O preço de sua posse: entre arte, amor e poder
9 Capítulo 9 - Passou do limite
Acabei de comer meu mel com frutas, deixei a tigela na pia e fui até o meu quarto. Quando eu cheguei ali, havia uma caixa de papelão com um bilhete escrito com a caligrafia calculada que só o Adam Vance teria, nele está escrito:
''Eu sei que o seu aniversário já passou, mas não pude deixar de presentear minha gatinha favorita pelo feito de ontem. Abra a caixa, experimente e me encontre no meu escritório. A. V.''
-- será que essa é a surpresa? -- murmurei para mim mesma. Abri a caixa com uma tesoura da escrivaninha do meu quarto, quando olhei para dentro da caixa, havia... meias... meias pretas e longas com... patinhas fofas nos pés. Tem vários pares de meia na caixa... são lindas, apesar da pose de marfioso, ele sabe ser fofo.
Vesti as meias, elas dão mais ou menos no meio das minhas coxas, mas... 'por que não pegar uma camisa social dele pra combinar?' pensei travessa. Fui até o closet, ele tem várias... brancas, cinzas e pretas. Ele é bem minimalista, peguei a camisa preta que mais me chamou atenção e vesti.
Super confortável, tem o cheiro de perfume amadeirado que ele carrega, ficou perfeito com as meias.
Enquanto eu andava pela casa com meias de patinha pelos corredores, o meu coração acelerou, talvez seja expectativa. Eu mantia passos firmes, nenhum dos funcionários precisam saber que estou com o coração saindo pela a boca.
Quando encostei a mão na maçaneta da porta do escritório, não abri de primeira. Inspira... 1,2,3,4. Segura... 1,2,3,4. Expira... 1,2,3,4. Segura. Um ciclo de respiração quadrado deve ser o suficiente para colocar minha mente no lugar.
Abri a porta devagar para não demonstrar ansiedade, o ruído das patinhas de minhas meias eram praticamente nulos.
-- Adam -- chamei tentando manter a voz estável, fingindo que eu não estava nervosa -- pelo visto, já está usando o seu presente, gatinha -- ele fala com uma euforia visível, mas mente ligou os pontos -- é por isso que você tá me chamando de gatinha? Você leu o meu caderno com a capa azul-marinho com flores brancas? -- questionei fingindo indignação, sendo que, na verdade eu tinha amado o presente.
-- eu li hoje mais cedo, depois de ter o encontrado em cima da minha mesa -- ele confessa, enquanto pegava meu caderno em cima da mesa de carvalho, o colocando em minhas mãos -- agora precisamos interrogar o Luca, preciso descobrir quem foi o infeliz que te ameaçou -- ele avisa andando até a porta.
Descemos para o subsolo que pro Adam é apenas um porão que ele mal lembra que tem na casa, nossos passos ecoavam no ambiente mal iluminado, dava pra ouvir a respiração do Luca de longe... como um ser humano respira tão alto assim? Vai saber.
Quando chegamos naquela salinha, o Luca tava amarrado na cadeira, havia apenas uma lâmpada amarelada iluminando um pouco o ambiente, o clima tava tenso e havia um guarda atrás do Luca.
-- dispemsado -- Adam ordenou com a voz baixa e cortante, o guarda fez um gesto em sinal de respeito como todos fazem e apertou o passo, saindo da salinha.
-- você disse que foi contratado para compartilhar informações do celular da minha mulher -- Adam começa, andando em direção a Luca, mantendo o tom ríspido -- mas eu quero saber quem foi que te pagou para cometer essa besteira -- ele fala, ele tá com a mão no bolso, tem algo ali? É pra disfarçar o nevorsismo? Eu moro com ele, mas ainda é difícil adivinhar o que ele tá planejando.
-- f-foi a Jéssica Rossi! Ela me prometeu me pagar em milhões se esse plano desse certo -- ele confessa de uma vez, num tom desesperado e eu? em silêncio, bem quietinha... espera... Jéssica? Por que é familiar?
-- Jéssica... Rossi... eu não esperava algo assim dela -- Adam começa passando a mão no cabelo -- isso passou de todos os limites -- a voz dele ainda estava baixa, só que um pouco mais afetada... eu andei até ele, segurando a mão dele, sem falar nada, sem entender.
-- eu posso... ir agora? -- o Luca pergunta com voz baixa como se falasse alto fosse irritar o Adam, ele se virou pra mim como se esperasse que eu tomasse a decisão. Eu não pensei que ele iria fazer isso...
-- Adam, deixe ele ir... não vamos gastar recurso com alguém como ele -- comecei mantendo a voz mansa, enquanto olhava no fundo de seus olhos, me virei pro Luca, indo até ele -- eu garanto que você saia ileso agora, mas espero que o seu erro não se repita, tá? -- falei de um jeito firme, mas mantendo meu tom compreensivo.
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