O peso de uma escolha.

16 Um astuto vigia.


Notas iniciais
Obrigada por chegarem até aqui comigo, amo a companhia de vocês e fico feliz pela opinião de todos, muito me ajuda como escritora e como pessoa.

Elisa estava tensa, sua respiração lhe faltava nos momentos em que mais precisava. O irmão estava solto? Como assim? Seu pai lhe disse que ele ficaria internado por pelo menos uns dias. Sentiu seu chão ruir. Olhou para os lados assustada, mas pessoas andavam tranquilamente para suas casas e elas mal sabiam que um psicótico rapaz estava bem ali passando por elas. Será que sua obsessão era somente com ela? Não, não era hora de pensar nisso. Elisa dizia para si mesma . Os paços do irmão se misturavam com a multidão, mas para ela aquele barulho era o único que podia ouvir. Estava soando frio, as pupilas se dilatavam e o medo percorria sua mente como um vento sem controle.

' O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço!' Sua mente martelava por respostas. ' Calma Elisa, pensa, pensa. Onde está o Lenny, onde está meu pai? '

— Elisa. — a voz conhecida te tirou do transe que a dominava, agora seria despertada para um novo pesadelo que sorria inocentemente.

Enquanto isso Carlos teve de ficar no hospital para falar com mais um profissional, dessa vez o psicólogo da vara familiar. Estava inquieto. Sabia que o filho não iria diretamente pra casa e estava com medo de ele se encontrar com Elisa e tentar fazer alguma coisa, mas por outro lado, não queria nutrir esse tipo de pensamento. Quando foi chamado caminhou novamente para a mesma sala. Agora estava reunido juntamente com os homens que estavam ali a fim de interroga-lo.

— Sou Albert Hanson e estou aqui ao seu dispor. – O homem estendeu a mão que Carlos apertou gentilmente. — Parece preocupado senhor Dicksen. — o mais novo convidado perguntou.

— Sim, eu estou.

— Pode dizer o motivo? — ele continuou.

— Ehtan já saiu, tenho medo de ele ir atrás da irmã. — ele segredou. Sua cabeça martelava. Sabia que se contasse a verdade, que o filha tentara estuprar a própria irmã sabia que o rapaz seria preso. Aquele era um crime grave, que até então estava sendo escondido. O seu amor de pai era grande. Por isso mesmo não sabia o que fazer. A cadeira em que sentava parecia ter espinhos, sua mente estava longe e ele estava prestes a explodir. Tinha vontade de chorar como uma criança.

— Senhor Carlos- o homem chamou insistente. — Estamos falando com o senhor.

Era agora ou nunca.

— Tenho medo, porque ele já tentou estuprar ela. — ele disse por fim encarando os homens que estavam boquiabertos.

— Por qual motivo o senhor omitiu isso, senhor Dicksen? — preocupado o psiquiatra que falou com Ehtan se sentia impotente.

— Amor de pai. — Carlos disse por fim derrotado. — Eu preciso ir imediatamente. Não sei o que ele pode fazer. Eu preciso socorrer a minha filha. — ele disse por fim já em pé.

— Vou com você. — disse o psicólogo. – O senhor errou feio em omitir isso de todos é um crime o que seu filho fez, mas presumimos que ele esteja fora das suas faculdades mentais. Mas de antemão esteja ciente de que seu filho vai precisar ser internado e o senhor poderá ser indiciado. — ele disse se encaminhando a porta com Carlos em seu encalce. – Vamos senhor Morgan. Todo tempo é precioso.

...

— Vamos indo? Eu prometo que cozinho algo bom pra você hoje. — Ele disse sem pestanejar.

— Vamos esperar o nosso pai? — ela disse a fim de tentar fugir. Procurou em vão pela presença de Lenny, Adriana, Jaqueline, quem quer que fosse.

— Ele está ocupado, podemos esperar por ele em casa. — ele estava mostrando impaciência. — Estou com fome e cansado, podemos ir?

— Eu, eu... — ela tinha a urgência de pensar em algo.

A garota caminhou compassadamente seguindo o. Tinha muito medo do irmão, por mais amor que ele representou um dia em sua vida. O peso do seu corpo parece que multiplicava e a sensação de estar afundando inundava seus pulmões. Não havia água ali, apenas desespero, que se tornava líquido para atormentar sua mente.

De súbito seu celular vibra. Ela para e dá três passos para trás. O irmão caminha mais um pouco quando percebe que ela parou.

— Alô, pai! — ela disse quase gritando.

— Elisa, filha, onde você está?

— Indo pra casa com o Ehtan. — ela disse não desgrudando o olhar do irmão. Que espera tranquilamente como se não se importasse com nada do que está acontecendo.

— Eu estou chegando ai, não se preocupe filha.

— Sim. — ela disse e o telefone foi desligado. Olhou em volta mais uma vez, na esperança de que alguém pudesse aparecer para salva-la. Mas não havia ninguém que pudesse fazer isso.

— Vamos logo. Se o papai vai chegar, creio que ele vai estar com fome. — Ehtan disse caminhando. Estava indiferente, reação essa que foi uma surpresa para a garota que não esperava nunca, essa reação do irmão. — Você está com dor? — ele perguntou sem olha-la.

— Não, não.

— Então vamos andar um pouco mais rápido. Estou cansado.

...

Logo Carlos e os dois profissionais chegaram à casa do mesmo. Para sua surpresa foi uma Elisa angustiada que abrira a porta se jogando nos braços do pai. Morgan e seu companheiro entraram a pedido do homem. Encontraram Ehtan na cozinha assando alguns petiscos.

— Sejam bem vindos, fiz isso para que comam até o almoço estar pronto. — ele disse limpando as mãos em um pano e servindo em uma bandeja bolinhas de queijo e um molho rose.

— Agradecemos muito Ehtan. — disse Morgan indo para o sofá. O outro médico fez o mesmo.

— Deixem eu me apresentar sou Albert Hanson, sou psicólogo da vara familiar do estado. Posso conversar com você minha querida? — Hanson, o psicólogo solicitou.

— Claro, posso pai?- ela olhou para Carlos.

— Sim, querida, pode ir.

— Vamos conversar no meu quarto. — ela pediu indicando a direção.

Hanson e ela subiram as escadas sob o olhar sanguinário do vigia. Ehtan que espreitava tudo de soslaio, fingindo não se importar com nada.

Morgan e Carlos continuaram com uma conversa a esmo. Sobre jogos, musicas antigas e até sobre carros. Os petiscos trazidos pelo filho estavam deliciosos.

— Vamos guardar uns para Elisa e Hanson? — sugeriu Carlos.

A conversa entre Elisa e o médico não durou mais que uma hora. Ela contou a ele tudo, não escondendo nada. Sabia que as possibilidades de os pais perderem sua guarda existia, mas procurou inocentar pelo menos o pai e dar a ideia que ele e a mãe estavam doentes.

Na mente de Hanson a família inteira precisava de tratamento, mas ele não iria separar o pai dos filhos. Mas a mãe dos dois teria de ser muito convincente se quisesse ficar com eles.

— Você tem muito medo do seu irmão Elisa?

— Sim, hoje em dia eu tenho.

— Você me disse que ele tentava, bem... — ele não conseguia achar as palavras corretas. — Aliciar você.

Ela assentiu que sim com a cabeça. Eles entendiam que ele estava doente e que precisava se tratar urgentemente. Para deixa-la mais tranquila ele segredou lhe que o irmão iria ser internado em no máximo dois dias.

— Meu irmão nem sempre foi assim, ele mudou de uns tempos para cá. Queria que ele voltasse a ser quem era.

— Vamos trabalhar para que isso aconteça. – o homem disse procurando sorrir.

Ela respirou aliviada e concordaram em irem comer alguma coisa.

Quando chegaram na sala de jantar, o garoto estava servindo o almoço. Todos comeram e muitos elogios foram lançados ao garoto que sorria timidamente.

Como abordar a situação e dizer o que precisava ser dito era algo que estava causando dor a Carlos. Sabia que o filho não aceitaria de bom grato. Sentiu medo.

— Filho, tenho algo a lhe dizer. — Carlos começou quando estavam quase acabando de comer.

— Pode falar. -ele respondeu em tom seco. Sabia exatamente o que o pai iria lhe dizer e não seria nenhuma surpresa. Estava planejando tudo na sua mente. Ela trabalhava a mil por hora e mancomunava tudo o que precisava fazer, dizer, como agir, falar.

— Você vai ficar um tempo internado. — ele disse sem hesitar. Sabia que se não dissesse agora, não teria mais forças para dizer depois.

Ehtan não parou o que estava fazendo e disse por fim, depois de um gole de suco.

— Tudo bem, eu concordo. Preciso de ajuda. — ele disse distribuindo o olhar para todos o que estavam na mesa. Elisa e Carlos não acreditavam no que estavam ouvindo e seria bom se não acreditassem mesmo. Já que nem de longe aquele garoto bonito era um anjo.