O pior desejo

3 Reminiscências - Namekusei


Notas iniciais
O namekuseijin começa a narrar os acontecimentos do passado, enquanto ele mergulhava em suas lembranças, muitas dessas deixada por alguém especial ao mesmo...

AGE 260 – Namekusei

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– Ei! Katatsu!

Um jovem namekuseijin olha para trás e encontra o seu grande amigo, Kiato, que se aproxima, enquanto observava o filho do seu melhor amigo, que brincava na frente dele com algumas pedrinhas, sabendo que nascera há pouco tempo do ovo que saiu da boca do mesmo.

Não o invejava, pois, gostava da sua liberdade e não desejava sacrifica-la cuidando de um filho. Mas, seu amigo era diferente, pois, sempre ansiou ter um.

– E aí, Kiato? – ele pergunta com um sorriso, sendo que se encontrava sentado em uma pedra zelando por seu filho – Faz planos de ser pai, em breve?

– Muito engraçado, amigo... Até parece! Eu não quero ter um filho por imposição do meu pai.

– Um dia terá que ter um descendente para continuar a sua linhagem.

– Eu sei... Mas, quando mais eu conseguir protelar, melhor e além do mais, eu quero ter por mim mesmo.

– Como foi com o Supremo ancião?

Kiato senta na pedra e suspira cansado, mexendo a cabeça para os lados, para depois falar em um muxoxo:

– Não muito bem... Tive que ouvir o sermão dele pelo fato de não ter tido um filho, ainda e outros assuntos maçantes.

– Meus pêsames. – Katatsu dá tapinhas nas costas de seu melhor amigo.

– E como! Você tem sorte do seu pai não lhe incomodar.

Katatsu gargalha gostosamente e depois, fala:

– Bem, o meu foi o oposto. Ele falou que sou jovem demais para ser pai.

– Gostaria de poder trocar de pai com você, pois, você teria satisfeito o meu ao ter um filho.

– Mas, não dá... Portanto, amigo, se conforme.

– Como posso me conformar? Ele insiste em me procurar e inclusive chega ao ponto de me convocar, graças ao seu cargo! – ele fala emburrado.

– Bem... não há nada para fazer em relação a isso.

– Você é sortudo, isso sim. – ele comenta ainda mal humorado.

– Veja que... – ia falar algo, porém, olha para o lado e fica estarrecido com o que vê — Kiratsu! Tome cuidado!

Ele estava falando com o amigo, até ver o seu filho ameaçando subir em pedras íngremes e consideravelmente escorregadias, atrás de uma espécie de inseto e rapidamente, o pega no colo e o distraí com uma espécie de brinquedo feito de madeira, sendo que consegue fazer o seu filho pequeno esquecer o inseto, em troca de ficar brincando com o brinquedo.

– Essa foi por pouco! – Katatsu retira o suor da testa, enquanto se acalmava.

– Ele é corajoso. – Kiato comenta, ao ver a coragem e audácia da criança.

– Gostaria que fosse mais medroso... A “coragem” dele o expõe a muitas situações perigosas.

É a vez de Kiato rir e depois, falar:

– Não mandei ter um filho.

– Bem, eu o amo e não consigo imaginar a minha vida sem ele, portanto, agora entendo o que o meu pai sente por mim. Quando for pai, também entenderá.

– Duvido... Mas, não sei até quando posso resistir à persistência do meu genitor. Mas, mudando de assunto, já começou o treinamento dele e estudos? Afinal, além de ser um namekuseijin guerreiro, ele é descendente do Clã do dragão.

– Daqui a alguns dias, começarei os estudos e treino. Ele ainda é muito novo para tais obrigações.

Então os amigos começam a conversar outros assuntos amenos por algumas horas, até que se despedem.

AGE 261

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Após oito meses, Kiato olhava o seu filho, enquanto pensava se fora certo tê-lo apenas para apaziguar o seu pai e assim, dar sossego a ele.

O pequeno ressonava tranquilamente no berço e Kiato se aproxima dele e toca receoso, a cabeça da criança, passando a sentir sentimentos novos que despertaram nele, assim como um forte amor e carinho pelo seu filho e nisso, o segura no colo, embalando-o e concordando com o amigo, que de fato, compreendia melhor o seu genitor agora, sendo que o arrependimento que o tomara, se dispersou ao ter o peso morno de seu filho.

Então, após seis meses, com a criança tendo o equivalente a um ano da idade humana, um forte tremor se espalha por toda a Bejiita, sendo que naquele momento, Kiato estava passeando com o seu filho em uma estrada próxima da casa onde viviam.

Ao olhar para o céu, o mesmo escurecia e trovões reverberavam no céu tenebroso, iluminando-o, enquanto que os sons intensos e ruidosos dos trovões, juntamente com os relâmpagos, castigavam o céu negro como a noite. Algo que nunca aconteceu antes.

Frente a clima tão inóspito, o pequeno namekuseijin chorava frente ao forte medo que o tomava, enquanto abraçava fortemente o seu genitor que estava paralisado, pois, o céu de seu planeta nunca ficou escuro, com tantos trovões e relâmpagos rasgando os céus tenebrosos e jamais experimentou um tremor tão forte que dificultava ao mesmo ficar de pé, enquanto o seu corpo era castigado por rajadas cortantes que chicoteavam impiedosamente o ar.

Para proteger seu filho, usou o seu ki como uma espécie de escudo, ao concentra-lo em torno do corpo, formando uma camada protetora, inclusive para alguns entulhos que povoavam os céus ao sabor do vento impiedoso e igualmente brutal.

Ao longe, ele vê magma jorrando para cima em um espetáculo aterrorizante, enquanto que árvores caíam, sendo que eram abertas fissuras inacreditáveis e uma abre sobre o pé dele, que é obrigado a tentar se manter no ar, apesar das rajadas violentas, enquanto protegia seu filho e se preocupava com o mesmo, que chorava e murmurava, encolhendo-se ainda mais fortemente no colo de seu genitor:

– Papa...

– Calma, meu filho. O papai está aqui.

– Kiato! Venha para cá!

Uma voz conhecida o faz virar o rosto e percebe que era Katatsu e que o mesmo o chamava a distância e voa até o mesmo, desviando de relâmpagos e ocasionais rochas derretidas que eram expelidas pelos jarros violentos de larva e ao olhar para o lado, vê uma das várias cidades, outrora majestosas, uma conquista tecnológica, sendo reduzida a escombros, cujos edifícios outrora imponentes desabavam, enquanto sentia vários kis desaparecendo, simultaneamente, sendo que agradecia o fato de decidir morar em um vilarejo longe da cidade, assim como o seu grande amigo, Katatsu.

– Katatsu! O que houve?

– Não sei amigo... Aconteceu de repente.

Ele olha para os lados e indaga:

– E o seu filho, Kiratsu?

Katatsu olha para os lados e após suspirar, fala:

– Eu contei a você que estava desenvolvendo uma tecnologia inovadora nas viagens de longo alcance. Você se lembra?

– Sim.

– Conseguimos desenvolver duas naves. Era um projeto meu e não do meu pai, portanto, ele não sabia exatamente, o quanto avançamos e o fato de que já estavam prontas. Sem ter tempo para procura-lo, eu peguei o meu filho e o enviei para um planeta pacífico e de seres fracos, chamado Terra. Sinto se fui egoísta e não o esperei. É que eu entrei em desespero, pois, eu e o meu pai, sabemos, melhor do que ninguém, o quanto o planeta está sucumbindo. Venha, vamos até o laboratório subterrâneo no vale de Riau.

Então, enquanto voavam, Katatsu explica:

– Os cientistas entraram em desespero e tomaram as demais naves, as antigas. Porém, às mesmas foram destruídas por rochas derretidas.

– Então, temos que fugir do planeta? – ele pergunta angustiado.

– Sim. É arriscado demais. O planeta está à beira de um cataclismo sem precedente, que irá mudar radicalmente o planeta e que irá continuar por anos, até ser normalizado. Meu primo está seguro. Porém, quanto aos demais... Prevejo um extermínio em massa de nosso povo. Preciso tirar vocês do planeta.

– Mas, como? Você disse que todas as naves foram destruídas ao tentarem atravessar essa atmosfera tempestuosa. – Kiato fala.

– Nem todas – ele fica sem graça – Há um meio de passar pelas rochas derretidas sem ser atingido e também, como disse anteriormente, eu estava desenvolvendo uma nave mais avançada e criamos duas. Tive que eliminar os cientistas para garantir que não pegassem a nave. No meio do caos, foi fácil. – ele comenta sem olha-lo, enquanto torcia o punho ao se recordar do que fez.

– Você matou inocentes?

Kiato fica estarrecido, assim como horrorizado, pois, seu amigo era pacífico e nunca mataria inocentes, sendo que era radicalmente contra e inclusive, um pacifista e como se lesse o pensamento dele, fala:

– Quando a vida do meu filho está em jogo, posso me tornar o demônio, se for necessário. Você é pai e se visse as naves sendo levadas uma a uma e depois, restasse somente duas e precisasse fugir do planeta, ou pelo menos, enviar o seu filho em segurança para outro lugar, você permitiria que pegassem as naves ou não?

Kiato pensa consigo mesmo e descobre a mais pura verdade naquelas palavras. Ele era pai e queria salvar o filho e a nave era a única chance de se salvarem. Portanto, não havia escolha e como ele era um guerreiro e os outros, não, conseguiu elimina-los facilmente, ainda mais em meio ao caos instaurado.

Então, ao se recordar da quantidade de naves, Kiato pergunta, arqueando o cenho:

– Você disse duas naves... Então...

– Sim. Guardei a outra para você e seu filho.

Mesmo que ele se sentisse mal pelo que o amigo fez, não pode deixar de se sentir grato e agradece emocionado:

– Muito obrigado.

– Por nada, amigo. – ele sorri.

– Mas, e você? Virá conosco?

– Não. Para passar por essas rochas incandescentes voadoras, sem espatifarem a nave, como todas as outras, mesmo com essas novas naves possuindo um sistema de navegação no mínimo perfeito, faz-se necessário um considerável apoio, para poderem partir em segurança, assim como fiz com a nave do meu filho. Portanto, para garantir que consigam partir, eu devo ficar e controla-la a partir do radar e do Computador central, que ainda está operante, graças ao fato de termos o erguido nas rochas mais sólidas do planeta. Ademais, posso usar as armas em solo, que ainda estão operacionais, para destruí-las, caso alguma se encontre em rota de colisão com a nave de vocês.

Então, enquanto eles baixavam até o solo, mas, sem tocar o mesmo por causa dos terremotos, ele fala, voando, com o seu amigo e filho do mesmo, o seguindo dentre os corredores:

– Mas...! Seu filho...! Como o convenceu?

Sorrindo tristemente, ele fala:

– Disse que o buscaria depois. Menti, mas, ele aceitou e ademais, é mais velho que o seu. Portanto, ficará bem. Além disso, o planeta que escolhi foi a Terra, um planeta pacífico e a população do mesmo é fraca. Só não poderei envia-los até a Terra, pois, o planeta está muito instável por causa do campo magnético e pode interferir na navegação da nave e não dá para circundar, pois, também pode danificar o sistema. A parte norte do planeta não está com tantos problemas magnéticos e é a rota mais segura. Fixei um planeta para vocês, cuja população é pacifica e fraca. Portanto, não terão nenhum problema. Não mandei meu filho para esse planeta mais próximo, pois, a situação era inversa em relação ao magnetismo. O planeta está alterando essas ondas e tenho noção do tempo que vai demorar em surgir outro pico magnético, que impossibilitará a nave partir do planeta.

Então, eles chegam ao local e Katatsu começa a operar os computadores, ligando o hangar e falando, enquanto digitava freneticamente no painel.

– Entre na nave agora, meu amigo.

– Mas, você não pode deixar no automático? – ele pergunta, angustiado.

– Não... Não posso arriscar. Ficarei nesse planeta condenado e após vocês partirem, criarei meios de proteger meu primo. Provavelmente, ele será o único namekuseijin vivo e é do clã do dragão. Agora, vá.

– Por que o seu pai não o colocou na nave com o Kiratsu?

– Poucos sabiam do projeto, pois era ultrassecreto. Quando o meu pai viu que o planeta estava se deteriorando, ficou apavorado e quando foi no hangar, todas as naves partiram e ademais, testemunhou o fim de todas elas. Isso o fez procurar o abrigo que ele mesmo montou para proteger, ao menos o meu primo que estava junto dele, sendo que há suplementos para anos e nesse interim, não consegui encontra-lo para avisa-lo que as naves já estavam prontas. Ele pensou que ainda estavam inacabadas, sendo que eu havia acabado de finaliza-las. Quando soube, tentou voltar para pega-lo, porém, o caminho até o meu primo foi selada com centenas de toneladas de entulho e se tentar abrir caminho com o ki, há o risco de destruir o esconderijo. Portanto, é melhor não mexer, pois, não teria tempo de remover o entulho e coloca-lo em uma nave. O meu pai morreu quando tudo desabou.

– Mas, como ele sabia o que aconteceria? – Kiato achava estanho.

– Eu não sei... – dá de ombros, até que vê o relógio e os gráficos na tela – Rápido! Saia daqui! Você só tem algumas horas! Eu darei cobertura!

– Obrigado! – após colocar o filho na nave, ele corre e abraça o amigo, chorando – Nunca vou esquecer o que fez. Espero um dia eu possa retribuir, de uma forma ou de outra.

Ele dá palmadinhas nas costas e fala:

– Agora, vá. Você tem o seu filho. Viva por mim também, amigo.

Então, após alguns minutos, ele se afasta e corre até a nave, enquanto Katatsu pensava nas mentiras que contara.

Afinal, queria proteger o tolo do seu pai, que contrariando o que ele falava e inclusive implorara, além da necessária cautela, persistiu no projeto de um gerador de energia ilimitado pra suplantar as cidades que cresciam demasiadamente, mais do que o planeta podia gerar de energia.

O resultado de tentar lidar com tal poder, era a catástrofe que tomava o planeta. O seu pai havia exterminado a própria raça. Porém, preferia que tal segredo fosse levado para o túmulo. O segredo que não eram causas naturais e sim, um descontrole catastrófico do clima devido a um experimento errôneo, feito com a melhor das intenções.

Quando percebeu que não podia mudar as ideias do seu pai sobre o projeto, ele construiu naves excelentes, sendo que frente ao fato do projeto de seu genitor estar em fase de término, ele precisava de ajuda para termina-las a tempo, se preparando, para caso ocorresse um cataclismo por culpa do projeto de seu genitor, pois, ao examinar o projeto dele, ficou alarmado com o nível de energia que seria manipulada.

Ele fez as naves porque queria salvar o seu filho, seu primo e o seu amigo de infância. Portanto, foi um projeto criado exclusivamente por ele, sendo que se preparou por meses, para fazer o necessário para garantir que houvesse transporte. Ou seja, se preparou para eliminar os cientistas que o auxiliaram na construção da nave.

Então, enquanto ajudava a nave de seu amigo a fugir e também usava o sistema de armas do laboratório para destruir as ocasionais rochas derretidas incandescentes, lançados pelos jorros de magma, ele pensava quantas coisas deploráveis fez por culpa de seu pai, assim como pelo que fez por ser um pai e não pode deixar de lastimar-se.

Então, quando a nave se afasta do planeta, ele caminha até o local onde estava o corredor que fora soterrado por entulhos e começa a usar seu poder para criar camadas de proteção de matérias que resistiriam a altas temperaturas, porque sabia o que aconteceria e estranhamente, sentia-se inerte ao pensamento de morrer de uma forma horrível, julgando que era um castigo merecido pelo assassinato de inocentes.

Inclusive, o sistema automático poderia ter cuidado de tudo, enquanto partia do planeta na nave. Porém, não se achava digno de sair do planeta, após tudo o que fez por amor ao seu amado filho e pela intensa amizade que sentia por Kiato.

Após terminar de cobrir o corredor para o subsolo, ele ouve um estrondo e um forte calor, já adivinhando o que se sucederia, estranhando o fato que demorara demais para ocorrer, o inevitável. O extermínio de todos os namekuseijins, menos o seu primo.

– Por que não partiu, meu filho?

O pai dele fala, soterrado pela metade do corpo, com lágrimas caindo de seus olhos, ao perceber que seu amado filho iria compartilhar do fim, que somente ele merecia, por ser o responsável pela destruição de sua raça.

– Não pude. Embora não precisasse fiscalizar as partidas, graças ao fato do computador principal ainda se encontrar operante, senti que não era digno de fugir, após tudo o que fiz.

Ele escora as costas na parede e depois senta, vendo a intensa luz alaranjada fumegante que se aproximava, cada vez mais dele, derretendo tudo em seu caminho, assim como o vapor que incinerava tudo, conforme se propagava e por um minuto, questionou a si mesmo como morreria. Derretido ou incinerado, sem saber qual era a pior forma de morrer.

– Eu fui um velho tolo e arrogante. Perdoe-me, meu filho, por favor. Não te ouvi e no final, meus atos destruíram a nossa raça. – ele fala esticando a mão nodosa para o seu filho, sabendo que era indigno de implorar o seu perdão.

Katatsu fica pensativo e depois sorri tristemente, falando, enquanto olhava para o seu genitor:

– Eu o perdoo pai... Sua intenção foi sincera. Você queria ajudar o nosso povo. – ele fala, sorrindo e segurando a mão dele.

– Muito obrigado. – ele fala com lágrimas nos olhos, enquanto sorri fracamente, apertando a mão do filho.

Após um minuto de hesitação, ele se aproxima para junto de seu pai e ambos fitavam as chamas, assim como a nuvem alaranjada crepitante e igualmente fumegante que se aproximava:

– Kiatsu irá sobreviver... Ele poderá reconstruir a nossa raça, do inicio e sem cometer os mesmos erros que levaram ao nosso fim. Afinal, é inteligentíssimo. – Katatsu fala, olhando para o seu genitor.

– Sim...

Então, eles fecham os olhos, minutos antes de seus corpos serem dissolvidos pela fumaça escaldante, assim como chamas que se irrompiam, incinerando tudo ao seu alcance, enquanto que os entulhos que protegiam a entrada estavam derretendo, sendo que as várias camadas resistiram e criaram uma espécie de tampão hermético, protegendo o jovem namekuseijin no esconderijo, que chorava sozinho e sentia-se desolado, em um local com uma luz fraca e crepitante, juntamente com mantimentos.

Notas finais
Yo! Quero agradecer ao comentário de: Wesley