O poder do perdão
8 Capítulo 7
Você é assim
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito...
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...
Velha infância- Tribalista.
Eduardo
A conversa com Emy não sai da minha cabeça, o seu desespero, sua dor. Mesmo quando namorávamos nunca a tinha visto daquele jeito, frágil. O fato dela ter tentado contra a própria vida e a minha parcela de culpa, a nossa conversa atrasada cinco anos era o que mais me perturbava. Se tivesse lembrado da maldita camisinha ou tivesse insistido e voltado a cidade comprado a pílula. Eu faria qualquer coisa para não ver minha garotinha daquele jeito.
Hoje fazia uma semana da conversa e hoje eu começava a trabalhar na empresa do meu avô. Uma empresa que era para meu pai assumir, mas ele optou pelo direito. Até tentou fazer administração e seguir caminho do pai, porém a paixão pelo direito o fisgou. Foi na faculdade que conheceu pai da Emili e Daniel. Eu já amava a empresa desde criança, desde quando corria por esses corredores. Fiz administração e agora ia assumir tudo por aqui. Meu pai era filho único e eu também, vovô ainda cuidava da empresa, mas não como antes, pela sua idade avançada. Hoje o filho de um irmão do meu avô ajudava o. Primo do meu pai, eles não são muito ligados então não tenho muita lembrança dele, se não me engano o nome dele é Gabriel e tinha um filho.
A empresa de vovô fica no centro da cidade. Vovô tem também uma fábrica no interior e loja de construção civil em algumas cidades, foi assim que começou. A empresa é uma empreiteira, por esses motivos ainda na faculdade optei por algumas matérias ligadas a engenharia. Seu matrimônio é grande e isso me assusta, gostaria de ter estudado mais. Mesmo que tenha feito a melhor faculdade do país, USP, tenha ficado dois anos estudando fora não acho que seja o bastante e suficiente, mas vovô tem pressa. Segundo ele precisa de alguém do seu sangue na empresa. O fato de ser jovem me assusta, o esforço que terei que fazer para os diretores me aceitar. É um prédio com salas comerciais no primeiro e segundo andar, quais vovô aluga. Terceiro andar sobre as lojas, a sede administrativa das lojas, o quarto e quinto assuntos da fábrica. Do sexto ao décimo quinto a empreiteira do vovó, seus parceiros e outros assuntos. Vovô começou cedo com a loja, depois fez engenharia abriu a fábrica e por último a empreiteira. Entro no prédio sigo para o elevador e aperto no botão do último andar, andar da presidência. Bato na porta.
—Entre.
Vovó e vovô estão na sala. Vêm até a mim, ficamos os três de pé perto da porta.
—Nosso netinho tão crescido, Antônio.
Vovó tem lágrimas nos olhos. Abaixo até que possa beijar minha testa, como sempre.
—Bem-vindo, Eduardo Castelinne.
Vejo orgulho no olhar do meu avô. Quero chorar que nem um bebê chorão, meus avôs são meu ponto fraco. Eu o abraço.
—Até que enfim meu sangue vai cuidar do que é meu.
—Antônio.
Vovó o repreende.
—Tina.
Sorrio, esses dois. Cinquenta anos de casados é o amor entre eles é notável.
—Edu você sabe que pode tomar o rumo que quiser assim como seu pai.
—Sim vovó, mas eu amo esse império. Império Castelinne.
Vovô sorri todo orgulhoso sentando na cadeira que fica na frente da mesa da sala e vovó no sofá que tem do lado esquerdo da sala. É uma sala espaçosa com estantes com livros, frigobar, sofá quase uma casa. Há um banheiro interligado com a sala.
—Ainda bem, setenta anos não tenho mais pique para essas coisas. Preciso descansar, me aposentar.
Vovó e vovô tinham seus setenta anos, mas nenhum apresentava sua idade. Alguém bate na porta.
—Pode entrar.
Vovô libera, um cara com alguns fios de cabelo branco, mas posso chutar que tem quase a idade de papai, entra. Um rapaz que deve ter um pouco mais da minha idade, entra com ele.
—Boa tarde.
—Boa tarde.
Respondemos.
—Esse é meu neto e futuro presidente. Eduardo. Eduardo esse é Gabriel e seu filho Leonardo. Diretores executivos.
Meu vô faz as apresentações, aperto a mão deles.
—A partir de hoje tudo é com meu neto. Não importa o que, ele tem meus negócios nas mãos.
—Tudo? Ele parece novo.
Gabriel parece irritado e surpreso.
—Cada detalhe. Dono do meu império.
—Sim, senhor. Seja bem-vindo, Eduardo. Posso o chamar assim?
—Claro.
—Bom então qualquer coisa que precisar pode contar comigo.
—Seja bem-vindo. Estamos a sua disposição.
O filho se pronuncia, os dois parecem meio contrariados, espero não encontrar problemas com eles. Não quero ter divergências com os homens de confiança de vovô.
—Edu Sara ainda é minha secretária, mas está se aposentando. O setor de Rh já está providenciando candidatas ao cargo, só precisa dar o veredito final. Não precisa participar da seletiva, mas esteja ciente.
—Pode deixar.
Sento no sofá elegante, ao lado da vovó, deito com a cabeça no seu colo.
—Quem é Mary?
—Como sabe dela?
—Sua mãe falou que a levou no noivado de Daniel. Aliás peça nossas desculpas a ele, estávamos na fazenda e acabamos esquecendo. Ele vai trabalhar com você?
—Ele tem o escritório da Mãe, mas estamos pensando em alguma sociedade.
Rezo para que esqueça de Mary.
—Entendi, mas então querido quem é Mary.
—Uma amiga.
É verdade que Mary queria bem mais que isso, até tinha tido umas noites com ela, mas foi só.
—Sua mãe não gostou dela.
—E a Emili?
Vovô pergunta, Emili tinha conquistado toda minha pequena família, nossa separação repentina os tinha surpreendido. Nossos amigos e pais dela são os únicos que sabiam da verdade.
—Está bem.
—Soube que conversaram esses dias.
—Meu Deus vocês são umas fofoqueiras.
Vovó bate no meu braço.
—Só queremos o melhor para nosso menino.
Faz cafuné nos meus cabelos.
— Vamos tina, vamos começar minha aposentaria.
Vovô levanta e chama a mulher. Vovó beija minha testa, levanto para que possa levantar. A ajudo, passo meus braços pelos ombros dos dois, beijo os cabelos da vovó e beijo a bochecha de vovô.
—Obrigado pela confiança, seu Antônio.
O agradeço, levo os até a porta.
—Vai se sair bem, meu netinho.
Vovó diz e beija minha testa pela última vez.
—Edu não deixe o amor escapar.
Vovô diz e sai não me deixando o responder. Sua última frase me intriga, vovô não diz frases desconexas por aí.
Sento na cadeira de vovô e agora minha, a sala elegante agora é minha. Tiro uma foto tentando parecer sério, com cara de executivo e mando pelo WhatsApp.
Eu: Gostou da minha gravata? Olho minha cara de executivo.
Puto: Bem gay como você. É está mais para cara de dançarino de boate LGBT
Eu: Invejoso, fico um gato de terno e gravata.
Puto: Uma gata.
Eu: Idiota.
Daniel é meu melhor amigo desde sempre. Mesmo com minha separação e de Emy não abalou nossa amizade.
Puto: Já começou na empresa do seu vô?
Eu: Sim.
Puto: Precisamos comemorar.
Eu: Agora como sou responsável, só no fim de semana.
Puto: Que lindo meu menino cresceu, estou emocionado. :'( :'(
Eu: Já pensou em ser comediante?
Puto: Caso tudo der errado...
Eu: Tchau, vou trabalhar.
Puto: Aí que menino responsável. Vou até tirar print.
Eu: Otário.
Puto: Happy hour no bar do juca?
Eu: Com certeza.
Puto: Às 19.
Eu: Fechado.
Confiro contratos, peço relatórios para Sara dos últimos meses. Verifico documentos, planilhas. Há falha, alguns documentos não batem, outros parecem pela metade, falta dados. Sara confirma que os dados estão corretos. O trabalho vai ser duro e árduo. Quando paro já são 18:30. Era cinco horas quando Sara teve aqui avisando sobre o final do expediente, a liberei e continuei. Saio direto para garagem pego o carro e dirijo para o bar do juca. O bar que virou nosso point. Quando chego Daniel já está em uma mesa e com uma cerveja.
—Que lindo o puto fica de gravata. Meu orgulho.
—Logo, logo é você putinho.
Falo enquanto sento e chamo o garçom, peço uma cerveja.
—Conto com isso preciso começar a ganhar dinheiro.
—Papai e mamãe cancelaram a mesada do bebê?
Daniel para de rir, o puto quase nunca fica sério. Puta merda, negócio é sério.
—Edu você é meu melhor amigo e se não puder falar para você, não sei com quem contar. Sei que tem o seu lance e da pirralha, mas é como um irmão. Preciso compartilhar com você.
—Caralho vou ter um treco, fale logo.
—Ally está grávida.
—Puta que pariu. Parabéns cara.
—Obrigado.
Encaro meu amigo, seus olhos brilham. Está feliz, mas posso ver uma nuvem de preocupação no seu olhar. Já sei do que se trata.
—Está preocupado com Emy.
—E com você.
—Está tudo bem, posso ver que está feliz.
—Eu a amo, esse bebê só vai selar isso. Mas eu sei quanto pode afetar minha irmã.
—Ela vai ficar feliz tenho certeza. Um sobrinho e ainda Ally sua melhor amiga. Garotinha vai ficar feliz.
Bebo minha cerveja.
—Vai mesmo a deixar ir?
Ergo uma sobrancelha.
—Ir onde?
—Ela está indo para a França na sexta, dois meses.
—Dois meses não é muito tempo, já ficamos mais tempo longe.
Agora é a vez de Daniel erguer a sobrancelha.
—Edu, é isso mesmo? Prometi não me meter na relação de vocês, mas não consigo mais. Faz cinco anos. Cinco anos e ainda se amam, mesmo depois de tudo, todos veem o quanto um afeta o outro. Quanto tempo vão ficar fugindo e deixar o amor escapar?
Lembro das palavras do meu vô, hoje mais cedo. Era um complô certeza.
—É complicado. Mas chega disso, vamos falar do novo papai. E a mamãe?
Daniel sorri.
—Ally está feliz, preocupada com Emy. Ela acabou a faculdade, eu estou no último período, casamento marcado. Estava na hora.
—Vocês planejaram?
—Meio que sim, Ally precisou trocar de pílulas, mas optou por parar e nem sempre usamos camisinha. Acho que queríamos isso.
—Seus pais vão ficar maluco.
—Todo mundo vai.
—Vai contar a Emy antes da viagem?
—Eu não vou impedi lá de viajar Edu, eu sei o quanto ela precisa. Só tem um motivo que faria ela ficar.
Ele aponta para mim.
—Está certo ela precisa, mas vai ficar puta de não contar.
—Você a conhece muito, não é?
Ergo as mãos em sinal de redenção.
—Ok, vamos mudar de assunto, me rendo. Vamos falar de trabalho e o quanto vou precisar da sua ajuda.
Começamos a conversar sobre trabalho e depois de duas cervejas, já que estávamos dirigindo nos despedimos. Daniel ainda sorrindo, ele realmente estava preocupado com a minha reação.
Quando chego em casa, Vânia avisa que papai e mamãe saíram jantar fora. Vânia avisa que tem janta guardada para mim, um anjo essa Vânia. Vânia trabalha aqui em casa desde que me conheço por gente.
—Por que está aqui até esse horário, Vaniazinha?
—Hora extra, querido. Decidi adiantar trabalho de amanhã assim não venho.
—Dia quero ser igual a você, decidir meus horários e tudo.
—Tchau querido.
—Tchau boneca.
—Menino seu bobo.
Beijo seu rosto e vou para cozinha. Após comer subo para meu quarto. As palavras de meu avô e Daniel ecoam na minha cabeça, será mesmo que estava deixando o amor fugir da minha vida?
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