O perigo mora ao lado
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Não quero que sintam pena de mim ou se sintam incomodados, quero que assim como eu fiquem felizes por eu ter conseguido, por eu ter dado a volta por cima, como dizem.
Vou lhes contar um pouco sobre minha história...
Eu cresci em um orfanato em Montreal, desde que posso me entender como gente. Sempre me chamaram de Clair, mas eu não sabia se foram meus pais biológicos que quando me entregaram ou as irmãs do orfanato que me deram este nome, mas eu sempre gostei e esperei que quando uma família me adotasse não precisasse mudar.
Morei até os dez anos no orfanato quando a família Delacour me adotou, Amélia e Charlie eram franceses e ruivos naturais! Eles já tinham certa idade quando me adotaram o que dificultou o processo de adoção, mesmo assim eles persistiram como eu sabia que eles fariam.
Lembro-me claramente quando os vi, eu estava sentada no banco do piano da sala de música tentando tocar algo quando algo chamou minha atenção e eu olhei para trás. Eles estavam escondidos olhando pela fresta da porta, eles perceberam que eu os olhei e então eu sorri... Ainda hoje é proibido fazer isso, mesmo assim, naquela época quando vi aquele par de olhos azuis vi tanta bondade que me fez sorri.
Graças a isso eles me notaram... Me adotaram como a filha mais querida e amada de toda a Terra, me deram os pais que sempre sonhei, um lar, um nome.
Durante o processo de adoção quando se é mais velha eu tive acesso a uma carta que um dos meus pais biológicos ou ambos deixaram para mim, mas eu não li. De todas as crianças do orfanato eu não queria saber quem eram meus pais biológicos ou o porquê deles terem me abandonado. Eles me colocaram ali e seguiram sua vida, mas tenho certeza que foi para que eu tivesse uma vida normal, novos e melhores pais, eventualmente, assim como eles eu também segui minha vida e procurei o melhor para mim.
É difícil quando se tem dez anos e seus pais são ruivos de olhos azuis e você tem o cabelo claríssimo castanho (cor de Nescau) e olhos verde-água... As outras crianças notam, perguntavam por que eu era assim, sabe que eu respondia? Que puxei meus avós... Eu não queria dizer que eles não eram meus pais, por que desejava de todo meu coração que eles fossem meus pais de sangue, queria ter nascido da minha mãe Amélia! Queria que meu pai Charlie tivesse me ensinado a andar de bicicleta, que tivesse filmado meus primeiros passos... Mas eu não podia mudar o passado, por isso mentia, mas por uma boa causa.
A única pessoa que notou que eu estava escondendo a verdade foi uma garotinha de olhos puxados e cabelo preto como óleo... Intrometida, que falava meu nome errado, mas que se sentava todo dia do meu lado no primário e insistia em dividir seu biscoito comigo. Julie foi minha primeira amiga em todo sempre, a primeira para quem eu contei a verdade e que me abraçou quando contei, dizendo:
“Eu também queria que a senhora e senhor Delacour fossem seus pais, Clari!”
Estudei o primário, o ensino médio e o superior com essa garota intrometida... Que chegava na minha casa chamando minha mãe de tia e perguntando qual era o almoço... Que me empurrou para cima do garoto que eu gostava e acabei dando meu primeiro beijo... Julie assim como meus pais entraram em minha vida como anjos.
Não vou dizer que não tive meus arranca rabos com meus pais, por que tive. Sempre fui muito calma, mas também cabeça dura e independente, não gostava quando eles se metiam para fazer minhas coisas.
Em casa só falávamos em francês. Meu momento com minha mãe eram quando sentávamos nas poltronas da sala de verão e ela lia para mim seus livros em francês, no inicio não entendia nada, mas conforme o tempo foi assim que eu aprendi o francês. Eu e meu pai também tínhamos nossa atividade... Ele me levava para pescar, ganhamos prêmios e tudo! Ninguém pescava trutas como nós.
Meus pais saíram da França devido à crise e decidiram “tentar a vida nas Américas”, mas acabaram ficando no lugar mais francês de todo Canadá, Montreal.
No dia 2 de fevereiro houve o maior susto da minha vida, eu estava no terceiro período da faculdade de economia quando recebi a noticia que me pai tinha câncer... Em 5 de abril ele faleceu... Em 18 de julho minha mãe também partiu... A tristeza a matou. Naquele ano eu fiquei um pouco área, sem rumo, sim, eu tomei remédios controlados para dormir, contra depressão que me derrubava, meu cabelo caia aos poucos... Eu estava morta, tudo que havia dentro de mim foi destruído, estraçalhado... Culpei meu pai por ser descuidado e ter tido câncer, minha mãe por ser fraca e não ter lutado para seguir sua vida, até que percebi que eu não estava fazendo isso.
Vendi a casa dos meus pais e trailer que tínhamos, aluguei uma nova casa, continuei a terapia e destranquei a faculdade. Ninguém me viu me formar... Eu tinha apenas meus amigos e eles ficaram comigo até o fim, eu os amo incondicionalmente, os considero meus irmãos. Nunca em minha existência poderia pagar a ajuda deles quando meus pais partiram, eles foram meu chão para que eu pudesse me erguer novamente.
Dês da morte de meus pais eu procuro estabilidade e paz onde quer que eu esteja e com quem esteja. Perder aqueles que mais amei na vida (mas do que a mim mesma) me fez valorizar mais a família, querer ter uma vida simples e comum... Amar, ser amada. Ter um lindo bebê e cuidar dele como meus pais biológicos não fizeram, quero vê-lo crescer como meus pais não tiveram a chance e principalmente... Cuidar daquele serzinho com tanto amor quanto eu recebi e mais ainda pelo que me faltou.
Vocês devem estar se perguntando, “você quer ser mãe e dona de casa?!” Não sei. Ser mãe é o meu maior sonho, mas dona de casa eu ainda não sei... Não sei se quero este tipo de rotina na minha vida, mas por outro lado sempre pensei que se trabalhasse ainda perderia um pouco do crescimento do meu filho... É algo que ainda tenho que pensar, mas também que tenho tempo.
–-------------------------Fim-------------------
Havia ido para Montreal de avião e Julie foi me buscar... Assim que há vi no saguão ela estava com uma placa imensa e brilhante com meu nome escrito e um balão na mão, eu tentei desviar do caminho e fingir que não a conhecia, mas ela correu atrás de mim, gritando meu nome. Logan e Jason estavam longe e filmando tudo, mais uma aparição no YouTube...
Quando seus amigos são perturbados você não pode esperar uma recepção normal.
Voltar para Montreal é como uma montanha-russa de emoções, cada esquina, cada praça é uma lembrança diferente.
Eu ficaria hospedada na casa de Julie, assim aquela louca não me perturbaria e Dante ficaria mais tranquilo se eu estivesse na casa de uma amiga.
Assim que cheguei à casa de Julie uma festa de boas vindas me esperava... DJ, drinks, antigos amigos de faculdade e do trabalho, todos estavam ali. Julie e Jason fizeram quase mágica para reunir todos.
Dancei e rir a noite inteira, cada segundo da festa era o melhor. Pela primeira vez em meses eu não queria ir embora.
Passei o dia seguinte ajudando a limpar toda a bagunça e saí para vários lugares com o pessoal, dormi? Faria no voo de volta... Não podia perder um segundo.
***
–Última chamada para o voo 343 para Washington – Disse a mulher no alto falante.
–Nem acredito que você já vai embora amiga! Foi tão rápido! – Resmungou Julie e depois deu um grande bocejo.
–Eu sei, um fim de semana não é o suficiente. Quando tirar férias vou passar aqui – Digo abraçando ela.
–Promete?
–Prometo...
–Sabe, tenho a sensação que vai ser a última vez que vou te ver... – Murmura Julie.
–Cruzes! Não fala algo assim! Eu vou pegar um avião agora!
–Desculpe... Você sabe que ás vezes não controlo minha língua – Diz Julie arrependida.
–Tudo bem, mas vai ter que rezar para tudo ocorrer com meu voo, vaca!
–Eu vou... – Diz rindo e nos despedimos.
Minha viajem de volta aos Estados Unidos foi calma... Bem, eu acho que foi calma, eu dormi a viajem inteira e é bem capaz de eu ter babado na poltrona... Mas procurei não ficar pensando nisso.
Quando desembarquei havia duas chamadas perdidas de um número confidencial, mas o que me preocupou foi não ver Dante me esperando no saguão. Liguei para ele, mas o celular dele estava desligado, deixei uma mensagem de texto e peguei um táxi.
Cheguei ao apartamento e bati na porta dele... Novamente nada.
Decidir ir para o meu apartamento, estava exausta. Tomei um banho e me vesti, iria procurar por Dante novamente.
A campainha tocou assim que peguei minha bolsa, fui até a porta e olhei pelo olho mágico. Havia dois policiais mostrando seus distintivos. Abri um pouco a porta e olhei atentamente para eles.
–Em que posso ajuda-los?
–Srta. Delacour? – Perguntou o loiro.
–Sim.
–Nós somos do FBI...
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