O preço da Coroa

13 O Orgulho da Terra


A decisão de Malya foi rápida e afiada como sua língua. Ela olhou para as joias e para o convite, mas as palavras de seu primo Liam e o calor da fogueira da noite anterior ainda vibravam em seu sangue. Ela não seria uma boneca de porcelana para o deleite de um rei solitário.


​Quando o sino da torre anunciou o início da noite, Dhorwack aguardava em seus aposentos privados. A mesa estava posta com o melhor cristal e as pratas mais finas. Ele vestia uma túnica de veludo escuro, e seu olhar vagava pela porta, esperando ver surgir uma visão em seda e âmbar, transformada pela sua generosidade.

​A batida na porta foi firme.

​— Entre — disse ele, a voz carregada de uma expectativa que ele raramente se permitia sentir.

​A porta se abriu, mas não foi o farfalhar de sedas que ele ouviu. Foi o bater seco de botas de couro no chão de pedra. Malya entrou usando sua saia de camponesa, o corpete de linho verde gasto e o avental de trabalho. Seu cabelo ruivo estava preso em uma trança prática, sem adornos, e o colar de âmbar... ela o carregava na palma da mão, estendendo-o para ele.

​Dhorwack levantou-se, o cenho franzido.

— Malya? Eu enviei trajes dignos deste jantar. Por que ainda está vestida como se fosse limpar as cinzas da lareira?

​— Porque eu sou a mulher que limpa as cinzas, Majestade — respondeu ela, caminhando até a mesa e colocando o colar sobre o pano de linho branco. — O senhor me viu dançar ontem à noite, não viu? Eu senti os olhos de um lobo nas sombras da floresta.

​O Rei estacou. Ele não esperava que ela tivesse percebido sua presença.

​— Vi — admitiu ele, a voz baixando. — Vi a melhor dançarina do Oeste. E quis que essa mulher jantasse comigo como uma igual.

​— Uma igual? — Malya soltou uma risada curta, sem amargura, mas cheia de desafio. — O senhor quer me vestir de seda para esquecer que eu sou do povo. Quer me transformar em algo que caiba no seu castelo. Mas a mulher que o senhor viu na fogueira não cabe em vestidos apertados e nem se cala com joias. Se o senhor quer jantar com Malya do Oeste, jantará com a camponesa. Se quer uma dama de seda, chame a Baronesa Genevieve de volta.

​Dhorwack olhou para a mesa impecável e depois para a mulher à sua frente. O contraste era brutal. Ela cheirava a terra e liberdade; o quarto cheirava a incenso e isolamento. Por um momento, o Rei Mackenzie sentiu o peso de sua própria arrogância ser confrontado pela dignidade de quem não tem nada a perder.

​Lentamente, ele caminhou até ela. Não havia raiva em seu rosto, apenas uma curiosidade avassaladora.

​— Você me desafia a cada palavra, Malya. Qualquer outra pessoa teria medo de ofender o Rei recusando um presente desses.

​— O senhor não é o Rei agora — disse ela, cruzando os braços. — É apenas um homem que está com fome e que não quer comer sozinho. Vai me mandar embora ou vai puxar a cadeira para a "mulher das cinzas"?

​Dhorwack sustentou o olhar dela por longos segundos. Então, com um gesto lento e quase reverente, ele contornou a mesa e puxou a cadeira de carvalho esculpido.

​— Sente-se, Malya do Oeste — disse ele, um sorriso de canto surgindo em seus lábios. — Vamos ver se a sua conversa é tão boa quanto a sua dança. Mas aviso: se a sopa estiver fria, a culpa será sua por ter demorado tanto para decidir o que vestir.

​O jantar que se seguiu não teve a etiqueta das cortes. Eles comeram com as mãos, riram de histórias de vilarejo e, pela primeira vez, Dhorwack esqueceu que as paredes do castelo eram feitas de gelo.