​O eco distante dos violinos do banquete ainda ressoava suavemente pelos extensos corredores de Hofburg quando a pesada porta de carvalho dos aposentos reais se fechou, trancando o resto do mundo do lado de fora.

​Apenas a luz dourada e trêmula de dezenas de velas e o crepitar acolhedor da lareira iluminavam a vastidão do quarto. O ar estava impregnado com o perfume de óleos aromáticos e pétalas de jasmin colhidas nos jardins do palácio.

​Sebastian tirou a casaca de gala, deixando-a cair despretensiosamente sobre uma poltrona, enquanto virava-se para encarar a esposa. Ele trajava apenas a camisa de linho branca, ligeiramente aberta no peito, e os cabelos escuros estavam desalinhados do ritmo da valsa.

​Claire estava de pé perto da grande cama de dossel revestida em cetim bordado. Sem a pesada tiara de diamantes e o véu, seus cabelos ruivos caíam em ondas acobreadas sobre os ombros, ressaltando a palidez delicada de seu colo.

​— Finalmente sós, Vossa Majestade — disse Sebastian, a voz descendo para um tom grave, aveludado e carregado de uma devoção que fez a pele de Claire arrepiar.

​Ele aproximou-se devagar, cada passo lento e medido, os olhos castanhos fixos nos dela com uma intensidade que parecia desudar-lhe a alma. Claire sustentou o olhar, o peito subindo e descendo aceleradamente sob o corpete de cetim marfim.

​— O meu título não tem qualquer poder entre estas quatro paredes, Sebastian — murmurou ela, um sorriso doce e vulnerável surgindo em seus lábios. — Aqui, eu sou apenas a sua mulher.

​Sebastian parou diante dela, erguendo a mão para acariciar a linha da mandíbula de Claire com as costas dos dedos. O toque era de uma delicadeza tão profunda que ela fechou os olhos por um segundo, entretanto entregando-se ao calor.

​— Eu passei anos da minha vida acreditando que dominava a arte do desejo — confessou ele em um tom baixo, a voz levemente rouca. — Eu conhecia as palavras certas, os gestos certos, os movimentos ensaiados para encantar e seduzir sem jamais deixar que nada tocasse o meu coração. Mas com você, Claire... tudo o que eu aprendi se tornou inútil. Você destruiu todas as minhas defesas.

​Claire abriu os olhos, encarando-o com uma paixão inabalável.

​— E o que restou, Lorde Suffolk?

​— Um homem completamente apaixonado — respondeu ele, aproximando-se ainda mais até que suas testas se encostassem. — Um homem que não quer apenas o seu corpo, mas a sua alma, o seu riso, o seu futuro.

​Com dedos firmes e paciente maestria, Sebastian começou a soltar as amarras e os pequenos botões que prendiam o corpete do vestido dela. Cada centímetro de pele revelado recebia o toque quente de suas mãos e o roçar suave de seus lábios. Ele desceu o cetim pelos ombros dela, deixando que o traje real caísse pesadamente no chão, revelando apenas a leve camisola de seda transparente por baixo.

​Claire soltou um suspiro profundo ao sentir os lábios de Sebastian buscarem a curva de seu pescoço. Suas mãos subiram pelo peito largo dele, abrindo o restante dos botões de sua camisa até poder sentir a firmeza dos músculos e a quentura de sua pele.

​— Você é linda, minha rainha — sussurrou ele contra a pele macia de sua sabugueira, fazendo-a estremecer.

​— E você é meu — rebateu ela, enlaçando os dedos nos cabelos escuros dele e puxando-o para um beijo faminto, urgente e profundamente doce.

​Os lábios se encontraram com a fome de quem esperara semanas por aquele exato momento. A língua de Sebastian invadiu a boca dela com uma ternura confiante, enquanto as mãos dele traçavam a curva de suas costas, descendo até a cintura e puxando-a para colar seu corpo ao dele. Claire correspondeu com a mesma entrega, sentindo o calor do desejo queimar em suas veias, sepultando de vez todo o luto e a dor do passado.

​Sebastian a pegou nos braços com facilidade, caminhando até a vasta cama e deitando-a com extremo cuidado entre os travesseiros macios. Ele posicionou-se sobre ela, apoiando o peso nos cotovelos para não machucá-la, encarando-a com o olhar transbordando amor.

​Desfazendo-se das peças restantes, a nudez dos dois encontrou-se na penumbra aquecida pelas chamas. Sebastian usou a experiência de seu passado não como um jogo, mas como uma ferramenta dedicada exclusivamente a proporcionar a ela o ápice do prazer. Suas mãos grandes e calmas exploravam cada contorno do corpo de Claire — a curva fina da cintura, o calor macio das coxas, o erguer sutil de seus seios que subiam e desciam no ritmo da respiração arfante.

​— Sebastian... — gaguejou ela, os olhos verdes marejados de puro deleite quando os lábios dele desceram pelo seu ventre, deixando uma trilha de beijos quentes e provocantes.

​— Diga o meu nome, Claire. Quero ouvir você me chamar enquanto faço você esquecer quem somos lá fora — murmurou ele, abrindo gentilmente as pernas dela e acomodando-se entre suas coxas.

​Quando ele a tomou pela primeira vez, o momento não trouxe pressa, mas uma conexão avassaladora e profunda. Claire soltou um gemido agudo contra o ombro dele, apertando as unhas na pele das costas de Sebastian, sentindo a plenitude de ser preenchida não apenas fisicamente, mas por uma devoção que transbordava do peito dele.

​— Olhe para mim — pediu Sebastian, a voz entrecortada enquanto começava um movimento ritmado, lento e incrivelmente intenso.

​Claire abriu os olhos, encontrando o olhar castanho de seu marido banhado pelo reflexo das velas. A cada investida precisa, a cada roçar de peles e ao som de suas respirações descompassadas ecoando no quarto, o prazer subia em ondas incontroláveis. Sebastian inclinava-se para beijar seus lábios, trocando juras e murmúrios carinhosos no meio dos gemidos abafados.

​— Eu amo você, Claire... Amo mais do que a minha própria vida — declarou ele, aumentando a intensidade dos movimentos, sentindo o corpo dela tremer sob o seu.

​— Eu amo você, Sebastian... Meu marido... Meu amor — respondeu ela, unindo suas mãos às dele no colchão, entrelaçando os dedos firmemente enquanto o êxtase final se aproximava.

​A entrega atingiu seu ápice em um crescendo de calor e suspiros profundos. Um calafrio avassalador percorreu o corpo de Claire, que se curvou contra ele, soltando seu nome em um último arquejo de puro prazer, enquanto Sebastian a acompanhava, descarregando toda a sua paixão e unindo-se a ela em um abraço apertado e exusto.

​Horas mais tarde, o silêncio da madrugada dominava o quarto. A tempestade lá fora voltara a cair suavemente contra os vidros das janelas.

​Claire estava deitada com a cabeça apoiada no peito nu de Sebastian, ouvindo as batidas calmas e ritmadas de seu coração. O lençol cobria apenas metade de seus corpos, e a luz fraca da lareira desenhava contornos dourados em suas skins ainda aquecidas.

​Sebastian mantinha um braço protetor ao redor dos ombros dela, usando a outra mão para acariciar distraidamente os longos fios ruivos da esposa.

​— No que está pensando? — perguntou ele baixinho, inclinando o rosto para depositar um beijo no topo da cabeça dela.

​Claire sorriu, traçando círculos invisíveis no peito dele com a ponta do indicador.

​— Pensando em como o destino é curioso. Há poucos meses, eu o considerava um nobre arrogante e insuportável que só trazia dor de cabeça para o meu conselho. E agora... não consigo imaginar a minha vida sem ter você ao meu lado ao acordar.

​Sebastian soltou uma risada baixa e aveludada, a caixa torácica vibrando sob a bochecha de Claire.

​— O arrogante insuportável teve a sorte de encontrar uma rainha teimosa o suficiente para ensinar a ele o que é a felicidade de verdade.

​Ela ergueu o rosto, encarando os olhos dele com um carinho renovado.

​— Nós temos um reino inteiro para governar a partir de amanhã, Lorde Suffolk.

​— Que o reino espere, Vossa Majestade — respondeu Sebastian com aquele conhecido brilho provocante nos olhos, puxando o lençol sobre eles e aproximando seus lábios dos dela novamente. — A noite ainda não acabou, e eu pretendo renovar os meus votos quantas vezes forem necessárias.