Notas iniciais
Para esse primeiro capítulo eu decidi contar como o Thiago descobriu que é um bruxo e que tem uma vaga em Castelobruxo!

Na noite tranquila de dois de Maio de 1998, nascia em São Paulo o jovem Thiago, filho dos excepcionalmente normais Álvaro e Thelma Martins. Após o nascimento do primeiro filho do casal, os dois descansavam no quarto da maternidade, onde o pequeno Thiago se encontrava deitado em um berço hospitalar, iluminado sob o luar daquela noite de outono. Mas logo a tranquilidade da noite deu lugar a uma comoção de fogos e uma comemoração extremamente exagerada, algo antes nunca visto pelo pai de Thiago, que acabara de levantar do sofá em que dormia, olhou para seu filho e depois a janela.

― Álvaro, o que está acontecendo? Que barulho todo é esse? Thiago ainda está dormindo? ― Questionou-o sua esposa Thelma.

― Acalme-se querida, nosso filho está dormindo tranquilamente. Não faço ideia do que possa ser essa comemoração… ― ele parou por um instante e completou ― não é a Copa do Mundo, afinal ainda falta mais de um mês. Vamos voltar a dormir.

Quando Álvaro tinha acabado de falar a esposa já parecia ter voltado ao sono, e ele fez o mesmo, deitando-se novamente no sofá não tão confortável ao lado dos seus maiores tesouros. O que nenhum deles ali naquele quarto sabiam, é que naquela noite, o maior bruxo das Trevas de todos os tempos havia sido derrotado novamente e definitivamente pelo famoso Harry Potter e seus fiéis amigos. Encerrando assim, uma possível escalada de terror em todo o mundo. E que aqueles fogos de artifício" na realidade eram os milhares de feitiços comemorativos que bruxos do mundo todo produziam com as suas varinhas.

Anos se passaram e vez ou outra algo no mínimo estranho e muitas vezes inexplicável acontecia na residência da família Martins, e em todas elas o jovem Thiago estava de alguma forma envolvido. Conforme crescia Thiago mantinha segredo desses eventos para seus pais, isso quando podia. Mas foi quando ele tinha seis anos de idade que algo chamou muita atenção, um menino dois anos mais velho que Thiago, conhecido por Carlinhos, importunava seu irmão Rafinha e Thiago, que gostavam muito de brincar juntos.

Carlinhos estava caçoando dos dois mais novos e os irritava ainda mais chutando uma bola de futebol na direção deles, os acertando e rindo muito, foi quando a bola que vinha na direção do rosto de Rafinha estourou em centenas de pedacinhos de pano e borracha enquanto Thiago fitava o objeto desejando com toda a sua força que a bola voltasse e atingisse Carlinhos.

Mesmo sem saber como explicar, sabia que ele tinha feito aquilo, e Carlinhos achava o mesmo. O menino saiu gritando aos quatro ventos que Thiago era esquisito e que queria uma bola nova. Claro que o acontecido chegou aos pais das crianças que apaziguaram a situação, Carlinhos recebeu uma bola novinha do pai de Thiago e nunca mais tocaram no assunto. Mas o pequeno Thiago sabia o que tinha feito. Quanto mais o tempo passava, mais Carlinhos pegava no pé de Thiago, xingando e perturbando o menino sempre que possível, não poupava nem mesmo o irmão mais novo.

Mas foi só cinco anos depois desse incidente que Thiago e sua família souberam a verdade. Em um sábado bem quente de meados do verão paulistano, Thiago estava em casa assistindo televisão bem chateado porque naquele ano não puderam ir à praia devido ao trabalho de seu pai. Ele ouviu o pai se despedindo da sua mãe e a porta de entrada sendo aberta, mas não a ouviu fechar, decidiu então ir até a entrada da casa que ficava ao lado da sala em que estava, chegando viu um homem de terno completo de uma cor azul bem clara parado na entrada de sua casa:

― Senhor e Senhora Martins. Meu nome é Augusto Duarte de Andrade e trabalho para o Governo, tenho um assunto muito importante para tratar com os senhores ― ele deu uma pausa curta e dirigiu seu olhar para Thiago, finalizando ― é sobre seu filho, Thiago de Souza Martins. Posso entrar?

Os pais do menino pareciam estar em choque, eles se olharam atônitos e com expressões de susto e medo concordaram. O homem entrou na casa e ficou aguardando, o senhor Álvaro fechou a porta e indicou a sala, onde Thiago estava assistindo televisão alguns instantes antes, para que pudessem conversar:

― Senhor Augusto ― começou o pai do menino desligando a TV, ele parecia nem perceber Thiago ali ― o que o governo tem de tão importante para falar sobre meu filho?

― Bom, para começar, eu sou funcionário do Ministério da Magia Brasileiro…

― Ministério do que!? ― Perguntou Thelma

― Da Magia ― respondeu o homem como se fosse algo bastante comum. A mulher que estava em pé quase caiu, não fosse o sofá da sala.

Thiago ficou branco: “Magia”, pensou ele, “como assim magia? Eu nem sabia que existia um ministério de mágicos"

― Mas que absurdo é esse? Não existe esse ministério e nunca existiu! Eu saberia, afinal de contas eu trabalho para o governo estadual ― falava o pai de Thiago que atua na Secretaria de Transportes do Estado de São Paulo ― , e tenho contatos com membros do governo federal.

― Porém nós não somos subordinados ao Presidente da República, ― explicou o senhor Augusto ― na verdade temos um Ministro da Magia, o nobre senhor Julio de Vasconcelos.

― Mas isso é ridículo, não existem esses… ― começou o pai de Thiago mas foi interrompido por sua mãe:

― Espere querido… eu acho que me lembro de algo assim.

― O que!? Como assim?

― Minha tia Ana ― explicou a mulher agora devidamente sentada no sofá ao lado do filho ― ela sempre falava sobre algum parente nosso que diziam ser esquisito, só sei que ele morava em Manaus, ela dizia que ele tinha umas previsões, como ela falava “parecia até mágica”...

― Querida, mas isso é normal. ― Falou Álvaro tentando normalizar novamente a situação ― Muita gente fala essas coisas, coisas estranhas sempre acontecem.

― Sim, isso é verdade. Mas você não se lembra daquela vez que a bola explodiu?

― E o que isso tem a ver com o assunto? ― perguntou o senhor Martins visivelmente desconfortável com tudo aquilo.

― Ah por favor, eu mesmo respondo essa ― disse Augusto, sorrindo de orelha a orelha. ― Que o seu filho, esse jovem sentado aqui ao lado, é um bruxo! Assim como eu, esse parente distante e tantos outros por aí!

― Um b-bruxo…? ― perguntou um assustado Thiago.

― Sim meu jovem, e eu estou aqui exatamente para explicar isso para os seus pais e dizer que você recebeu um convite para estudar em uma escola preparatória, a famosa e histórica Escola de Magia Castelobruxo.

Neste momento, os pais de Thiago se entreolharam, ele estava tão ansioso quanto assustado. Parando para pensar, algumas coisas estranhas de fato aconteceram quando ele estava por perto, talvez isso explicasse.

― Tudo bem… ― recomeçou seu pai agora um pouco mais amigável. ― Se isso tudo que você diz é mesmo verdade, como vamos saber a procedência dessa tal escola e o ensino que nosso filho vai ter.

― Fico feliz que tenha perguntado, senhor Martins.

― Pode me chamar de Álvaro.

― Perfeitamente, e o senhor, digo, e você, pode me chamar apenas de Augusto. ― Disse o homem alto e de nariz comprido, que, sentado, parecia tão comum como qualquer outra pessoa, menos suas roupas extravagantes. ― Mas respondendo a sua excelente pergunta, é exatamente para isso que eu estou aqui hoje. Como já disse antes, eu trabalho no Ministério da Magia do Brasil, mais precisamente no Departamento de Regulação e Fiscalização da Educação Mágica, sendo um dos responsáveis por informar pais não-mágicos sobre as habilidades de seus filhos nascidos bruxos.

Ele fez uma pausa mas como não houve nenhuma menção de resposta continuou:

― Bem, a educação bruxa é algo extremamente importante para a nossa comunidade, principalmente entre os jovens nascidos trouxas. Essa também é uma forma como chamamos os não-mágicos. Isso porque, historicamente falando, esses jovens são mais interessados e curiosos sobre a magia, em muitos casos se tornam bruxos extremamente importantes na nossa sociedade. Como Libatius Borage, um grande mestre em Poções e mundialmente famoso escritor e estudioso no assunto, claro que isso é graças ao ensino que ele recebeu da nossa escola. Temos mestres nas mais variadas disciplinas mágicas…

― Ok, tudo bem, já entendi ― interrompeu-o o Álvaro ― mas onde entram aí as disciplinas importantes como, línguas, matemática, história e tantas outras?

― Em Castelobruxo temos aulas de Linguagens sim, como Runas Antigas, além disso sobre as línguas comuns também temos aulas de Português-Espanhol, até porque a escola recebe alunos de toda a América do Sul e não temos uma língua oficial. Agora quanto às disciplinas trouxas, temos aulas de Estudos Não-Mágicos, que é obrigatória para os Primeiros e Segundos Anos, mas opcional a partir do Terceiro Ano.

― Mas se o nosso filho não vai frequentar uma escola normal, e não vai aprender a como entrar no mercado de trabalho, então o que vai ser dele na vida adulta?

― É uma ótima pergunta, Sra. Thelma ― começou a responder o bruxo ― Na nossa escola não temos a intenção somente de preparar os alunos para o “mercado de trabalho”, mas entendo a sua preocupação com o futuro do seu filho. E é por isso que lhe digo para não se preocupar tanto, a nossa comunidade possui inúmeras funções para bruxos bem preparados e instruídos, existe uma economia bruxa, assim como bancos, empresas, lojas, e é claro o Ministério da Magia ou até mesmo Castelobruxo, sim, nada impede que um aluno se torne professor. Aliás, a nossa mais jovem contratada, a Professora de Poções Alanza Alves, tem apenas 34 anos de idade, mas já com um currículo notável.

― Ainda estou achando isso tudo muito confuso ― falou o senhor Álvaro.

― Pai… eu também estou assustado, mas sinto que tudo isso, de alguma forma, é real.

― Claro que sim! A magia vive em você, o gene bruxo é raro, porém muito forte quando ele desperta é difícil controlar. ― Explicou Augusto. ― Aqui está, pegue.

Ele tirou do bolso interno do paletó um envelope branco, lacrado com um selo dourado, e esticou na minha direção. Quando eu toquei no envelope ele flutuou e se abriu sozinho, foi quando uma voz masculina começou a ler o conteúdo:

“Ao Senhor, Thiago de Souza Martins,

Temos o prazer de informar que o senhor foi aceito para uma vaga na Escola de Magia Castelobruxo. Se aceitar, o senhor deverá se preparar para um semestre inteiro, a nossa escola funciona sob regime de semi-internato, com aulas de período integral, além de atividades extra-curriculares. Aos fins de semana, os alunos devem permanecer nos territórios da escola, mas sem obrigatoriedade acadêmica. Ao fim do semestre, os alunos podem retornar para suas casas a fim de aproveitar o recesso, devendo regressar à escola três semanas depois para a continuação dos estudos e conclusão do ano letivo. Segue em anexo, a lista de livros e materiais escolares obrigatórios para o Primeiro Ano e as datas e horários para este ano letivo.

Esperamos o senhor em 1º de Março para a Cerimônia de Início das Aulas.

Atenciosamente,

Paulo Ponciano Coelho.

Vice-Diretor da Escola de Magia Castelobruxo.”

Os pais de Thiago estavam em estado de choque, enquanto o menino pegava novamente o envelope que pousou suavemente em seu colo após a voz cessar. Ali dentro continham duas folhas de papel timbrado com o mesmo símbolo que selava o envelope, era uma pirâmide bem ao estilo dos povos indígenas do continente sulamericano, com topo quadrangular e em volta uma frase com uma linguagem que o menino não conseguia identificar. Uma das folhas estava a carta que todos tinham acabado de ouvir, a outra continha uma lista de materiais e livros que Thiago nunca tinha visto na vida, tinha até:

― Uma varinha!? ― Leu o menino em voz alta, se voltando para o bruxo sentado no assento ao lado, perguntou ― Onde eu vou conseguir todas essas coisas?

― Que bom que perguntou, meu caro Thiago. Mas acredito que esse assunto seja para os seus pais. Existe um lugar aqui mesmo em São Paulo onde os senhores poderão realizar o câmbio da sua moeda trouxa pelo Sumé, nossa moeda, dessa forma poderão adquirir os materiais.

― Mas como eu nunca ouvi falar em nada disso…? E onde é esse lugar? ― Questionou-o o pai de Thiago.

― Primeiramente, nós mantemos muito segredo sobre a existência de bruxos e seres mágicos para o restante do mundo, isso faz parte de um acordo internacional. Mas infelizmente, alguns já presenciaram cenas quase sem explicação, e aí é que surgem as lendas e o folclore.

― Então quer dizer que a Caipora existe mesmo? ― Perguntou Thiago bastante empolgado.

― Claro que sim, inclusive são esses travessos seres que protegem os terrenos de Castelobruxo! ― respondeu o bruxo olhando de Thiago para Álvaro ― Agora sobre o local onde vão encontrar os artigos bruxos, bom, qualquer cidade brasileira, e eu diria até mesmo sulamericana, que tenha uma quantidade razoável de bruxos e bruxas possui um centro comercial onde conseguimos fazer as nossas compras, aqui em São Paulo, nosso centro comercial fica bem no coração dessa grande cidade. Mas não se preocupe quanto a isso, um funcionário do Ministério entrará em contato com vocês nas próximas semanas para levá-los até o local exato. Por hora, meu trabalho aqui está concluído. ― disse Augusto se levantando, mas ao reparar nas expressões de dúvida dos presentes, concluiu ― Tenho certeza que todos vocês ainda estão com algumas questões, mas deem tempo ao tempo, tudo deve ser explicado e acredito que ficaram felizes e orgulhosos com o que seu filho.

― Isso nós já somos ― respondeu a mãe de Thiago sorrindo.

As semanas seguintes foram marcadas por expectativas e muitos pensamentos de Thiago sobre essa escola de magia. Agora é esperar pelo início das aulas que já estavam bem perto de começar.

Notas finais
Pretendo postar os capítulos com regularidade, mas não posso prometer nada rs... Espero que gostem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.