verdadeiro tormento para mim Adissa – suspira, mirando-se no espelho – Além de aturar o detestável senhor Wilson e o tal filho do patrão de meu pai, terei de fingir todo o tempo. Ser educada, dar atenção aos dois, sorri-lhes mesmo não sentindo-me feliz – declara, enxugando uma lágrima que teimava cair.

—Posso imaginar senhorita, mas precisa ou vossa mãe irá cumprir as ameaças feitas ao senhor Thomas – lembra a aia, penteando o cabelo de sua senhora – Devo prender seu cabelo senhorita? – questiona.

—De qualquer jeito está bom Adissa, pouco importa-me – responde a jovem, dando de ombros, deixando outro suspiro escapar por seus lábios.

—Prenderei um lado com presilhas e deixarei o resto solto. Ficara linda — decide, pegando a caixa de joias da jovem – Estas combinam com seus olhos – diz, exibindo um par de presilhas com pequenas pedras em tons esverdeado – Gosta?

—Já disse, por mim tanto faz. Thomas não estará aqui para ver-me – diz, tristonha, a batida leve na porta antecedendo a entrada de sua mãe.

—Está pronta? O senhor Wilson acaba de chegar e o senhor Crumble e o filho não tardam. Não desejo que atrase-se, mesmo sendo interessante causar ansiedade em seus pretendentes – declara, examinando as presilhas – Deixe parte do cabelo solto. Dar-lhe-á um ar mais elegante – recomenda, aproximando-se da filha, segurando-lhe o queixo de forma que pudesse olhar em seus olhos – Trate de pôr um sorriso radiante no rosto – ordena.

—Como posso sorrir se meu coração está pesado?– rebate a moça, sentindo os dedos apertarem-lhe mais intensamente, causando dor.

—Finja! – ordena, soltando-a sem gentileza – E nem pense em fazer qualquer de suas brincadeiras de mal gosto ou irá arrepender-se– alerta, saindo sem esperar resposta.

—Acalme-se senhorita. Tudo há de ficar bem – declara a jovem aia.

—Será que ficara Adissa? E se Thomas não leu a carta? Ou se leu e não deu-lhe crédito? E se já esqueceu-me nos braços de outra? – conjectura, aflita, a batida leve evitando a resposta da aia.

—Cait? – Olivia chama, adentrando o quarto, indo sentar-se ao lado da irmã – Como está linda minha irmã! – exclama, sorrindo sincera – Sei bem que gostaria de estar-se arrumando para receber outra pessoa e se estivesse ao meu alcance, seu desejo seria atendido – garante, encarando-a através do espelho – Está tão linda....e tão triste – comenta.

—Mas devo sorrir ou mamãe cumprira....- cala-se de repente ao dar-se conta do que estava prestes dizer – Ou mamãe ficara furiosa – corrige-se.

—E por certo cumprira as ameaças que fez ao senhor Thomas não é? – surpreende-a Olivia, rindo pequeno ao ver a expressão nos rostos da irmã e de sua aia – Não sou cega e surda menos ainda. Ouvi mamãe recomendando-a comporta-se caso quisesse manter o senhor Thomas a salvo. Só não entendo como de forma ela pode ameaça-lo – comenta, levando um dedo ao queixo, pensativa.

—Acredite, ela pode Liv – Caitlin garante – Quando esta maldita noite passar, contar-te-ei tudo mas terá de prometer-me não deixa-la notar que sabe ou dará no mesmo que desafia-la indo vê-lo – implora, empertigando-se – Adissa, termine logo este cabelo. Quanto mais cedo este jantar começar, mais cedo findara e estarei livre. Ao menos por hora. Hei de conseguir libertar-me algum dia! – diz, suspirando, fazendo as duas jovens trocarem um olhar preocupado.

—Pois não senhorita – responde a aia, dedicando-se a finalizar o penteado, Olivia aguardando-as.

As três jovens descem as escadas juntas, Adissa sempre dois passos atrás de sua senhora, atraindo atenção dos presentes ao chegarem no topo da escadaria, um jovem que não conheciam antecipando-me aos mais velhos, recebendo-as uma a uma educadamente, beijando-lhes a mão, inclusive da aia, surpreendendo-a.

—Senhor Crumble, estas são minhas filhas, Olivia e Caitlin – Dominique Snow apresenta, indicando-as com um gesto de mão, o homem alto, tão parecido com o jovem que as recebera no sopé da escada, que mesmo negando não deixaria dúvidas acerca da identidade do referido rapaz.

—Senhoritas, é uma honra conhece-las. Vosso pai não estava a exagerar quando falava-nos de sua beleza, se permitem-me o atrevimento – elogia, repetindo o gesto que o filho fizera – Deixe-me apresenta-las o jovem apressado, e atrevido – pisca o olho fazendo-as corar – Que adiantou-se recebe-las. Stephen Crumble, meu filho do meio – apresenta, o rapaz fazendo-lhes uma reverência, seu olhar detendo-se um segundo a mais sobre Adissa, que cora violentamente, apressando-se em deixar a sala rumo a cozinha aonde ajudaria no serviço.

—Gratas pelos elogios senhor Crumble – Olivia agradece, segurando a saia, erguendo-a minimamente, inclinando a cabeça, Caitlin a seu lado imitando-a, correndo o olhar pelo ambiente ao erguer-se novamente, reconhecendo o prefeito Darhk, o delegado e sua filha mais velha, Laurel, Monsenhor Robinson, Robert e Moira Queen com a filha Thereza, sua irmã mais velha, Evelyne, acompanhada do marido, o senhor e a senhora Danvers, a filha destes, Kara, Adrian Chase, Salde Wilson além de outros amigos da família e membros da sociedade de Starling e da vizinha Central City.

—Agora que todos estamos reunidos, passemos a antessala aonde serão servidas bebidas e petiscos antes do jantar – convida Dominique, dando o braço a esposa, sinalizando as filhas seguirem adiante deles, sendo prontamente obedecido.

—Não foram convidados – Olivia cochicha ao ouvido de Cait – Os Merlyn. Eles não foram convidados – reforça.

—Imaginei – responde a jovem, baixando a vista a fim de disfarçar a lagrima que teimava cair, o toque em seu braço fazendo-a olhar seu lado esquerdo deparando-se com o sorriso simples e sincero de Thea Queen.

—Estamos aqui pra você – avisa, Kara inclinando a cabeça a fim de ser vista também, a jovem retribuindo-lhes, tomando forte respiração ao adentrar a antessala da residência dos pais, preparada para o que quer que tivesse pela frente.... Ao menos assim julgava.

**** Saloon (20:20 p.m)***

Thomas sinaliza ao atendente para que trouxesse-lhe outra jarra de bebida, depositando a caneca vazia sobre a mesa, olhando o nada a sua frente, distraído.

Após deixar o armazém, decidira ir até a casa de Mama Smoak e deitar-se com sua favorita, Camile, a fim de esquecer-se de Caitlin e do jantar, porém isto mostrou-se um erro.

Primeiro, chocara-se com o novo corte e cor de cabelo da jovem, não desistindo por pouco. Quando no quarto, sequer despira-se por completo posto que entre uma caricia e outra, um beijo e outro, trocara o nome da jovem, irritando-a. Não era a primeira vez que o fazia no decorrer do mês e a garota não apenas jogara-lhe o fato na cara como também revelara ter sido este o motivo de haver cortado e pintado o cabelo, irritando-o. Acabaram por discutir feio, ele retirando-se, indo direto ao bar, onde permanecia, bebendo, sozinho, em um canto.

—Ai está você! – a voz jovial de Barry Allen exclama, o rapaz sentando-se a mesa sem convite prévio – Estava a procura-lo e....

—Encontrou. Já pode ir-se – corta-o Thomas, mal humorado, enchendo a caneca tão logo o garçom deposita a jarra sobre a mesa.

—Assim? A seco? Não oferece-me sequer uma caneca de cerveja!? – interroga o rapaz, sinalizando ao atendente – Eddie, Ollie...- começa dizer, o som de uma bandeja indo ao chão seguido do pedido de desculpas fazendo-o fechar os olhos apertado – Ray, como deve ter notado, estávamos a procura-lo justamente para um drink – conta, o jovem Palmer parando junto a mesa onde encontravam-se, limpando-se, a face ainda rubra pela vergonha.

—Thomas, que coincidência! – exclama, sentando-se, fazendo Barry rolar os olhos – O que? Acaso disse algo errado? – questiona, abrindo as mãos.

—Uma dica: combinem o discurso antes para não darem mancada – resmunga Thomas, sorvendo o restante da bebida de um gole só, enchendo sua caneca novamente.

—Hã...Tommy, não acha que está exagerando? Está já é....- Ray interroga, contando as jarras vazias sobre a mesa, espantando-se – A quinta? Bebeu tudo isto sozinho? Sério? – questiona-o, pasmo.

—Assim acabara por embriagar-se pra valer e terá uma bela duma ressaca amanhã – Barry alerta, fazendo uma careta ao engolir o liquido frio do qual servira-se.

—E daí? Não tenho obrigações muito menos uma esposa chata a controlar-me...Ops, nisto enganei-me, parece-me que tenho sim e não apenas uma. Duas encontraram-me – ironiza o rapaz, apontando-os, tomando outro gole, fazendo uma careta ao ver Harper aproximando-se – Contei errado. Tenho cinco esposas e agora três encontraram-me– corrige-se, o jovem empregado de seu pai enrugando o cenho ao parar junto a mesa, confuso– Nenhuma é a que desejo!! – lamenta-se, seus três acompanhantes trocando olhares complacentes – Parem de olhar-me com pena!! E não digam nada. Não quero palavras de conforto. Menos ainda piedade!! – rosna, fuzilando-os com o olhar.

—Não trata-se de pena Tommy. Apenas... estamos solidários ...entendemos sua situação – Raymond atrapalha-se, ganhando novo olhar furioso que o faz encolher-se.

—O que Raymond quis dizer, é que estamos aqui para o caso de querer desabafar – Roy tentar concertar, encarando-o, sério.

—Isso – Barry corrobora.

—Não quero desabafar, quero impedi-la ser dada em casamento a outro homem -Thomas declara, batendo a caneca com força sobre a mesa, atraindo alguns olhares curiosos – Quero e vou!! – decide, pondo-se de pé tropegamente.

—Vai ? Como assim vai? Tommy, que cogita fazer? – Barry questiona, preocupado, levantando juntamente com Ray.

—O que já deveria ter feito desde que voltamos – declara, empurrando Harper, que barrava-lhe a passagem – Sai da frente – ordena, empurrando-o novamente.

—Desculpe-me, mas não posso. Não deixarei que faça algo do qual irá arrepender-se amanhã – argumenta o rapaz – Não posso deixa-lo ir até lá no estado que encontra-se senhor Thomas. Quando sóbrio, poderá ir ter com Snow e argumentar....

—Não entendem!? – interrompe-o, a voz levemente embragada pela emoção — Argumento nenhum fara aquela mulher aceitar-me como genro!! Odeia-me e nem ao menos sei o porquê!! – desabafa, recuando um passo, as lembranças do que Chase e Camile disseram-lhe vindo à mente – A não ser que...- silencia, baixando a vista um segundo.

—A não ser....- Barry instiga-o prosseguir, seus sentidos alertando-o de algo.

—Nada – responde Thomas após um segundo – Bobagem – diz, erguendo o olhar, fazendo menção mover-se, Roy impedindo-o – Banheiro. Posso? – interroga, recebendo passagem após breve hesitação por parte do rapaz.

—Que ele nutria sentimentos pela senhorita estava claro. Mas não imaginei serem tão profundos e fortes – Raymond comenta, fazendo Harper encara-lo – Sinto por meu amigo – declara, acenando ao ver Eddie e Oliver adentrando o recinto.

—Encontraram-no? – Eddie questiona, direto, estancando junto ao grupo, Oliver a seu lado.

—Sim. Estava a beber – Barry responde, indicando a mesa – Há um bom tempo ao que parece.

—Deve ter vindo direto para cá após deixar a casa de minha sogra – Oliver comenta, esfregando o queixo, tenso – Não devia tê-lo deixado sozinho hoje. Sabia que este jantar o afetaria – culpa-se, olhando em volta – Onde está? – questiona.

—Foi ao banheiro. Toda esta cerveja pediu passagem, suponho – Ray diz, fazendo uma careta.

—Quanto a deixa-lo só, não havia como evitar Oliver. Todos, inclusive Tommy, temos nossas obrigações. Mesmo que quiséssemos, não daria para tê-lo sob nossa vista o dia inteiro – Barry argumenta – Além disto, quando o vimos adentrar a casa de Mama Smoak, relaxamos posto que julgamos iria ficar com Camile a noite toda– argumenta.

—Só não contávamos que justamente hoje fossem brigar – Ray diz, abrindo as mãos, por pouco não acertando o atendente que viera limpar a mesa.

—Matando a saudade do antigo emprego senhor ajudante do xerife? – o rapaz provoca Eddie, rindo torto.

—Por que limpa a mesa? – devolve o loiro, ignorando-o, arqueando a sobrancelha.

—Porque seu ocupante não retornara. Saiu pela porta dos fundos há uns...

—Merda!! – xingam em uníssono, dirigindo-se a saída antes mesmo que terminasse a frase.

—Enganou-me direitinho!! – Roy lamenta-se, descendo o pequeno lance de escadas a frente do grupo – Sinto-me um idiota! – exclama.

—Não sinta-se. Qualquer um cairia no truque – Oliver minimiza, caminhando a passos firmes, estancando, assustado, ao deparar-se com Sara e Íris West – Diabos senhoritas, que fazem na rua a estas horas? – interroga-as, irritado.

—Ainda mais desacompanhadas!! – Barry exclama, olhando-as preocupado.

—Meu pai foi ao bendito jantar em casa dos Snow juntamente com Laurel e Íris foi fazer-me companhia – começa a loira, continuando sem dar-lhes chance dizer algo – Estávamos a varanda tomando uma fresca quando duas coisas chamaram-nos atenção: uivos de lobos e Thomas Merlyn passando feito um raio em direção a dita casa. Não iriam distrai-lo por conta do bendito jantar? – reclama, levando as mãos a cintura ao encarar Raymond, este abrindo e fechando a boca, desistindo de contestar.

—Tommy é bem grandinho, caso não tenha percebido ainda senhorita Sara, e escolhe suas próprias distrações – Eddie retruca, retomando a caminhada seguido de perto pelos demais.

—Então...??? – Íris questiona, quase correndo para acompanha-los.

—Então que a rameira com a qual costuma deitar-se resolveu bancar a esposa ciumenta ou algo do gênero e o espantou – responde, irritado.

—Estavam na casa de Smoak?? – Sara inquire, olhando-os desconfiada.

—Fomos certificar-nos de que estaria lá e uma das meninas avisou-nos que saíra após discutir com a tal garota e antes que indignem-se, devo lembra-las que lá também é a residência de minha sogra – Oliver adianta-se, o grupo estancando ao escutar uivos – Eddie...

—Sigam para a casa de Snow e tentem impedir nosso amigo fazer uma bobagem. Verei se tratam-se dos filhotes – sugere, separando-se sem esperar resposta.

—Vamos -Oliver chama, retomando a caminhada – Espero não seja tarde demais.

*** Residência Snow (22:46 p.m) ***

Reunidos na sala, convidados e anfitriões acompanhavam, encantados, Olivia Snow tocar ao piano diversas obras clássicas com precisão e elegância.

Recolhida em canto mais discreto, Thea e Kara faziam companhia a Caitlin, que brincava com a pequena taça de licor, vazia, em suas mãos, mirando um ponto qualquer do outro lado do ambiente, o olhar a denunciar-lhe a tristeza.

—Cait, tente sorrir, sua mãe está a observar-nos – Thea alerta – E o jovem Crumble aproxima-se – acresce, sorrindo, a jovem soltando um rápido suspiro antes de empertigar-se, imitando-a.

—Não precisa sorrir se não o deseja fazer senhorita – surpreendem-se ao escuta-lo dizer tão logo as cumprimenta – Não entendo o porque de sua tristeza, mas espero sinceramente não ser eu – declara, sorrindo tão sinceramente que a garota sente-se mal.

—Perdoe-me senhor Stephen, minha tristeza nada tem a ver com sua presença – assegura-lhe, sorrindo fraco.

—Folgo em saber pois mesmo que não firmemos compromisso, o que, honestamente, espero não aconteça, ao menos não hoje – surpreende-as outra vez – Gostaria de ser seu amigo, e das senhoritas também – declara, dando atenção a Thea e Kara – Meu pai pretende que fixe residência em Starling e cuide desta filial de nosso banco e admito que estava incomodado – revela, sentando-se na cadeira defronte as jovens – Ouvi muitas coisas a respeito de vossa cidade. A maioria um pouco assustadoras – confidencia – Mas, o que mais apavorava-me era não encontrar companhia decente para conversar, trocar ideias sobre livros e outras novidades, e pelo pouco que pude perceber enganei-me, graças aos céus! – exclama, unindo as mãos, arrancando-lhes sorrisos, aprumando-se a fim de dar espaço Adissa, que chegava com uma bandeja.

—Mais doces senhoritas? – pergunta a aia, fazendo menção sair quando estas rejeitam.

—Eu gostaria senhorita...- impede-a o rapaz, segurando-lhe discretamente o antebraço, a jovem servindo-o, fingindo não entender a indireta dada.

—Adissa – Caitlin responde por ela, sorrindo com vontade pela primeira vez em toda a noite – Adissa Slone, minha aia e amiga – apresenta-a.

—Adissa...diferente, porem um belo nome.... Para uma bela jovem – elogia ele, fazendo-a corar – Conhece o significado? – questiona, de repente, a jovem negando com um aceno – É de origem Grega. Significa limpa, brilhante – diz – Há também quem diga tratar-se de uma variação de Hadassa, nome Hebraico da rainha Ester. Conhece a historia da rainha que salvou seu povo da morte certa? – questiona, mas antes que possa seguir, a atenção de todos é chamada pelas palmas ao final do recital de Olivia.

—Bravo senhorita! Toca divinamente bem – elogia o senhor Crumble, beijando-lhe a mão – Estou encantado – declara, fazendo a jovem corar – Vejo, Snow, que vossas filhas são pequenas joias. Ficaria por demais satisfeito em tê-las como noras – acresce, Carla Snow sorrindo entusiasmada.

—A mim também seria um imenso prazer ter vosso filho como genro – declara Dominique, sinalizando a Caitlin e o rapaz aproximarem-se, estes obedecendo sem contestar.

—Devo lembra-lo meu caro Snow, que igualmente alegrar-me-ia tornar-me vosso genro – Slade Wilson declara, tomando a mão de Caitlin, beijando-a acintosamente – Não é segredo que desejo fazer a corte a senhorita há bastante tempo. Não entenda-me a mal meu caro Crumble – pede, não permitindo a jovem desvencilhar-se – Apenas estou deixando claro estar disposto a disputa-la, se for o caso – diz, provocando alguns risos.

—Não chegaremos a tanto meu caro – Dominique Snow declara.

—Não mesmo – a voz trôpega faz-se ouvir pelo ambiente, fazendo os presentes voltarem-se em sua direção.

—Thomas – Caitlin sopra, tensa, encarando o jovem.

—Senhor Dornelli, como permitiu este... senhor adentrar? – Carla Snow esbraveja, dando dois passos em direção ao rapaz – Retire-se! Não foi convidado a minha casa muito menos a este jantar – ordena.

—Sim senhora – Thomas responde com fingida obediência, fazendo que sairia, estancando e encarando a mulher – Mas espere...Não devo-lhe obediência. Não mais! – declara, dirigindo sua atenção a Dominique Snow – Não haverá nenhuma disputa pois não há o que disputar – afirma , apoiando-se ao piano – Não pode dá-la a ninguém pois....

—Quem pensa ser para dizer-me o que posso ou não fazer em minha casa? -Dominique Snow interrompe-o, irritado – Ponha-se para fora antes que faça algo que arrependa-se ou faça-me arrepender da decisão tomada no que refere-se ao débito de vosso pai – ameaça, indicando-lhe a porta, Quentin Lance adiantando-se, segurando-o pelo braço.

—Venha meu rapaz. Melhor que saia pacificamente – sugere, tentando conduzi-lo para fora.

—Não vou a lugar nenhum!! – esbraveja o jovem, libertando o braço com força demasiada, perdendo minimamente o equilíbrio.

—Está bêbado!! – Wilson exclama, olhando-o com desprezo.

—Tommy, vá embora por favor – Thea implora, aproximando-se do irmão – Não faça isto a você . Terá chance ....

—Conte a eles Cait!! – ignora-a, caminhando em direção a jovem, Dominique barrando-lhe o caminho – Conte-lhes que não pode casar-se com estes dois ou com qualquer outro – pede, encarando-a, fazendo-a reter o ar nos pulmões.

—Que está querendo insinuar?? – Dominique encara-o com olhos faiscantes.

—Merlyn, cuidado com o que dirá a seguir – adverte-o Lance, tenso.

—Tommy, por favor – Thea implora novamente, segurando-lhe o braço, fazendo com que olhasse em seus olhos – Que pensa estar fazendo? – questiona.

—O que é preciso – responde, desviando o olhar – Senhor Snow, faltei-lhe com a palavra dada – recomeça – Trouxe-a para casa ....mas não ...somos os mesmos de antes – titubeia, olhando a jovem por sobre a cabeça do pai – Sinto não ter-lhe dito antes...na verdade, esperava poder corrigir-me, fazer as coisas da forma correta, entende? Por isto pedi-lhe permissão para corteja-la. Queria...quero agir certo desta vez....

—Pare de enrolar! Diga o que tem a dizer e saia! – alguém exclama por detrás da parede, desviando atenção do rapaz um segundo.

—Thomas??? – Caitlin chama, encarando-o entre surpresa e confusa.

—Não posso permitir que se vá, nem continuar a enganar vossos pais – diz ele, sustentando seu olhar – Perdoe-me – pede, num meio sussurro, voltando a encarar o pai da jovem – Não pode dá-la em casamento a outro homem porque a fiz minha! – revela, causando alvoroço nos presentes — Nos deitamos enquanto estávamos perdidos. Mais de uma vez. Pertencemos um ao outro...- o soco desferido por Snow cotando-lhe a fala, fazendo-o desequilibrar-se e cair ao solo.

—MENTIRA!! – Carla Snow grita, voltando-se para a filha – Diga-lhes que é mentira – ordena, encarando-a, esta encontrando-se em choque – Caitlin, diga-lhes que ele mente. Desmascare este cafajeste diante de todos – reitera, assustando a jovem ao segurar-lhe o braço com força, puxando-a para frente com certa violência – Fale – ordena, alterando a voz, tirando-a do torpor, fazendo-a olhar primeiramente o rosto lívido de sua mãe. Em seguida, o pai ofegante e tenso, punho ainda cerrado. A seguir, visualiza os rostos dos presentes a observa-la. Por fim, atem-se a Thomas, ainda caído, seus olhares encontrando-se brevemente – Caitlin!! – a mãe sacudindo-a para que falasse.

—Eu...eu.... – balbucia, dirigindo um olhar de suplica ao pai, as lágrimas umedecendo lhe o olhar – Sinto muito....

—Caitlin...- o tom de advertência usado por sua mãe não surtindo o efeito esperado.

—Não posso fazer o que pede-me, minha mãe, porque é verdade. Deitei-me com Thomas – confirma, encarnado o rapaz mais uma vez, causando, além do imenso burburinho, o desmaio de sua mãe...

Continua...

“...Simplesmente aconteceu;

Quem ganhou e quem perdeu;

Não importa agora;

Não importa..”

Notas finais
Até breve. Bjinhos flores