Notas iniciais
Olá flores. Olha eu aqui de novo. Hoje teremos caps no atacado e algumas novidades para logo mais. Quero agradecer a todos que estão acompanhando e comentando. É gratificante saber o que pensam de cada capitulo. Bom, não vou me demorar porque tenho ainda mais uma para postar e outras tantas para cuidar. Thomas e Cait entrando na rotina de casados mas com ainda algumas pendências com a vida de solteiros ....as quais irão começar a se resolver a partir deste capitulo. Grata por todas as rewies passadas; Aguardo mais rewiews; Boa leitura; Bjinhos flores.

“Quer parar o tempo;

Natural que seja assim;

Ainda não te sei de cor;

Tem tanto que eu não aprendi;

Quer parar o tempo;

Pra eu ver daqui;

Teu mundo vir assanhar meu rio;

Eu posso até te olhar sem ir;

Tudo no seu tempo;

Tão veloz por dentro;

Em passa devagar;

A me acertar;

Feito arê-ae-ia;

Feito arê-ae-ia;

Em mim...”

Areia

Sandy part. Lucas Lima

Residência Merlyn (sexta, 1/10 – 22:57 p.m)

Thomas

Discretamente, observo meus pais, um por vez, a jantarem em silêncio conosco. Apesar de já havermos feito a refeição em nosso quarto, decidimos, Cait e eu, os acompanharmos (mesmo porque minha esposa estava deveras envergonhada por terem-nos escutado quando de sua chegada e não desejava contrariá-los).

Algo não estava bem, era claro para mim. Para nós posto que Cait, mesmo não os conhecendo tão bem, aprendera ler nas entrelinhas o comportamento de ambos e perceber quando incomodavam-se com alguma coisa.

Trocáramos um olhar ansioso logo no começo da refeição, ao tentarmos puxar conversa e recebêramos apenas monossílabos em resposta. De lá para cá, silêncio quase que absoluto.

As aias haviam-se recolhido levando Davi (fôramos informados que Adissa passaria a prestar serviços a minha mãe doravante posto que a senhora Snow a dispensara. A novidade muito agradara minha esposa), que adormecera tão tomara uma refeição frugal em e não acordaria salvo sentisse sede. As gêmeas também dormiam tranquilas após terem sido banhadas, com ajuda de Cait, e amamentadas por mamãe. Somente nós e nossa governanta estávamos acordados ainda.

—Thomas, amanhã iremos ter com o prefeito já que não precisará servir a Chase – meu pai quebra o silêncio, fazendo-me voltar minha atenção para ele – Na segunda-feira começam chegar os materiais para a construção do porto bem como o engenheiro e os primeiros trabalhadores encarregados de assorearem o local onde será construído – revela, empurrando seu prato para frente em sinal de haver terminado a refeição, liberando-nos a fazer o mesmo – Como pretendo que trabalhe a meu lado, desejo convocar o conselho a fim de conseguir sua liberação por ao menos dois dias na semana, a principio, junto a Adrian Chase. Decerto ele irá impor condições ou mesmo exigir compensação financeira para tal, mas prefiro assim a ter de submetê-lo uma carga excessiva de trabalho filho, posto que somente após o término de seus afazeres no armazém ficaria livre para ir as obras – argumenta, entrelaçando os dedos a encarar-me, sério — Que me diz? Está de acordo? – questiona-me.

—Estarei, meu pai, contanto que não deixe de cumprir suas obrigações junto aos funcionários fornecedores e credores da empresa para tal – condiciono, afastando meu prato, quase intato.

—Não deixarei, tranquilize-se – garante, sorrindo minimamente – Já tenho tudo planejado aqui – toca a fronte com o dedo indicador – Inclusive argumentos às prováveis desculpas que Chase possa vir usar como justificativa para não o liberar. Esta é uma das razões pela qual desejo falar não apenas com Darhk, mas também com os demais membros do conselho. Os que sei, de antemão, irão ajudar-me – afirma.

—Neste caso, ficarei feliz em estar a seu lado nesta empreitada meu pai – digo, dando atenção a minha mãe ao ouvi-la falar com Cait.

—A comida não está de seu agrado minha nora? Mal tocou em seu prato – pergunta, olhando-me mal termina de falar – O mesmo acontece a você filho. Acaso estão a ficar doentes? Ou talvez estejam apenas ...cansados – sugere, fazendo minha esposa abaixar a vista, envergonhada.

—Na verdade, já havíamos feito uma pequena refeição antes que chegassem, minha mãe – elucido, sustentando seu olhar – Cait e eu estivemos a resolver algumas... coisas... durante a tarde e acabamos por sentir fome – titubeio, escolhendo quais palavras dizer sem deixar minha esposa ainda mais cabreira – Perdoe-nos não os haver esperado ou mesmo ido ao vosso encontro. Nos distraímos e não vimos quando Judith e a senhorita Adissa o fizeram – justifico, rezando intimamente para a prosa tomar outro rumo, o que, para nosso alívio, acontece.

—Neste caso, se todos já terminaram, tiraremos a mesa – mamãe anuncia, levantando-se, Cait fazendo o mesmo – Por que não continuam a prosa na sala enquanto arruamos a cozinha? – sugere, o leve inclinar de cabeça acompanhado de um olhar nada discreto feito por ela dirigido a meu pai pondo-me em alerta.

Homessa!! Que mais terão a dizer-me??, penso, sorrindo para minha esposa a fim de acalmá-la.

—De acordo – papai anui, afastando a cadeira ao levantar-se — Estaremos na sala...melhor, na varanda, a bebericar um pouco. Aguardamo-las após findarem seus afazeres para que possamos aproveitar um pouco a fresca – avisa, deixando um beijo casto no rosto de minha mãe que faz-nos, Cait e eu, trocarmos um olhar carinhoso– Thomas, vamos? – convida e anuo, repetindo seu gesto ao passar por minha esposa.

Sigo-o até a sala, primeiramente, onde serve-me uma dose de licor, pondo outra para si antes de indicar a porta lateral de acesso a varanda.

A noite apresentava-se tranquila e agradável. A tempestade aplacara-se, transformando-se em uma chuva mansa e contínua. O vento também diminuíra, contribuindo para deixar o clima agradavelmente fresco.

—Grandes mudanças acontecerão em Starling doravante e não refiro-me unicamente a construção do porto, filho – meu pai começa dizer tão logo nos assentamos, cada qual em uma cadeira – Damien é um visionário. Tem idéias muito boas para a cidade, aliás está é uma delas: que sejamos erigidos a condição de cidade – elogia, prosseguindo – Irá construir uma escola maior a parte da Igreja, o que decerto trará conforto para as crianças e um pouco de tranquilidade a nosso bom Monsenhor. Haverá mais salas e, por conseguinte, mais crianças poderão estudar. Também pretende alfabetizar os adultos que assim queiram – revela, me levando a pensar se Cait não gostará de ajudar ali – Já dentro de alguns dias, assim esperamos, os geradores encomendados por Palmer chegarão a Central City e após mais alguns dias, esperamos, os que Robert também encomendou, o que possibilitará a iluminação noturna deixar de ser a base de lampiões – conjectura, reflexivo.

—Grandes dias se aproximam então – digo, sorvendo um pouco do licor – E quanto a segurança meu pai? O prefeito tem algum plano? – questiono-o – Tudo que contou-me até agora é de fato muito bom, o porto trará crescimento a nosso vilarejo sem dúvida alguma... Mas certamente também trará alguns problemas, como aventureiros a caça de fortuna, e até criminosos. Lance precisará de mais homens a ajudá-lo, decerto – pondero, preocupado.

Não era incomum chegar-nos notícias de nossa cidade vizinha dando conta de roubos e tiroteios, quase sempre ligados ao porto e aumento de estabelecimentos comerciais.

—Sim, decerto que sim filho – garante, balançando a cabeça afirmativamente – Está em seus planos reestruturar a delegacia tanto no que diz respeito a estrutura física quanto de pessoal. Inclusive, pelo que soube, já autorizou ao delegado Lance começar selecionar novos ajudantes, como fez com o jovem Thawne – revela, me deixando mais tranquilo – De fato, o crescimento tem seu preço. Mas estaremos nos preparando para ele – afirma, calmo, recostando-se a cadeira.

—E quanto ao prefeito de Central, que diz ele sobre termos um porto aqui? – quero saber, pondo minha taça vazia sobre a mesinha.

—Por incrível que pareça o homem está feliz! – conta – Talvez justamente por vislumbrar a positividade em dividir as atenções dos malfeitores conosco – supõe e ambos rimos torto – O fato é que não opôs-se ou criou obstáculos posto que a mesma empresa que administra o de lá irá administrar o de cá – revela – É certo que os Crumble ajudaram bastante na negociação, pelo que soube. Aliás, o jovem Stephen tem se revelado um exímio negociador. E tão visionário quanto Darhk – elogia, mudando repentinamente de postura, empertigando-se – Por falar nele ... – papai começa, cuidadoso, girando a taça em suas mãos – Será ele a ficar responsável por minhas contas, pessoal e da empresa, doravante, não mais vosso sogro. Foi a condição que impus ao ser convidado por Damien para assumir a construção das estruturas necessárias ao porto – conta, me encarando – Não é que não confie em Dom. Confio. Mas apenas até certo ponto, infelizmente. Ele já deu provas de a esposa o manipula quando deseja e não a quero bisbilhotando meus ganhos. A bem do que, somos parentes agora, eles gostando ou não, e não convém misturar vida pessoal e negócios – argumenta — Espero não seja um problema para você filho, posto o rapaz haver postulado a mão de sua esposa – indaga.

—De forma alguma, meu pai – tranquilizo-o – Nada tenho contra o jovem senhor Crumble até porque, pelo que soube através de Ollie e os rapazes, me parece estar bastante interessado na aia de Cait, digo, ex aia – corrijo-me.

— É, já escutei algo a respeito – confirma, silenciando um momento, parecendo refletir acerca de algo – Thomas, há outro assunto sobre o qual preciso falar-lhe. Na verdade, foi precisamente por este outro que sua mãe pediu-me virmos para cá – admite, me deixando tenso ao tomar sua bebida de um só gole, girando a taça vazia por entre os dedos antes de a pôr ao lado da minha sobre a mesinha para somente então me olhar novamente – Filho, sei bem como é estar começando um casamento. O quão... entusiasmados ficamos, ainda mais quando amamos e somos amados – começa, parecendo escolher as palavras que dir-me-ia cuidadosamente, o que em se tratando de uma conversa sua comigo, nunca era um bom sinal – Veja bem, não quero impor a você nada – afirma, aumentando minha ansiedade – Regras de comportamento, quero dizer – explica-se. Estava a antecipar aonde a conversa chegaria e por instinto olho para dentro em busca de Cait – Sua mãe não dirá nada tampouco virão sem antes avisar-me estarem aproximando-se – tranquiliza-me, limpando a garganta – Quando de nossa chegada mais cedo, especialmente de sua mãe, ouvimos certas...coisas, normais a um casamento saudável, quero que saiba – apressasse dizer, massageando o pescoço – Não preciso dizer-lhe estar orgulhoso e feliz em saber que estão bem e já começaram providenciar nossos netinhos, posto que, desde que minha nora veio morar conosco, não escutáramos nada vindo de vosso quarto. Nada mesmo. Não que estivéssemos a vigiá-los ou prestar atenção em demasia ao que faziam ou deixavam de fazer, de forma alguma– frisa, apoiando-se aos joelhos, aproximando-se mais de mim – Espero que cofie contar-nos, em breve, a razão para tão estranho começo – confidencia, inquietando-me – O que quero dizer, com toda esta enrolação pois reconheço não ser um assunto assim tão fácil quando se está do outro lado, no caso o meu – afirma, parecendo reter o riso – É que, bem...- faz uma pausa curta, refletindo mais uma vez – Quando subir com vossa esposa para o quarto logo mais, sugiro verificar a estrutura da cama. Vê se não há nada solto ou folgado. E pôr também algumas daquelas almofadas entre a parede e a cabeceira a fim de evitar o ... hã... como direi?... atrito, me entende? – questiona-me, batendo as costas de uma mão contra a palma da outra, minha resposta ficando restrita a um “Sim senhor” baixo e envergonhado, a chegada de minha mãe e esposa, anunciada pelo tilintar da garrafa contra as taças na bandeja que traziam, poupando-me enfrentar maior embaraço – Bom. Muito bom –diz, aliviado, abrindo espaço para minha mãe sentar-se a seu lado quando chegam, eu fazendo o mesmo com Cait.

—Estavam a conversar sobre...? – mamãe indaga, servindo mais licor a meu pai e a mim, olhando-nos alternadamente.

—Contava a Thomas sobre as novidades e ideais de nosso prefeito visionário – papai responde, aceitando a taça que lhe estendia – Entre outras coisas – acresce e noto minha mãe olhando-me discretamente.

—Mais novidades além do porto? – Cait pergunta e volto-me para ela, decidindo que guardaria para mim o teor final da conversa com meu pai.

—Sim. Algumas – confirmo, resumindo o que ouvira a pouco, ela alegrando-se com as novidades, em especial, como julguei aconteceria, a nova escola.

Permanecemos em companhia deles ainda algum tempo, conversando e bebericando (Cait e mamãe nos acompanham em uma taça) até que noto minha esposa disfarçar um bocejo. Peço licença a meus pais para nos recolhermos, recebendo de ambos. Tomo a mão de minha esposa e a conduzo ao interior de nossa casa, tentando não me sentir incomodado com o olhar de meus pais sobre nós, respirando mais aliviado tão logo saímos de suas vistas.

Em nosso quarto, encho a banheira sugerindo a Cait banhar-se antes de mim posto que pretendia examinar nossa cama em busca de solução aos rangidos inconvenientes.

—Thomas, que faremos a respeito dos... barulhos indesejados!?! – questiona-me ela por detrás do biombo a banha-se, não me dando oportunidade responder – Meu sogro comentou algo contigo sobre isto? Acaso ouviram ou a senhora Stone comentou com eles algo? Ai de mim! Se o fez não mais conseguirei olhá-los nos olhos!! – exclama – E quanto a não os temos ido encontrar, chamou vossa atenção por isto também? – quer saber, a tensão latente em sua voz.

—Sobre irmos encontrá-los nada disse – digo, examinando a cama, descobrindo parafusos folgados e encaixes fora do lugar – Quanto a ter-nos escutado enquanto nos amávamos...bem...sendo franco consigo minha esposa.... — pondero um segundo, meditando acerca de como evitar a cama ranger ao menos até o amanhecer – Sei que ficará envergonhada por isto, mas meu pai limitou-se apenas a cumprimentar-me por estarmos a providenciar netos para ele – conto, omitindo os demais comentários feitos por ele, tomando uma decisão sobre o que fazer no que referia-se ao ranger do móvel velho – Nada além disto – sustento, desforrando o colchão rapidamente, enrolando os lençóis, os pondo sobre a cadeira enquanto ergo-o, retirando-o da armação de madeira e o pondo no chão de nosso quarto.

—Nada reclamou sobre... bem, sabe a que refiro-me!! – insiste Cait, me pegando de surpresa ao parar a meu lado usando uma camisola de cetim azul turquesa – O que... por quê? – questiona, olhando do colchão para mim, confusa.

—Não há como evitar a cama ranger. Os parafusos estão gastos, precisam ser trocados e alguns encaixes necessitam de uma revisão. Não poderei fazer isto agora, logo, eis a solução para nossos problemas. Ao menos por hoje – digo, abrindo os braços a indicar a solução encontrada – Amanhã pela manhã, após a tal reunião com o prefeito, irei a carpintaria ver a possibilidade de concerto ou, quem sabe, uma troca ou mesmo compra de uma cama nova para nós. Tenho algumas economias guardadas e acho que consigo negociar com Donnie Walker – digo olhando-a — Por hoje, está é a solução para que não corramos o risco de alguém bater a nossa porta pedindo-nos silencio. A menos, é claro, que não queira que façamos amor novamente – acresço vendo-a enrubescer – Acho já ter-lhe dito o quanto vermelho cai-lhe bem, não disse? – não resisto provocá-la, cingindo-lhe a cintura, roubando um beijo não tão casto.

—Sim – responde, apoiando as mãos em meu peito tão logo cesso o contato, o rosto ainda mais rubro.

—Sim, já disse-lhe o quanto fica encantadora neste tom de vermelho; Sim, não deseja que façamos amor novamente por hoje, ou sim, deseja fazer amor pelo resto da noite e está feliz em haver encontrado a solução perfeita...

—Thomas, pare de encabular-me ou o deixarei e irei dormir com Adissa e Annette lá embaixo!! – ameaça, cortando-me e rio, apertando-a mais contra meu corpo, sentindo-a estremecer.

—Parei! – exclamo, olhando no fundo de seus olhos antes de apossar-me de seus lábios novamente num beijo mais demorado o qual cesso apenas quando o ar começa nos faltar, mantendo nossos rostos unidos pela fronte – Que acha de o forrarmos e nos deitar? – sugiro.

—Uhum... Eu forro enquanto o senhor meu marido banha-se – ordena, afastando-me delicadamente – E ainda preciso buscar água para o caso de sentirmos sede – acresce, pondo uma mecha de cabelo para trás da orelha enquanto dá a volta, pegando os lençóis que retirara – Que aguarda Thomas? – interroga, olhando-me a sorrir.

—Pois não minha amada senhora!! – exclamo, girando em meu eixo, indo para detrás do biombo – Talvez deva trazer um pouco de bolo e pão em caso de sentirmos fome também – sugiro, despindo-me.

—Trarei meu marido – ouço-a dizer, o som de tecido sendo chacoalhado espalhando-se pelo recinto – Estou indo a cozinha meu marido – avisa minutos depois – Deseja algo mais além do que pediu-me? – pergunta e resisto a tentação de dizer o que me viera a mente.

—Não minha esposa – respondo, esfregando-me.

—Voltarei em um minuto – reforça, o quarto ficando na penumbra quando ela sai levando uma as lamparinas consigo.

Apresso-me em terminar de banhar-me, esvaziando a banheira tão logo o faço. Visto uma ceroula limpa (e nova), uma camisa de algodão leve, empurro, o mais silenciosamente que consigo, a cama de madeira para mais longe do colchão a fim de dar-nos mais espaço e evitar chocar-nos com a madeira durante a noite, fecho a janela, ponho o cesto com roupa suja por detrás do biombo fazendo uma anotação mental que deveria dar um jeito de lavar os lençóis antes que nossa governanta o fizesse, voltando-me ao escutar a batida leve na porta.

—Thomas, abra por favor. Estou com as mãos ocupadas – Cait pede e mais do que depressa atendo-a, ajudando-a entrar – Estava movendo a cama? Escutei ruídos ao subir a escadaria – pergunta, pondo a bandeja com a jarra e os copos sobre o criado mudo enquanto ponho a outra contendo algumas frutas, fatias de bolo, doce e pão, sobre a penteadeira.

—Afastei-a um pouco mais para evitar nos chocarmos – respondo, limpando as mãos, sorrindo ao vê-la corar por ser flagrada me observando.

Ainda a sorrir, estendo-lhe a mão num convite silencioso, envolvendo-a em meus braços quando aproxima-se. Afago lhe os cabelos, o rosto, o colo, descendo lentamente, alcançando-lhe a cintura, apertando-a e trazendo para ainda mais perto. Devagar, sem jamais perder o contato visual, inclino a cabeça até tocar-lhe os lábios num beijo suave o qual aprofundo lentamente, o gosto doce de sua boca me fazendo suspirar, excitando-me. Jamais senti-me assim com ninguém antes. Nenhum beijo me deixara neste estado por melhor que fosse. E sequer era ousado (entenda-se, de língua), imagine quando passasse a ser? Desejava e pretendia ensinar algumas coisas a Cait, mas sabia ter que ir com calma, tateando o terreno onde pisava a fim não a assustar ou magoar.

Evidente que não a queria fazendo o mesmo que Camille (há coisas que um marido não deve jamais pedir sua esposa fazer!), mas quero, aos poucos, respeitando os limites dela, aumentar nossa intimidade e beijar de língua era uma meta. Também quero satisfazê-la plenamente e não apenas me satisfazer. Isto era importante para mim... “Acho que isto é amar. Querer fazer o outro tão feliz quanto se sente!” penso, seu gemido baixo e rouco aumentando minha excitação... “Calma Tommy. Vá com calma. Ainda estão a conhecer-se no que diz respeito a sexo. Não force ou exagere. Já é grande coisa conseguir que se dispa para deitarem-se. E por falar nisso....”

Cesso o beijo lentamente, distribuindo outros tantos por seu rosto e pescoço, sentindo lhe o cheiro de flor. Sem pressa, ergo a camisola, sempre beijando-a em pontos distintos, despindo-a do tecido desnecessário (embora descobri amar o retirar de seu corpo!), afastando-me minimamente a fim de admirá-la.

—És linda! – elogio, vendo-a encolher-se e corar, tentando proteger-se de meu olhar – Não há do que envergonhar-se. Sou te marido e amo-te – digo, segurando delicadamente seu queixo, erguendo lhe a face para mim – Repito: és linda! Cada parte de ti é bela – reforço, deslizando minhas mãos lateralmente por seu corpo, resistindo a tentação de tocá-la mais intimamente como fizera algumas horas atrás, quando nos amarámos pela primeira vez. Ali o desejo fora mais forte que a prudência e me considerei com sorte ela não me haver rechaçado o toque ousado.

Tomo-a em meus braços, abaixando-me cuidadosamente até pô-la sobre o colchão, admirando-a uma vez mais antes de tomar seus lábios num beijo mais ardente do que o primeiro, atrevendo-me passear minha língua por sua boca quando a abre instintivamente, o contato, apesar de rápido, parecendo agradá-la. Porém não arrisco repeti-lo ou aprofundá-lo por enquanto. Desço meus beijos por seu queixo, pescoço, colo, detendo-me ali um tempo, mergulhando no vale entre seus seios escutando-a gemer, as mãos delicadas enroscando-se em meu cabelo. Ergo o torso, despindo a camiseta, deitando-me quase que completamente sobre ela, o contato de nossas peles arrepiando a nós dois.

—Thomas!! – meu nome escapa por entre seus lábios num sopro forte ao mesmo tempo em que seus dedos afundam na carne de meus braços, o corpo arqueando-se de encontro ao meu, dando-me mais acesso, diminuindo o espaço entre nós, elevando meu desejo a um ponto perigoso.

Perco parcialmente o controle da situação, apossando-me de forma mais brusca, por assim dizer, de um seio seu, recuando ao escutá-la gemer mais forte e alto.

—Machuquei-te? – pergunto, tenso, seu riso tímido seguido da negativa num gesto de cabeça me trazendo paz a consciência.

—Thomas, não sou de porcelana. Não quebrarei caso toque-me mais fortemente – sussurra, afagando meu rosto.

—Para mim, és mais delicada que a mais delicada das porcelanas! – digo, roubando beijos rápidos que logo tornam-se lentos, sensuais, provocantes, exigentes. Me surpreendo com sua receptividade a cada nova caricia, mesmo ousada, o que me entusiasma, não nego – Cait, já disse que é minha perdição? – sopro, levando minhas carícias a seus seios outra vez, dedicando-me a cada um até a fazer suspirar e gemer pedindo mais.

Desço um pouco mais, deslizando por toda extensão de seu ventre, brincando com a língua em seu umbigo, detendo-me no início do triângulo de pêlos finos e delicados que recobriam seu sexo, tão claros que mal eram visíveis. Novos gemidos roucos escapam por sua boca quando sugo a pele sensível da virilha, um lado por vez, o corpo delicado estremecendo quando deixo um beijo suave sobre sua intimidade antes de seguir meu caminho até seus pés. Mordo dedo por dedo, provocando-a, satisfeito em ver que a agradava, decidindo já ser o suficiente de preliminares (até porque já doía-me o membro tamanho desejo a consumir-me!).

Ergo-me, deixando-a tempo suficiente apenas para diminuir a claridade em nosso quarto apagando um dos lampiões, diminuindo a chama do otruo, permitindo-me despir sem a constranger. Deito-me, nu, sobre ela novamente, encaixando-me entre suas pernas. A penetro devagar, cadenciando minhas investidas, aumentando ou diminuindo ritmo e força guiado por seus gemidos e sussurros, o corpo delicado sacudindo em espasmos mais e mais fortes na medida em que aproxima-se o ápice do prazer, nosso suor misturando-se, exalando um perfume único, só nosso, aumentando em nós a excitação, o desejo. A sinto derramar-se em volta de meu membro, amolecendo em meus braços, o sopro extasiado sendo a senha para também me derramar dentro dela, relaxando, meu corpo parcialmente sobre o seu.

Durante um tempo impreciso permanecemos na mesma posição, acariciando-nos mansamente, trocando juras e beijos, recomeçando tudo de novo quando o desejo nos toma outra vez. Nos amamos com fôlego renovado até finalmente adormecermos abraçados, exaustos e satisfeitos.

Desperto, sobressaltado, sentando-me sobre o colchão, olhando em volta na semiescuridão do quarto, desnorteado, buscando entender o que me fizera acorda.

Aguço os ouvidos escutando os sons noturnos, aguardando o que acordara-me repetir-se. Como nada ouço além do normal, deito-me outra vez junto a Cait, porém sequer fechara os olhos e o som repete-se, fazendo-me sentar-me novamente.

Cuidadosamente para não a acordar, cato minha ceroula, vestindo-a. Pé ante pé, caminho até a janela, perscrutando o ambiente lá fora, a escuridão ainda presente dificultando-me a visibilidade.

Apoiando-me ao dormente da janela, inclinando-me para frente de modo a ter um ângulo melhor bem como enxergar um pouco mais a área externa de nossa casa, uma treliça solta estalando alto, acabando por acordar Caitlin.

—Thomas?? – chama com voz rouca pelo sono, e volto-me para ela, vendo-a sentada sobre o colchão, puxando o lençol para esconder sua nudez – Que há? – quer saber.

—Pensei ter ouvido algo lá fora – respondo, a batida na porta nos fazendo olhar naquela direção.

‘Thomas?’ escutamos e deixo a janela para ir à porta, destravando-a e entreabrindo-a.

—Meu pai – respondo, olhando-o pela fresta.

—Sua esposa está acordada? – pergunta ele quase num cochicho.

—Sim. Acordou pouco depois de mim – comunico, notando, pelo canto do olho, minha esposa cata sua camisola e vestir-se rapidamente.

—Leve-a ao quarto para ficar com sua mãe e irmãs. Escutei barulho lá embaixo e devemos verificar – ordena.

—Sim senhor – anuo– Vestirei uma camisa, a levo e o encontro-o lá embaixo num minuto – aviso

—Certo. Enquanto isto irei ao quarto da criadagem ver se Miller também despertou e se estão bem – meu pai avisa, fazendo menção retirar-se.

—E quanto a Davi, onde está? – quero saber, preocupado, um novo som vindo do andar térreo se fazendo ouvir, nos deixando tensos.

—O levei para meu quarto tão logo atinei com o que acordara-me. Apressemo-nos – determina ele, me dando as costas e seguindo para seu quarto e fecho a porta a fim de fazer o que pedia-me.

—Thomas, que houve? Alguém entrou em casa? – Cait pergunta, assustada, vestindo um roupão por cima da camisola.

—Talvez. Irei verificar com meu pai – aviso, vestindo uma calça – Venha, ficará no quarto com mamãe e as crianças – digo, pegando a camisa, adiantando-me a abrir a porta, saindo a frente para certificando-me ser seguro. Somente então a trago para fora, segurando-a firme pela mão.

Quando nos aproximamos, meu pai deixa o aposento munido de sua espingarda e a sinto estremecer.

—Entre – papai ordena pondo-se de lado, retirando seu colt da cintura, entregando-me e noto o olhar preocupado de ambas, minha mãe e esposa, quando seguro a arma – Faz-se necessário para nossa proteção – papai justifica-se – Becca, tranque a porta assim que sairmos e não a abra até que venha avisar ser seguro – papai recomenda.

—Meu marido, espere – Cait chama, vindo até mim e estanco, lhe dando atenção – E se forem nossos filhotes? – questiona, preocupada.

—Me certificarei serem eles ou não antes. Não deixarem ninguém atirar antes de o fazer. Agora fique com mamãe e as crianças – tranquilizo-a, o som de passos me fazendo olhar em direção a escada, meu pai empunhando a espingarda e faço o mesmo com o colt, pondo-me a frente de Cait.

—Somos nós patrão – a senhora Stone avisa, acenando, Annette e Adissa grudadas a ela, assustadas – Miller mandou-nos subir. Está na sala a verificar portas e janelas com um cassetete em mãos – avisa enquanto papai as orienta irem juntar-se a mamãe e Cait no quarto.

—Fiquem o mais quietas possível – admoesto quando entram, deixando um beijo rápido nos lábios de minha esposa antes de seguir meu pai.

—Tenham cuidado – mamãe recomenda e anuo com um gesto, respirando fundo.

Há anos não sofríamos qualquer tipo de ataque em nossa casa. Ninguém na cidade fora desde que o delegado Lance assumira, mesmo ele não dispondo de grandes recursos que sejam materiais quer humanos. A contar com Eddie, recém empossado, tinha apenas três ajudantes. Mas também Star não era vista como grande centro. Tanto que oficialmente ainda não havia sido erigida a qualidade de cidade. Nós a tínhamos assim, mas oficialmente não era. Com a construção do porto as coisas mudariam.

—Consegue visualizar Miller filho? – papai pergunta quando chegamos ao sopé da escada e estreito os olhos, perscrutando o ambiente escuro com dificuldade, uma sombra destacando-se contra a janela.

—Lá – aviso baixinho, tocando o ombro de meu pai – Salvo seja o invasor – sussurro, ficando repentinamente tenso ante tal possibilidade

—Só há um meio de descobrirmos – meu pai diz, adiantando-se para dentro do cômodo.

O sigo, cuidadoso, aproximando-nos do homem junto a janela, o mesmo voltando-se quando já estávamos perto, o alívio tomando-me ao reconhecer nosso empregado.

—Senhor Merlyn, senhor Thomas, estava a verificar os cômodos daqui. Mandei Stone e as senhoritas para cima – cochicha ele.

—Viu algo estranho, ou alguém? – papai inquere, ele negando.

—Não senhor – responde – Ninguém entrou aqui patrão – garante.

—Então decerto está ainda a rondar a casa em busca de um acesso -conclui meu pai – Miller, verifique a lateral enquanto Thomas e eu verificamos o quintal – ordena, ele obedecendo.

Alertas, caminhamos em direção a porta da cozinha, que nos conduziria ao quintal. Abrimo-la devagar, fazendo o mínimo de ruído possível, deixando o interior aquecido da casa pelo frio exterior. O tempo fechara novamente e uma chuva fininha cai sem cessar. Meu pai sinaliza para no dividirmos, eu indo para a esquerda, ele para a direita, mas antes que o façamos, advirto-o.

—Meu pai, por favor, caso não seja um invasor e sim outra coisa, poderia chamar-me antes de atirar? – pergunto, tentando vislumbrar seu rosto.

—Por que pede-me isto? – inquere, seu tom deixando transparecer estar irritado.

—Pode acontecer de ser nossos filhotes – justifico-me, escutando-o bufar.

—Honestamente Thomas, não podem continuar a tratar estes bichos como se foram cães. São selvagens e podem tornarem-se perigosos a qualquer momento – admoesta.

—Sei disto pai, mas por hora não são então, por favor, não atire antes que possa certificar-me não serem eles – reitero, ele bufando mais alto.

—Já imaginou que enquanto aguarda liberar, seu pai pode ser atacado e morto? – questiona-me, o barulho de algo caindo alguns metros a frente donde estamos encerrando nossa conversa.

Sem usar palavras, papai sinaliza para seguirmos juntos naquela direção, mantendo uma distância mínima entre nós e assim o faço, acompanhando-o. Apenas havíamos dado alguns passos e logo divisamos algo, ou alguém, correndo abaixado, distanciando-se de nós. Corremos, na tentativa de alcançá-lo antes que chegasse a cerca, porém, para nossa surpresa e espanto, o invasor passa por entre as frestas da cerca.

—Uma coisa lhe asseguro: não é nenhum de nossos filhotes. Sentiriam meu cheiro e é certo não fugiriam – garanto, recuperando o folêgo, enrugando o cenho – Mas deve ser alguém muito pequeno ou magro para passar por entre as frestas com tamanha facilidade! – admiro-me.

—De fato! – papai concorda, igualmente recuperando-se como fiz – Vamos dar a volta. Quem sabe o vemos ou ao menos para que lado seguiu – convida, caminhando até o portão enquanto poupo tempo pulando a cerca – Não tenho mais idade para isto – brinca, surpreendentemente bem-humorado.

Limito-me sorrir, acompanhando-o até certo ponto, separando-me dele para que possamos cobrir todo o entorno da casa. Mantenho o colt sempre em mãos e pronto para defender-me. Caminho atento a tudo, erguendo o olhar ao passar sob a janela do quarto de Davi e logo em seguida a de meus pais, verificando a cerca daquele lado. Intacta. Sigo adiante, examinando cada trecho da cerca, o terreno em busca de pegadas ou qualquer outra coisa que indicasse haver alguém ou alguma coisa haverem adentrado o terreno de nossa casa.

Quando chego a parte frontal, encontro meu pai e o senhor Miller a conversar com meu sogro e outro empregado dele.

—Decerto trata-se de mais de um posto que ouvimos barulho em casa a mesma hora que vosso empregado – meu sogro comenta, inclinando a cabeça discretamente em minha direção num cumprimento curto quando paro ao lado de meu pai.

—Decerto – papai responde, massageando o queixo – Chegou a ver o invasor? – pergunta.

—Não. Assim que meu empregado abriu a porta da cozinha, o infeliz fugiu – meu sogro diz – O viu? – quer saber.

—Thomas e eu o vimos ao longe, mas fugiu por entre as frestas da cerca – conta.

—Por entre as frestas? Quão baixo era?? – pergunta meu sogro, curioso.

—Muito – adianto-me responder – E magro porque não encontrou dificuldades em escapar por ali – completo, vendo, na varanda da casa de meu sogro, uma figura surgir – Meu sogro, alguém mais acordado em sua casa? – indago, ele voltando-se rápido naquela direção.

—Minha esposa – bufa, claramente irritado, voltando-se para nós outra vez – Melhor regressar. Irei a delegacia ter com Lance mais tarde acerca do que houve. Seria conveniente ir também – aconselha.

—Irei – meu pai anui, ambos se cumprimentando com acenos antes de meu sogro voltar-se, estancando após o primeiro passo, voltando-se para me encarar.

—Como vai minha filha? – quer saber.

—Bem – respondo, a sombra de um sorriso surgindo em seu rosto, tão breve que pensei haver me enganado.

—Faça-a feliz meu rapaz, e o perdoarei a falta cometida antes de casarem-se – afirma, e sinto o peito oprimir.

—Farei senhor meu sogro– tranquilizo-o, o riso sendo mais visivel desta feita antes que me desse as costas, caminhando a passos largos de volta a sua casa, no lado oposto à nossa.

—Dom é um bom homem. Confiou em ti para proteger a filha e qual a paga que destes?? – ouço meu pai dizer e retenho o ar.

—Meu pai, eu...- tento argumentar, calando-me quando ergue a mão.

—Estavas apaixonado, ela também, resististes o quanto pudestes, entendi quando explicastes. Mas nada impede desejar as coisas terem sido diferentes. Que fossem como deveriam ser – acresce, olhando-me de forma intensa – Venha. Voltemos a casa. Tranquilizemos nossas esposas aflitas – convida, tomando a dianteira, o senhor Miller o seguindo após tocar-me o ombro em solidariedade.

Suspiro, os seguindo, cabisbaixo. Tenho diversos defeitos e por vezes irritei e até desafiei meu pai. Mas jamais havia-lhe mentido antes. Cait igualmente. E mesmo ela não declarando abertamente, sabia que, como a mim, isto a estava matando.

Após acalmarmos ambas, mamãe e Cait (além das demais mulheres da casa), retornamos a nossos quartos, porém a acusação feita por meu pai corroía-me a alma a tal ponto que não mais consegui dormir. Deitado, tendo Cait abraçada a mim, dormindo tranquila, vejo os primeiros raios de sol invadirem nosso quarto, despertando-a lentamente.

—Bons dias meu marido – cumprimenta-me a sorrir.

—Bons dias minha esposa – retribuo, beijando-a com suavidade, perdendo-me em seus olhos um segundo.

—Melhor levantar-me. Combinei ajudar minha sogra e a senhora Stone a preparar o desjejum – declara, saindo de meus braços – Deseja que o ajude pôr o colchão sobre o estrado? – inquere, vestindo o robe por sobre a camisola, prendendo o cabelo no alto, o gesto despretensioso a deixando ainda mais graciosa – Ouviu-me, Thomas? – questiona e sorrio.

—Sim, e se não respondi de pronto, es culpada! – acuso-a, pondo-me de pé num salto, envolvendo-a em meus braços novamente – Culpada por ser tão bela – elogio, roubando-lhe novo beijo, a vendo corar – Não preciso que ajude-me, posto que irei desmonta-la – digo, soltando-a devagar.

—Desmontar? Por quê? – quer saber, franzindo o cenho.

—Como disse ontem, há parafusos frouxos e isto pode ter comprometido a estrutura – explico, sentando-me perto de um dos pés, experimentando – Vê. A madeira correu, por isto quando começamos a ...usá-la de fato, fez barulho – digo, mostrando-lhe o local onde o ferro corroera a madeira – E parece-me haver alguns cupins também, portanto consideremo-nos com sorte não a termos quebrado! – exclamo, rindo ao vê-la corar ainda mais.

—Céus! Teria sido a vergonha suprema!! – exclama, levando ambas mãos ao rosto – Há concerto para isto? – quer saber, estapeando-me quando nota o riso -Thomas não ria! Imagine vossos pais, meus sogros, chegando e encontrando-nos a lidar com uma cama quebrada!! Sem contar que veriam os lençóis – lembra, meu riso morrendo de imediato – Que houve? Disse algo que o magoou? – preocupa-se.

—Não – respondo, encarando-a um tempo – Cait, julga que vosso pai iria entender os motivos pelos quais menti-lhe? – pergunto, surpreendendo-a – Não que pretenda contar...não agora...mas, sabe, ele confiou-me sua guarda quando partimos – lembro, entristecendo, baixando o olhar – Gostaria de não ter-lhe mentido ou a meus pais – acresço.

—Arrependeu-se?! – indaga, seu tom fazendo-me erguer o olhar rapidamente.

—De forma alguma! – apresso-me dizer, segurando-lhe a mão – Apenas lamento ter usado de mentira para não perder-te – asseguro, trazendo-a para mais perto – A amo, sabe disso. Não suportaria viver sem ti. Mas queria não ter de esconder a nossos pais, os teus e os meus, ou a ninguém, que não os desapontamos, que não traímos sua confiança ou atiramos ao lixo a educação recebida, especialmente a tua, que sei ter sido primorosa — argumento, beijando-lhe as mãos – Doí-me saber que fostes exposta às más línguas por culpa minha, que não tivestes a cerimônia com a qual sempre sonhou, que teu foi privado adentrar a igreja a teu lado...tudo pelo que fiz! – relembro, o sorriso doce me deixando confuso.

—Se passamos por tudo isto, grande parcela da culpa recai exatamente sobre nossos pais. Os meus mais especificamente – diz, afagando meu rosto – Me destes a chance de mudar tudo quando me confessou a verdade aquele dia. Se não o fiz, foi por temer igualmente te perder, desta feita para a ira de meu pai ou mesmo o insuportável senhor Wilson – sinto-a estremecer ao citar o crápula – Também gostaria que as coisas tivessem tido rumo diferente, que não precisássemos estar preocupados em esconder lençóis temendo sermos desmascarados, mas não foi assim – afirma, suspirando – Quanto a nosso casamento, não poderia desejar cerimônia mais linda – garante — E se meu pai não quis indispor-se com minha mãe, mesmo tendo nos dado sua benção, só posso lamentar por ele.

—Por falar nisto, ele estava a frente de casa hoje. Parece-me que também teve o terreno invadido durante a madrugada – conto – Perguntou por ti. Disse-me perdoar qualquer falha se a fizer feliz – revelo.

—Vê? Mesmo ele já perdoou-nos. Façamos o mesmo meu amor – aconselha, enroscando os dedos em meu cabelo – Chegara o dia em que poderemos, sem medo, contar-lhes a verdade – prevê, sorridente.

—Assim espero – desejo, sorrindo-lhe de volta, as vozes e passos lá fora quebrando a magia do momento.

—Melhor ir juntar-me as demais mulheres – reitera, afastando-se – Deixarei para levar a roupa suja quando as coisas estiverem mais calmas. Caso minha sogra ou a governanta questionem, direi haver poucas e que eu mesma as lavarei – avisa-me.

—Está bem. A ajudarei nisto tão logo resolva este problema aqui – aviso, indicando a cama – Iríamos a prefeitura, mas ante os fatos desta madrugada, acredito que meu pai mudará seus planos – presumo.

—Certo. Dê-me licença meu marido – pede, deixando um beijo casto em meus lábios antes de retirar-se e sorrio.

Amava a forma como agia comigo, sem tantas reservas ou medo de tomar a iniciativa em alguns momentos bem como sua receptividade, até agora, quando nos deitamos. Sempre que escutava minha mãe e antes minha avó tecerem comentários acerca da mulher com a qual deveria casar-me, sentia-me incomodado ante tantas normas, regras, tanto “pode” “ não pode”, tantas obrigações e deveres que cheguei cogitar não casar-me, afinal, já tinha empregados que serviam-me, minha mãe a zelar por mim e sempre que desejava satisfazer-me, ia a casa de Mama Smoak, deitar-me com alguma das meninas. Não precisa de uma mulher a prender-me, impedindo-me sair em noitadas com meus amigos.

Pensei desta maneira por muito tempo. Na verdade, parei de pensar apenas quando me descobri encantado por ela. Aquele narizinho empinado, jeitinho atrevido e doce ao mesmo tempo, foram me cativando sem ao menos perceber. Quando dei por mim já estava apaixonado.

—Minha perdição!! – murmuro, suspirando, passando a me dedicar examinar o restante da cama, distraindo-me a ponto de sobressaltar-me ao escutar a voz de meu pai minutos depois, quando desmontava o móvel.

—Que está a fazer filho? – pergunta, recostado a porta, observando-me com os braços cruzados, olhando do colchão para a cama semidesmontada – Quando falei-lhe a respeito dos barulhos, não quis ofendê-lo ou o obrigar praticar carpintaria. A não ser que tenham...- insinua, arqueando a sobrancelha e sinto meu rosto esquentar como a anos não sentia.

—Não é o que pensa meu pai – garanto, soltando o último parafuso – Estava a verificar os parafusos e acabei por descobrir isto aqui – mostro-lhe uma das peças danificadas – Cupins.

—Homessa!! – exclama, desencostando-se, vindo agachar-se a meu lado, pegando a pela em suas mãos, avaliando-a – Quantas mais estão neste estado? – quer saber.

—Várias, infelizmente – mostro-lhes as demais – Foi sorte não ter caído antes. Corremos um sério risco de machucar-nos aqui – afirmo.

—Neste caso, foi bom seu casamento começar em um ritmo calmo – comenta e o encaro um tempo impreciso – Que há? Algo errado filho? – inquere, atento.

—Sabe que os amo e respeito, apesar de tudo que lhes fiz no passado, ao senhor e a minha mãe, não sabe meu pai? – pergunto, vendo-o fazer algo que raramente fazia: sorrir.

—Evidente que sabemos filho – assegura tranquilo.

—E sabe que jamais faria algo que os entristecesse sem uma boa razão, não sabe? – questiono-o.

—Quer dizer-me algo? – pergunta, direto.

Pondero, sustentando seu olhar, por um breve segundo.

—Ainda não está pronto – surpreende-me ao adiantar-se minha fala, pondo-se de pé – Irei a delegacia e depois ter com o prefeito. Gostaria de tê-lo comigo, mas agora faz-se mais importante que resolva este problema. Caso consiga fazê-lo rápido, vá a minha procura – pede, sorrindo de maneira estranha antes de sair.

—Ele sabe – concluo – Não sei como, mas sabe – suspiro, retomando a tarefa de desmontar a cama, descobrindo que a situação era, de fato, muito ruim. Péssima para ser mais exato – Isto não vai ter concerto! Melhor buscar outra solução – murmuro, olhando as peças gastas, erguendo o olhar ao escutar a porta ser aberta dando passagem primeiro ao senhor Miller trazendo água (certamente para que pudesse banhar-me), Cait entrando logo atrás dele.

—Trouxe-lhe água para banhar-se antes do desjejum – confirma minhas suspeitas.

—Estraga. Completamente estragada – digo, exibindo um pedaço de madeira decompondo-se – Melhor providenciar uma nova ao invés de investir esforço e tempo nesta – informo-a.

—Temos condições em adquirir uma nova, meu marido? – questiona e antes que responda, o senhor Miller adianta-se.

—Desculpe se intrometo senhor Thomas, mas sabe o senhor Atílio da marcenaria? Pôs a venda alguns móveis em frente a loja. São artigos que fregueses encomendaram e depois desistiram. Tem coisa muito boa lá patrãozinho e a preço justo – conta, olhando-nos – Acho que o patrãozinho pode encontrar algo de vosso agrado.

—Verei isto, mas por favor, não chame-me assim – peço, pondo-me de pé – Faria o favor de amarrar as partes para mim? Quem sabe negocio uma troca ou diminuição no valor de alguma que venha a gostar – pondero, caminhando até o biombo, estancando – Que acha de me acompanhar Caitlin? – convido, vendo seus olhos brilharem.

—Se minha sogra não incomodar-se, gostaria sim – assume, animada, uma sombra passando por seu rosto – Mas...talvez seja melhor não. Há assuntos que requerem meu cuidado em casa – alega e de imediato recordo-me dos lençóis.

—Não seja por isto minha esposa. Resolverei este problema agora mesmo – afirmo, entrando por detrás do biombo onde pusera o cesto com nossas roupas sujas, incluindo os lençóis. Retiro-os dali, enrolo-os e escondendo-os embaixo do móvel onde guardam-se as toalhas – Prontinho, esposa. Agora resta saber se minha mãe irá precisar de sua ajuda – aviso, inclinando a cabeça na lateral do biombo, surpreendendo-me ao ver que Miller praticamente terminará de fazer o que pedira-lhe.

—Irei ter com ela então – avisa-me, saindo apressadamente.

—O quê?? – inquiro ao flagrar o riso divertido de nosso empregado.

—Nada não jovem senhor. É que alegra-me ver vossa felicidade ao lado da mulher que ama depois de presenciar vosso sofrimento – diz, enxugando uma lágrima – O senhor e a senhora formam um belo casal. Decerto darão lindos netos a vossos pais – afirma, pondo-se de pé ao concluir sua tarefa – Terminei. Devo levara para o andar de baixo? – inquere.

—Sim, por favor. E pode dar um destino a ela. Sei que pertenceu a meus pais, mas não há a menor condição de mantê-la – comento, começando a despir-me – Caso questione, diga-lhes que o mandei jogar fora – peço – Ah, senhor Miller, seria bom ver algo contra cupins. Como deve ter notado há alguns na madeira – recomendo.

—Irei falar ao patrão para providenciar mais inseticida. Usarei o que tiver nos arredores e fundações da casa – avisa, fazendo uma reverência antes de sair levando uma parte das peças defeituosas consigo.

Termino de despir-me e entro na banheira, catando o sabonete (depois que casara, troquei o sabão sem cheiro que usava por um sabonete neutro), esfregando-me com vigor ao mesmo tempo em que assobio.

—Thomas? – ouço e paro, olhando na direção do chamado – Posso ir até ti? – pergunta.

—Sim. Estou na banheira – aviso, ajeitando-me melhor de modo a esconder um pouco mais minha nudez (não queria a deixar encabulada, muito embora soubesse que ficaria).

—Falei com minha sogra e ela pediu-me apenas para arrumar nosso quarto, portanto, irei contigo – avisa, ficando, como previ, encabulada – Deseja que o ajude a banhar-se? – pergunta, não me dando tempo responder – Óbvio que devo ajudar-te. Faz parte de meus deveres como esposa! – exclama, postando-se as minhas costas após erguer as mangas do robe.

—Cait, já disse e repito: casei-me para ter uma companheira, não uma escrava para servir-me – reitero, sentindo-me arrepiar ao sentir o calor de suas mãos através da esponja de banho, que esfrega por meus ombros e costas.

—Sei bem o que disse, senhor meu marido – responde e enrugo o cenho sem entender tanta formalidade, a resposta vindo-me a seguir.

—Senhor Thomas, levarei o restante para fora do quarto e de lá para o andar térreo, assim os deixarei à vontade – o bom senhor Miller avisa.

—Ah. Sim, sim, por favor – anuo, fechando os olhos e suspirando quando Cait desce um pouco mais, escutando-a começar ofegar, o que só aumenta minha excitação – Maldição, Cait! Deste jeito não iremos a lugar algum! – praguejo baixinho, segurando suas mãos, um gritinho de espanto escapando-lhe quando a puxo para dentro da banheira, espirando água para todo lado.

—Thomas, que está fazendo?! – inquere, as faces coradas como nunca.

—Trazendo minha adorada esposa para banhar-se comigo! – respondo com fingida inocência, tomando seus lábios antes que pudesse protestar.

O beijo que trocamos é intenso, repleto de desejo e nos deixa sem ar, obrigando-me interrompê-lo. Mantenho-a junto a meu corpo, nossas faces unidas pela fronte, dando-lhe um curto espaço de tempo para recuperar-se antes de iniciar novo beijo, desta feita com mais calma. Queria que ficasse comigo. Queria amá-la ali, no pouco espaço da banheira e para tal precisava ter tato e jeito a fim de fazê-la ceder. Não podia forçar nem apressar as coisas.

—Olha o que fizestes? Estou toda molhada! Decerto corro o risco resfriar-me– reclama, ofegante, sem, no entanto, tentar sair, o que me anima.

—Neste caso... melhor tirar as vestes... não acha!? – sugiro, intercalando cada frase com beijos, insinuando minhas mãos por sob o robe.

Lentamente, o dispo de seu corpo, deixando-o cair ao chão, a camisola grudada, como fora uma segunda pele, elevando meu desejo. Suspiro, admirando-a um segundo, levando uma mão a sua nuca, atraindo-a para mais um beijo, ousando passear minha língua por seus lábios e parte da boca, tocando rapidamente a sua. Era fácil perde o controle quando nos amávamos e isto poderia ser perigoso. Para ambos.

—Thomas!! – sopra compra minha boca, num gemido sôfrego que me faz arrepiar.

Num impulso, enrosco os dedos nas alças rendadas empurrando-as ombros abaixo, fazendo o tecido deslizar até a cintura, os seios firmes ficando expostos. Novamente a admiro, o subir e descer de seu peito por conta da respiração arfante convidando-me tomar posse de tão delicadas dádivas.

Inclino a cabeça, beijando um e depois o outro, minha língua brincando com os bicos rijos, fazendo-a gemer alto. Sorrio, satisfeito, aumentando as carícias, a vaga lembrança de Miller vindo-me à mente.

Disfarçadamente (até para não a assustar), recosto o rosto lateralmente no vale entre seus seios, observando o ambiente, novo sorriso se formando ao perceber que o bom senhor decerto apercebera-se que queríamos privacidade e saiu, tendo o cuidado de não nos interromper e a delicadeza de fechar a porta.

Mais tranquilo, retomo as caricias, sugando e beijando cada seio de minha esposa com devoção e carinho, invertendo calmamente nossas posições (não estava preparada a ficar por cima ainda). Faço a camisola deslizar mais uma vez, deixando-a completamente nua sob a água, distribuindo beijos lânguidos por seu corpo, detendo-me novamente na altura de sua intimidade, refazendo o caminho de volta até seus lábios ao mesmo tempo em que me encaixo entre suas pernas.

Faço-a apoiar-se em meu braço, que passo por suas costas, evitando machucar-se quando estivesse a mover-me. Sem pressa, respeitando seu tempo, a penetro, avançando e recuando guiado por seus gemidos e sussurros, parando quando estou inteiramente dentro dela, deixando-a acostumar-se a minha presença antes de recomeçar a investir, entrando e saindo dela.

É simplesmente maravilhosa a forma como seu corpo responde ao meu, acompanhando-me quando aumento ou diminuo o ritmo.

Sinto-a estremecer e sei que aproxima-se do topo. Aumento o ritmo a fim de o alcançarmos juntos, o que ocorre após algumas investidas, seus dedos e unhas cravando-se em meu corpo. Abafo o gemido alto, quase um grito, com um beijo, relaxando junto com ela, repousando a cabeça na curva de seu pescoço, aspirando seu cheiro.

—Tudo que mais queria era parar o tempo e ficar assim, juntinho a ti, esquecendo o mundo lá fora – sussurro, sua pele vibrando com o riso.

—Confesso que gostaria de fazer o mesmo – admite, afagando meu cabelo molhado – Seria tão mais simples, tão bom poder ficarmos aqui, em nosso quarto, nosso pequeno mundo de amor!! – suspira, apoiando as mãos em meu peito – Mas, não podemos, portanto melhor nos apressarmos – diz, estreitando os braços de forma a proteger-se, a senha para que a deixasse, sentando do lado oposto, baixando a vista para que pudesse sair da banheira antes de mim.

Minutos atrás estávamos nos braços um do outro, nus, nos amando e agora precisava virar a face para que saísse da banheira por estar envergonhada. Isto era simplesmente.... Adorável!!

—Pode olhar – libera e me volto, vendo-a amarrar o cinto de outro robe enxuto, olhando a volta – Fizemos um pouco de bagunça aqui, não? – comenta, corando, o cabelo molhado pingado no tecido.

—Fizemos – concordo, olhando-a intensamente – Poderia ver um roupão para mim? Ou toalha – peço, ela atendendo-me rapidamente, me dando as costas.

—Enquanto veste-se, dou um jeito nesta bagunça para depois arrumar-me e o acompanhar – avisa.

—Nada disso. A ajudarei com tudo. Assim terminamos mais rápido e isto não é discutível meu amor – alerto, dedo em riste, evitando que protestasse – Façamos assim: limpo essa área aqui e você, minha esposa linda, com aquele pedaço lá, que pode até ser maior, mas está seco!! – exclamo, roubando um beijo.

—De acordo então – anui ela, sorrindo de forma encantadora.

Nos minutos seguintes, limpamos e arrumamos cada canto e recanto do quarto (o que nos faz precisar de um novo banho, desta feita, separados), nos arrumando, deixando nosso aposento após nos certificarmos estar tudo em ordem.

—Senhora Stone, minha mãe, onde está? – pergunto quando chegamos a sala.

—A senhora está no terraço, com as gêmeas – informa – Jovem senhora, há roupas para lavar? – pergunta e sinto Cait estremecer.

—Hã... poucas, senhora Stone, não há necessidade lavá-las agora – informo.

—Eu mesma irei lavá-las senhora – Cait diz, retendo o ar quando a boa senhora responde.

—De forma alguma! A senhora Merlyn ordenou-me a cuidar de tudo enquanto estiverem aqui – retruca – Estão no cesto? – quer saber.

—Estão, mas poderia deixar para a segunda? Como meu marido disse, são tão poucas. Nada custará a mim lavá-las eu mesma, assim já irei habituando-me a cuidar de tudo sozinha, como deve ser – argumenta, sabiamente, minha esperta esposa e sorrio discretamente ao perceber que nossa governanta rendera-se.

—Se assim deseja jovem senhora – anui, fazendo uma reverência antes de retirar-se.

—Linda e esperta! – elogio, beijando-a demoradamente, o limpar de garganta nos trazendo de volta a realidade.

Cesso o contato, voltando-me, juntamente com Cait, para a porta de entrada de casa, deparando-nos com minha mãe a sorrir discretamente.

—Vão sair? – inquere, olhando-nos.

—Sim, minha mãe, conforme havia dito – confirmo, indo até ela, beijando-lhe a mão em sinal de respeito – Iremos a marcenaria. Miller nos contou estar havendo um bazar de móveis. Papai contou-lhe sobre a cama não contou? Estava repleta de cupins. Recomendei a ele passar inseticida em volta da casa a fim de evitar uma infestação – digo.

—Fez certo meu querido – elogia – Voltam para o almoço? – quer saber.

—Voltamos – confirmo – Agora melhor irmos antes que as peças boas sejam vendidas. Até mais ver minha mãe – despeço-me, dando-lhe novo beijo no rosto.

—Até mais ver minha sogra – Cait faz o mesmo, sorrindo-lhe gentil.

—Até mais ver meus queridos – mamãe responde.

Abro a porta, deixando minha esposa passar antes de mim, fechando-a após eu o fazer, oferecendo-lhe o braço tão logo passamos pelo portão, caminhando de braços dados pela rua.

*** Rebecca Merlyn ***

Mantenho o sorriso até que meu filho e nora saíssem, desfazendo-o e respirando fundo tão logo o fazem.

Estava entrando para buscar fralda limpa para Catarina quando flagrei uma conversa entre eles e nossa governanta.

A princípio pareceu-me normal, porém algo no tom de ambos chamou-me atenção. Algo na forma reticente e incisiva com que insistiram em não pôr simples roupas sujas para lavar.

—Judith – chamo, aguardando-a vir – Por favor, pegue uma fralda limpa e entregue a Annette – ordeno, tomando rumo da escadaria – Estarei lá em cima, caso precisem de mim – aviso, subindo degrau a degrau.

Sigo em direção ao quarto de meu filho, entrando devagar. Sentia-me mal em estar invadindo a intimidade do casal, mas continuava reticente quanto aquele casamento.

Que se amavam era mais do que evidente. Mas havia tanta coisa estranha envolvendo aquela união, tantos fatos inusitados que minha curiosidade andava nas alturas. E meu zelo de mãe igualmente.

Desde a conversa com meu marido noite passada, sentia-me aflita.

—Meu instinto diz-me que há algo errado, algo muito errado acontecendo bem debaixo de meu nariz!! – murmuro, andando pelo cômodo, olhando tudo atenciosamente, admirando-me por tamanha organização – Minha nora é de fato muito prendada, uma verdadeira joia! – exclamo, estranhando as roupas intimas molhadas penduradas na borda da banheira, imaginando se haviam-se banhado juntos – Será??? -indago para mim mesma, segurando o potinho de sais de banho que a presenteara na noite de núpcias, soltando-a ao escutar a voz de Judith as minhas costas.

—Senhora, a pequena Catarina está chorando de fome. Ou seria Camila? Ainda não as diferencio – comenta, olhando de mim para as roupas e depois o pote de sais, que rola miraculosamente não quebra, rolando para debaixo do móvel onde guarda-se toalhas e roupões limpos – Perdoe-me se me intrometo senhora, mas que fazia no quarto do jovem casal? – quer saber, estendendo a mão apressadamente ao ver-me ajoelhar – Deixe que pego senhora – diz, vindo até mim.

—Não há necessidade. Derrubei, pego – recito o que aprendera em casa de meus pais, inserindo o braço sob o móvel. Enrugo o cenho ao tocar algo macio juntamente com o pote – Mas o quê...??? – inquiro, segurando e puxando tudo para fora, surpreendendo-me ao perceber tratar-se de cobertores de cama.

—Homessa, que estas cobertas fazem embaixo do móvel?? – Judith questiona enquanto desdobro-as – Estão limpas? – quer saber, a resposta sendo-nos dada quando estico um dos cobertores, um branco, a pequena mancha de sangue surgindo – Senhora...isto...isto é o que penso ser?? – inquere, tão abismada quanto estou.

—É sim Judith – confirmo, o coração oprimindo-me – A prova de que meu filho mentiu para nós!

“...Corta essa distância se agarra nesse vento;

E vem me abraçar;

Dar pra juntar esperar o tempo certo e vem;

Não deixa passar;

E assim, enquanto der, enquanto quer;

E assim;

Feito arê-ae-ia;

Feito arê-ae-ia;

Em mim...”

Notas finais
Apesar de parecer o contrário, a mãe de Tommy não é contrária ao casamento. Apenas ficara chateada por terem mentido. O capitulo ficaria imenso, bem maior do que ficou, por isto o dividi em dois. Até breve flores. Bjinhos