O preço de uma dívida
1 Capítulo 1 - O preço de uma dívida!
Notas iniciais
“Vem me pedir além do que eu posso dar;
É aí que o aprendizado está....
...Vem me privar pra ver o que vou fazer;
Me prepara pro que vai chegar;
Vem me desapontar pra me ver crescer;
Eu sonhei viver paixões, glamour num filme de chorar;
Mas como é Felini, o dia-a-dia, minha orquestra a ensaiar;
Entre elegância e decadência ziguezaguear;
Hoje aceito o caos...”
Eu E A Vida
Jorge Vercilo
**Vilarejo de Starling (Sexta,18 de Junho de 1773- 06:00 a.m)**
Residência Merlyn
Malcom
Sentado à mesa observo minha esposa alimentar seu sobrinho com o mesmo carinho que alimentara nosso filho, como certamente fara com aquele (ou aquela) que carregava em seu ventre.
Minha cunhada e o marido morreram vítimas da peste deixando o garoto, filho único, sem nenhum outro parente vivo a não ser nós. Com isto, o pequeno Davi tornou-se, até então, o mais novo membro de nossa família trazendo o riso e a alegria de volta a nossa casa.
Respiro fundo voltando meu olhar para a janela, observando a movimentação que começa a aumentar nas ruas lá fora. Se por um lado morar no centro do vilarejo nos deixava mais próximos de tudo, por outro perdemos a paz e privacidade que outrora tínhamos na antiga residência em nossa terra natal, Inglaterra.
Quando decidi, dez anos atrás, imigrar para a América, o novo mundo, muitos me chamaram de louco. Minha família chegara a romper relações comigo por mais de um ano e meio, por deixar minha posição e tudo que tinha em busca de aventura arrastando minha esposa e filho além do recém agregado sobrinho.
O que poucos entendiam era que nada do que diziam ser meu, era de fato. Tudo, absolutamente tudo (inclusive a casa na qual morava) pertenciam a minha família. Mais precisamente a meu pai e viver sob seu domínio não era nada fácil ou agradável.
Ao contrário do que aparentava, Richard Merlyn mantinha controle total sob os três filhos mesmo após tê-los casado. Aliás, a exceção do meu, os casamentos de meu irmão e irmã nada mais foram do que meros arranjos, acordos entre famílias com a finalidade de fortalecer os negócios. Consegui escapar não apenas por ser o mais novo e contar com a ajuda de minha avó materna, mas por ter sido esperto e feito meu pai acreditar que seria lucrativa a união de nossa família com a do então dono de uma das mais importantes companhias de navegação da Inglaterra. Se depois ele veio a falir não foi culpa minha. Por sorte já estava casado com a mulher que amo e que me ama, ela grávida de nosso primeiro filho.
Volto minha atenção para Rebeca, sorrindo ao vê-la brincar com a colher induzindo Davi a comer. Havíamos nos apaixonado desde o primeiro momento em que nos vimos, começando um romance, às escondidas a princípio, que tratei de pôr as claras tão logo soube da intenção de seu pai em dá-la em casamento a outro.
Não poderia desejar melhor companheira em minha vida! Rebeca me completa de tal forma que não sabia mais onde eu começava e ela terminava. Carinhosa, tinha sempre uma palavra de conforto quando chegava em casa cansado, irritado com as brigas constantes com meu pai. Prestativa, jamais negara ajuda a quem quer que fosse mesmo que isso lhe custasse alguma desavença ou má querência com alguém. Corajosa, não pensou duas vezes em me acompanhar na embrenhada rumo a América quando lhe comuniquei minha intenção.
Estava farto dos desmandos de meu pai! De sua arrogância, seu desejo e sede de controle e poder que não conheciam limites. Mas principalmente estava farto de ouvi-lo dizer que tudo que tinha lhe era devido.
Ao contrário de meu irmão mais velho, que se satisfazia em viver sob seu domínio, queria construir algo próprio, com meu esforço e suor aonde faria as coisas a meu modo.
Foi com este pensamento que juntei todas as economias que dispunha e parti para a mais nova colônia britânica no continente americano. Uma terra nova, repleta de oportunidades.
Não foi fácil, reconheço. Além de todas as dificuldades inicias que iam desde adaptar-nos ao clima radicalmente diferente ao que estávamos habituados, a conquistar a confiança dos demais habitantes do vilarejo que mal nascera e já almejava tornar-se cidade.
Starling é um lugar promissor e vi isto desde que chegamos. Na verdade, bem antes quando travei conhecimento, ainda em solo Inglês, com um de seus moradores, Robert Queen, prospero empresário cuja amizade pus a perder por conta de uma única noite de fraqueza e bebedeira que por muito pouco não me custou também o casamento.
Como resultado me tornara pai pela segunda vez. Moira e eu geramos uma linda garotinha que Robert prontamente assumiu perante todos como sendo sua a fim de evitar constrangimentos para todos, especialmente nossas esposas. Não sabia que tipo de arranjo existia entre sua família e a da esposa, mas certamente era forte e lucrativo, muito embora reconheça que existe amor na relação deles.
Por conta disto também pensei dezenas de vezes antes de escolher Starling como destino quando imigrei. Temia que ele me dificultasse as coisas por aqui. Entretanto o fator financeiro acabara sendo decisivo: se pretendia iniciar meu próprio negócio não poderia pagar passagens até os grandes centros onde a concorrência seria imensamente maior.
Para minha surpresa, Robert não me impôs nenhum tipo de bloqueio ou dificuldade quando cheguei com minha esposa e filho. Talvez o passar dos anos tenha aplacado sua ira, talvez por não ser concorrente seu e nossos casamentos estarem muito bem, não tenha me visto como ameaça. O fato é que não tive problemas em me instalar na cidade onde sou pioneiro no ramo de construções.
Com muito esforço e trabalho, havia conseguido erguer uma pequena empresa que, aos poucos, tornara-se conhecida e respeitada em Starling e nas redondezas, conseguindo certo prestigio nestes sete anos de batalha. Por isso mesmo não conseguia me conformar com a situação na qual me encontrava.
Durante o ano passado, rumores de uma revolução iminente começaram a se espalhar por todas as colônias pondo em crise os negócios já bastante castigados pelas taxas exorbitais cobradas pela Inglaterra.
Para piorar, enfrentei um dos piores momentos de minha recente vida de empresário: a sede de minha empresa pegara fogo misteriosamente me obrigando a contrair duas dividas vultuosas, uma junto ao banco outra de cunho pessoal junto ao gerente e um amigo por ele indicado já que meu credito não era suficiente para conseguir o valor que precisava e poder reconstruir tudo além de pagar meus funcionários e fornecedores.
Quando estava me recuperando e havia juntado boa parte do valor para pagamento da dívida, um novo baque me atingiu: fomos roubados.
Tinha certeza de que ambos credores, Chase e Snow, estavam, de alguma forma, envolvidos no roubo visto que a única quantia furtada fora o referente ao pagamento, mas como não podia provar tive que calar-me e engolir suas ameaças e ofensas. E agora estava nas mãos de ambos.
—Cuidado, Tommy, devagar – ouço a voz do jovem Allen e reteso-me, levantando de um salto.
—Malcom, fique calmo, por favor – Rebeca implora antecipando minha reação a cena que certamente estava prestes a presenciar.
—Foi por manter-me calmo que as coisas chegaram a este ponto Beca! – exclamo, dirigindo-me a passos largos para a sala, encontrando o rapaz esforçando-se por sustentar o corpo de meu filho mantendo-o firme, evitando que fosse ao chão, empalidecendo ao notar minha presença.
—Bom dia senhor Merlyn – cumprimenta ensaiando um sorriso encabulado.
—Pai! Eis o senhor meu pai! O maior construtor de toda Starling e arredores! – Thomas ironiza, a voz enrolada por causa do excesso de bebida, quase derrubando o amigo, franzino, ao tentar fazer uma reverencia exagerada.
—Assumo daqui Allen. Obrigado por trazê-lo, meu jovem – agradeço, arrancando meu filho de seus braços sem muita gentileza.
—Por nada senhor – responde o rapaz, fazendo uma reverencia para minha esposa, que adentrava com Davi nos braços, retirando-se em seguida.
—Até quando pretende desperdiçar sua vida e meu dinheiro Thomas? – questiono rudemente, apertando seu braço com força.
—Aproveitar minha juventude não é um deps..despi...isso que falou – enrola-se – E dinheiro foi feito pra ser gasto , não concorda? – acrescenta aumentando minha irritação consideravelmente.
—De onde se tira sem repor, um dia acaba – cito, amargo – Sou apenas eu a prover nossa família de tudo que precisa...
—E está fazendo um excelente trabalho! Parabéns– interrompe, fazendo-me perder o pouco de paciência que restava.
—Trabalho!? Quando, em toda sua insignificante vida, soube o significado desta palavra Thomas? Quanta vez acordou cedo para pegar no pesado? Quantos calos tem em suas mãos? – questiono, eu mesmo dando a resposta– Lhe digo: nunca! Em nenhum momento dentro dos seus míseros vinte e dois anos de vida, teve que levantar-se com o sol, teve que suar, que preocupar-se em quitar as contas ao final de cada dia, cada semana, cada mês. Nunca sequer preocupou-se em saber se estava precisando de sua ajuda, nunca se ofereceu para ajudar-me em nada. Nada! Tudo que faz é gastar o que ganho em noitadas com bebidas e mulheres. Não passa de um inútil Thomas!! – desabafo.
—Se sou assim é porque também fez seu trabalho muito bem feito, senhor meu pai – rebate, atrevido – Se sou tão inútil porque não me manda de volta para Londres? Prefiro morar com meu avô a viver nesse buraco fétido onde nos enfiou por orgulho...
—Cale-se! – antes que possa me controlar, acerto seu rosto com força usando o dorso de minha mão fazendo-o cair, avançando sobre ele, detendo a mão no ar ante o grito de minha esposa – Vá para seu quarto agora Thomas. Suma de minha vista antes que faça algo de que me arrependa – ordeno.
—É muito bom em falar, mas péssimo em ouvir, especialmente a verdade – acusa, levantando-se cambaleante, em parte pela bebida.
—Saia da minha frente Thomas – repito, encarando seu rosto vermelho, o filete de sangue no canto de sua boca lembrando-me de manter o controle.
—Thomas, por favor, vá para seu quarto – Rebeca intervém ao ver que permanecia imóvel, me encarando desafiadoramente – Thomas! – reforça, puxando-o pelo braço, fazendo com que subisse as escadas –Malcom, ele não fez por mau – defende, tocando meu braço carinhosamente.
—Chega de pôr panos quentes Rebeca –peço, erguendo meus olhos para ela – Ele está correto. Se Thomas é do jeito que é hoje, tenho grande parcela de culpa. Negligenciei sua educação, não me fiz presente. Mas ainda a tempo de corrigir-me. Quando essa tempestade passar, as coisas irão mudar em casa.
—A Qual tempestade refere-se? – questiona, preocupada.
—Nada meu amor. Não se preocupe. Resolverei tudo – prometo – Agora preciso ir. Nos vemos a noite – despeço-me beijando-lhe a testa, afagando o cabelo do garotinho agarrado a barra de seu vestido.
Saio de casa direto para a construtora, caminhando a passos largos por entre as pessoas apressadas, refletindo como deveria proceder com meu filho.
Apesar de ter doido, reconheço que falara a verdade quando me culpou por sua vadiagem. Deixo-o solto demais. Talvez por não querer agir como meu pai fiz justamente o contrário dele ao extremo. O fato de ter permitido que meu filho morasse alguns meses com meus pais também não ajudou. Minha mãe o estragara enchendo-o de mimos, fazendo todas as suas vontades enquanto meu pai distorcia seu modo de ver a vida da mesma forma que distorcera o meu por um longo tempo. Na verdade, fora Rebeca a me curar.
Adentro o prédio de minha empresa tendo a ingrata surpresa de encontrar Dominique Snow e Adrian Chase à minha espera.
—Bom dia senhores – cumprimento trocando um rápido olhar com meu jovem assistente Harper – Ia mesmo procurá-los.
—Nos adiantamos – Chase fala em tom afetado.
—Vamos até meu escritório – convido, indicando a direção – Não estou para ninguém senhorita Hayes. Harper, adiante-se. Vá até a obra do prefeito e veja se tudo está correndo de acordo com o esperado – comando.
—Estava esperando o senhor Thomas para poder ir, senhor Merlyn – me informa.
—Thomas não vira hoje. Agora faço o que mandei – aviso, seguindo para meu escritório, fechando a porta – O que desejam senhores? – questiono, indicando-lhes as cadeiras para sentarem, sentando na minha.
—O que mais além de receber o que nos deve Merlyn!? – Chase diz, direto.
—Quanto tempo mais teremos que esperar para recebermos? – Snow cobra.
—Preciso de mais algum tempo. Estou começando a me recuperar não apenas do incêndio, mas do roubo, como sabem. Se me derem mais alguns meses lhes pagarei integralmente – argumento.
—Já lhe demos tempo de sobra. Há meses nos enrola com essa conversa de estar-se recuperando – Chase fala, mexendo no enfeite sobre minha mesa.
—Os tempos andam difíceis para todos e não podemos mais protelar sua dívida. Viemos aqui lhe avisar que tem até o final do dia, as dezessete horas mais precisamente, para nos pagar ou iremos ao conselho reivindicar nossos direitos – decreta, me fazendo congelar.
—Sabem que não tenho como conseguir tanto dinheiro em tão pouco tempo – rebato, olhando-os – Não terei como lhes pagar hoje a menos que aceitem receber apenas uma parcela do montante – tento negociar.
—Nada de parte. O total ou arque com as consequências Merlyn – ameaça Chase, levantando– Cinco horas Merlyn, este é seu prazo final – repete, ambos saindo sem me dar chance contestar.
***A alguns quilômetros de Starling (10:00 a.m)***
Caitlin Snow
Suspiro olhando a volta enquanto aguardo, sentada, a saída da carruagem que me levaria de volta para casa após três anos distante.
Era uma viagem cansativa, repleta de paradas como a que estava acontecendo agora, a fim de proporcionar descanso a cavalos, cavaleiros e passageiros, cansados de tanto sacolejar pelas estradas irregulares além de aguardarmos outras carruagens a fim de formarem uma pequena caravana garantindo mais segurança a todos.
—As vezes, só as vezes, me arrependo em morar em Starling por mais bela e tranquila que seja – ouço uma voz feminina dizer a meu lado e me volto – Felicity Megan Smoak – apresenta-se a loira sentada a meu lado sendo imediatamente corrigida pelo loiro de pé a seu lado.
—Queen, Felicity Megan Queen meu amor. Quanto mais cedo se acostumar, mais natural será para você – admoesta carinhosamente, beijando-lhe a cabeça.
—Sei disso amor, mas entenda, estamos casados a menos de quarenta e oito horas! – exclama ela, fazendo bico.
—Certo. Mas não pense que me engana fazendo esse bico encantador – rebate ele, só então me dando atenção – Desculpe-me o mal jeito senhorita. Estamos em lua de mel e minha linda esposa está cansada devido a longa viagem que enfrentamos até agora – pede, sorrindo e imediatamente sinto meu rosto esquentar.
Era sempre assim quando um homem bonito me dava atenção ou simplesmente me cumprimentava. Efeito de viver parte de sua vida dentro de um colégio interno comandado por freiras.
—Para onde estão indo? – pergunto à guisa de desviar atenção sobre mim.
—Starling – respondem juntos, me causando surpresa.
—Eu também. Que coincidência! – exclamo, sorrindo minimamente – Irão morar lá?
—Já moramos – Felicity revela – Oliver nascido e criado, eu migrante com minha mãe – faz uma pausa levando uma mão a testa de forma dramática – Céus, minha mãe! Ela ficara louca quando descobrir que casei sem lhe comunicar. E sua mãe vai querer me matar com toda certeza! – exclama mantendo o drama.
—Em compensação terá o apoio de minha irmã e meu pai – Oliver argumenta beijando-a novamente.
Por algum motivo que me é desconhecido simpatizei com os dois imediatamente.
—E você, está indo para Starling por quê? – Felicity pergunta, me examinando de alto a baixo – Tem idade para viajar sozinha? – questiona.
—Farei dezoito em setembro. Estou voltando para casa após terminar meus estudos – anuncio orgulhosa – Minha família mora em Staling.
—Qual seu nome mesmo? – Oliver pergunta, me olhando de forma esquisita.
—Meu nome é....
—Caitlin Snow, filha mais nova de Dominique e Carla Snow – um homem mais velho se adianta, surgindo por detrás de Oliver, parando a seu lado – Da última vez em que a vi era uma garotinha. Agora se tornou uma bela jovem – elogia-me, sorridente – Robert Queen – apresenta-se fazendo uma mesura
—Muito prazer senhor e obrigada – agradeço, ficando vermelha outra vez.
—Então é a irmã de Yvie, Olivia e Charlie. Quem diria – Oliver comenta.
—Nos conhecemos? – Felicity pergunta, me encarando pensativa, ela mesma dando a resposta após pensar um pouco – Evidente que sim. Foi você que caiu em um poço e o filho do senhor Merlyn a tirou de lá – relembra me deixando ainda mais sem graça – Com a ajuda de meu marido e dois amigos, logico – acrescenta, rolando os olhos, após o marido limpar a garganta.
—Muito me admira seu pai permitir que viaje sozinha senhorita – o senhor Queen, o pai, comenta.
—Não estou sozinha – digo, corando mais (se é que isto seja humanamente possível) – Quero dizer, agora estou. A dama que me acompanhava passou mal durante a última parada e não pôde seguir viagem – explico, todos nos voltando ao escutarmos o chamado de um dos cocheiros avisando que as carruagens partiriam em alguns minutos.
—O que acha de viajar conosco senhorita Snow? – Felicity convida, voltando-se para o marido – Ela pode, não é?
—Certamente – anui ele após trocar um olhar com o pai – Qual sua carruagem? Vou providenciar para que troquem sua bagagem — pergunta.
— Aquela lá – aponto, ele dirigindo-se até a mesma, indo falar com o cocheiro
—Que bom. Um pouco de companhia feminina para variar – Felicity comemora, enlaçando seu braço ao meu – Venha, vamos comprar algo para comermos durante o trajeto. Mesmo está sendo a última parada antes de Starling, ainda temos um longo caminho sem nada a nossa frente a não ser mato e rocha! – exagera, me conduzindo até a banca mais perto sob o olhar atento de seu sogro.
Assim que compramos tudo que desejava (o senhor Queen fazendo questão de pagar por tudo inclusive pelo que comprei) nos reunimos a Oliver e os demais passageiros nos acomodando nas carruagens a fim de iniciar o longo trecho final de nossa viagem a Starling....De volta para casa. Finalmente!
**** Centro de Starling – 16:40 p.m)*****
Narrador
A notícia de que o conselho seria convocado se espalhara pelo vilarejo provocando alvoroço especialmente entre os mais jovens.
—Allen! – Sara Lance, filha mais nova do delegado Quentin Lance chama entrando no estabelecimento, sobressaltando o jovem por detrás do balcão, este deixando cair o frasco que segurava – Precisamos de você. Agora! – intima, apoiando as mãos sobre o balcão.
—Boa tarde para você também senhorita Lance – ironiza o rapaz, abaixando-se a fim de limpar o chão – Caso não tenha notado estou ocupado. Tenho que terminar de arrumar tudo antes de fechar a loja já que meu pai foi convocado para o con...- cala-se ao erguer-se encontrando, além de Sara, sua irmã, Laurel, a jovem Thea Queen e Íris West, sua namorada — ...selho. Por que sinto que estou com problemas? – questiona olhando-as uma a uma.
—Vai estar se negar-se atender nosso pedido – Laurel ameaça.
—Não o ameace Laurel ou ai sim não irá atender nosso pedido – Thea alerta, lançando um sorriso encantador ao rapaz.
—Atender qual pedido? – Barry pergunta, desconfiado – Não querem nenhuma porção para matar alguém, querem? – indaga, tenso.
—Não seria uma má ideia, mas não – Sara responde fazendo-o abrir a boca, estupefato – Não seja tonto Allen, sabe que não faríamos mal a uma mosca – contesta, abrindo um dos potes sobre o balcão, fazendo uma careta ao cheirá-lo.
—Charlie Snow não é uma mosca, portanto – Thea insinua.
—O que o Snow mais novo tem a ver com isso? – Barry pergunta, encarando a garota.
—Tem que aquele verme asqueroso me interpelou algumas horas atrás fazendo insinuações sobre me tomar como escrava ou esposa, o que daria no mesmo, em pagamento de uma dívida que o senhor Merlyn, pai de Thomas, tem com o pai dele – conta fazendo o rapaz empalidecer – E por sua reação essa possibilidade existe de fato! – exclama ela, assustada – O que está acontecendo Barry? Que história de dívida é essa e por que posso acabar nas mãos daquele....- cala-se, fechando os olhos e as mãos.
—Verme, ser asqueroso, porco nojento, são alguns adjetivos adequados – Sara qualifica – Mas isto não vem ao caso agora. Neste momento o que importa é termos olhos e ouvidos dentro do conselho e é aí que você se encaixa! – elucida, pondo o dedo no peito do rapaz.
—Eu? Como assim? O que vocês...- Barry começa a dizer calando-se, refletindo um segundo – Nem pensar! Não vou entrar naquela reunião nem morto! – afirma, saindo de trás do balcão carregando o lixo.
—Morto é como vai ficar se não o fizer! – Sara ameaça.
—Parem de ameaçar meu namorado! – Íris protesta, enlaçando o braço do rapaz, o sorriso vencedor dele morrendo ante sua afirmação seguinte– Ele sabe que não pediríamos se não fosse de extrema importância – finaliza mansamente, erguendo lhe olhos pidões.
—Droga – protesta o rapaz, coçando a nuca – O que querem que eu faça? – rende-se.
—Entre na reunião e descubra o que está acontecendo, o que há de verdade na ameaça velada do jovem senhor Snow e nos avise para que possamos tomar providências – Laurel Lance explica.
—Que providências? – pergunta assustado – Pelo amor de Deus, não explodam nada! – implora juntando as mãos.
—Bartholomeu Allen, está insinuando que tivemos algo a ver com o pequeno incidente na mercearia do digníssimo senhor Chase mês passado? – Sara questiona fazendo cara de inocente.
—Insinuando não, tenho certeza! – garante o jovem – Vou fazer o que estão me pedindo porque também estou curioso para saber o que está acontecendo – admite.
—Está acontecendo que meu patrão está sendo vítima de uma armadilha por parte daqueles dois crápulas – escutam o comentário voltando-se para o recém chegado – Tenho certeza que Adrian Chase foi responsável tanto pelo incêndio quanto pelo roubo que impossibilitou o pagamento de parte dívida contraída por meu patrão no prazo estipulado – acusa o jovem – Se tivéssemos conseguido as provas o senhor Merlyn não estaria na situação em que se encontra neste exato momento – assegura.
—Melhor não sair dizendo isto por aí em voz alta Roy ou pode dar-se mal – Barry aconselha, começando a fechar as portas do estabelecimento de sua família, olhando para fora, desconfiado – Paredes e postes costumam ter ouvidos nesta cidade ultimamente.
—Sei disso, mas está cada vez mais difícil aceitar o que estão fazendo. Chase e Snow têm que ser detidos de alguma forma. Alguém precisa tomar uma providência urgente. – revolta-se, ajudando o amigo.
—Adrian Chase é o verdadeiro vilão aqui.- Thea Queen acusa – Dominique Snow não passa de um capacho que se deixa comandar por ele e principalmente pela esposa, aquela bruxa – bufa, saindo da loja, aguardando os dois rapazes do lado de fora juntamente com Sara, Laurel e Íris.
—Concordo, mas como nosso amigo Bartholomeu bem lembrou, não temos como provar nenhuma das maldades que fizeram, portanto fiquemos calados – Laurel aconselha – E no momento temos que nos concentrar em descobrir se a ameaça que Charlie Snow te fez tem alguma chance de tornar-se real. O que sabe sobre essa reunião senhor...
—Harper, Roy Harper, seu criado – apresenta-se o rapaz fazendo uma mesura educada – Hoje cedo os dois, Chase e Snow, foram ao escritório de meu patrão pressioná-lo para que pagasse o que lhes deve. Nada de anormal, é direito deles. O problema é que estipularam um prazo impossível para tanto: o final deste dia – revela enquanto o grupo se encaminha para o prédio da prefeitura onde o conselho estava se reunindo – Evidente que não foi possível reunir todo o montante, mas uma pequena parte o senhor Merlyn conseguiu. Irá oferecer-lhes e tentar renegociar o restante da dívida.
—Então não precisa se preocupar com nada Thea. Charlie deve ter dito o que disse apenas para irritá-la – Íris pondera, aliviada.
—Desculpe-me, mas discordo – Roy discorda quando o grupo para sob a marquise da prefeitura, olhando a volta antes de falar novamente – Acredito que Chase está em busca de vingança e não apenas de meu patrão – afirma – Não sei do que se trata, mas creio que não aceitara a oferta e não permitirá que Snow aceite.
—E o que eu tenho a ver com isto? – Thea questiona, confusa.
—Isto não sei lhe dizer senhorita – responde, encarando-a.
—Caso eles não aceitem, o que pode acontecer? – Íris pergunta, olhando o namorado.
—Podem escolher tomar os bens do senhor Merlyn como pagamento – Laurel se adianta – Dependendo do valor, ele ficaria na miséria.
—Nossa, que horrível! – exclama a garota.
—Isto não é o pior que pode acontecer meu amor – Barry começa dizer, calando-se em seguida, cumprimentando o grupo de mulheres que passava por eles, Roy fazendo o mesmo.
—O que pode ser pior do que perder toda sua fortuna!? – Thea questiona.
—Ter um filho tomado como escravo em pagamento – revela o rapaz.
—O QUE?? – gritam as jovens, chamando atenção dos transeuntes.
—Gritem um pouco mais alto, as pessoas do outro lado da cidade ainda não escutaram! – ironiza Allen.
—Que piada é esta Barry? – Sara interroga.
—Infelizmente não é piada – Harpe diz, tomando a palavra – Essa é uma lei antiga, arcaica, deixada pelos fundadores e que ainda resiste aos dias de hoje – prossegue – Se assim quiserem, os credores podem tomar um dos filhos, caso haja mais de um, como escravo pelo tempo necessário para o pagamento da dívida.
—Quem calcula esse tempo? – Sara quer saber.
—O conselho tendo por base o valor da mesma – o rapaz informa.
—Espera, escravos não recebem pagamento! Como podem calcular em cima de nada? – Sara inquire.
—Calculam pelo salário pago a funcionários, como eu, só que por baixo, tipo, se recebo cinco dólares por hora trabalhada calculam em torno de quatro para estipular o tempo de escravidão a que o filho será submetido – exemplifica o rapaz.
—Quanto o senhor Merlyn deve? – Laurel pergunta, tensa.
—Muito. Demais. O suficiente pra longos anos de servidão senhorita Queen – revela ele, tenso.
—Ou para obrigar um casamento! – Thea exclama apavorada – Mas o que eu tenho com isso? Por que Charlie Snow me ameaçou? – questiona, os demais entreolhando-se confusos.
—Barry, entre lá e veja o que está acontecendo. Ficaremos aqui esperando – Laurel apressa-o.
—Melhor. Na sala onde se reúnem há uma janela que dá para este beco – Roy indica com um gesto de cabeça – Ficaremos sob a janela e aí poderá escrever o que está acontecendo e nos jogar o papel, discretamente evidente – arquiteta, o jovem concordando.
—Certo, farei isso. Tenham cuidado – recomenda dando um beijo rápido na fronte da namorada antes de entrar, os demais seguindo, após verificarem que não estavam sendo observados, para o beco a espera de notícias.
***** O conselho ******
—Está de posse da quantia em questão senhor Merlyn? — Damien Darhk, prefeito do vilarejo, interroga arqueando a sobrancelha ao ver a porta ser aberta dando passagem ao jovem Allen.
_Não excelência. Era impossível levanta tal valor no tempo estipulado por meus credores – informa o empresário – No entanto, tenho comigo uma parte. Caso os senhores Chase e Snow aceitem, me comprometo a efetuar pagamentos mensais ...
—Chega de adiamentos Merlyn – Adrian Chase corta-o – Há meses esperamos receber e nada! – reclama.
—Todos aqui sabem que enfrentei alguns reveses nos últimos meses, como o roubo sofrido em minha empresa – Malcom relembra, encarando Chase – Além de ter compromissos com meus funcionários e fornecedores os quais também preciso honrar....
—E conosco, não tem que honrar sua dívida? – nova interrupção desta vez por Dominique Snow – Já esperamos demais. Queremos que pague integralmente hoje ou nada feito! – exclama o banqueiro.
—O senhor Merlyn já afirmou não ter esse valor em mãos, portanto precisamos chegar a um consenso – Joe West pondera.
—E chegaremos – Sebastian Blood, vice-prefeito afirma – Quais opções para quitação da dívida afora o dinheiro? – interroga.
—Os senhores Snow e Chase podem tomar posse dos bens que se equivalham ao valor do que lhes é devido – Frank Pike, proprietário do único hotel da cidade informa, lendo o livro aberto a sua frente – Neste caso, pelo que vejo, significa que Merlyn terá que entregar sua empresa e casa além de qualquer outro bem que possua – avisa, erguendo os olhos para o empresário – Está disposto a fazê-lo?
—Sim – Malcom declara sem hesitar.
—Entende que isto significaria sua falência total e absoluta Malcom? – o delegado Lance questiona.
—Entendo e aceito. Comecei do zero uma vez e posso fazê-lo novamente –afirma o empresário, passando uma calma que não sentia.
—Existe outra forma para que nos pague sem que precise abrir mão de seus bens ...– Adrian começa dizer, Malcom o interrompendo.
—Prefiro morar na rua! – retruca.
—Mesmo? Sua esposa pensa o mesmo? E quanto ao filho que espera, irá deixá-lo nascer ao relento? – interroga o homem, aproximando-se – E o garotinho que criam, ele também prefere morar na rua, mendigar por comida? – provoca.
—Minha esposa e filhos irão comigo aonde for – garante o empresário controlando-se a duras penas.
—Se não fosse tão desumano pagava para ver – Adrian Chase desafia, rindo cinicamente, dando-lhe as costas – Mas não nos interessa por uma criança inocente e outra que sequer veio ao mundo dormindo ao relento. Seria muito cruel – ironiza, não dando chance qualquer dos presentes rebater – Para tanto, queremos, não, exigimos que o senhor Merlyn nos entregue um de seus filhos como escravo pelo tempo necessário ao pagamento da dívida.
—Não! – Barry deixa escapar chamando atenção para si –Desculpem – pede, baixando a cabeça ante o olhar severo do pai.
—A quais filhos refere-se? Sabe muito bem que o senhor Merlyn possui um único filho em idade adulta – Darhk relembra.
—E os senhores igualmente sabem que não é verdade – rebate o comerciante – Malcom Merlyn tem uma filha ilegítima...
—Não ouse envolve-las nisto! – ameaça o empresário.
—Criada por Robert Queen como se fosse sua própria filha – revela Chase, sorrindo sarcasticamente, ignorando-o – Ambos, Thomas e Thea, podem ser tomados em pagamento.
—Pode provar o que diz? – Darhk interroga, travando o maxilar.
—Não, mas conheço alguém que pode – afirma o homem.
—Não faça isso Chase – Malcom pede.
—Solicito que Moira Queen seja trazida a presença deste conselho agora mesmo para testemunhar que o que digo é verdade – declara, causando desconforto em todos – E, após seu depoimento, onde espero não minta, para o bem dela, negociaremos tomar a jovem senhorita como serva ou quem sabe esposa do jovem senhor Snow aqui presente- aponta o rapaz sentado logo atrás do pai – Como parte do pagamento da dívida adquirida por seu pai biológico, Malcom Merlyn, o dote o qual a jovem tem direito servindo como pagamento do restante da dívida...Se for suficiente – ironiza o comerciante.
—Droga! – Barry bufa enquanto escreve com mãos tremulas tudo que escutara, dobrando e jogando a folha pela fresta da janela, apertando as mãos, ansioso.
Do lado de fora, Harper pega a folha assim que esta toca o solo, abrindo-a e lendo em voz alta.
— “...Seja lá o que forem fazer, façam rápido!” – terminar o jovem, erguendo os olhos para as garotas a sua frente, estático, tão chocado quanto elas.
—Aonde vai? – Laurel pergunta, saindo da letargia, ao ver a irmã segurar a saia, erguendo-a, caminhando para a saída do beco.
—Trazer o único capaz de impedir esse desastre – declara, erguendo mais a saia de forma a conseguir correr, deixando-os confusos.
***** Thomas ******
—Mas o quê?? – desperto de um salto, sufocando com a água em meu rosto, demorando alguns segundos até conseguir visualizar a loira parada ao lado de minha cama, balde nas mãos, me encarando furiosa – Que diabo pensa estar fazendo mulher? Enlouqueceu por acaso? – questiono, sentando sobre o colchão, enxugando o rosto com o lençol.
—Levante-se Thomas, precisa vir comigo agora antes que seja tarde demais – ordena continuando a me encarar.
—Tarde demais para que? E quem pensa que é para me dar ordens dentro de minha casa? – interrogo, irritado.
—Sou a pessoa que vai te causar um hematoma nessa cara feia se não levantar e se vestir dentro de dois minutos! – reitera, atirando o balde contra mim, obrigando-me desviar para evitar a pancada, dando-me as costas, abrindo meu armário sem cerimônia, jogando várias peças de roupa sobre a cama – Vista-se rápido ou não conseguiremos chegar a tempo – repete.
—Chegar a tempo de que? Do que está falando mulher? – repito impaciente.
_Seu pai esta em dívida com os crápulas Chase e Snow e como pagamento querem obrigar Thea a ser escrava deles ou casar-se com o verme repugnante do filho do Snow, Charlie – despeja de um fôlego só me encarando – Não pode permitir que isto aconteça Thomas! Precisa fazer algo – ordena levando as mãos a cintura.
Encaro-a por um segundo antes de falar.
—Andou bebendo escondido novamente Lance? – pergunto calmamente, vendo-a estreitar os olhos, lívida de raiva.
—Thomas Merlyn, se não levantar dessa maldita cama agora, vestir-se e impedir que sua irmã seja condenada a um destino horrível, eu juro que vou infernizar seus dias pelo resto de nossas vidas! – ameaça.
—Agora tenho certeza que está bêbada! Não tenho irmã nenhuma – afirmo, voltando-me para a porta ao escutar a voz de minha mãe.
—Tem – afirma parada no batente, Harper, um dos funcionários de meu pai a seu lado – Thea é filha de Moira com seu pai, portanto, sua meio irmã.
—O que está dizendo? Thea Queen é filha do senhor Robert – teimo minha cabeça começando a doer terrivelmente – É irmã do Oliver, não minha.
—Não Thomas, ela é sua irmã e se demorarmos mais será obrigada a casar-se com Charlie Snow ou servi como escrava para ambos – Harper repete o que Sara havia dito – A senhora Queen estava entrando na prefeitura quando vim. A esta altura deve estar sendo pressionada a contar a verdade diante do conselho – informa.
—Conselho? – questiono, confuso.
—Thomas, por favor, é a vida, a felicidade de Thea que estão em jogo! Independente que acredite no que estamos dizendo, é a irmã de seu melhor amigo. Não pode deixar que seja entregue nas mãos daquele homem asqueroso – Sara implora, as lágrimas aflorando – Por favor, ajude-nos a salvá-la! – reforça, me tirando do estado de letargia.
Visto a primeira calça ao alcance de minhas mãos fazendo o mesmo com a camisa.
—Contem-me exatamente o que está acontecendo – peço, calçando as botas, levantando.
—No caminho explicamos tudo. Não há tempo a perder – Sara diz novamente, me puxando pela mão.
—Tenham cuidado – minha mãe recomenda ao passarmos por ela.
Desço as escadas apressadamente, Harper e Lance a meu lado, dirigindo-me para a rua.
—Falem – ordeno caminhando a passos largos, obrigando a loira quase correr para poder me acompanhar, ela e Harper narrando tudo que estava acontecendo desde as primeiras horas do dia (quase) até alguns minutos atrás quando o conselho se reunira, culminando com o bilhete escrito por Barry Allen contando o que se passava dentro da sala do conselho.
—A senhora Queen entrou há alguns minutos – Laurel, irmã mais velha de Sara, avisa vindo a nosso encontro, mas tudo que enxergo é a garota franzina sentada nas escadarias chorando copiosamente.
Vou até ela, abaixando-me, levando minha mão a seu queixo, erguendo seu rosto, os olhos vermelhos pelo choro.
—Não se preocupe Speedy, não vou deixar ninguém te machucar – prometo, beijando sua testa antes de erguer-me, subindo os degraus de dois em dois.
—O que vai fazer senhor Thomas? – Harper pergunta, me seguindo.
—O que for preciso – asseguro, entrando no prédio.
Lá dentro, sigo direto para a grande sala onde o conselho se reunia a qual tinha ido apenas uma vez acompanhando meu pai, entrando sem bater.
—Ouviram o que ela disse. Thea Queen é na verdade Thea Merlyn, portanto nada impede que seja dada em pagamento pela dívida do pai – a voz irritante de Adrian Chase anuncia, triunfante.
—Não vou permitir isto – a senhora Queen rebate, furiosa – Minha filha não será entregue a ninguém – garante.
—Não tem voz aqui senhora Queen, não pode se opor a nada que seja decidido por este conselho– o prefeito Darhk alerta – Também não gosto disto mas é a lei.
—Isso mesmo minha cara. Estamos em nosso direito. Merlyn não tem dinheiro suficiente para nos pagar...
—Ofereço todos os meus bens, não fico com nada, mas não peçam ... – meu pai tenta negociar sendo cortado por ele.
—Podemos exigir o que quisermos, portanto...
—Eu me ofereço – digo em voz alta, chamando atenção de todos, que se voltam.
—Thomas, o que está fazendo? – Sara pergunta fazendo-me notar sua presença e dos demais a meu lado.
—O que é preciso – afirmo, dirigindo-lhe um olhar rápido antes de caminhar, decidido, em direção aos membros do conselho, parando de frente para nosso prefeito – Eu me ofereço em pagamento as dívidas de meu pai em lugar de minha irmã....
Continua...
“...E quando vejo a vida espera mais de mim;
Mais além, mais de mim;
O eterno aprendizado é o próprio fim;
Já nem sei se tem fim;
De elástica, minha alma dá de si;
Mais além, mais de mim;
Cada ano a vida pede mais de mim;
Mais de nós, mais além”

Fale com o autor