O preço da intolerância

1 O outro país que sofreu tanto quanto o Brasil.


No dia 5 de Novembro de 2015, em Minas Gerais, uma barragem se rompeu e destruiu as cidades de Mariana e Ouro Preto, e estar causando uma grande poluição em meu país, o que me deixou bastante doente. Mas, isso já foi o bastante para o meu sofrimento? Não. Porque no dia 12 de Novembro de 2015, teve uma chacina em Messejana, na capital do Ceará, Fortaleza. Então, podemos dizer que sim, eu sofri dois casos bastante graves.

Por causa disso, estou aqui no hospital, me recuperando tanto da doença, quanto das graves feridas que sofri em ambos os casos. Eu estava deitado em uma cama de hospital, assistindo às notícias de meu país à noite. Logo, desliguei a TV, me levantei e desliguei as luzes.

Ao me deitar novamente, comecei a chorar e chorei por muitos minutos, porque estava me recordando de tudo o que passei nos últimos dias e de todas as pessoas que morreram naqueles incidentes.

Depois de mais alguns minutos de choro, dormi abalado e tive pesadelo com tudo o que eu sofri nesses últimos momentos, mas o que mais me chamou atenção nesse sonho, foi porque, depois que as lembranças dos meus dois casos desapareceram completamente, um país, aparentemente europeu, estava nele, e ele não tinha nada haver com meu sofrimento.

O país estava de costas para mim e julgando pelos seus cabelos loiros e pela sua roupa, parecia ser Francis Bonnefoy, mais conhecido como França.

- França? — chamei ele — É você, França?

Me aproximei um pouco dele, até que ele se virou para mim e eu me assustei com o que via nele. Ele estava com o corpo bastante abatido, com marcas de tiros e bombas, e estava sangrando tanto quanto eu em meus dois casos. O loiro também estava chorando.

- Me ajude — gemia ele, enquanto chorava mais — Me...aju...

Antes de ele completar a última palavra, o país desmaiou em minha frente, o que me deixou ainda mais assustado.

- França! — gritei, correndo até ele — França! — ao me aproximar, agarrei-o em meus braços — França, aguente firme! Você vai ficar bem! — mesmo continuando a gritar mais e mais, França não me respondia uma palavra sequer — França!...FRANÇAAAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Acordei assustado e com lágrimas em meu rosto. Logo, cobri meu rosto com as duas mãos e comecei a chorar mais e mais, enquanto me recordava novamente de meus maus momentos nos últimos dias.

A enfermeira que ouvira meus choros, entrou imediatamente em meu quarto do hospital e me acalmou. Então, ela me perguntou o que tinha acontecido e se eu estava me lembrando dos meus dois casos. Abaixei as mãos de meu rosto e respondi sobre o sonho, mas apenas falei das lembranças dos casos, nada sobre o França.

Depois de mais alguns segundos, a enfermeira deixou meu café-da-manhã na estante ao lado da cama de hospital e saiu do quarto. Me levantei e fui em direção à janela, olhando a vista e torcendo para que aquilo que aconteceu com França em meu sonho e em qualquer outro país não acontecesse, assim como aconteceu comigo.

Mas, o universo não atendera minhas preces. Em uma noite, pude ouvir médicos e enfermeiros agitados através das paredes de meu quarto. Quando abri a porta para ver o que estava acontecendo, vi eles correndo com um carrinho de hospital para dentro de uma sala.

Pela reação deles, eles estavam levando um paciente com condições graves. A minha enfermeira se aproximou de mim e eu perguntei à ela se sabia o que tinha acontecido para os outros enfermeiros e os médicos estarem tão agitados daquele jeito.

Ela me respondeu que um outro país sofreu condições graves com tiros e bombas. Ao ouvir isso, me lembrei do sonho que tive. Logo, olhei para ela com uma expressão nervosa e perguntei qual era o país e ela respondeu França.

Fiquei mais chocado com a resposta. Coloquei as mãos em minha cabeça e chorei novamente, me lembrando novamente dos meus dois casos e imaginando a situação do França. A enfermeira deu um carinho em meu ombro esquerdo e me pôs para dentro do quarto.

A enfermeira tinha me explicado que o França sofreu um atentado do Estado Islâmico e que era considerado o pior de seu país, inclusive eu até vi algumas notícias falando a respeito na televisão.

Minutos depois, eu sai do quarto novamente e chequei a luz que ficava em cima da porta do quarto onde o França foi levado, para me certificar de que podia visitá-lo.

A luz estava desligada. Então, eu me aproximei de seu quarto e antes de abrir a porta, escutei algumas vozes por dentro. Olhei pelo vidro e vi outros países, incluindo os europeus.

Depois, eu entrei no quarto e cumprimentei a todos, que se viraram para mim surpresos.

- Brasil? — perguntou Alfred F. Jones, o América ou Estados Unidos para muitos — O que está fazendo aqui? E por que está com essa roupa de hospital?

- Eu também sofri condições graves, América — respondi. Já era de se esperar que muitos ali presentes não soubessem da situação que sofri, já que não era muito anunciado nas mídias á não ser em meu país. Tanto que não recebi tantas mensagens de solidariedade á não ser de minha população quanto o França recebeu, como pude ver em seu quarto.

- Brasil? — chamou França que estava deitado na cama de hospital — Excusez-moi, pessoal, eu também quero ver o Brasil.

Assim, todos que estavam à sua frente lhe deram licença. Após isso, pude ver França claramente em sua cama de hospital, olhando para mim. Me aproximei dele e me sentei em uma cadeira ao seu lado.

- Sofreu tanto quanto eu, Brasil? — perguntou França.

- Pode acreditar que sim — respondi — Inclusive, um dos casos que sofri era, praticamente, o mesmo que o seu, mas o Estado Islâmico não estava envolvido e sim, policiais e bandidos. Era uma chacina que aconteceu em um bairro de uma das minhas cidades, Messejana, da cidade de Fortaleza, Ceará. Já o outro caso, foi uma barragem que destruiu as cidades de Mariana e Ouro Preto, em Minas Gerais, e que está poluindo o meu país, já que o lixo que tinha por lá estar sendo arrastado para os rios.

- Entendo — concluiu França, abaixando a cabeça de preocupação — Pegue minha mão, Brasil.

Olhei para sua mão erguida e então, eu peguei.

Logo, França apertou minha mão e pôs-se a chorar. Também comecei a chorar e abracei ele com força. O loiro também me abraçou com força.

Os outros países que estavam olhando tudo, também nos abraçaram e alguns deles também choraram.

Esse é o preço da intolerância, a intolerância humana que nos assombra todo dia. Para muitos, infelizmente, conseguir tudo o que quer tem que ser na base da violência.

Notas finais
*"Excusez-moi" como muitos de vocês já devem saber, significa "com licença" em francês.

Então, galera, a fanfic termina aqui. Espero que tenham gostado e bom, provavelmente, boa parte de vocês só devem conhecer o caso de Minas Gerais e da França, não é? Mas, sim, o caso de Messejana aconteceu de verdade e se está duvidando disso, pesquise um pouco sobre isso. Enfim, espero encontrar vocês nas próximas histórias e/ou capítulos que eu postar em algumas das minhas outras histórias que estão incompletas, ou até mesmo, nas histórias completas que já postei aqui. Bjos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!