O poder do perdão

10 Capítulo 9


—Eu te amo.

—Também te amo, garotinha.

Meu coração dispara, ouvir isso de novo... se pudesse explodir de amor seria agora. Minhas pernas estavam entrelaçadas na sua cintura, afasto me dele e coloco meus pés no chão encaro nossa plateia. Mamãe, Bianca e as meninas tem lágrimas nos olhos, algumas pessoas que passavam pararam para observar a cena. Angel pula do colo da mãe e corre para nós.

—Titia esse é seu pincipe?

Pego ela no colo. Angel tem cabelos cacheados e os olhos cor de mel.

—É sim pequena, bonito né?

Ela sorri.

—É sim.

—Essa é a filha da garota que falou?

Olho para Edu.

—Sim, Angel. Angel esse é o titio Edu.

—Sabia que a titia Em e igual a pincesa Aurora, a que dorme.

Angel continua falando se deixar ela conversa por horas.

—Eu sou o príncipe que resgata a princesa da maldição com um beijo e a trás para a vida novamente. O que a princesa não sabe é que o príncipe também andava perdido.

Sorrio, Edu é isso mesmo o meu príncipe, aquele que me traz de novo a vida, aquele que com ele sinto a fagulha da vida em mim.

Pegamos Angel pelas mãozinhas e vamos até os cúmplices de Edu.

—Ai que lindos. Super amei esse reencontro bombástico de vocês. Pietro tome umas aulas com Edu de como ser romântico.

Angel se desvencilha de nós e corre para a mãe.

—Edu aprendeu direitinho, meu aluno.

Daniel zomba, mas posso ver que está feliz.

—Vocês sabiam.

Os acuso. Todos riem, sorrio também. No fim foi uma boa surpresa, a melhor surpresa.

—Precisamos comemorar.

Ally fala.

—Eu e Bianca preparamos um jantar de comemoração.

Mamãe declara.

—Como sabiam que ia ficar?

—Sou sua mãe, querida. Eu sabia que ia ficar.

Mamãe pisca para mim.

—E tinha o aeroporto, jamais iria dizer me não em público. Plano infalível, garotinha.

Puxa me para seus braços, beija meu pescoço.

—Sem demonstração de afeto, por favor. E a minha irmã cara. E vamos logo estou com fome.

Bianca se aproxima e beija a testa de Edu.

—Lá em casa, querido.

Enfim nos despedimos e ficamos de nós encontrar na casa de Bianca e Valetim.

Vamos no carro de Edu para casa dos seus pais. Ligo som, toca Engenheiros do Hawaii. Era a banda brasileira preferida de Edu e pelo jeito continuava sendo.

—Sempre Engenheiros.

—Melhor banda.

Começamos a cantar.

"Toda vez que toca o telefone
Eu penso que é você
Toda noite de insônia
Eu penso em te escrever
Pra dizer
Que o teu silêncio me agride
E não me agrada ser
Um calendário do ano passado
Pra dizer que teu crime me cansa
E não compensa entrar na dança
Depois que a música parou
A música parou (parou!)"

—Cantamos muito mal.

Digo rindo, somos terríveis.

—Ainda bem que não precisamos cantar para viver.

Quando chegamos Edu entra na garagem com carro e puxa me para seu colo. Beija me.

—Estou com saudades.

Ficamos de amasso dentro do carro.

—Que coisa de adolescente isso Eduardo.

Sorrio e mordo seu lábio inferior, a verdade é que estava amando.

—Muitas saudades, garotinha

Beija meu pescoço quando começa a quere ser mais atrevido. Tiro sua mão de dentro da minha blusa e afasto me.

—Vamos logo, seu atrevido.

—Posso fazer nada se é irresistível, garotinha.

—Bobo, vamos antes que alguém chame a gente.

Arrumo meu cabelo que foi bagunçando e saímos do carro, pega na minha mão. Quando chegamos na sala todos já tinham chegado. Estão todos reunidos em uma rodinha, juntamo-nos a eles.

—Demoraram, hein.

—Ally foi o trânsito.

—Vou lá falar com meu pai já volto.

Edu sussurra e sai com o pai para o escritório.

—Está feliz, amiga?

Belle me pergunta.

—Muito.

—Estamos todos felizes por vocês.

Andy completa.

Eu sei o quanto a nossa separação tinha afetado um pouco a todos, saber que a nossa volta os deixava feliz era maravilhoso, magnifico ter a aceitação de quem se ama. Bianca se aproxima.

—Eu amo que finalmente tenham voltado, estava com medo de ser sogra de uma Mary da vida.

—Fico feliz também, Bianca. Mary é uma vaca.

Faço uma careta lembrando da nossa conversa, se é que poderíamos chamar aquilo de conversa.

—Faça meu menino feliz.

—Tentarei.

Edu chega e me abraça por trás.

—O que minhas meninas estão falando?

Minhas meninas, meu coração acelera. Virei uma boba apaixonada e sinceramente? Estou adorando.

—Nada de interessante, querido.

—Já contei que fui ameaçado?

Edu sussurra no meu ouvido, fico arrepiada.

—Não, por quem?

—Todos. Até minha própria mãe. Eu que podia receber um não e você que eles queriam proteger.

—Oh, pobre menino. Mas não fique assim, a pobre princesa sempre é a preferida.

Viro rosto e beijo sua bochecha.

—Mudando de assunto, por que decidiu ir atrás de mim?

—Porque estava deixando o amor da minha vida escapar.

Sorrio e fico toda boba com sua declaração.

—Confesso, eu estava torcendo para que aparecesse na boate. Era minha utopia sabe, o ver lá pedindo para ficar.

—No aeroporto tinha mais efeito, digno de novela. Não achou perfeito?

—Perfeito foi pouco amei, eu fiquei tanto tempo sem dizer que te amo que agora quero gritar ao mundo todo. Estou tão boba.

—Está mesmo, mas a boba mais linda. Amo poder te deixar assim, boba.

Viro meu rosto novamente, mas dessa vez o beijo na boca. Esquecemos todos ao nosso redor, somos só eu e ele.

—Eca, titios.

A vozinha de Angel ecoa, nos afastamos rindo. Ela corre atrás de Meg, cachorrinha de Bianca.

—Angel é linda.

Digo a observando. Estamos eu e Edu, pessoal se afastou um pouco.

—Uma boneca.

—Nosso bebê era uma menina.

O digo.

—Como sabe?

—Vejo a nos meus sonhos. Tem seu sorriso. Será que um dia vou me perdoar e conseguir me redimir?

—Claro, garotinha. Nós vamos.

Demorados cinco para nos encontrar, cinco anos perdidos na dor que poderíamos superar juntos. Foi um longo tempo que poderia ser menor, mas por um motivo desconhecido demorou cinco anos. A vida tem seu jeito próprio de governar nosso destino, quem sabe um dia descobrimos o significado dos nossos desencontros!?

—Eu acredito, sabe quando estou com você eu realmente acho possível.

Beija aponta do meu nariz.

—Sobre o curso, aqui tem um. Não é a França, mas é um começo. Fiz sua inscrição.

Saber disso me anima, o curso era realmente algo que queria fazer.

—Obrigada, eu realmente estava empolgada com curso.

—Eu sei, sempre tirou fotos ótimas. Vai ser a melhor fotógrafa.

—Comida pronta pessoas.

Vânia aparece e grita. Vânia era uma ótima cozinheira.

—Vamos logo, saber que Vânia foi responsável pela comida abriu meu apetite.

Vamos todos para a sala de jantar, sentamos na enorme mesa. Todas pessoas importantes para nós aqui, meu coração enche se esperança. O Jantar é repleto de risos.

Após o jantar Andy e Pietro decidem ir embora, Mel e Angel vão de carona com eles. Reparo quando Ally e Belle vão para a direção do banheiro, Ally não parece muito bem. Sigo as. A está porta fechada, tem alguém vomitando!? Bato na porta.

—Ocupado.

Belle grita.

—Sou eu.

Silêncio. Belle sai do banheiro.

—Ally comeu algo que não a fez bem.

—Vamos chamar Daniel, pode ser algo sério.

—Não.

Belle parece tensa.

—Vou sim, Belle pode ser intoxicação alimentar.

—Mas...

—Pode deixar Belle.

Meu irmão surge, Belle parece aliviada e some.

—Baby, está tudo bem?

Daniel fala e bate na porta.

—Sim, passou por enquanto.

Ally diz enquanto sai do banheiro. Está super pálida, minha amiga parece realmente muito doente.

—Meu deus Ally está super pálida. Precisa procurar um médico.

Meu irmão olha para Ally, segura sua mão.

—Emy, precisamos te contar algo.

—Aquele dia não era casa nova, né?

—Não, mas Edu ligou na hora e pediu para não contar. Queria ser o único motivo para ficar.

Quer dizer que aquele telefonema era Edu o amigo de Dan e o que era tão grave que faria eu ficar? Olho para Ally.

—Está doente Ally?

Pânico, se apodera de mim.

—Não.

Respiro aliviada.

—Emy...Ally está grávida.

Meu irmão diz, ele parece feliz. Eles parecem super felizes.

—Oh meu deus. Que lindo.

Meu irmão e minha melhor amiga iriam ter um bebê, isso era maravilhoso.

—Está feliz?

—Claro, Dan.

Vejo seu olhar suavizar, ele estava preocupado com minha reação. A única coisa que sentia era amor e alivio, Ally nunca faria o que eu fiz. Eles iam ser felizes, eu estaria feliz. Ally tem lágrimas nos olhos.

—Vou ser titia.

Dou gritinho e os abraços.

—Eu fiquei tão preocupada que te machucasse.

—Não Ally, eu sei o quanto vocês se amam. O quanto algo assim o faria felizes, não tem nada a ver comigo. Os ver felizes me faz feliz, fora que é um bebê. Um bebê do casal que mais shippo na vida.

Abaixo e beijo barriga da minha amiga.

—Não, é bebê da tia.

Ergo me, Ally chora.

—Oh meu deus, estou tão chorona.

Sorrio.

—Por que Ally está chorando?

Edu se aproxima.

—Porque Ally está grávida.

—Falei que ela ficaria feliz, Dan.

Puxa me para seus braços, agora que tínhamos voltado não queríamos ficar um longe do outro.

—Você sabia?

—Sim, seu irmão me contou. Afinal tinha que contar ao futuro padrinho da criança.

—Eu não te chamei para padrinho.

Edu sorri.

—Ainda, sei que vai.

—Vai sonhando, vamos Ally deixe esse palhaço aí abusando da minha pequena irmãzinha indefesa.

Daniel e Ally saem, ficando só eu e Edu no corredor. Empurra me para a parede, começa a me beijar, beija meu pescoço. Minhas mãos vão para seu cabelo.

—Adoro amassos na parede.

—Depois eu que sou o atrevido.

—Meu atrevido favorito.

Morde meu ombro que a blusa deixa descoberta.

—Aí.

—Quer dizer que tem outros atrevidos?

—Muitos.

Falo para o provocar.

—Sério?

Seu tom mudou, ele realmente está querendo saber.

—Não, só você.

—Jura?

—Juro.

—Não pode me dizer essas coisas assim, garotinha.

—Por que?

—Porque fico com vontade de fazer coisas atrevidas com você e seu pai e irmão estão logo ali. Não seria legal.

Sinto meu rosto ficando vermelho.

—Sou uma dama não se diz essas coisas para uma dama, Edu.

Finjo indignação.

—Ainda fica vermelhinha. Vai ser minha perdição, garotinha.

—Atrevido.

Ri e volta a me beijar.

—Vamos trocar de assunto, preciso me controlar.

—Homens.

Reviro meus olhos.

—Como se não estivesse toda animadinha.

Provoca me.

—Ok, vamos trocar de assunto. O que foi conversar no escritório com seu pai?

—Assunto da construtora.

—Achei que seu pai não se metesse nos assuntos.

—E não faz, mas pedi que ajudasse me em uns documentos.

—Problemas?

Respira fundo, encosta sua testa na minha.

—Sim, mas vou resolver. Não precisa ficar preocupada.

—Ok.

—Como você está com a gravidez da Ally?

Seus olhos azuis perfurando meus próprios olhos.

—Feliz. Ally e meu irmão merecem, vão ser ótimos pais.

—Como um dia vamos ser.

—Edu, eu não sei se posso...

Sei que não precisávamos tocar nesse assunto agora, mas já que ele tocou no assunto. Não sei o quanto o aborto tinha prejudicado me.

—Qualquer coisa podemos adotar, querida.

—Te amo, garoto.

—Te amo mais, garotinha.

Sorrimos e voltamos a se beijar. Parece que finalmente o mundo está no lugar, que eu estou no meu devido lugar, seus braços.

Notas finais
♥