O peso de uma escolha.
4 Aproximação.
Notas iniciais
Ehtan arrastava a irmã com toda calma do mundo até esbarrar com Jaqueline. A garota era bonita e chamava atenção. Olhou Elisa da cabeça aos pés e isso causou constrangimento na garota que desviou o rosto para o chão. O mais velho percebeu isso, não era bobo.
— O que você quer? Veio apenas intimidar minha irmã ou dizer alguma coisa útil? — ela arregalou os olhos em tom surpreso. Não havia nenhuma máscara que se sustentasse na frente dele.
— Queria apenas te chamar para sair depois daqui. Vamos ao shopping. — ela disse sensualmente olhando nos olhos do rapaz.
— Não vou poder, tenho um compromisso importante. — virou-se para a irmã que estava perdida nos pensamento do beijo que recebera. — Vem Elie.
Eles passaram pela loira que fez cara de poucos amigos.
— Tem certeza. — ela gritou.
Ele nem se dignou a responder. Não estava com paciência para aquelas fãs tortas que tinha. Queria levar a irmã dali e ter com ela uma tarde tranquila. Caminharam para uma loja de ursos de pelúcia, Ehtan decidiu presentear a garota com algo bem doce e meigo, pois sabia que ela era assim. Ela sorria olhando as opções variadas que tinha. Seu semblante era sereno e se esquecera da dor, mas não do toque o amigo mais cedo.
Não sabia se contaria isso a alguém, muito menos ao irmão. Não tinha uma mãe com quem pudesse contar e isso a magoava profundamente. Lembrou-se de quando ela era mais nova, quando tinha onze anos e teve a sua primeira menstruação. Como foi acalentada pela mãe e como ela era diferente. O peso da responsabilidade tornara Sarah uma mãe diferente do que ela estava habituada a ter, entendia. Apesar de não concordar.
Escolheu por fim um porquinho branco com asas. Monokuro boo, era o nome dele.
Ehtan pagou o mimo e depois decidiu que iriam almoçar por ai. Mas como ainda era cedo, foram caminhar pelo parque que fiava próximo a escola. O rapaz trabalhava aos fim de semana como mecânico, sempre ganhava bastante para alguns caprichos e para economizar. Queria logo que o ensino médio acabasse. Queria logo iniciar um curso técnico e trabalhar na área para depois por fim iniciar uma faculdade de arquitetura e urbanismo. Que era o seu forte.
— Você me parece distraída hoje. — ela pensou bem se devia contar sobre o beijo, mas apenas decidiu que ainda não.
— Amanhã já é sábado.
— Ahnn- ele disse. Já sabendo do que se tratava.
Os fins de semana eram totalmente solitários para ela. O irmão trabalhava o dia inteiro e ela tinha de aguentar o pai bebendo e a mãe brigando com ele e descontando dela. Por diversas vezes a garota apanhou da mulher sem motivo algum.
— Apenas sorria pra mim quando eu chegar. Por mais cansado que eu esteja, teu sorriso vai animar o meu dia. Promete-me?
— Sim Ehtan. Prometo.
Ficaram a papear sobre coisas do dia a dia com ela. Fazendo -a rir e quando foi na hora do almoço ele a levou em um restaurante natural, onde lá ele adequou o cardápio de dieta para ela.
— Você vai ver que em menos de um mês vai perder uns quilinhos. — ela apenas sorria, querendo não enganar nem a ele e nem a si mesma.
As manhãs amanheciam tristes como sempre. Ao olhar pela janela o que se podia ver era o cair das gotas de água que pouco a pouco tingiam o chão com sua maestria intocável. O tempo fluía, as lágrimas também. Ela estava sozinha como sempre. Observando o barulho de um tempo que refletia o seu coração. O final de semana começara e com ele a agonia de passar mais um dia em casa com seus pais. Que por sinal ainda não acordaram. Ehtan já havia saído, deixando para trás uma Elisa triste e solitária. Era sempre o mesmo ritual. Ela ficava na janela olhando ele indo embora. Levando consigo a esperança de alegria aqueles dias.
Por diversas vezes ainda lembrava dos dias em que eram apenas uma família normal. Com fins de semana alegres, sorvete na geladeira, churrasco aos domingos. Uma mãe que abraçava ela todos os dias e um pai que contava histórias sobre um pirata dos tempos atuais que se chamava Lenny.
— Ele existe. — o pai dizia. — Um dia você se casará com ele. — e os dois riam zombeteiros desse noivo-pirata.
Eram lindos dias, que se acabaram sem nem ao menos dizer adeus. Seu irmão sabia que ela apanhava. Mas não tanto quanto ele via. Uma certa vez a mãe chegara em casa muito cansada e o homem que ela chamava de marido estava dormindo na sala, deixando o jantar queimar. Nesse momento Elisa estava tomando banho.A mãe nem consultou os culpados pelo crime. Simplesmente entrou no banheiro onde a menina se banhava e com uma escova de banho agrediu a filha nua, até seus braços cansarem e ela ficar ofegante. A dor que se seguiam por seu corpo não era tão intensa quanto a da sua alma.Ela não derramou sequer uma lágrima, nem um sussurro de dor. Apenas defendeu o rosto, pois já passara pela experiência de apanhar lá e todos na escola deduziram que fora agressão familiar.Isso a envergonhava. Ela também queria evitar que as pessoas soubessem. Principalmente o irmão. Esses acontecimentos eram constantes na vida da garota que não podia fazer nada. Apenas aceitar. Naquele dia em especial a mulher cozinhava não ligando para a existência da filha, que estava em seu quarto.
— Por favor, volte logo Ehtan. — eram essas as suplicas que ela fazia todos os dias.
A hora do almoço era sempre horrível. Uma mulher indelicada servia a comida e ficava criticando o corpo da filha. Dia após dia. Criticando, batendo, machucando, destruindo.
Depois da refeição ela ia dormir, Carlos como sempre ia para o bar de um amigo. Elisa então tinha um momento de paz para ficar sozinha. Era seu momento preferido. Onde a solidão lhe acalentava.
' Bom dia Elie. Como esta seu dia? '
Uma mensagem? Isso era raro, quem teria o seu número?
Retornou com um simples: 'Quem seria?'
' Sou eu Lewis!' A resposta veio logo.
Um sorriso e um rubor brotaram em seu rosto. Como ele havia conseguido o seu número era um mistério,mas estava feliz. Ehtan não podia mandar mensagens durante o expediente e essa que veio agora para ela fora muito inesperada.
' Como conseguiu meu número'. ela quis saber.
'Deixa de ser chata, isso é um segredo. Se te incomoda eu paro de mandar mensagens.'
' Não incomoda em nada, apenas me surpreende alguém ter meu número.'
Não era apenas por isso que ela estava surpresa, o fato de alguém ligar para ela como ser humano. Sorriu intensamente e se dirigiu ao seu quarto.
' Mudando de assunto, posso ir ai te ver?' — como assim? Isso era inesperado pra ela. Sabia que a mãe não ligaria, mas não poderia acorda-la.
' Minha mãe esta dormindo, não posso acorda-la. ;['
' Entendo, mas então eu vou mesmo assim. Até. '
' Como assim?:'
Ela esperou por mais uma meia hora e nenhuma mensagem ao invés disso a campainha toca.
Era ele.
— Boa tarde. — Lewis cumprimento com um sorriso de orelha a orelha.
— Boa tarde, pode entrar. Não faça barulho. — ela indicou o caminho que o garoto percorreu
sorrateiramente.
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