Notas iniciais
hoje eu fiz na maior preguiça do mundo, mas fiz


Estavamos tomando café em silêncio total, eu cortava uma fatia de torta salgada. Adam tava sentado em minha frente comendo uma maçã, eu sentia a intensidade dele daqui... ele tá me encarando? De repente meu celular tocou, quando olhei chegou uma mensagem de número desconhecido.

Alguém sabe meu número? Pensei que eu só tinha o número do Adam, quando abri a mensagem estava escrito ''eu sei onde você mora e isso é um erro grave, Karashima'' quando li isso, gelei, quem tem meu número ou localização?

-- Adam... -- chamei com a voz mais baixa, pelo meu desconforto -- sim, Skarlet -- ele respondeu parando de mastigar a maçã, com a voz calma. Eu podia falar que não é nada, mas... eu confio nele -- tem uma mensagem de número desconhecido no meu celular -- contei estendendo o meu celular para ele.

Ele pegou o celular da minha mão, leu a mensagem e levantou o olhar -- você trocou número com alguém? -- ele perguntou fixando o olhar em mim -- não... depois de comprar o celular, eu não sai de casa e não falei com mais ninguém além dos seus funcionários -- respondi sentindo o clima pesar. Ele colocou o meu celular no bolso e chamou um guarda que tava perto -- chamem todos os meus funcionários para o salão central imediatamente -- ele exigiu com a voz baixa, mas cortante.

Ele levantou e ia em direção a porta do salão, mas eu me levantei e parei na frente dele. Segurei os seus pulsos, apoiando suas mãos no meu rosto -- Adam, se acalma... não fica assim... por favor... -- pedi num fio de voz, não queria que ele agisse no calor do momento -- eu estou calmo, Skarlet, eu juro -- ele falou com a voz calma, mas isso não era o que o olhar dele dizia, o pulso dele está acelerado... ele mentiu pra tentar me acalmar.

-- se você não estiver calmo, eu vou entender... mas não mente pra mim... eu só tô pedindo pra esperar -- falei firmando as minhas mãos nas dele -- pelo menos faz a respiração quadrado comigo antes de ir... por favor -- pedi olhando para aqueles olhos azuis que ele tem, esperando sua resposta -- tudo bem, Skarlet, você venceu -- ele respondeu naquele sorriso raro que só ele tem.

-- me acompanha -- avisei dando um aperto carinhoso nas mãos dele -- inspira por 4 segundos... 1, 2, 3, 4. Segura por 4 segundos... 1, 2, 3, 4. Expira por 4 segundos... 1, 2, 3, 4. Segura por 4 segundos... 1, 2, 3, 4 -- eu sentia o pulso dele desacelerar aos pontos, o peito dele subia e descia ao longo dos ciclos.

-- melhor agora, amorzin? -- perguntei num tom debochado pra descontrair da ameaça da mensagem -- bem melhor... obrigado, Skarlet. Agora vamos, tenho que ter certeza se alguém daqui ajudou alguma pessoa a descobrir o sinal do seu celular -- ele falou antes de dar um beijo estalado na minha bochecha, depois saiu na frente em direção ao salão.


Quantos funcionários ele tem!? Pensei enquanto olhava para vários seguranças, empregadas, alguns cozinheiros e entre outros ainda não vi -- quem foi que participou da ameaça contra minha mulher? -- Adam perguntou num tom de voz frio, algumas empregadas tremiam, alguns nem sequer levantavam o olhar -- senhor, com certeza foi o Jason, ele que foi um dos que auxiliou na reconfiguração do celular da senhorita Karashima -- falou um deles, parece que o nome dele é Luca, apontando pro Jason? É, deve ser o Jason mesmo, ambos ajudaram a mecher no meu celular.

-- como pode dizer que sou eu se você também tava junto!? -- rugiu Jason, agarando o colarinho do Luca, mas eu já entendi quem é o culpado. Dei uma puxada na camisa de Adam, que se virou pra mim devagar -- o que foi, Skarlet? -- ele peguntou, parecia ter esquecido da situação -- eu sei quem é o culpado. É o Luca -- falei meio tímida, mas firme.

-- por que você acha que o Luca? -- ele perguntou não achando que estou errada, parecia mais curioso pra entender minha linha de raciocínio -- você não falou que tinha haver com meu celular... você falou ''quem foi que participou da ameaça da minha mulher''. E a primeira coisa que fez foi acusar o Jason por quê ele ajudou a configurar o meu celular e o Jason apenas se defendeu -- falei mantendo a voz firme, mas odiando a atenção de tanta gente naquela sala.

Luca congelou, ficou estático assim que Adam focou o olhar nele -- eu confesso! -- gritou Luca -- fui pago para passar o número da senhorita Karashima, mas fui garantido que não ia dar errado... eu peço piedade -- ele confessa, se jogando de joelho no chão -- deixe-o no porão, amanhã iniciamos o interrogatório -- Adam ordenou, enquanto saia do salão.


-- Adam -- chamei enquanto entrando no quarto a sua procura, lá estava ele sem camisa, se encarando no espelho -- o que foi, Adam? Algo errado? -- perguntei indo até ele, quando me aproximei, deu pra ver no reflexo as cicatrizes profundas que ele tem no corpo -- nada demais, Skarlet -- ele respondeu com um sorriso meio forçado, ele não é muito bom pra disfarçar.

Ele se sentou na cama e eu me sentei ao lado dele -- é sobre suas marcas? -- perguntei com a voz baixa, não querendo aumentar o desconfoto dele -- sim -- ele respondeu sem a frieza de antes -- cada marca, cada corte cicatrizado é uma constante lembrança de um confronto onde eu quase falhei... de que eu preciso continuar vivo pra cuidar de você -- ele eu uma pausa, como se quisesse escolher as palavras -- saber que alguém está te ameaçando e que esse confronto... não seja só mais uma marca que eu odeio ter... -- ele confessa enquanto olhava para as próprias mãos.

Eu só sentia empatia, coloquei a mão no ombro dele, dando um aperto firme -- essas marcas não são apenas lembranças ruins... são lembranças de que você foi forte e de que é humano -- falei com a voz doce, ele levantou a cabeça, focando a atenção em mim -- eu não tenho nojo das suas cicatrizes, elas são como o mapa do que você viveu. Eu não quero alguém perfeito, eu quero alguém real... como você -- confessei mantendo o tom de voz, ele não parecia frustado agora.


Eu desabotoei a minha blusa, com os dedos eu fui indicando cada parte da minha pele -- no rosto nem tanto, mas tenho manchas de acne acima do peito, nos ombros e costas... mas não me sinto mal por isso, pra mim são como estrelas, sabe? -- o olhar dele mapeou a pele indicada, ele aproximou a mão devagar sentindo a textura da minha pele.

-- estrelas... estrelas de um céu -- ele dizia num sussuro rouco, o toque dele é cuidadoso, um completo contraste de como ele é com as outras pessoas -- é inacreditável como você significados bonitos as coisas que são consideradas defeitos -- ele falou dando um sorriso sincero, eu me aproximei dele, dando um beijo estalado em corte cicatrizado abaixo da clavícula dele, dando mais beijos do pescoço até a bochecha dele.

-- assim como suas marcas -- falei antes dar um selinho nele, logo depois ele me puxou pra perto novamente distribuindo beijos no meu pescoço -- só você para fazer algo assim -- ele falou antes ficarmos ali grudados um no outro