O poder da Coroa

3 Capitulo 3 - Mudança de Opinião


Subi as escadas bufando, e xingando todos os nomes possíveis e impossíveis, será que aquele era algum tipo de castigo divino? Lorena abriu a porta do quarto escuro de Luci, tinha uma garrafa de whisky vazia na cabeceira da cama, lençóis borrados de rímel, ao som de all by myselfl de Céline Dion.Luci cantava e chorava, eu nunca tinha visto como era o fundo do poço, e quando eu vi Luci descobri como era. Coloquei a bandeja em cima do armário e abri as cortinas e janelas, mal tinha reparado que o inverno tinha chegado, com seus flocos de neve que daqui a pouco se acumulariam no chão. Lorena encheu uma xícara de chá forte e forçou Luci a tomar, para ver se ajudava um pouco na ressaca, enquanto liguei o chuveiro na água morna, pelas baixas temperaturas Luci morreria de hipotermia. – Eu sou uma idiota, e vocês me avisaram do que poderia acontecer. Luci tomava o café com cara feia– Mana, por isso que eu prefiro não me apegar a ninguém, não tenho estomago para me ver chorando horrores por um homem.– Mas se você acha que está na pior, é porque não soube da bomba que o rei e a rainha acabaram de jogar na mesa de café da manhã.Luci, me olhou e se endireitou na cama e esperou eu começar a falar.– Meu pai quer que eu me case com o príncipe da Polônia, chamado Jean, e Hunter vai ser tipo o meu guarda costas, aonde eu ir com Jean ele vai vir atrás, igual papagaio de pirata. – Olha, quando eu fico analisando e penso que a minha vida está uma droga, eu olho pra sua e me sinto melhor. – disse Luci comendo um pedaço de pão caseiro com goiabada, um dos quitutes de Antony e o preferido de Luci. – Quando o príncipe chega?– Semana que vem. – respondeu Lorena Levantei e fui em direção a janela, me sentei nela e fiquei olhando pro lado de fora. Toda aquela situação estava me dando um medo enorme, porque eu não sei até que ponto o Hunter pode acabar com a paciência de Jean e estragar toda a negociação. Após o banho, Luci ascendeu a lareira e me chamou para me sentar com ela no tapete de felpudo de cor azul céu. Luci reparou o quanto eu estava tensa com tudo o que estava acontecendo, e percebeu que ser princesa não me fazia bem apesar de ter privilégios, ter que me casar com alguém que nunca vi, não é um privilégio, e ela concluiu que quem foi privilegiada foi ela de se apaixonar, e poder sonhar apesar do fim não ser aquilo que ela tanto esperava. – Desculpa Megan por ser tão egoísta.– Fica assim não, você está no seu direito, de chorar e viver o luto. – Luci encostou a cabeça no meu ombro e começou a desesperadamente. A vontade era de pegar um avião e dar um soco na boca de Michael, mas isso iria frustrar meus pais com a minha cara estampada na capa dos jornais do país.

Faltando três dias para a família real chegar, Hunter chegou a palácio na companhia de meu pai estava guiando até o aposento onde ficaria até o fim da estadia da coroa polonesa. Após o jantar estava indo para o meu quarto quando Hunter me puxou para dentro da sala de reuniões de meu pai.

— Você está louco? Deixa-me sair! – Hunter com aquele tamanho todo bloqueava a porta, como eu iria sair dali?

— Antes, eu quero explicar o porque de não ter me curvado para você naquela festa pós guerra. – Olhei no fundo dos olhos dele e cruzei os braços, esperando que ele me contasse a sua parte da história. Hunter tirou uma foto de um jornal do bolso e me deu, quando olhei fiquei assustada com a semelhança que tinha entre a mulher da foto e eu.

— Essa mulher é a sua bisavó, creio que não a conheceu pois ela morreu, de tuberculose, quando sua mãe tinha apenas 15 anos. Essa mulher foi a culpada por dizimar metade da minha família, na época em que se acreditava que a medicina era considerada bruxaria. A minha família era conhecida por fabricar remédios de ervas, que curava febre, dores, enjoos e dentro outras coisas que conhecemos hoje, e a sua bisavó, queimou a metade das mulheres da minha família, acusando-as de bruxaria.

Eu sempre achei que fosse uma fofoca que rondava o palácio mas depois de hoje, sinto meu coração se quebrar em pedaços, então realmente a minha bisavó tinha matado, várias mulheres que só desejavam o bem das pessoas, e o pior de tudo que eu era a cara dela, e agora fazia sentido ele não se curvar.

— Me desculpa. – Respondi olhando para o piso de madeira e observando as minha lagrimas que faziam pequenas poças no chão. Hunter ergueu meu rosto de me olhou com ternura, não parecia nem um pouco com aquele homem arrogante que estava na festa, o olhar de quem estava me perdoando era o que mais me fazia chorar, eu não merecia que ele me perdoasse.

—Eu que peço desculpas pela minha ignorância.

Seus olhos estavam mais verdes do que de costume, do nada eu estava sentindo o cheiro de perfume, será que ele estava usando esse perfume no dia da festa? Só sei que em tudo o que eu não estava reparando no dia da festa, estava reparando naquele momento. Senti minhas mãos suando, coração acelerado, calor tomando meu corpo todo.

Antes de sair ele se virou pra mim, se curvou e saiu. Sentei no chão da sala, e fiquei puxando o ar, e prevendo que nos próximos dias, estar na presença de Hunter junto com Jean não seria nada fácil, em nome da coroa, nada era fácil.