O preço da Coroa Amor ,Sedução e ilusão
8 A Dança de Ouro e Farpa
As portas do Grande Salão de Festas abriram-se para revelar um cenário de tirar o fôlego. Centenas de candelabros de cristal iluminavam o teto afrescado, fazendo refletir a luz dourada sobre o chão de mármoro polido. A nobreza austríaca e os embaixadores estrangeiros preenchiam o espaço em trajes exuberantes, taças de cristal e risos polidos, celebrando a fartura da terra enquanto a orquestra real preenchia o ar com a suavidade de uma valsa clássica.
No topo da escadaria principal, Claire surgiu.
O silêncio espalhou-se por alguns segundos como uma onda. Ela estava verdadeiramente estonteante. Trajava um vestido de seda negro e esmeralda — uma sutil homenagem à transição entre o luto e a esperança do reino —, com um corpete ajustado bordado em fios de ouro que desenhavam ramos de videira. O tecido valorizava sua postura ereta, e a chama intensa de seus longos cabelos ruivos caía em cachos perfeitos sobre os ombros pálidos, coroados pela tiara de rubis da dinastia Mackenzie.
Afastado junto ao balcão de bebidas, Sebastian congelou por um fração de segundo. O olhar do novo Duque de Suffolk percorreu cada detalhe da jovem rainha. O cinismo habitual que ele carregava nos olhos castanhos deu lugar a uma apreciação involuntária e densa. Ela não era apenas uma peça em seu jogo de poder; era a mulher mais fascinante daquele salão.
Claire desceu os degraus com graciosidade, cumprimentando os lordes e diplomatas que a cercavam com elogios sobre a organização e a fartura do evento. Tudo fluía com perfeição, até que a música mudou para uma peça de ritmo mais envolvente e cadenciado.
Antes que qualquer nobre local pudesse se aproximar, uma sombra elegante cortou o espaço. Sebastian colocou-se diante da rainha, vestindo um traje negro sob medida, com detalhes prateados no punho e a camisa de linho impecável. Ele estendeu a mão enluvada, fazendo uma reverência impecável — e propositalmente dramática.
— Conceder-me-ia esta dança, Vossa Majestade? — a voz de Sebastian ressoou baixa, banhada em pura audácia. — Ou teme que a nobreza pense que a rainha está dançando com o próprio 'diabo inglês'?
Claire encarou a mão estendida, os olhos verdes faiscando. Ela sabia que recusar diante de todo o parlamento criaria um mal-estar diplomático desnecessário.
— Seria uma pena estragar a noite de todos recusando um pedido tão... desesperado, Lorde Suffolk — respondeu ela com um sorriso doce e venenoso, pousando a mão delicadamente sobre a dele.
Sebastian a conduziu para o centro do salão. No instante em que a música começou e ele a puxou pela cintura para o primeiro passo de dança, o mundo ao redor pareceu desaparecer, reduzido apenas ao ritmo dos seus passos e à tensão que faiscava entre os dois.
— Devo admitir, minha rainha... — murmurou Sebastian, inclinando-se ligeiramente enquanto a girava pela pista —, o vestido é impecável. Quase consegue disfarçar o fato de que a senhora passou a semana inteira querendo mandar cortar a minha cabeça.
— O vestuário é para o meu povo, Lorde Blackwood — rebateu Claire, mantendo a postura perfeita e o olhar fixo no dele. — Quanto à sua cabeça, garanto que mantê-la sobre os ombros me é muito mais útil. Afinal, preciso de alguém no parlamento para me lembrar diariamente do quão rasa pode ser a futilidade masculina.
Sebastian soltou uma risada abafada e aveludada, conduzindo-a com uma precisão impecável que surpreendeu a jovem soberana.
— Futilidade? E eu que pensei que a senhora tinha ficado impressionada com o meu discurso sobre deveres reais. Notei que não tirou os olhos de mim durante metade do banquete ontem.
— Ah, não se iluda — disparou Claire com um brilho debochado nos olhos. — Eu apenas estava observando de perto para ter certeza de que o senhor não iria roubar os talheres de prata. Dizem que libertinos falidos costumam ter hábitos peculiares quando frequentam festas de verdade.
Sebastian aproximou-se um pouco mais durante um passo mais largo, a mão firme em sua cintura fazendo o corpo de Claire colar-se momentaneamente ao dele. Sua respiração quente roçou o ouvido da rainha.
— Cuidados com as palavras, Claire... — sussurrou ele, trocando o tratamento formal com uma ousadia calculada. — Um homem 'devasso e falido' pode acabar ensinando a você que nem todas as batalhas deste reino se vencem com decretos e papelada.
O uso de seu primeiro nome fez a espinha de Claire estremecer, mas ela sustentou o olhar, erguendo o queixo com desdém fascinante.
— Tente a sorte, Sebastian — murmurou ela de volta, a voz num tom terrivelmente baixo e provocante. — Mas lembre-se de que, neste jogo, quem dita as regras sou eu. E se tentar dar um passo além do que a etiqueta permite, farei questão de que sua volta para a Inglaterra seja feita a nado.
A música caminhou para os acordes finais. Sebastian a girou uma última vez, trazendo-a de volta para um alinhamento perfeito antes da reverência final. Ele curvou-se, mas segurou a mão de Claire por um segundo a mais do que o necessário, levando os nós dos dedos dela aos seus lábios sem desviar os olhos dos dela.
— A dança foi um deleite, Majestade — disse ele com um sorriso sombrio e sedutor. — Mas esteja avisada: eu sou um péssimo nadador. Pretendo ficar por aqui até ter o que vim buscar.
Fale com o autor