Notas iniciais
Olá flores! Olha quem apareceu!! Euzinha! A sumida!!kkkk Não sei vocês, mas essa quarentena está me deixando pra lá de preguiçosa e desfocada. Tá sendo uma dificuldade manter o foco em algo. Tenho, neste momento, três capítulos de fics diferentes em andamento, este era o quarto. Como não confundo as historias? Só Deus sabe!! Mas vamos deixar as reclamações de lado que o tempo urge! Por aqui, novidades. Muitas novidades. Grandes novidades que irão mudar muita coisa na vida de vários personagens e trazer ao menos uma resposta, em breve, a uma pergunta : por que Carla Snow odeia tanto Malcolm e Rebecca? Grata por não desistirem da historia e por todos os rewiews passados.... Me deixem mais rewiews, please, porque gostcho é muito!!!.... Boa leitura.... Bjinhos flores. Em tempo: os atores que escolhi para personificar os avós de Tommy são Linda Carter e James Spader respectivamente. Ela foi a Mulher Maravilha em uma série nos anos oitenta. Ele fez diversos filmes em vários estilos (A garota do rosa shocking é um deles). Atualmente é o Red em The Black List

“Desejo a você o que há de melhor;

A minha companhia, pra não se sentir só;

O sol, a lua e o mar, passagem pra viajar;

Pra gente se perder e se encontrar;

Vida boa, brisa e paz;

Nossas brincadeiras ao entardecer;

Rir à toa é bom demais;

O meu melhor lugar sempre é você….”

Meu Abrigo

Melim

Residência Merlyn (segunda, 4/10 – 21:45 .m)

Caitlin

—E esta, suponho, seja sua jovem esposa… cujo pai o mantém preso a uma ridícula penalidade! — a frase tem o poder de paralisar-me, meu ser inteiro estremecendo, o ar em volta parecendo simplesmente desaparecer.

—Caitlin é minha esposa, de fato -Thomas confirma, puxando-me para si — Mas não há penalidade alguma, meu avô — mente, em parte, seu abraço protetor me envolvendo, sua mão apertando-me a cintura com delicadeza, transmitindo-me segurança e calma.

Ergo o rosto em busca do seu, sorrindo-lhe fraca e timidamente.

—Devo crer então que uma troca foi feita: teu serviço pelo matrimônio? — o homem à nossa frente inquere, olhando-nos com desconfiança, não dando-nos tempo retrucar — Estranho. Decerto uma jovem tão bela e de educação refinada, como suponho lhe tenha sido dada, não teria problemas em conseguir um bom marido — observa-me atentamente — Também não parece-me ser geniosa, o que explicaria tal arranjo posto os pais não haverem encontrado candidato disposto…

—Aonde pretende chegar com este interrogatório, meu pai? — a voz imperiosa de meu sogro ecoa, interrompendo-o — E como tens tanto conhecimento de nossas vidas? — pergunta, visivelmente desconfiado.

—Procuro manter-me informado sobre o que acontece a meus filhos e netos, mesmo os ingratos a virarem-me as costas preferindo colocar um oceano entre nós a resolver nossas diferenças — responde, não dando chance a meu sogro rebater, dando atenção a mim e meu marido novamente — Perdoe-me se a magoei, minha querida, mas a única intenção que tenho é esclarecer os fatos levados a meu conhecimento por fonte confiável — justifica-se.

—Não sei o que essa tal fonte andou-lhe dizendo meu avô, ou em que contexto, mas meu casamento tem o amor por base, não uma penalidade ou qualquer outra coisa e isto é tudo que deva saber — meu marido rebate, o tom de desafio não passando despercebido a nenhum dos presentes.

—Ora, ora, então o menino tornou-se homem finalmente! — exclama, estreitando os olhos, dando um passo em nossa direção, ficando muito próximo, sua altura parecendo dobrar.

—Richard…. — a esposa o chama, porém ele não lhe dá atenção.

— Ainda assim me deve respeito moleque! — bufa — Não pense que a barba em seu rosto dar-lhe-á licença responder-me grosseiramente. Se vosso pai o permite fazê-lo, eu não! — frisa, erguendo o queixo — Sei bem mais sobre este seu casamento do que imagina — assegura, estreitando os olhos ao nos encarar — Agora diga-me Thomas: como e onde deu-se seu encontro com essa bela jovem? Como se apaixonaram? E principalmente: como conseguiu convencer Dominique e Carla Snow permitir-lhe cortejar e casar-se com sua filha mais nova sendo você filho de um desafeto de ambos? — questiona, fazendo-me reter o ar novamente — Não pense meu rapaz, responda-me — exige ante o silêncio de meu marido, prosseguindo antes que este pudesse falar — Responderei por ti: a conheceu e apaixonou-se quando servia-lhe em casa dos pais da menina e aos Snow não houve escolha a não ser concordar que a desposasse posto tê-la tomado para si no período em que estiveram desaparecidos e sequer perca seu e o meu tempo negando -aconselha, dedo em riste.

—Contratou alguém para vigiar-me e a minha família!! — meu sogro exclama, aproximando-se, encarando o senhor Richard — Há na cidade um espião a lhe passar informações nossas! Foi capaz disto, não foi? — indigna-se e sinto a tensão no ar tornar-se quase palpável.

—Gostaria de tê-lo feito, deveria tê-lo feito, assim quem sabe teria evitado algumas catástrofes e não refiro-me a este casamento, que aliás, a julgar por sua atitude e pelo aspecto feliz de ambos, foi a única coisa boa proveniente desta tal punição — declara, voltando-se para meu sogro — Mas não o fiz — garante, prosseguindo — Em meados de setembro, encontrei-me, ao acaso, com um velho amigo que reside na redondezas da cidade enquanto confraternizava com amigos em um clube de Londres. Em conversa particular, ele pôs-me a par dos acontecimentos recentes em Starling envolvendo-o e aos Snow, fatos os quais pude confirmar com vosso cunhado — revela, nos dando atenção novamente — Charlie Snow, como bem sabe, encontra-se na cidade estudando. Não difícil confirmar com ele parte do que meu velho amigo contara-me — diz — Saber que meu filho praticamente falira, expondo a família a necessidades, e que ainda assim preferiu recorrer a estranhos do que a mim, foi a gota d’água — reclama

—Jamais passamos necessidade alguma meu sogro. Nada nos faltou em todos estes anos, por mais difíceis que os tempos estivessem — minha sogra o interrompe, saindo em defesa do marido.

—Acredito, querida nora. Malcolm morreria antes de fazê-la padecer de alguma forma — afirma, dirigindo-lhe um sorriso curto, retomando — Aliado a isso, informou-me também que minha nora quase morrera no parto de minhas netas — novo sorriso curto — Sobre o casamento repentino de meu neto e em quais circunstâncias ocorreu e claro, a tal punição, que ainda existe, ao que me consta, se não por parte de seu agora sogro, pelo outro sujeito, Chase não é isto? — inquere, não aguardando resposta — Por conta destes fatos, decidi já ser hora de acabar com essa bobagem entre Malcolm e eu e concertar essa baderna. Não permitirei a um Merlyn ser tratado como meu neto está sendo. Jamais! — ergue o queixo, orgulhoso e sinto meu marido tremer levemente — Providenciei passagens no primeiro vapor que viria para cá e Elizabeth e eu nos pusemos a caminho — conta.

—Richard decidiu tudo muito rapidamente. Não houve tempo hábil para avisá-los ou mesmo para preparar-me adequadamente, mas não hesitei. Ansiava por rever meu filho, meu neto querido e conhecer minhas netinhas — declara, tocando o rosto de meu marido com carinho — E agora já sonho com bisnetinhos correndo a minha volta! — exclama, e me sinto corar até a raiz do cabelo.

—É cedo minha avó. Casamos a pouco. Precisamos resolver algumas coisas antes de os filhos virem — Thomas diz, parecendo igualmente sem graça.

—Bobagem! Não há porque esperar. São jovens e saudáveis, com uma vida inteira pela frente. Formam um lindo casal e decerto nos darão lindos e saudáveis bisnetos os quais pretendo mimar um por um como mimei-te um dia!!!- declara, pegando-nos de surpresa ao apertar a bochecha de meu marido.

—Pretendem voltar a Starling outras vezes? — meu sogro pergunta, a resposta nos deixando a todos ainda mais surpresos.

— Em verdade, mudaremos para cá — responde o senhor Richard calmamente.

—Mudar?! E quanto a empresa, seus negócios na Inglaterra? Irá abandoná-los?? — questiona meu sogro, claramente desconfortável.

Thomas falava muito pouco sobre os avós e a relação destes com ele e com meus sogros, mas pelo pouco que contara, sabia não ser das melhores. Entendo em parte, a julgar a primeira impressão que causaram-me. O senhor Richard em especial.

—Seu irmão assumiu os negócios — revela, meu sogro parecendo não dá importância tal fato — Enviar-me-á parte dos ganhos mensalmente, evidente. Vi quando chegamos haver uma filial do banco da família Crumble aqui. Negocio com eles a anos, como bem sabe Malcolm. Não será problema receber através deles — informa.

—Meus sogros ficarão hospedados conosco, decerto — confesso ter ficado temerosa e ansiosa pela resposta à pergunta feita por minha sogra.

—Apenas por alguns dias, tempo no qual espero encontrar uma residência que me agrade — a senhora Elizabeth confirma.

—Mesmo que desejássemos permanecer no hotel, não há vagas — o senhor Richard informa — Uma cidade em crescimento ter apenas um hotel é algo inaceitável! -resmunga

—Starling ainda engatinha no que refere-se a desenvolvimento meu pai. O prefeito anterior preocupava-se tão somente em recolher divisas e embolsar grande parte destas. Era desleixado e acomodado — meu sogro explica — O atual, ao contrário, é um visionário. Não poupou esforços até conseguir liberação e verbas para a construção do porto. Isto alavancará o crescimento de nossa cidade — discursa, animado — Doravante as coisas mudarão, mas infelizmente a notícia vazou antes do esperado e tivemos uma verdadeira invasão de pessoas em busca de trabalho. Famílias inteiras chegaram a cidade nas últimas vinte e quatro horas. Não estávamos preparados para tamanha invasão — relata, enrugando o cenho — Algum problema senhora Stone? — pergunta, fazendo-nos voltar para a mulher, um misto de divertimento e preocupação transparecendo no rosto dela.

—De certa forma meu senhor — diz, olhando diretamente para mim e Thomas, — O senhor que chegou em companhia do senhor Richard e esposa está a discutir com Miller acerca da presença de vossos filhotes no quintal. Chegou mesmo ameaçá-los com um pedaço de pau e só não foi mordido por conta da interferência dos meninos Frommer — relata, fazendo Thomas e eu sairmos quase em disparada rumo ao quintal, o questionamento do senhor Richard ainda chegando a nossos ouvidos.

—Que filhotes???

A cena que vemos ao chegarmos no quintal é quase cômica: os filhotes acuavam um homem pouco mais novo que o serviçal de meus sogros (aparentemente) o qual encontrava-se sobre a lavanderia, segurando uma torra, a aflição visível em sua face, enquanto os meninos Frommer e o nosso bom Miller tentavam afastar nossos lobinhos.

—Guardião, venha aqui — Thomas chama, parando alguns passos deles, eu postando-me a seu lado — Guardião, Aqui!! — repete mais energicamente, o mais velhos dos três filhotes (e também maior) hesitando um segundo, dirigindo um olhar ameaçador ao homem antes de obedecer, os irmão seguindo-o de pronto — Bom garoto — meu marido elogia, afagando a pelagem negra em sua cabeça, Recruta e Prateada esfregando os focinhos em sua mão, pedindo atenção — Vocês também são — diz, e sorrio, afagando a pelagem clara da lobinha, que senta-se entre nós — É seguro descer agora, mas tem de largar a tora — avisa, o homem olhando-o desconfiado.

—Não o atacarão contanto que não sintam-se ameaçados ou ameace o jovem casal -o senhor Frommer explica, rindo-se — Então este é o segredo: basta chamar este que nomearam Guardião e os outros dois o seguirão — conclui.

—Normalmente sim — respondo, afagando a Recruta — Shiii! Quieto — ralho ao escutá-lo rosnar baixo quando o homem finalmente desce.

—As demais pessoas têm cães, gatos ou outros animais de estimação. Meu neto tem lobos! — o comentário faz-nos voltar, deparando-nos com meu sogro, seus pais e a senhora Stone parados junto a porta da cozinha.

—Não são de estimação, muito embora ajam assim com Thomas e minha nora — meu sogro rebate, rindo com o canto da boca.

—De onde vieram? — a senhora Elizabeth pergunta, parecendo fascinada — Não fazem lembrar os lobos criados por aquele menestrel a passar por Londres alguns meses atrás, meu marido? — adiciona, dando um passo à frente.

—De fato fazem lembrar um pouco. Especialmente este — diz, apontando Guardião — Então, de onde vieram? — reitera, não escondendo a curiosidade.

—Não sabemos — Thomas admite — Encontram-nos quando fomos largados a ermo após o assalto, evitando que morrêssemos — relata, ele enrugando o cenho — Cait e eu, como vosso amigo deve ter-lhe contado, fomos assaltados e deixados entregues a sorte, desacordados. Os filhotes encontraram-nos quando uma tempestade começa desabar, evitando afogar-nos mesmo estando em terra firme — revela, ambos ficando perplexos — Depois disto foram-se aproximando dia após dia mesmo eu tendo os espantado algumas vezes — conta, fazendo novo carinho a Guardião e Recruta.

—Quando do resgate, foi preciso a intervenção de um indígena local, amigo de Thomas, para que o grupo pudesse aproximar-se sem ser atacado — meu sogro relata — Para surpresa de todos, seguiram-nos e desde então permanecem na cidade ou arredores, sempre junto a meu filho e nora ou em companhia dos indígenas locais — completa.

—E quanto aos cidadãos, que dizem da presença deles nas ruas? O delegado nada diz ou faz? — quer saber.

—A nenhum deles agrada muito, mas como nunca atacaram ninguém, limitam-se apenas reclamar, o delegado cobrando a Thomas e dois de seus ajudantes com origem entre os locais, manterem o trio sob controle, o que, como pôde ver, não apresenta grandes dificuldades — meu sogro conta, franzindo o cenho — Em verdade, jamais os vi desobedecer uma ordem de qualquer deles.

—Bom saber disso senhor — o homem declara, passando, relutante, por nós, correndo, sem nenhuma vergonha, ao escutar o grunhido que Recruta emite — Misericórdia!! — exclama, entrando rapidamente na casa.

—O que ele fazia aqui fora e quem é? — Thomas pergunta, Miller dando de ombros.

—Nosso mordomo e fiel serviçal, Jarvis — a senhora Elizabeth elucida, avançando dois passos — Negou-se a ficar em Londres então o trouxemos conosco — explica, estendendo a mão cautelosamente — Não reclamei. Bons serviçais são raros estes dias — declara, abaixando o olhar — Estou fazendo certo, não é? É assim que devemos nos portar para deixar claro sermos amigos, correto? — quer saber, fazendo com que Thomas e eu troquemos olhares confusos.

—Está quase correto senhora — Rafael Frommer diz, aproximando-se um pouco mais juntamente com a família — Deve abaixar um pouco mais a cabeça e inclinar-se minimamente oferecendo o dorso da mão para cheirarem, assim — exemplifica, ela o imitando, Thomas atento a aproximação de Recruta ( mais curioso, como sempre), Prateada o seguindo enquanto Guardião permanece estático, agora entre meu marido e eu — Incentive-o ir senhor Thomas, ou pode influenciar os outros dois serem agressivos com vossos parentes — aconselha Frommer.

—Guardião, comigo — Thomas chama, indo até a avó, incentivando-o cheirar a mão dela como os outros faziam, a tensão nos tomando a todos quando este vai em direção ao senhor Richard — Faça como minha avó, vovô — pede, ele obedecendo sem questionar.

É com alívio que os vemos, os três, aceitarem os afagos de ambos, avô e avó de meu marido, retornando para junto de nós tão logo perdem o interesse no casal, Guardião deitando-se e bocejando acintosamente.

—Homessa! Parece que nos tornamos entediantes para este ao menos — o senhor Richard comenta com surpreendente bom humor.

—Não apostaria nisso senhor. Guardião faz jus ao nome que o senhor Thomas lhe deu. Finge-se de entediado, mas está sempre atento a tudo em volta — Frommer alerta-o.

—Entendo — ele responde — Sua graça é…??? — pergunta.

—Rafael Frommer, a seu dispor — apresenta-se — Minha esposa, Patrícia e nossos Diego, Artur e a pequena Maribel — apresenta-os — Viemos em busca de emprego na construção do porto e o senhor Merlyn gentilmente acolheu-nos posto não haver hospedarias disponíveis para que não precisássemos dormir na carroça, no que serei eternamente grato — declara, fazendo uma reverência em direção a meu sogro.

—Nada fiz além de minha obrigação como cristão e cidadão — meu sogro diz, devolvendo o gesto, minha sogra surgindo a porta naquele momento.

—A janta será servida em alguns minutos — avisa — Senhor Miller, por favor leve água ao banheiro do quarto aqui embaixo e depois ao de meu filho e nora. Já ordenei a senhora Stone e Adissa prepararem tudo para que possam refrescar-se e trocar a roupa — diz , torcendo o nariz a nos encarar — Parem de brincar com estes bichos e cuidem prepararem-se para a ceia — ralha, Thomas pondo-se de pé rapidamente, segurando minha mão — Xô, xô, xô!! Estou certo estarem famintos também. Vão comer a ração, vão, vão!! — tange os filhotes, que para espanto de seus sogros a obedecem — O que estão a esperar?? — indaga, fazendo a todos moverem-se — Meu marido, preciso falar-lhe — o retém quando passava — E depois com os dois — aponta-nos — Agora aviem-se limparem-se — reforça.

—Pois não minha sogra — adianto-me, puxando Thomas para dentro — Minha sogra acaso irá reclamar-nos algo? — inquiro enquanto subimos os degraus — Por termos mentido a pouco, quero dizer- explico, caminhando a seu lado pelo corredor.

—Não creio — ele diz, suspirando — Mas desconfio qual seja o assunto. Infelizmente — diz, abrindo a porta para mim.

—E qual seria?? — questiono, voltando-me quando entramos.

—Há dois quartos no andar de baixo. Um atualmente ocupado pelas aias e outro usado como depósito de móveis e outros utensílios, trazidos de Londres quando da mudança para cá — lembra e aceno. Havia entrado neste quarto outro dia a procura de bandejas — Muita coisa. Nenhuma cama de casal — cita, desanimado.

—Ahh, entendi. Minha sogra pedirá que cedamos nosso quarto a seus avós — verbalizo, sentando-me sobre o colchão macio.

—Decerto que sim — sopra, sentando-se também — Não pode oferecer-lhes o deles por conta de minhas irmãs e não sugerirá, em hipótese alguma, unir as camas de solteiro para que durmam, logo…- abre os braços de forma abranger o ambiente em volta — Mal tivemos tempo aproveitar nossa cama nova e já teremos de cedê-la — lamenta — Deveria ter providenciado desde o primeiro dia de casados, isso sim. Desculpe-me — pede-me, segurando e beijando-me a mão.

—Nada há para desculpar-se meu marido. O fundamental àquela época foi feito: recebemos as bênçãos de Deus, de meu pai, dos seus e acima de tudo confessamo-nos antes de casar — declaro, retribuindo o gesto — Móveis, roupas e outras coisas são supérfluas diante disso. E teremos ainda muito tempo para aproveitar nossa cama — digo, sorrindo-lhe, me questionando interiormente se conseguiria deitar-me ali outra vez após os avós dele o fazerem. Maritalmente falando.

—Hum...não sei Cait. Não acho que vá conseguir deitar-me contigo sobre o mesmo colchão aonde meus avós dormirão. Maritalmente, quero dizer — verbaliza e não consigo conter o riso — O que disse de tão engraçado? — quer saber, enrugando o cenho, levemente zangado.

—Apenas acabas de verbalizar o que pensava em meu íntimo — confesso, ele rindo comigo, a batida leve na porta chamando nossa atenção.

‘Posso entrar filho? ‘ — meu sogro pergunta.

—Sim — Thomas responde, ambos nos pondo de pé para recebê-lo — Já iremos descer meu pai — adianta-se.

—Certo, certo, mas não foi por isso que vim — avisa, sinalizando para sentarmos, tomando forte respiração antes de falar — Sua mãe e eu temos um pedido um tanto quanto delicado a fazer-lhes — diz, esfregando o queixo, completamente sem graça — Não sei bem como pedir e mesmo se tenho o direito fazê-lo, mas o fato é que….

—Quer que cedamos nosso quarto a meus avós — Thomas adianta-se outra vez.

—Estavam a prever, não é mesmo? — inquere, olhando-nos.

—Não era difícil ante a situação, meu pai — meu marido afirma — A partir do momento em que anunciaram ter vindo para ficar, sem um aviso prévio, supus que aconteceria — conclui.

—Eu sinto ter-lhes de pedir abrirem mão de seu quarto, sua intimidade…- lamenta.

—Teremos nossa intimidade no quarto lá embaixo meu pai — Thomas afirma, pondo-se de pé — Agora melhor minha esposa e eu nos apressarmos antes que minha mãe zangue conosco — diz.

—Sim, sim. Aprontem-se que estaremos a esperá-los na sala de jantar — meu sogro avisa, encaminhando-se para a porta, estancando — Grato pela compreensão. A ambos — agradece antes de sair.

—Vamos banhar-nos? — pergunto após um breve silêncio.

—Melhor que o façamos após a mudança de quarto. Por hora, troquemos de roupa, caso desejes fazê-lo sem banhar-se, e desçamos para que não percamos mais tempo. É tarde e amanhã necessito acorda cedo para a lida — meu marido sugere.

—Concordo — anuo, indo ao guarda roupas, escolhendo um vestido mais simples, trocando-me rapidamente, recebendo sua ajuda para fechá-lo, aguardando-o fazer o mesmo para somente então irmos ao encontro de sua família….De Nossa família!!...corrijo-me em pensamento, aceitando o braço que me ofereci.

*** Residência Merlyn (terça, 5/10 — 05:06 a.m)****

Thomas

—Thomas…- a voz doce chama e sorrio ainda sonolento, mudando de posição, permanecendo deitado — Meu marido, é hora. Precisa levantar-se — escuto e desta feita levanto-me de supetão, sobressaltado — Sinto tanto ter de acordar-te tão cedo! Ainda mais pelo motivo que o faço — Cait lamenta e a olho, levando a mão a sua nuca.

—Bom dia meu amor — desejo, trazendo-a para um beijo demorado — Não sinta. Antes acordar cedo a teu lado do que tarde e com os berros do digníssimo senhor Chase! — brinco, arrancando-lhe um sorriso tímido.

—Não deverias brincar com algo tão sério — ralha, fingindo zanga.

—Bem sei, mas isso mantêm-me são — justifico, espreguiçando-me, sentindo meus músculos retesarem em reclamação — Hummm...será um longo dia — suspiro, deixando os braços caírem pesadamente, minha esposa adivinhando o que precisava, sentando-se a minhas costas, brindando-me com uma massagem revigorante.

—Gostaria que pudesses ficar em casa mais um dia, para descansar — lamenta, os dedos delicados apertando pontos sensíveis em meu corpo, trazendo um pouco de alívio às dores.

Ontem, após a refeição, com a ajuda do senhor Miller, trouxera nossas coisas de nosso quarto para o de hóspedes, no andar inferior. O que deveria ser simples mostrou-se demorado e cansativo posto as camas ali contidas serem bem mais pesadas do que aparentavam. Além disso, tive de carregar e lavar uma banheira antiga, que sequer lembrava existir, primeiro para fora e depois para dentro de nosso novo quarto. Também uma cômoda que pertenceu a minha mãe quando solteira (outro item que não recordava-me) nos fora dada para melhor acomodarmos as roupas posto o armário ali ser pequeno demais, mesmo Cait não possuindo nem metade do que tinha quando solteira.

—Sente-te melhor? — pergunta junto a meu ouvido e não consigo evitar um arrepio de prazer percorrer meu corpo.

—Uhum — digo, voltando-me ligeiro, pegando-a de surpresa, deitando-a e deitando-me sobre seu corpo — Chegará o dia em que poderei permanecer até um pouco mais tarde em companhia de minha amada esposa! — premonizo, roubando um beijo sedento. Estávamos, ambos, ao término da mudança, tão cansados que mal deitamos e já dormimos — Mas por hora …- suspiro, levantando-me, caminhando até o biombo, despindo-me e entrando na banheira previamente preparada por ela, a água fria acariciando minha pele, o cheiro de rosas e almíscar avisando-me da presença de Cait .

—Separei tuas roupas — avisa, pendurando-as no biombo — Irei ter com a senhora Stone e ajudá-la no preparo do desjejum — diz e somente então noto não estar usando camisola.

—Há quanto tempo acordastes? — quero saber, esfregando meus braços.

—Algum — admite — Na verdade os sinos me despertaram — conta.

—Sinos? — pergunto, olhando-a confuso.

—Escutei os sinos da igreja tocarem logo cedo — diz, mordendo o lábio inferior, preocupada — Espero nada de grave tenha acontecido — deseja — Irei providenciar teu desjejum — reforça — Se não precisares de mim aqui — condiciona, olhando-me e resisto a tentação de dizer que sim.

—Não preciso — digo, sorrindo-lhe, acompanhando-a sair com o olhar — É um filho da mãe sortudo, Thomas. Ah se é!! — comemoro, mergulhando, erguendo-me com certo estardalhaço, espirrando um pouco d’água.

Termino minha higiene pessoal, visto-me, optando por levar a munhequeira comigo e pô-la apenas quando a caminho do armazém, evitando ter de dar explicações caso meu avô tivesse despertado. Penteio o cabelo, espirro um pouco de perfume, calço as botinas, enxugo o chão, me dirigindo a cozinha ao finalizar tudo a fim de tomar meu desjejum, mas qual não é minha surpresa ao deparar-me com a mesa da sala de jantar posta.

—Bons dias — cumprimento, minha esposa, a senhora Stone e as aias voltando-se para mim — Tomaremos o desjejum aqui? — quero saber.

Após mudarmos para a América, a fim poupar minha mãe posto não termos trazido serviçais da Inglaterra, meu pai convencionou tomarmos a primeira refeição na cozinha por ser mais prático e mesmo depois de a senhora Stone e sua ajudante virem para casa, não mudamos este hábito.

—Sim, a pedido da senhora, posto a senhora Merlyn, vossa avó, estar habituada a tal — Judith explica, pondo a sofisticada jarra com leite sobre a mesa (outra mudança: a louça não era a habitual) — Doravante e enquanto vossos avós estiverem hospedados em casa todas as refeições serão tomadas aqui — avisa, retirando-se.

—Não sei se gosto disso — resmungo, sentando-me, notando o ar preocupado em minha esposa e nas aias — Que houve? Algum problema? — pergunto.

—O senhor Miller relatou haver grande movimentação em casa de meus pais mais cedo — explica, servindo-me café.

—Que tipo de movimentação? — questiono.

—Do tipo que sinaliza algo sério ter ocorrido — responde, servindo-me torradas e ovos mexidos, fazendo menção afastar-se, mas a retenho.

—Estou certo estarem bem — minto, vendo-a sorrir fraco — Sente-se e tome o desjejum comigo — peço, puxando a cadeira a meu lado, aguardando-a sentar — Se quiseres posso pedir a Miller averiguar — sugiro, acariciando sua mão, beijando-a carinhosamente.

—Não se fará necessário — meu pai anuncia, adentrando a sala, segurando um pedaço de papel, sua expressão deixando-me tenso de imediato — Não há uma forma delicada de se comunicar este tipo de coisa e sinto ter de o fazer logo cedo — discursa, olhando de mim para Cait — Harry McKinney faleceu esta madrugada, em casa, ao lado da esposa — anuncia, Cait e eu soltando o ar, nosso alívio trazendo um sorriso discreto a face de meu pai -Suponho temerem escutar outra notícia, mais desagradável — supõe.

—Sim, meu sogro — Cait confessa, baixando a vista, envergonhada — Temi haver acontecido algo a meu pai… ou minha mãe — sussurra

—Confesso ter pensado o mesmo ao acordar com o repicar dos sinos e ver o entra e sai em casa de vossos pais através da janela de meu quarto — admite meu pai, sentando-se na cabeceira, Adissa surgindo do nada, sobressaltando-me, servindo-o prontamente.

—O bilhete em sua mão é de meu sogro? — quero saber, aceitando a fatia de bolo que ela oferecia-me.

—Sim — confirma, sorvendo um gole de café — Pediu-me os avisar do falecimento e que o velório será na própria residência durante a manhã, de onde também sairá o féretro para o cemitério no começo da tarde, por volta das treze horas — completa.

—Comparecerá meu pai? — pergunto, refletindo se Cait e eu deveríamos o fazer em algum momento — Acha que devemos, minha esposa e eu, comparecermos? — verbalizo.

—Irei em companhia de seu sogro tão logo finalize a transação no banco, a qual, avisou-me também, não precisar ser adiada — revela, sorvendo mais um gole de café, refletindo um segundo antes de responder-me — Acredito ser recomendado irem prestar condolências à viúva, mesmo que rapidamente — diz, fazendo nova pausa breve — A questão é se haverá tempo hábil para tal já que, acredito eu, a julgar a maneira como vossa cunhada tratou tua esposa da última vez em que encontram-se, queiras acompanhá-la — supõe e olho Cait, aguardando-a se pronunciar.

—Melhor não irmos. Ivye pode não gostar de ver-me e não quero causar-lhe constrangimento ou desgosto, ainda mais no estado em que se encontra — decide.

—Estás certa disso? Posso aguardar-te e iremos juntos antes de me apresentar no armazém. A essa hora pouca gente deve estar presente — ofereço.

—Ainda assim prefiro não arriscar — sustenta.

—Minha nora é sensata — meu pai elogia, sorrindo gentil — Mas caso mude de idéia, podes acompanhar Rebecca e minha mãe quando forem levar nossas condolências à viúva. Asseguro-te que vossa irmã não ousara desacatar-te ante elas — garante, seu riso ampliando-se.

—Farei isso meu sogro — diz, sorrindo fraco.

—Muito bem — meu pai aprova, limpando as mãos — Thomas, tentarei agilizar as coisas no referente ao restante do dote de minha nora. Caso seja-me possível, abrirei a conta em teu nome com o restante do valor, como acordado com teu sogro — avisa.

—Agradeço-lhe se o fizer meu pai. Não sei se conseguirei ir ao banco em algum momento. Acredito que terei bastante serviço hoje — presumo, escutando o suspiro pesaroso de minha esposa — Não te preocupes meu amor. Ficarei bem. Já me acostumei a lida — tranquilizo-a, beijando sua mão mais uma vez — Por falar nisso, vou-me indo. Quanto mais cedo pegar no batente, mais cedo terminarei minhas tarefas — digo, levantando-me, Cait fazendo o mesmo.

—Este é outro assunto que pretendo resolver muito em breve. Ainda mais agora — meu pai murmura, seu olhar perdendo-se um segundo.

—Deixe-me preparar-te um lanche. É rápido, não me demoro — pede, precipitando-se em direção a cozinha e aproveito para falar meu pai o que decidira à noite.

—Meu pai, caso consigas abrir a conta, veja a possibilidade de que seja em nome de minha esposa também — peço.

—Conta conjunta? — inquere e confirmo.

—Sim, mas não digas nada, por favor, nem mesmo a minha mãe. Quero fazer uma surpresa a minha esposa — volto pedir.

— Assim farei — concorda.

—Eis aqui — Cait retorna, trazendo uma pequena cesta — Coloquei pão, queijo, frutas e um pouco de suco — enumera, entregando-me.

—Grato meu amor — agradeço — Acompanha-me a porta? — indago, ela anuindo com um aceno — Sua benção, meu pai — peço, beijando o dorso de sua mão.

—Tenha um bom dia filho, e cuide-se — recomenda.

—Terei — respondo caminhando com minha Cait até a porta — Tente descansar um pouco e não se sinta-se culpada caso não vá ao velório — recomendo, beijando-a — Até mais tarde.

—Até meu marido — despedimo-nos, ela retornando ao interior da casa enquanto sigo para o armazém.

Ao passar em meio a praça, olho de soslaio em direção a casa de meu sogro, notando haver, agora, pouca movimentação. Suspiro, lamentando o ocorrido, penalizado pelo bebê que não teria a chance de conhecer o pai.

*** Centro de Starling ( 11:23 a.m) ***

Narrador

Sentado sobre o alpendre defronte a delegacia, Quentin Lance observa a imensa movimentação no outrora pacato centro da cidade, suspirando, saudoso, pensando que os tempos de calmaria findaram-se.

Em meio ao vai e vem constante de carruagens, carroças e pessoas, identifica a jovem senhora Merlyn acompanhada da sogra, de uma outra senhora que não reconhece e um senhor, igualmente desconhecido, carregando consigo uma maleta, aproximarem-se, pondo-se de pé, cumprimentando-as.

—Senhora Merlyn, jovem senhora Caitlin, senhora, senhor, bons dias — toca a aba do chapéu, inclinando levemente a cabeça.

—Bons dias delegado — Rebecca Merlyn devolve, sorrindo gentil — Permita-me apresentá-los meus sogros, senhor Richard e senhora Elizabeth Merlyn — indica o casal com um gesto de mãos, Richard dando um passo a frente, estendendo-lhe a mão que prontamente aceita.

—Quentin Lance, delegado da cidade a seu dispor — prontifica-se, dedicando novo cumprimento a mulher ao lado deste.

—Prazer em conhecê-lo delegado. Bem agitada sua cidade, não?! — Richard comenta, olhando em volta.

—Costumava ser bem menos até pouco tempo — Quentin diz, fazendo o mesmo, seu olhar recaindo sobre a dupla que caminhava em direção a delegacia.

—Desvantagens do progresso vindouro! — Merlyn pondera, esticando os lábios em um sorriso simples.

—Verdade. Mas um mal necessário se desejamos crescer — diz Lance, acenando aos recém chegados — Killigan, Ramon, bons dias — cumprimenta-os, fazendo com que os Merlyn se voltassem.

—Bons dias a todos — o guerreiro cumprimenta, inclinando a cabeça, sorrindo discretamente, Cisco imitando-o, sorrindo gentil ao olhar Cait — Requisitou nossa presença delegado? — Killi pergunta, dando atenção a ele novamente.

—Sim. Quero conversar com ambos acerca de uma idéia que ocorreu-me duas noites atrás — confirma Lance, dando atenção aos Merlyn outra vez — Presumo que estejam indo ao velório do senhor McKinney — supõe, completando — Retornei de lá alguns minutos, mas minhas filhas permanecem — informa, olhando diretamente para Cait, esta acenando-lhe ter entendido a mensagem velada.

—Não iremos nos demorar igualmente. Apenas prestar as condolências à viúva e sair. Estou apresentando a cidade a meus sogros e tenho também minhas filhas a cuidar — Rebecca justifica — Até mais ver delegado, senhores — cumprimenta-os, sinalizando a Caitlin tomar a dianteira.

—Até — Lance responde, fazendo nova reverência, esperando-os afastarem para somente então convidar Cisco e Killi adentrarem a delegacia — Pedi a Thawne os chamar aqui porque tenho uma proposta a fazer-lhes — anuncia, indo sentar-se por detrás de sua mesa, sinalizando aos dois fazerem o mesmo nas cadeiras a frente da mesma, voltando a falar após o terem feito — Como já devem saber, Starling terá, em breve, um porto nos moldes do de nossa vizinha Central — comenta, ambos acenando afirmativamente — Tal fato tem atraído cada vez mais pessoas a nossa cidade e por conseguinte aumentado, e muito a movimentação aqui — diz.

—Não apenas na cidade o movimento aumentou. Encontramos vários acampamentos nas redondezas. Alguns pondo em risco a segurança de todos por não estarem tendo o devido cuidado em apagar fogueiras — Killi comunica, visivelmente irritado.

—Essa, meu amigo, é justamente uma das razões que me fizeram pensar na proposta que ora faço-lhes: Killigam, Ramon, que acham de juntarem-se a força policial de Starling? — pergunta, direto, surpreendendo-os — Vocês e, quem sabe, mais alguns de sua tribo que tenham interesse em tal — acresce, entrelaçando os dedos, apoiando os cotovelos à mesa — Que me dizem? — reforça, olhando-os atentamente.

—E por que não? — respondem juntos após uma rápida troca de olhares, estampando um sorriso na face do delegado.

—Excelente! Vamos acertar os detalhes!

*** Residência MacKinney ***

Receosa, Caitlin hesita um segundo a entrada da casa da irmã mais velha.

—Algo errado minha querida? — Elizabeth pergunta, parando a seu lado.

—A relação de minha nora com a irmã anda um pouco estremecida, minha sogra — é Rebecca quem responde, pousando a mão no braço da jovem — Não tema. Em momentos como este as diferenças são deixadas de lado — pondera, incentivando-a seguir adiante.

—Não tenho tanta certeza disso! -a jovem sopra baixinho, vendo, com alívio, a aproximação de suas amigas.

—Cait, fico feliz que tenha vindo — Sara diz, sorrindo-lhe discretamente — Senhora Merlyn — cumprimenta a sogra da amiga com um aceno de cabeça, o olhar buscando os desconhecidos a acompanhá-las.

—Isso! Temi que não viesse por causa...bem, pela forma como Yvie a tem tratado desde que foi resgatada — Kara comenta, dando atenção aos outros presentes — Senhora Merlyn, como vai? — pergunta educadamente.

—Bem obrigada, minha querida — responde Rebecca, indicando os sogros com um gesto de mão — Estes são meus sogros, Richard e Elizabeth Merlyn — apresenta-os, olhares discretos dirigindo-se a Thea, essa retendo o ar nos pulmões — Estas são as senhoritas Laurel e Sara Lance, filhas do delegado, a senhorita Danvers, filha da melhor doceira das redondezas, a jovem senhora Felicity Queen, esposa do senhor Oliver — faz uma breve pausa — E essa é a senhorita Thereza Queen — finaliza, sorrindo para a garota, que baixa a vista, encabulada.

—Thereza? — Elizabeth repete, dando um passo em direção a jovem — Então esta é ….

—A filha mais nova de Robert e Moira Queen — Richard adianta-se, cortando a esposa, deixando a valise que carregava no chão, tomando a mão da garota entre as suas, fazendo-a erguer o olhar — Não imagina a quanto tempo queria conhecê-la menina -diz, um breve fulgor de emoção passando por sua face, sua expressão mudando radicalmente ao vislumbrar o casal Queen aproximar-se — Robert, há quanto tempo! — cumprimenta, indo ao encontro deles, estendendo-lhe a mão — Espero que nossas diferenças do passado tenham ficado por lá — diz em tom baixo, dando atenção a mulher — Moira, encantadora como sempre — elogia, deixando-a sem graça.

—Grata — sussurra.

—Ficaram — o empresário garante, retribuindo o aperto — Senhora — cumprimenta a Elizabeth com um aceno — Quando chegaram? — quer saber, encarando a Richard.

—Ontem, a noitinha. Acredito que em uma das últimas carruagens, não foi isto Lizzy? — volta-se para a esposa.

—Assim disse o cocheiro meu marido — confirma a mulher, sorridente — Como vai Moira? — quer saber, completando antes que ela respondesse — Definitivamente você e minha nora precisam ensinar o segredo de como manter-se tão belas as futuras gerações — elogia.

—Obrigada. A recíproca é verdadeira Elizabeth — agradece a matriarca dos Queen, voltando-se para o marido — Devemos ir meu marido. Prometi ajudar Monsenhor nos preparativos para a missa de corpo presente na capelinha do cemitério — lembra, dando atenção a Felicity e Thea — Minha nora, é melhor que vá descansar. Cemitério não é lugar apropriado a uma senhora em seu estado. Thereza, faça companhia a sua cunhada enquanto seu pai e eu representamos a família — ordena.

—Sim senhora — a garota concorda sem contestar, deixando as amigas surpresas.

—Enviarei recado a Oliver que vá para casa — Robert avisa.

—Grata por isso, meu sogro — Felicity agradece — Caitlin, precisamos marcar uma outra tarde de bordados — sugere.

—Decerto que sim — anui a jovem, sorrindo-lhe.

—Vamos Thea? — chama, a cunhada anuindo com um meneio, fazendo menção sair, estancando ante a ordem do pai.

—Um segundo — ordena — Senhor Harper — chama, o moreno, que passava próximo ao grupo, estancando de imediato — Faria a gentileza de acompanhar minha filha e nora até em casa? -pede.

—Certamente senhor Queen — prontifica-se o rapaz, dirigindo cumprimentos a esposa do patrão e sua nora — Senhora Merlyn, senhora Caitlin — faz-lhes uma reverência curta, sinalizando a Felicity e Thea irem, seguindo-as de perto.

—Bom rapaz este Harper — Robert comenta, observando-os.

—Sim, ele é — Rebecca corrobora — E trabalhador. Malcolm confia plenamente nele — afirma, erguendo o olhar para residência — Parece-me haver menos gente agora. Melhor aproveitarmos. Ainda preciso ir ao armazém do senhor Carlson fazer algumas compras — comenta distraidamente.

—Também devemos seguir, como minha esposa lembrou — Robert diz, pondo-se de lado para lhes dar passagem.

—Devemos marcar um jantar comemorativo entre as famílias qualquer dia destes — Richard sugere — Quem sabe em dois ou três dias, quando as coisas estiverem devidamente acertadas — diz, fazendo os presentes, a exceção da esposa, enrugar o cenho — Que me diz minha nora? — pergunta, a encarando.

—Se assim for de seu agrado e o senhor Queen concordar — condiciona ela.

—Verei a possibilidade e mandarei avisar — compromete-se Robert.

—Combinado!! — Richard exclama, satisfeito — Até mais ver — despede-se.

—Até mais ver — Robert retribui, oferecendo o braço a esposa — As senhoritas nos acompanham? — inquere, olhando de Sara para Kara.

—Se puderem ficar um pouco mais — Cait pede, em um ímpeto, arrependendo-se logo a seguir, temendo te demonstrado seu receio abertamente.

Ficamos mais um pouco — Laurel responde — Também precisamos ir ao armazém e as acompanhamos, caso não seja incômodo — indaga a garota, olhando para Rebecca.

—Incômodo algum minha querida — assegura ela, sorrindo gentil.

—Neste caso, vamos indo. Até mais ver — repete o empresário, pondo o chapéu, conduzindo a esposa.

—Homem admirável esse Queen! — Richard comenta, observando-o, voltando-se para a esposa e demais mulheres a sua volta — Vamos? — convida, acompanhando-as a pouca distância — O momento não pede, mas devo admitir que sinto-me um jardineiro em meio a tantas rosas! — elogia, deixando-as sem graça.

No interior da casa, Evelyne e a mãe recebem os cumprimentos de maneira polida e educada, dirigindo olhares frios a Caitlin, que recolhe-se, murmurando condolências em tom quase inaudível, agradecendo intimamente as amigas estarem a seu lado posto Richard Merlyn prolongar-se além do esperado, apresentando-se e conversando com alguns dos presentes, entre eles o prefeito Damien Darhk e Slade Wilson, por quem demonstra grande apreço, causando desconforto na jovem e Rebecca, o grupo deixando o local apenas quando o féretro era preparado para sair. Seguem direto para o pequeno armazém no qual Rebecca passara fazer as compras desde que o filho começara a servir Adrian Chase.

Na hora seguinte, a matriarca dos Merlyn auxilia a nora e a esposa do neto nas compras, ela mesma realizando algumas para si, Kara, Laurel e Sara acompanhando-as sempre, o grupo interrompendo o que fazia quando da passagem do cortejo fúnebre, retomando e finalizando tão logo este termina.

—Caro senhor, poderia dispor de mais um dos seus ajudantes para que acompanhe minha esposa e nora juntamente com a esposa de meu neto até em casa? — Richard solicita, sendo prontamente atendido.

—Não retornará conosco meu sogro? — Rebecca pergunta, intrigada.

—Não minha nora. Irei acompanhar estas lindas damas em parte do caminho posto estarmos indo para o mesmo lado, suponho — avisa, encabulando-as uma segunda vez — Irei para casa tão logo resolva algumas questões pendentes — diz, misterioso.

—Não esqueças de passar naquela botica que vimos ao chegar e comprar o que te encomendei, senhor meu marido — Elizabeth recomenda, ajustando a lapela do traje dele — E pare de galanteios ou irá ver-se comigo mais tarde!! — ameaça baixinho, fazendo-o rir.

—Ciúmes minha cara? A está altura?- questiona-a, mantendo o riso.

—E há tempo para tal? — devolve ela — Lembre-se de encomendar teus remédios também. Estão para acabar — acrescenta, depositando um beijo rápido em seus lábios — Até mais tarde.

—Até — responde, dando atenção a Rebecca e Caitlin, ambas disfarçando a surpresa ante o comportamento deles — Vejo-as dentro em pouco — diz, voltando-se para as igualmente surpresas Kara, Laurel e Sara — Senhoritas — oferece-lhes ambos braços, a valise pendendo em sua mão direita — Pena só ter dois! — brinca, Kara baixando o rosto, rindo discretamente.

—Richard Merlyn… — Elizabeth chama em tom de fingida advertência, sacudindo a mão lateralmente, acompanhando-os se afastarem com o olhar.

—Vamos minha sogra? — Rebecca convida, ela voltando-se, concordando com um aceno.

As três mulheres, acompanhadas por dois ajudantes do mercado carregando suas compras, seguem para casa, encontrando um verdadeiro rebuliço ao chegarem.

—Mas o que se passa aqui? — Rebecca inquere tão logo adentra a cozinha, sinalizando aos jovens depositarem as compras sobre as bancadas — Senhora Stone, trouxe tudo que pediu para a janta e algumas outras coisas que vi estavam para faltar — avisa, oferecendo uma pequena gorjeta aos dois rapazes, que aceitam, saindo agradecidos — A refeição de meu filho está pronta? — pergunta, esquecendo-se da presença de sua sogra — Minha nora costuma levar-lhe a refeição posto não haver tempo hábil a ele vir em casa — justifica, dirigindo seu olhar a Caitlin.

—Entendo — Elizabeth limita-se dizer, servindo-se um copo com água, sentando-se a mesa — Como está quente!! — exclama , abanando-se.

—Pedirei ao senhor Miller que leve água a seu quarto para banhar-se, minha sogra — Rebecca avisa, voltando-se para a governanta, vendo-a entregar o almoço de Thomas a Caitlin — Irás levar agora? Não seria melhor descansares um segundo? — sugere, preocupada.

—Descansarei na volta minha sogra — a jovem avisa.

—Neste caso leve uma das aias contigo. Não quero que andes sozinha por estas ruas movimentadas — ordena, olhando em volta a procura das jovens — Onde estão? — quer saber.

—Annette está a cuidar das gêmeas e Adissa a banhar o menino Davi — Judith Stone avisa — Posso pedir ao senhor Frommer que acompanhe a jovem senhora, caso ele já tenha terminado o serviço — condiciona.

—Qual serviço e novamente, que reboliço é este em minha casa? — reitera Rebecca, franzindo o cenho.

—O senhor Frommer escutou a jovem senhora Merlyn falando comigo mais cedo, a respeito das camas… — Judith começa, cuidadosa, Elizabeth sinalizando a ela prosseguir — E ofereceu-se para ajudar — conta.

—Verdade minha sogra. Havia-me esquecido de falar-lhe — Cait diz, encabulada — Perdoe-me — pede.

—Não precisa desculpar-se meu bem — garante ela, sacudindo a mão — O que ele está a fazer? — interroga.

—Sendo-lhe franca, não sei — assume a governanta — Apenas pediu ao Miller ajudá-lo remover ambas camas tão logo regressou da rua e desde então estão, os dois, no celeiro a martelar, indo e vindo ao quarto vez ou outra — conta.

—Neste caso, vá a senhora com minha nora — pede.

—Posso eu acompanhá-la, senhora — Patrícia Frommer oferece-se, adentrando a cozinha — Perdoem-me a intromissão, mas passava junto à janela quando as ouvi — justifica-se — Estou indo ao mercado. Posso acompanhar a jovem senhora — prontifica-se novamente.

—Neste caso, apresse-se minha nora, antes que o sol torne-se por demais quente — Rebecca aconselha.

—Pois não minha sogra — Caitlin anui, segurando a cesta, aceitando o chapéu oferecido pela governanta, retirando-se em companhia de Patrícia enquanto Rebecca ordenava a Judith pedir ao empregado levar água ao quarto ocupado pelos sogros.

Enquanto caminham, Patrícia revela a Caitlin o que o marido estava a fazer com as camas, deixando a moça animada.

—Nada direi a meu marido. Quero fazer-lhe uma surpresa! — comemora, Patrícia anuindo, a mulher ficando na frente do armazém, realizando suas compras, a jovem indo em busca do marido, encontrando-o na lateral do lugar.

—Thomas, trouxe seu almoço — chama atenção do rapaz, que volta-se, pondo a caixa que segurava sobre outra.

—Obrigada meu amor — agradece ele, deixando um beijo leve em seus lábios — Acompanhas-me? — pergunta, ficando desapontado quando ela nega.

—Hoje não posso. Fui, em companhia de teus avós e minha sogra, ao velório de meu cunhado e ainda não almoçamos — explica, completando — Trataram-me com relativo respeito, não te preocupes — avisa, lhe acarinhando a face.

—Fico feliz em terem agido assim — diz, o chamado da senhora Frommer fazendo ambos se voltarem.

—Estou indo — Cait avisa, dando atenção ao marido novamente — Aguardarei que chegues para cear contigo — avisa, aceitando, de bom grado, mais beijo rápido, caminhando ao encontro da mulher que a esperava na esquina, acenando um adeus antes de ir-se, Thomas adentrando o prédio, lavando-se rapidamente antes de sentar-se em um canto para tomar a refeição.

*** Armazém Chase (15:43 p.m)***

—Humpf! — Adrian Chase bufa ao adentrar seu estabelecimento, estapeando as própria pernas, deixando parte da poeira acumulada nas vestes no assoalho de madeira — Troço demorado e maçante!! — resmunga, erguendo olhar — Por que estão parados a me olhar como patetas? — reclama — André, limpe o chão e o resto de vocês procurem o que fazer antes que decida livrar-me de todos! — ameaça, causando uma correria entre seus empregado — Bando de inúteis! — xinga baixinho, fazendo menção retirar-se, o jovem o qual encarrega de limpar o chão cortando-lhe o caminho — Mas o que foi agora? — bufa, encarando-o

—Perdoe-me patrão, mas preciso avisar-lhe. Há um senhor a sua espera em seu escritório — comunica, completando antes que o homem pudesse rebater -Avisei que o senhor poderia demorar, mas disse que o esperaria o tempo que fosse pois precisava resolver uma questão com o senhor hoje sem falta.

—De quem se trata? — Chase pergunta, irritado.

—Merlyn, senhor…

—Merlyn? E permitiram a ele subir até meu escritório? Idiotas!! — vocifera, adiantando-se para o interior do prédio.

—Devia ter-lhe dito não se tratar do senhor Malcolm, André — a jovem atendente alerta, ele dando de ombros ao encará-la.

—Ele não deu-me tempo fazê-lo — justifica, pegando vassoura e pá.

Irritado, Adrian caminha a passos firmes em direção a seu escritório, estancando ao ver Thomas e outro empregado parados em meio ao depósito, conversando.

—MERLYN, QUE PENSA ESTAR FAZENDO PARADO AÍ? — berra propositadamente, vendo, pelo canto do olho, a figura imponente surgir na janela acima de sua cabeça- VOLTE AO TRABALHO AGORA MESMO, IMBECIL! — xinga, o rapaz respirando fundo, engolindo a raiva, atendendo-o.

Satisfeito, Chase retoma seu caminho para o escritório, o sorriso vitorioso em seu rosto sumindo ao entrar no local, o homem alto voltando-se para recebê-lo.

—Senhor Chase, finalmente!! — exclama, esticando os lábios em um sorriso sarcástico — Decerto recorda-se de mim, não é? — inquere, mantendo o sorriso.

—Certamente senhor Merlyn...Richard — responde, recuperando-se da surpresa — Em que posso lhe ser útil? — pergunta, passando por ele, indo sentar-se por detrás da mesa, convidando-o fazer o mesma na cadeira a sua frente.

—Serei objetivo a fim de não desperdiçar vosso tempo e o meu — declara, declinando a oferta, depositando a valise sobre a mesa — Tenho aqui o montante que falta para quitar a dívida de meu filho para convosco. Um pouco mais até — diz, abrindo-a — Bem mais — frisa, encarando-o — Agora, se for tão esperto quanto ambicioso, o que sei que é, aceitará e libertará meu neto da obrigação a ele imposta — conclui.

Surpreso, Adrian levanta-se, inclinando-se minimamente a fim de ver o conteúdo da valise, a ganância estampando-se em seu rosto.

—De quanto estamos falando? Como pode saber o valor a mim devido? — questiona-o, desconfiado, não o deixando responder a princípio — Claro! O próprio deve ter-lhe dito ao escrever pedindo socorro — ironiza, sentando-se.

—Como a informação chegou a mim não importa — Richard retruca, tranquilo, sentando-se também — O valor, como disse, equivale ao restante do devido por meu filho, descontado os dias que meu neto o serviu, como escravo, conforme acordado perante o conselho desta cidade — surpreende-o ao dizer- Acresci a este, por vontade própria, a título de incentivo, mais um terço do total — revela, o comerciante engolindo a seco — Então? Que me diz? -pergunta, girando o chapéu em sua mão.

—Preciso pensar — Adrian responde, não querendo dar o braço a torcer.

—Ora vamos meu caro! Somos homens de negócios. Que é mais vantajoso: receber o montante do que ainda lhe é devido, acrescido de uma bonificação, agora, em cash, ou em porções, dia a dia durante anos? — argumenta, prosseguindo — Estou certo enxergará a grande vantagem que lhe ofereço, e acredito já ter saboreado o gosto da vingança contra Malcolm, seja lá qual a motivação para tal, humilhando e espezinhando meu neto publicamente como vem fazendo — afirma, o brilho frio em seu olhar preocupando o comerciante, que disfarça, tossindo e olhando de lado, fingindo pensar — Minha proposta é válida por mais quinze minutos — alerta, pegando Chase de surpresa.

—Retiraria a oferta e deixar-me-ia continuar a, usando vosas palavras, espezinhar e humilhar vosso neto? — questiona-o, duvidoso, Richard demorando-se um segundo responder.

—Minha esposa e eu chegamos ontem, a noitinha — começa, Adrian cruzando os braços, sustentando seu olhar em desafio — Decidimos, repentinamente, vir para Starling e ora veja, viemos justo quando a cidade está em ebulição por conta da construção do porto. O resultado? Não tivemos onde nos hospedar!! — exclama, rindo-se.

—Lamentável — Chase ironiza mais uma vez — Que isto tem a ver com o assunto em questão? — pergunta, estreitando os olhos, a calma do outro pondo-o em alerta.

—Pois é. Lamentável pois teremos de ficar em casa de meu filho até que consigamos encontrar uma casa que nos agrade. A propósito, saberia me dizer se há algum imóvel a venda nas redondezas? Ou indicar alguém que possa nos auxiliar na busca? — pergunta, satisfeito em vê-lo empalidecer.

—Não pretende estabelecer-se na cidade, pretende? — inquere, tenso.

—Mas se foi justamente para isto que viemos!! — Richard responde, sorridente — Minha esposa estava saudosa em rever nosso filho e neto e agora que descobrimos ter mais duas netinhas está radiante! Sem mencionar a possibilidade de bisnetos virem alegrar-nos em breve — comemora — Lizzy sequer cogita regressar a Inglaterra — afirma — Fixaremos, sim, residência em Starling. Até já andei fazendo amizade com alguns cidadãos proeminentes da cidade durante o velório do pobre senhor McKinney, como o delgado e o prefeito — enumera, sua expressão tornando-se repentinamente sombria — Logo estreitaremos os laços com todos aqueles que possuem alguma influência e não hesitaremos em recomenda certos estabelecimentos...Ou não recomendar — declara, recostando-se a cadeira, dedos entrelaçados — E agora lhe restam dez minutos — avisa.

—Está me ameaçando? — Chase pergunta, mais tenso.

—De forma alguma!! — Richard exclama, sorridente — Apenas lembrando-o do quanto as pessoas são suscetíveis a opiniões alheias — diz, mantendo a postura calma — Nove minutos.

Nos minutos seguintes, os dois homens nada dizem. Apenas encaram-se desafiadoramente, em uma batalha silenciosa.

—Tempo esgotado! — anuncia o empresário, pondo-se de pé, fazendo menção pegar a valise, Chase detendo-o.

—Aceito — diz, ligeiro, fazendo o outro sentar-se novamente.

—Excelente! -Richard exclama, retirando um envelope do bolso interno de seu terno — Se não importa-se, peço-lhe assinar este documento comprovando a quitação do débito de meu filho com juros, bem como liberando meu neto o cumprimento do acordo outrora selado — específica, pondo-o sobre a mesa — As duas vias por favor. Uma ficará consigo, evidente, e outra entregarei a meu filho — comunica, observando-o pegar o envelope, retirando o conteúdo de seu interior, lendo-o, dirigindo-lhe um último olhar ameaçador antes de assinar — Tomou a decisão certo — afirma, aguardando Chase finalizar e entregar-lhe a cópia do documento para voltar a falar — Agora, poderia fazer o favor de chamar meu neto aqui e avisá-lo estar liberado? — ordena de maneira educada, recebendo novo olhar agressivo.

—Certamente — Adrian responde, entre dentes, levantando-se, indo até a janela — MERLYN! EM MEU ESCRITÓRIO AGORA! — ordena, retornando a seu lugar, aguardando o rapaz atender o chamado.

—Pois não senhor Cha…- Thomas começa dizer, adentrando o ambiente, calando-se ao deparar-se com o avô — Vovô...senhor… O que faz aqui? — enrola-se, nervoso.

—Vim tratar de negócios com o senhor Chase aqui — Richard responde, pondo-se de pé ao lado do neto.

—Negócios? — Tommy repete devagar, olhando de um para outro, intrigado.

—Sim, negócios — Chase confirma, rindo torto, continuando — Vosso avô veio comprar-lhe a carta de alforria!! — provoca, o rapaz enrugando o cenho.

—Eu...não entendi — diz lentamente, dirigindo seu olhar ao avô, Chase não dando espaço a Richard falar.

—Não há o que entender. Vosso avô pagou-me o restante da dívida contraída por vosso pai, o que anula o acordado ante o conselho — explica, abrindo uma gaveta de onde retira o documento assinado por Malcolm, estendendo a Richard — Como vê, honro com a palavra dada, ao contrario de uns e outros — alfineta, o empresário segurando o papel timbrado — Braço Merlyn — pede, sacando o abridor de cartas, cortando as amarras da munhequeira no pulso de Thomas — Está oficialmente livre — ironiza, rindo torto novamente, um breve silêncio fazendo-se no ambiente, Richard sendo o primeiro a quebrá-lo.

—Muito bem — diz, abaixando-se, recolhendo a peça em couro que caíra ao chão — Podemos ir — encara a Adrian outra vez — Foi um prazer negociar com o senhor — devolve a ironia, voltando-se para o neto — Você primeiro Thomas — indica-lhe a saída, o jovem demorando-se um segundo sair da inércia, girando nos calcanhares, adiantando-se para fora do escritório tendo o avô em seu encalço.

—Eu não entendo — repete quando chegam ao sopé da escada, voltando-se para encarar o avô — Como soube quanto meu pai devia? Por que não falou nada? — interroga.

—Esclarecerei tudo durante o jantar. Agora vamos embora...antes que mande as boas maneiras às favas, volte aquele escritório e arrebente as fuças daquele sujeitinho asqueroso! — Richard rosna, arrancando um sorriso do neto — Apresse-se que minha paciência finda-se!! — alerta, Thomas retomando a caminhada, ambos deixando o armazém pela porta lateral após o rapaz despedir-se dos poucos funcionários no setor de estoque.

No trajeto para casa, Tommy tenta, em vão, fazer o avô contar-lhe como soubera o valor devido pelo pai, desistindo ante a posição resoluta do homem, dando-se por satisfeito em estar, finalmente, livre do julgo a ele imposto e principalmente dos desmandos e cretinice de Chase.

Em casa, são recebidos no alpendre por Rebecca e Elizabeth, as quais tomavam a fresca da tarde com as bebês, a primeira emocionando-se ao saber do ocorrido, envolvendo o filho em um abraço demorado.

—Obrigada meu sogro. Muito obrigada — agradece tão logo libera Thomas, enxugando as lágrimas.

—Nada há a agradecer minha nora — Richard declara, sorridente.

—Meu menino! Não imagina o quão agoniada fiquei ao saber o que se passava — Elizabeth declara, abraçando-o uma segunda vez — Que alívio em tê-lo livre daquele homem mesquinho! — exclama, sem o soltar.

—Também estou feliz minha avó — Tommy diz, tentando soltar-se — Mas agora peço-lhe que me deixe ir. Estou ansioso por contar a novidade a Cait — pede, ela afastando-se — Onde minha esposa está? — pergunta, procurando-a com o olhar.

—Em vosso quarto, mas…. — Rebecca avisa, o filho saindo quase correndo ao encontro da esposa, não esperando-a concluir a frase.

—Ahhh, Beca, não deveríamos tê-lo deixado ir. Vai estragar a surpresa!! — Elizabeth diz.

—E lá deu tempo evitar! — exclama ela.

—Que surpresa? — Richard inquere, arqueando a sobrancelha ao vê-las sorrir.

***Caitlin ***

Sopro, olhando em volta, sorrindo satisfeita, limpando meu rosto com o dorso da mão.

Fora cansativo, abri mão da sesta vespertina, mas o esforço valera a pena sem sombra de dúvidas!

—Está tudo tão lindo senhora! Mais até do que vosso quarto no andar superior — escuto Adissa dizer e sorrio mais, concordando.

—De fato está! — exclamo, orgulhosa.

—É que aqui a senhora pôde dar seu toque pessoal ao passo que no outro a única mudança fora a cama nova — Annette comenta.

—Sim — limito-me dizer, não querendo causar dissabor a minha sogra caso uma das duas deixasse escapar algum comentário meu — Mas parte do resultado é devido ao casal Frommer. A cama, os lençóis e outros … — interrompo-me, sobressaltando-me quando a porta é aberta subitamente, meu marido adentrando.

—Cait, eu estou….- estanca, surpreso, olhando em volta — Mas o que…???

—Thomas, que faz em casa a esta hora? Por que ninguém avisou-me que chegara mais cedo? Estragou a surpresa — reclamo, lembrando-me de minha aparência estar deplorável — Ah não!! Não me olhes! Estou horrível! Descabelada, suada, suja e fedendo! — enumero, escondendo-me por detrás dos braços unidos e erguidos, soltando um grito de susto ao ser içada por ele no ar — Thomas, que está fazendo? Não escutou-me falar? Estou…

—Linda, encantadora e teu perfume natural é melhor e mais doce de todos os cheiros que já senti na vida! — me corta, tomando meus lábios em um beijo apaixonado que me tira o fôlego.

—O que deu em você? — pergunto tão logo me põe no chão, notando que Adissa e Annette haviam saído discretamente, fechando a porta, o sorriso luminoso de meu marido chamando-me atenção — O que há? Por que não estás no armazém? — questiono-o, o temor de um novo castigo físico afligindo-me — Aquele homem horrível não te bateu novamente, bateu? — preocupo-me, tateando seu corpo a procura de ferimento.

—Não e jamais o fará novamente — assegura, segurando minhas mãos, olhando dentro de meus olhos — Não irei mais servi-lo. Estou livre, meu amor. LIVRE!! — eleva a voz, içando-me no ar uma segunda vez, girando até cairmos juntos sobre o colchão, rindo como crianças — Livre!! — repete, quando ambos paramos de rir, acariciando meu rosto antes de tomar minha boca mais vez…

Continua….

“.... Vida boa, brisa e paz;

Trocando olhares ao amanhecer;

Rir à toa é bom demais;

Olhar por céu, sorrir e agradecer;

Você é a razão da minha felicidade;

Não vá dizer que eu não sou;

Sua cara-metade;

Meu amor, por favor, vem viver comigo;

O seu colo é o meu abrigo….”



Notas finais
Até breve. Fiquem em casa. Bjinhos flores