O poder do perdão
16 Capitulo 16
Emili
Saio do apartamento de Edu sorrindo feito boba. Ainda falta para o horário do curso vou para casa, após o banho jogo me só de toalha na cama puxo a chave do apartamento de Edu da minha bolsa fico girando a na minha mão. Sorrio ao lembrar de Edu, de nós, eu o amo e amo o que ele faz comigo, eu amo que toda vez que feche os meus olhos eu queira ser alguém melhor. Toco o anjinho que agora carrego comigo.
—Eu vou fazer por merecer o seu perdão e o meu.
Uma lágrima escorre, mas essas lágrimas são diferentes, são lágrimas de recomeço, redenção, da liberdade de amar e ser amada, sem culpa.
~~
Dois dias depois
Eu e Edu ficamos dois dias sem se ver, apenas trocando mensagens. Hoje seria nossa primeira sessão com Doutor Joseph, os dois. Estou ansiosa é o nosso próximo passo, um enorme passo.
Estou na sala quando Edu chega para me buscar, corro até ele que está parado perto da entrada o beijo, nos afastamos, seu olhar está carregado de preocupação e cansaço.
—O que está acontecendo?
Força um sorriso, suas mãos segurando minha cintura.
—Problemas na empresa.
Não é um simples problema, eu o conheço para abalar Edu precisa ser realmente algo muito sério.
—O que está acontecendo? Te conheço Edu, não é algo banal.
Suspira, tira as mãos de mim e passa a mão direita pelos cabelos.
—Alguém enganou e roubou meu avô.
Vejo o quanto isso o faz sofrer.
—Sabe quem foi?
—Ainda não. Meu avô está arrasado.
Edu ama o avô, ver o sofrendo o faz sofrer também. Aperto sua mão.
—Tudo vai ficar bem.
Beija minha testa.
—Vai sim, garotinha. Agora vamos antes que cheguemos atrasados.
Vamos no seu carro, ligo o som Ed sherran Kiss me começa a tocar.
—Amo esse ruivo.
—Tenho um concorrente?
Ele está dirigindo, sorrindo de lado. Lindo.
—Possivelmente, quem resiste ao Ed?
Edu começa a rir, o acompanho.
—Garotinha, garotinha...
Me estico e beijo sua bochecha.
—Brincadeira, só tenho olhos para você príncipe e sempre vai ser você.
—Acho bom, garotinha.
Continua sorrindo de lado.
—Bobo.
Ficamos em silêncio o resto da música, kiss me termina e começa photograph. Duas músicas que com certeza fariam parte da nossa playlist.
—Falando em fotografias como está o curso?
Sorrio da sua associação.
—No inicio, mas estou gostando.
—Vai ser uma fotógrafa incrível, garotinha.
—Farei o possível.
~~
A sessão foi incrível, segundo Joseph falar sobre o assunto era o primeiro passo para superar um trauma. Precisamos falarmos sobre como foi, o que senti, como me sinto. Foi doloroso ao mesmo tempo foi um alívio, como abrir uma ferida e jogar aquele remédio que no início dói, arde, machuca, mas no final alivia a dor, ajuda na cicatrização.
—Emy uma das primeiras etapas para a superação de um trauma é importante falar sobre a causa do trauma. Edu em cinco anos e a Emy não reagiu, por isso sua importância aqui e está de um jeito ligado a causa do trauma. É importante que fale, Emy, precisa tirar a casquinha do machucado. Não importe quanto tempo demore, vamos estar aqui te ouvindo, hoje, semana que vem, vamos te apoiar até o necessário.
Edu aperta minha mão tem se tornado um hábito, nosso jeito de dizer estou aqui, estamos juntos, talvez nosso gesto de eu te amo.
—Eu queria voltar no tempo e ter dito não. Todos os dias vejo a nos meus sonhos, eu os tornaria real. Se eu pudesse voltar no tempo eu não teria evitado aquela noite, teria evitado aquele dia. Eu queria minha filha, queria a menina que aparece nos meus sonhos sorri e me da tchau. Eu tirei aquele sorriso, eu sequer deixei a chance dê-la ter sorrido. Isso é o que mais dói.
Sinto as lágrimas descer pelo meu rosto.
Foi tudo que consegui falar durante a sessão. Doutor Joseph ouviu calado, segundo ele é importante que fale e seja ouvida no silêncio, sem crítica e sem conforto, apenas ouvida.
Edu beija meu pescoço tirando me dos meus pensamentos.
—Tudo bem?
—Sim, só estava pensando na sessão de mais cedo.
—Nós vamos conseguir, Emili.
Encosto minha cabeça no seu peito.
—Acredito em você.
Edu recebe uma mensagem, verifica o celular.
—Email. Convite de um cliente da construtora.
Estamos sentado na espreguiçadeira na sua casa, melhor na casa do seus pais. Eu com as costas apoiada no seu peito, amo ficar assim com ele.
—Importante esse meu namorado.
—Um jantar beneficente, vai comigo?
—Vou.
—Primeiro fim de semana do ano.
—Ano chegando no fim nunca pensei que terminaria assim.
—Muito melhor que imaginei.
Edu fala e beija minha cabeça.
—Réveillon vamos passar juntos?
—Claro, garotinha. Todos juntos como antigamente.
—Perfeito.
Lembro dos réveillon de antes, nossas famílias, os amigos em comum dos nossos pais, nossos amigos, piscina no fim da festa.
—Éramos bons juntos, felizes, tínhamos amor, todo amor. Fico pensando como e porque esses anos separados, o porquê a gente.
Edu pega minha mão e entrelaça nossos dedos.
—Talvez nosso destino. Precisava disso na nossa história. Gosto de pensar que seja o quê move a nossa vida, nosso destino sabe o que está aprontando, eu sinto pelo que aconteceu, pelos cinco anos longe, mas me apegar a isso não tratá os cinco anos ou nosso bebê de volta. Aprendemos com erros que cometemos, evoluimos, amadurecemos as cicatrizes sempre estarão aqui, mas vamos recomeçar, seguir em frente. Nosso futuro garotinha.
—Está certo, mesmo que doá.
Beija topo da minha cabeça.
Jantamos com os pais dele e depois vamos para seu apartamento, levo umas peças de roupas para deixar lá. Estamos deitados na cama, faço seu peito de travesseiro passa a mão pelos meus cabelos.
—Gosto do Joseph.
—Eu também foi o primeiro que me olhou mesmo. Os primeiros psicólogos foram frios, para eles eu deveria ser OK com que fiz, eu não deveria me arrepender, bombagem eu ter me arrependido. Quando Joseph falou do trauma pós aborto foi como tirar um peso da minha costas, eu pensava tudo bem eu sentir, tudo bem eu ter me arrependido. Mesmo quando todos olhassem e apontassem como uma assassina, desumana, monstro tudo bem eu sentir mal, arrependida.
—Sinto muito por ser vista assim.
—Tudo bem, elas estão seguindo suas opiniões, seus conceitos. No fundo o único mal é negar que posso me arrepender e desejar o mal, desejar que sofra, pagar meu erro com sofrimento. Não arrependimento, não perdão, não segunda chances, apenas que pague o erro e quando pagar o erro ainda sofra por ele. O erro nunca é pago o suficiente.
—Gostaria de ter estado com você antes.
—O importante é que está aqui agora.
Ficamos em silêncio, Edu absorve as minhas palavras e eu aceito seu conforto silencioso até que adomercemos.
Edu
Deixo uma Emili dormindo, escrevo um pequeno bilhete de bom dia antes de sair a admiro dormindo. Acordou mais cedo sonhando, mas conseguiu voltar a dormir agora tinha o rosto relaxado, toda tapada desde sempre amou dormir toda coberta com o ar condicionado ligado. Bebo café e enfim vou para a construtora, hoje o dia será infernal.
—Bom dia, seu Eduardo.
—Bom dia
Fernando meu novo secretário já está na sua mesa. Ontem finalmente consegui realizar a entrevista com as secretarias que tinham sido pré selecionadas. Quando vi o nome de um homem fiquei curioso, currículo impecável na entrevista soube responder as perguntas com coerência e calma, o contratei. Novo, vinte anos, trabalha para pagar a faculdade, o admiro.
Hoje precisava divulgar para os diretores o que esteva acontecendo, suspiro. Sento na minha mesa e encaro o relatório da investigação que havia recebido, nada novo apenas o que já sabíamos desviou de dinheiro e superfaturamento, mas sem obras públicas envolvidas pelo menos isso. Entretanto uma empresa envolvida, alguém roubando o dono ou o próprio dono roubando sua empresa, talvez querendo negar impostos.
Chamo Fernando e o ponho a par de tudo.
—Espero que seja profissional e nada saia daqui, não por você.
—Claro, senhor.
—Vamos, quero o na reunião comigo e sigilo.
Eu e Fernando vamos para a sala de reunião, somos os primeiros a chegar.
—Fernando preciso que anote o máximo que conseguir das conversas e reações.
Os diretores chegam aos poucos, Leonardo e Gabriel são os últimos. Com todos sentados ao redor da mesa começo a reunião.
—Bom dia, como todos sabem eu assumi o lugar do meu avô de presidente. E vou direto ao ponto alguém roubou a construtora.
Silêncio. Faço sinal para Fernando, slides com a planilhas mostrando os desvios surge. Ninguém fala muita coisa, são nove executivos, alguns se defendem, alguns perguntam sobre a investigação, todos dizem estar prontos para depoimentos. A verdade é que todos sabem que o culpado provavelmente está na sala, afinal só um executivo teria habilidades e chances de um golpe assim.
—A investigação continuará, porém amena já que estamos chegando na última semana do ano. Espero colaboração de todos. Tenham bom dia.
Finalizo a reunião e volto para minha sala com Fernando seguindo me.
Dias depois
A investigação continua na mesma, meu avô está abatido se culpando. Hoje era véspera de natal, comemoração pequena na casa dos meus avôs. Quase todas as noites Emili tem dormido comigo, sem mais sessões com Joseph pelo recesso de fim de ano, mas temos falado do assunto. Emili ainda tinha pesadelos e crises aleatórias, às vezes até alguma fala em filmes parecia acionar um botão e ela desabava. Decidimos passar natal e ano novo juntos, cinco festas longe um do outro tinha sido suficiente. Estou nesse momento escolhendo o seu presente.
—Esse moço?
—Não.
A vendedora continua mostrando me e eu discordando até que eu tenho um estalo e sei exatamente qual escolher.
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