O peso de uma escolha.
18 Uma Partida
Notas iniciais
Elisa deixou se cair pesadamente em uma cadeira enquanto assistiu a discussão entre os pais.
— Você vai realmente abandonar a sua família nesse momento critico em que estamos passando?
— Abandonar? Quem é você pra me julgar ou dizer que estou abandonando alguém? Quem é que trabalhava? Quem colocava comida daquela mesa todos os dias? Enquanto você bebia descaradamente, todos os dias, enquanto eu me acabava você criava forças e agora vem dando uma de bom pai. De bom samaritano. Ah, por favor, Carlos. Eu não aguento mais essa casa. — ela grita pegando as malas. — Não aguento mais nada. — Ela sai pela porta, batendo-a com força.
O homem sem ação olha pra filha que quieta não diz uma palavra. A mulher os havia abandonado. A situação financeira não doía tanto em sua mente quando a sentimental. Sabia que iriam passar necessidades, mas isso não estava o preocupado com isso. Deu um abraço na filha e pegou o celular a fim de mandar algumas mensagens.
— Minha querida, eu vou ter de ir trabalhar, você pode arrumar tudo aqui por mim? À noite eu estarei de volta. — ele caminhou compassadamente até a porta. Lançou um olhar triste pra filha e saiu.
Enquanto isso ela se dispôs a arrumar tudo. Era sua forma de se refugiar dos problemas. Recebeu uma mensagem de Lenny, o rapaz se mostrou preocupado. Ela disse que estava tudo bem. Não que ela fosse uma péssima filha ou que não houvesse sentimentos pela mãe. Porém no fundo ela esperava que algo desse nível fosse acontecer. Foi um pouco consolada pelo rapaz, que prometeu estar ao lado dela no fim do dia. Não somente Lenny que queria ver Elisa, Lewis estava com esse mesmo pensamento, assim sendo ele foi até a casa da moça. Eram quase quinze horas quando ele chegou.
— Boa tarde moça. — ele disse logo entrando. Sabia que ela estava sozinha e ouvira de sua irmã que Ehtan havia se acidentado e faltaria as aulas por um tempo.
— Oi. — ela disse calmamente o deixando entrar. — O que está fazendo aqui? — ela completa.
— Que indelicadeza, minha querida. — ele sentou-se no sofá ao lado de Elisa que havia feito o mesmo segundos antes.
— Temos de parar com isso. — ela disse prendendo os cabelos. A sua surpresa foi grande, quando ele se levantou e pôs os braços em volta do seu pescoço puxando-a para um beijo que não fora correspondido.
— Poxa, Elie, somos amantes. Eu gosto de você e você sabe disso. Não vamos dar pra trás agora.
— A questão é que eu não quero ser a outra de ninguém. — ela disse tentando empurra-lo e se livrar daquele impasse.
— O que é isso Elisa, já havíamos combinado.
— Mas eu não quero mais Lewis. Isso não é certo, isso não é bom. Eu odeio ser sempre um objeto, abandonada. — a menina se lembrou da mãe e do irmão.
O rapaz lançou um olhar frio na direção dela e depois se sentou novamente, mas dessa vez no sofá oposto e não desferiu mais nenhuma palavra.
— Estou com sede. Pega um suco pra mim. — ele pediu ignorando totalmente a situação. Elisa não acreditou no que ouviu, mas não recusaria dar água a quem teria sede. Suspirou e atendeu ao pedido do rapaz. Ele pegou o copo com um sorriso e sem qualquer cerimonia ligou a televisão. Estava passando um filme a esmo que ele se dispôs a assistir.
Elisa não estava acreditando no que estava vendo. Quanta audácia provinha daquele rapaz. Não conteve o riso e voltou pra cozinha. Queria que ele fosse embora antes que o pai ou Lenny chegassem. Não saberia o que dizer se caso o garoto visse o professor visitar sua casa.
...
Algumas horas se passaram, Lewis assistira ao filme inteiro e depois dormiu. Sem mais nem mesmos no sofá da casa de Elisa. Seu medo tomou forma quando a campainha tocou e era Lenny. Ele adentrou a casa com um sorriso que morreu no momento em que ele avistou o ruivo dormindo no sofá da namorada.
— O que ele esta fazendo aqui? — o homem perguntou em baixo tom. Então Elisa contou tudo com detalhes sobre o que havia acontecido mais cedo. — Ele realmente não tem escrúpulos.
— Quer acorda-lo? — ela perguntou.
— Não, ainda não. Seria bem prejudicial se ele soubesse de mim aqui. Vamos fazer assim. Eu vou ficar um tempo no seu quarto. Acorde-o e o mande embora daqui a meia hora. Assim sendo o homem subiu.
O tempo pedido se minguou e ela acordou o rapaz.
— Vamos, está na hora de ir? — ela disse em um tom calmo.
— Certo, eu já vou. Mas somente porque eu tenho muita lição de casa pra fazer. — ele bocejou e deu um beijo na testa de Elisa, depois saiu sem olhar pra trás.
Após a saída de Lewis, Elisa contou ao professor tudo o que aconteceu em outrora. A partida da mãe era algo que não a surpreendeu em nada. Estava mais preocupada com o excesso de trabalho que o pai teria pela frente. Não que ela não se condoesse pelo que a mãe passou, não guardava rancor algum em relação a ela.
— Carlos está em maus lençóis agora. — ele completou a olhando com um sorriso. — Tenho uma ideia, não sei se você concordaria, mas... — ele hesitou por um momento.
— Diga. — ela encorajou.
— Eu poderia morar com você.
— Morar? — ela respondeu surpresa.
— Sim! Meu pai esta de namorada nova e eu meio que estou sobrando lá. Então eu sei que vocês tem um quarto de sobra aqui. Posso alugar esse quarto por um tempo. Até que eu arrume a minha própria casa. Além de ser uma ajuda pra vocês também é pra mim. Já que eu poderia ir a escola a pé. Gasolina está caro nos dias de hoje. — ele disse convicto.
— O que você acha? — ele perguntou com um sorriso.
— Por mim tudo bem. — ela disse.
Mais tarde naquele dia quando Carlos chegou em casa Leonny lhe passou a proposta pessoalmente que foi aceita de bom grato.
A partir daquele dia Lenny passaria a morar com eles.
Fale com o autor