O piano
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Eu amo tocar piano, essa casa é perfeita, ainda bem que minha mãe á alugou. Tocava por horas a mesma música, a que o meu pai gostava, depois de muito tempo decidi começar a canta-la.
– Você além de tocar bem, também canta.- Ouvi essa voz, na primeira vez achava que era mulher, porém dessa vez percebi que na verdade era de um garoto. Olhei para tras com medo, pois achei que alguém tinha invadido a casa de praia. Quando os meus olhos pararam na escada la estava um garoto, ele olhou para mim e sorriu, então sumiu.
– AAAAAAAAAAAAAAAHHHH eu acordei gritando e pulando da cama.
– Sakura, o que aconteceu? — disse a minha mãe que apareceu bem rápido na porta.
– Eu tive um pesadelo — falei me tremendo e sentando na cama — eu estava tocando no piano por muito tempo e então resolvi começar a cantar — comecei á chorar ao lembrar do pesadelo — então alguém me elogiou, olhei para trás, lá tinha um garoto e ele sorriu para mim, mãe, depois sumiu.
– Minha filha, foi só um pesadelo — ela disse e me abraçou.
– Mas mãe, eu juro que ontem ouvi alguém falando que eu tocava bem.
– Foi coisa da sua cabeça, Sakura, você tem medo de fantasmas, mas eles não existem.
– Eu sei mãe, a senhora sempre diz isso, mas continuo com medo — ela me deu um abraço apertado e um beijo na testa.
– Vá tomar o seu banho e desça para tomar o seu café da manhã.
– Ok, vou tomar banho e irei descer para tomar meu café.
Ela saiu do quarto, fiquei ainda um tempo sentada na cama para tentar me acalmar. Eu precisava perder o meu medo de fantasmas, eles não existem... Mas aquele sonho foi tão real, a voz parecia um pouco com a voz que eu tinha escutado no dia anterior. Bom, era melhor parar com esse pensamento, precisava tomar banho e fazer de tudo para ocupar a minha mente durante o resto do dia para não lembrar do meu péssimo pesadelo. Sai da cama e fui andando bem devagar até o banheiro, tirei as minhas roupas e fui para debaixo do chuveiro, a água estava tão gelada, era bom, pois assim me acalmava ainda mais.
– Nossa, mãe, está muito gostoso esse pão com salame. — falava enquanto comia o meu sanduíche bem rápido.
– Ok, você está me elogiando demais, o que você quer? — ela falou se sentando na cadeira na minha frente.
– Eu quero ir para praia, ficar no mar, quero ficar um pouco longe do piano...
– Ok filha, a gente vai, mas só depois do almoço, ok?
– Sim mãe — respondi e voltei a comer, pois não existe nada melhor que comer.
– E você vai ter que me ajudar a arrumar a casa — parei de comer e olhei pra ela.
– A senhora ta brincando, né?
– Não mesmo, deixe de preguiça.
– O que eu não faço para ir a praia...
Mamãe me fez de escrava, a gente arrumou a casa de cima á baixo, parecia que ninguém a limpava á anos. Quando vimos,já era duas tarde e eu estava morrendo de fome, ela foi fazer o almoço, fomos almoçar quase quatro, ou seja, nada de praia. Fiquei um pouco chateada, porém ao mesmo tempo não. Foi bom, eu não pensei no pesadelo, mas fiquei em casa, porém o melhor foi que a gente ficou bastante tempo juntas e sem brigar, desde que o meu pai morreu a gente sempre brigava, tanto eu como ela sentiamos a falta dele, só que não sabiamos o que fazer, era difícil ainda admitir a perda que tivemos, mas é a vida e a única coisa que podemos fazer é aceitar.
– Sakura. — a minha mãe falou me acordando do meu pensamento.
– Oi mãe
– Vai descansar, estou cansada e imagino que você também, amanhã vamos para a praia depois do café da manhã, ok?
– Sim senhora, me acorde para o jantar.
– A comida está deliciosa, mãe.
– Obrigada — ela sorriu — eu sei que você ama lasanha.
– Sim — falei e continuei comendo.
– Você lava a louça, ok?
– Ah não, poxa — falei parando de comer e fazendo bico.
– Poxa nada, estou cansada.
– Ok, ok. — continuamos jantando calada, comi mais um pedaço de lasanha e a minha mãe logo depois foi para o seu quarto dormir. Fui lavar a louça e fiquei lavando bem devagar, para passar o tempo. Quando terminei fiquei olhando para o piano, foi besteira aquele pesadelo, não iria parar de tocar só por causa de um sonho. Fui até ele e fiquei olhando para as teclas, então resolvi começar a tocar, só que não toquei a música favorita do meu pai e sim a minha. Eu sentia como se alguém estive-se do meu lado, mas não me incomodei, pensava que era coisa da minha cabeça e continuei a tocar.
– Essa música é a minha preferida. — falou o garoto, o mesmo do sonho, ele estava sentado do meu lado. Parei de tocar na hora e fiquei olhando pra ele, estava me tremendo, não saia nem um som da minha boca — Por favor, não grite, não fique com medo, eu juro que não vou machucar você.
– O que você quer? — falei finalmente e com a voz tremula.
– Eu não quero nada — ele disse, e naquele momento percebi que estava falando com um fantasma, devia estar ficando louca. — mas eu não sou o único que vem aqui nessa casa, então você tem que ter cuidado com os outros.
– Porque eu tenho que ter cuidado com eles? — falei com medo.
– Porque foram eles que me fizeram ficar assim... um fantasma.
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