Notas iniciais
À você que está aqui, obrigada por dar uma chance a minha história e não esqueça de deixar comentários no finalzinho do cap, seja ele uma crítica ou um elogio, ok? Mas lembre-se: pega leve, tá bom? Respeito sempre, e outra, é minha primeira fic relevem.
Boa leitura e que Rá esteja com vocês.

Estava escuro e eu me sentia completamente sozinha. Bem, eu realmente estava só. Ninguém por perto além da minha própria sombra e um leve calafrio na espinha.

Eu conseguia ver as formas do que tinha a minha frente, mas pela tontura, não conseguia distinguir nada.

Ouvi uma voz familiar porém estava atordoada demais para definir quem era e então, apaguei. Acordei em um quarto completamente negro. Típico de um velho conhecido.

- Até que enfim. — Anúbis suspirou, aliviado. — Como se sente?

- Como se um caminhão cheio de pedras do tamanho de elefantes pesando 40 toneladas tivesse passado por cima de mim. – respondi, ainda sonolenta.

- Menos mal. Poderia ter sido pior.

- Não vejo como. – falei, rabugenta. Eu era mesmo ranzinza no final das contas.

- Você poderia ter ficado com sequelas graves, aqueles magos eram muito poderosos.

Me sentia horrível, todos os músculos do meu corpo doíam ao menor movimento e eu mal conseguia unir forças para falar, mas mesmo assim continuava me esforçando.

- Quanto tempo fiquei apagada?

- Três dias e algumas horas. — ele disse, com certa indiferença.

- O quê?! – perguntei, alarmada. — me pareceram segundos! Tenho que voltar pra casa. Eu tenho que me reorganizar — tentei me levantar mas, simplesmente, não consegui. Quase cai porém Anúbis foi mais rápido e me pegou antes de eu me estabacar no chão. — Me solta. — resmunguei, mas tenho certeza de que não pareci convincente. Eu conhecia o deus dos funerais a uns dois anos, logo que me mudei de Long Island e vim para Manhattan, tínhamos nos encontrado em uma das minhas missões para o acampamento.

Eu era quase como uma... Hm, vejamos, acho que o termo free-lancer é o que melhor se encaixa. Não era completamente maga nem totalmente semideusa. Era o resultado de uma quebra de regras, tinha o sangue dos faraós, por meu pai ser um mago, e descendia de Hades, por minha mãe ser uma semideusa. Então eu não me encaixava bem em nenhum dos cenários, nem nos acampamentos, nem nos nomos de treinamento.

Anúbis tinha acabado de deixar de habitar uma carcaça humana quando o conheci. Até onde eu sabia, o nome do meninoera Walt e ele tinha a mesma maldição do rei Tut, um antigo faraó egípcio que tinha no seu sangue uma praga que fazia com que ele e seus descendentes morressem cedo demais. Enfim, eu tinha uma leve queda pelos olhos castanhos amanteigados do deus-menino. Sinceramente, penso que qualquer menina em sã consciência também teria. Ele era estonteantemente lindo, com seus cabelos pretos, músculos levemente definidos, sempre, escondidos por uma jaqueta de couro, sua pele pálida e seu sorriso desafiador.

Ele me sentou delicadamente na cama e ajoelhou-se perto de mim.

- Pare de ser tão rabugenta, Claire. — ele riu.

Eu não devia estar nem perto do que chamamos de apresentável e, apesar das dores que sentia, clamava por um banho e talvez um pouco de ar fresco. Até mesmo uma volta no parque das Almas Perdidas já serviria.

- Onde estamos? – indaguei, curiosa.

- No meu quarto, na mansão dos mortos. Mestre Osíris, disse que não faria mal algum que você ficasse aqui até se recuperar, desde que não alarmássemos outros deuses sobre isso.

- Hm, claro. — observei o quarto. Era muito bem mobiliado, tinha um estilo moderno e mesmo assim alguns detalhes aqui e ali lembravam a antiguidade clássica.

As quatro paredes do quarto eram negras, exceto pela parede na qual a cabeceira da cama ficava encostada, ela tinha um papel de parede muito escuro mas era possível distinguir listras em diferentes tons de preto. A cama era enorme e confortável, os lençóis, eram cinzas e as fronhas dos travesseiros tão escuras quanto os cabelos do próprio Anúbis. Todas as luzes do cômodo eram artificiais e bem distribuídas em diferentes níveis do teto, que era estilosamente arquitetado. Em sua cômoda, também preta, existiam alguns vasos ricamente decorados com cenas de comemorações fúnebres e coisas desse tipo. Uma réplica bem pequena de um chacal me chamou atenção. Olhei mais atentamente àquela pequena estatueta e exclamei:

- Você guarda um shabti seu? Sabe o quão perigoso isso pode ser? — olhei para ele, incrédula.

- Melhor aqui do que nas mãos de um mago rebelde em Santa Rosa, no México, e além do mais quem entra aqui além de mim? – afirmou, calmamente, enquanto se levantava e encostava em sua cômoda. Vasculhei o quarto por alguns segundos mais. Vi uma netjeri, e alguns pergaminhos enrolados em uma mesa redonda e desorganizada, que também tinha a coloração negra. Apesar de não existirem janelas, havia uma cortina preta e cinza que se estendia do teto ao chão de uma das paredes.

- Qual é a finalidade de uma cortina sem janelas?

- Charme? — Anúbis deu uma risada. — Eu não sei muito bem, não fui eu quem projetou e decorou esse quarto. Algumas coisas aqui são tão úteis quanto uma porta que não abre.

Eu sorri. Apesar de seus poderes sobre a vida e a morte, ele não aparentava ser uma má pessoa, deus aliás, de qualquer jeito, ele tinha um sorriso juvenil que eu nunca imaginaria em um deus da mumificação. Mas bem, eu também não imaginava um deus dos mortos de 17 anos e uma ótima aparência, no mínimo um velho caindo aos pedaços sedento de sangue, ou almas, tanto faz, você entendeu meu ponto.

- Como você sabia que eu estaria lá? – perguntei, com uma faísca de deslumbramento nos olhos.

- Você não é do tipo que segue as regras, Claire, assim que eu soube sobre os magos e suas práticas, e você também, sabia que não importava o que ninguém falasse. Você iria fazer uma visitinha àqueles magos. Eu tenho algumas coisas pra resolver e acho que você deve estar desejando um banho quente. O banheiro é a terceira porta do guarda roupa que fica no closet. Se precisar de alguma roupa, toalha ou qualquer coisa desse tipo concentre-se nela e ela aparecerá na ultima porta do guarda roupa. — ele se encaminhou a porta.

- Anúbis? – chamei.

- Sim? — o deus dos funerais me lançou um olhar penetrante. Eu corri até ele e dei-lhe um beijo na bochecha.

- Obrigada. — ele segurou minha mão que se encontrava do outro lado da face dele.

- Nada que você não teria feito por mim. — seu corpo exalava ondas de calor. O garoto se afastou e saiu do quarto, a porta, se fechou com um leve estalo. Não sabia se o que eu tinha feito tinha sido imprudente, de qualquer jeito, 110% das coisas que eu fazia, eram. E, além do mais, Anúbis não tinha recuado.

Tomei uma ducha quente e demorada. O banheiro era embutido em uma das portas do guarda-roupa e ao contrário do resto do quarto era branco, desde os azulejos a banheira. Tudo muito bem organizado.

Vesti uma camisa branca acompanhada de uma jaqueta de couro preta e jeans escuros. Saí do quarto e procurei me localizar. As paredes eram acinzentadas e ricas em detalhes — mosaicos em dourado, mostrando cenas de morte, rituais fúnebres, entre outras coisas. Nada muito surpreendente para uma mansão habitada por dois deuses da morte (Osíris e Anúbis).

Andei por alguns corredores que me pareciam iguais, exceto por estátuas e por alguns outros enfeites antigos. A arquitetura da mansão era bem moderna e tudo nela variava entre o cinza e o preto. Fosse lá quem fosse o decorador, ele tinha tido um grande trabalho organizando tudo. Por fim, encontrei uma escadaria enorme que se estendia por vários andares, desci cada um deles e parei em um sala que assim como todo o resto era bem arquitetada, decorada e escura.

Ouvi vozes vindo de um cômodo a minha esquerda e me aproximei da porta preta feita do que me parecia madeira.

- Mestre Osíris, o senhor mandou me chamar — era Anúbis.

- Sem formalidades, Anúbis. Temos um sério problema — falou, quem eu imaginava ser Osíris. — Todos meus julgamentos tiveram de ser cancelados por isso. Maldita a hora em que eu me ausentei.

- Mas o que aconteceu?

- A pena da verdade sumiu. Eu saí por algumas horas para uma reunião que Rá convocou. Nada muito importante, mas ele exigiu minha presença. – o deus fez uma pausa — Anúbis, você e eu sabemos que apenas mais uma pessoa, além de nós dois, poderia sequer chegar perto da pena.

- Mas... Mas isso não é possível! — a voz do deus-menino oscilava, demonstrando incredulidade e preocupação. — Ela não dá as caras por mais de dois mil anos.

- De qualquer jeito, temos que encontrá-la e pegar a pena da verdade de volta. Não se culpe, menino. — Escutei alguns passos e me afastei da porta. Quando pensei em me esconder, um homem de coloração verde musgo saiu da sala.

- Suponho que você seja a maga que Anúbis me pediu para hospedar. — ser verde não era a única característica marcante do deus, ele tinha algo como uma barbixa densa, preta e levemente longa, e tatuagens em formas de setas se espalhavam por todo o corpo dele. Fiquei realmente tentada a perguntar o que significavam as setas mas me censurei. Vestido como um guerreiro egípcio completo ele me dava calafrios, tive que me segurar para não correr para o mais longe o possível do deus.

- Sim – suspirei, insegura.

- Não precisa ter medo de mim, criança. — Osíris proferiu. — Pelo visto está melhor. Claire, certo?

- Sim, senhor Osíris.

- Hm, perdoe-me mas tenho algumas coisas por fazer. — ele disse, se afastando. Por um momento senti como se uma corda tivesse sido tirada do meu pescoço mas isso não me deixou menos nervosa, no fim das contas a pena da verdade, da qual eu tanto tinha ouvido falar em lendas e coisas do estilo realmente existia e, estava desaparecida.

Adentrei o cômodo onde estava Anúbis. Encontrei ele sentado em uma poltrona cor-de-vinho com a cabeça entre as mãos.

- Anúbis? Eu acabei ouvindo a conversa.

- Imaginei que não ficaria no quarto por muito tempo mesmo. — ele não levantou o rosto. Parecia perplexo. — Você já está melhor?

- Acho que sim. Consigo ficar em pé sozinha, isso já é um começo.

- Receio que terá que voltar para casa antes do previsto.

- O quê?! Depois do que eu descobri? Não vou deixar você ir atrás de sei-lá-quem sozinho quando a culpada de você não estar aqui em baixo, junto da pena, era eu. — eu me sentia culpada pelo roubo e ao mesmo tempo preocupada com Anúbis. Já tinha me decidido que não o deixaria ir sozinho. — Mas quem diabos poderia ter roubado A pena da verdade?

- Claire, eu não estou brincando quando digo que você terá de se retirar para sua casa ou para qualquer lugar mais seguro que o Duat.- o menino afirmou, enquanto se levantava.

- E eu muito menos quando falo que eu não vou te deixar sozinho para caçar esse maldito ladrão. — ele segurou meu pulso.

- Você não pode mais ficar aqui. — Anúbis falou, seriamente.

- Eu vou ficar aqui! Querendo você, ou não. – berrei, impondo a minha voz. — Agora, solte-me. — ele me soltou e abaixou a cabeça.

- Então você já decidiu ficar, certo?

- Não só ficar, como também te ajudar a achar o maldito ladrão da pena.

- Ladra. Uma antiga conhecida.

Notas finais
EBAAAA! Você chegou até aqui, obrigada por ler e acho que é só. Até o próximo capítulo.