Notas iniciais
Oi oi gente! Olha eu aqui de novo! Acabei neste instante de escrever. Estou no meu ócio criativo. Mais três capítulos e fim! Eh! Mas como disse meu amigo Fernando, "vamos ver a Clair tentando não tomar uma surra". Enjoy

Seis meses depois...

Meu cabelo está igual da Jennifer Lawrence, agora ele está lindo... Por que antes...

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Cortar meu cabelo fez com que Dante reclamasse no meu ouvido todos os dias, ele reclamando era pior do que me olhar no espelho, acreditem.

Mas esses meses foram... Não há palavras para descrevê-lo, eu só estava vivendo, era isso que eu fazia. Depois que Dante me bateu e ameaçou Julie eu parei de tentar qualquer coisa, pode parecer estúpido, mas eu não seria egoísta para tentar fugir e ser feliz quando eu sei que ele mataria uma pessoa que eu amo, não conseguiria viver com esse peso na consciência.

Depois de uma semana Julie acordou do coma, Dante ligou entrou em contato com os pais dela e eu pude vê-la através do Skype. Por um lado foi um alivio perceber que ela realmente estava bem e que os pais dela realmente estavam com ela, mas por outro lado... Era quase demoníaco que ele possibilitasse que eu falasse com Julie, sendo que foi ele que provocou o acidente. Mas querem saber o mais irônico? Quando Julie teve alta fora o Dante que pagou uma enfermeira em tempo integral para cuidar dela, já que a família dela não teria condições para isso.

O carro de Julie foi fechado por outro carro sem placa, o que acabou fazendo o carro capotar em uma descida, os pais de Julie contaram. Logan estava sem o cinto de segurança e acabou voando para fora do carro, Julie ficou presa por causa do cinto e acabou tendo várias lesões na coluna e traumatismo craniano. E pensar que fora o Dante que provocou tudo isso... Por birra! E até hoje quando discutimos ele joga isso na minha cara, que foi minha culpa.

Julie está fazendo um intenso programa de fisioterapia, por sorte ela não ficou tetraplégica, mas não consegue andar ainda. Dante também estava pagando a fisioterapia... Eu não podia reclamar, se ela estava melhorando era por causa disso e é só isso que importa. Eu sabia que Dante estava fazendo isso para me agradar de alguma forma, para que eu não o tratasse com indiferença.

Depois que tive tantos amigos mortos e feridos eu comecei a notar esse “padrão” doentio dele. Ele feria meus amigos para me afetar, por que eu fazia isso com ele quando o ignorava e me afastava dele. Então eu escolhi... Entre viver uma vida estagnada ou ver meus amigos sofrendo.

Eu já pensei de todas as maneiras possíveis em fugir, logo depois vi que não havia mais alternativas! Então eu comecei a pensar em mata-lo... No inicio a ideia não me agradou, eu não queria ser uma assassina igual a ele, sem contar que o FBI descobriria e eu passaria o resto da minha vida em uma nojenta prisão americana, mas depois de um tempo eu comecei a ignorar esse pensamento, então um dia Dante comentou que se algo acontecesse com ele ou comigo “todos iriam partir conosco”, o filho da puta já tinha pensado nisso.

Então eu desisti.

Atualmente...

–Então vamos? – Perguntou Dante.

–Só falta passar o batom – Respondi e corri pelo quarto.

Era a segunda vez que Dante me levava para sair, ele sempre me mantém trancada em casa e quando saímos à sensação ilusória de liberdade é um pouco reconfortante.

Passei um batom vermelho, dei uma conferida no rímel e ajeitei o brinco de esmeraldas que ele havia me dado, que alias, combinava perfeitamente com minha aliança de noivado.

E estava pronta.

Dante pegou minha mão e me avaliou bem.

–Deixe-me ver sua bolsa – Pediu, mas ele pegou a bolsa da minha mão.

–Está vendo? Não tem nada! – Digo emburrada, eu só queria sair daquela casa infernal!

–Hum... – Foi o que ele respondeu e pegou minha mão novamente enquanto descíamos até o carro.

Nós entramos no carro em silêncio e foi assim durante todo o trajeto.

Eu já lhes disse que Dante ficava com meu celular vinte e quatro horas por dia? E que tinha colocado um chip localizador dentro de mim? Acho que não...

Ao que parece os filhos dos pais milionários de Nova York e filhos de diplomatas de Washington começaram a aderir essa nova “modinha” por segurança em caso de sequestros devido à importância de seus pais. É algo tão simples e inofensivo, mas que fazia efeito em quilômetros! Eu apenas tinha que ingerir uma cápsula e nela há um pequeníssimo chip que se instala da parede do intestino, quando a bateria acaba o chip se descola da parede do meu intestino e é eliminado naturalmente, como os outros alimentos. O efeito dele era de apenas três meses.

(N/A: Este tipo de chip realmente existe! E também há aqueles que são inseridos na superfície da pele, estes sim são mais eficientes e mais duradouros).

***

Nós fomos ao restaurante Rose’n Cron no centro de Washington, um dos melhores da cidade. Nós nos sentamos próximos da varanda, estamos no verão e o tempo está abafado.

Nós pedimos atum trufado e ficamos beberiscando o vinho esperando pelo prato principal, não queríamos a entrada.

–Sua regra veio? – Perguntou Dante olhando para a vista do parque central.

–Veio ontem – Respondi distante – Com licença, vou ao toalete – Disse me levantando.

Assim que entrei no banheiro me apoiei na pia.

Eu precisava respirar!

Dante estava me perguntando/controlando isso faz uns dois meses! Mês passado ele comentou que talvez me levasse ao um ginecologista, já que fazia meses que estávamos transando sem nenhum método anticoncepcional e eu não havia engravidado. Aquilo me aborreceu verdadeiramente, eu gritei com ele perguntando se ele me mantia trancada só para gerar as crias dele.

Fiquei duas semanas presas no quarto.

E isso era enlouquecedor, ninguém pode imaginar o que é ficar presa em um quarto sem poder fazer nada, sem ter nada para fazer. Às vezes me via falando sozinha...

Molhei um pouco o rosto e voltei para a mesa no exato momento que o garçom servia nossos pratos.

***

Um mês depois...

Estou feliz hoje... Falei com Julie e ela me contou que estava começando a sentir as pernas, nós choramos e rimos ao telefone, foi quase como voltar à normalidade.

Agora eu estava limpando a casa impecavelmente limpa. Quando Dante não me mantém presa no quarto eu me dedico a casa, não gostava de ficar vendo televisão e na casa não havia sinal para internet, Dante dizia que eu não precisava mais de contato com ninguém já que eu não tinha mais pais, meus dois amigos morreram e eu falava com a minha amiga quase todo dia.

Eu queria socar a cara toda vez que ele falava isso.

Mas minhas respostas eram imediatas e isso fazia a veia na testa dele pulsar, é mais forte que eu! Não teria o mesmo efeito se eu o esfaqueasse, mas já era algo. Às vezes me arrependia de respondê-lo ou enfrenta-lo, ele poderia me bater novamente, era um risco que eu corria.

Quando Dante chegou eu estava preparando o jantar e o som estava nas alturas, ele baixou o som e se sentou na cadeira da bancada de granito na cozinha.

–Soube que Julie está respondendo aos tratamentos – Comentou.

–É! Isso é ótimo... Todos já estavam perdendo as esperanças dela voltar a sentir a perna novamente – Disse e tirei o frango do forno – Ela disse que o corpo dela estava descansando e que precisava de um tempo – E eu ri lembrando-me da malicia em sua voz.

“Amiga! Eu venho usando muito essas pernas!”

Julie seria sempre a Julie, nem uma cadeira de rodas tiraria seu bom humor ou sua malicia.

Dante acompanhou minha risada, como sempre fazia quando eu ria; E como sempre depois ficava me observando. Toda vez que eu percebia que ele estava fazendo isso não deixava de ser menos estranho, ele me olhava com... Admiração, e por mais que eu não goste de admitir, com paixão.

Eu estava de bom humor hoje, então jantamos na sala de jantar e eu coloquei sua comida. O mínimo de atenção que eu dava a ele o fazia sorrir sem graça. Se eu fosse uma mulher apaixonada ficaria encantada com isso.

Nós passamos o jantar conversando sobre o tratamento de Julie, até sobre transplante de medula óssea que talvez acelerasse o tratamento dela.

***

Eu falei demais com Dante essa noite, ele me fez tomar banho com ele... Eu estava cansada dos beijos dele, daquele carinho excessivo, daquela constante insistência dele fazer que eu voltar a gostar dele.

–Pare de tentar... – Eu murmurei enquanto ele brincava com minha orelha – Eu nunca vou voltar a gostar de você Dante. Eu nunca vou poder corresponder o que você sente, não quero também que você continue a se magoar tentando algo que nunca vai dar certo. Eu estou com você, não é o que você queria? – Disse sincera e gentil, olhando em seus olhos.

Dante voltou a se encostar da banheira e eu saí de perto dele, me sentando na outra borda.

–É o que eu queria Clair... Eu queria morar na mesma casa que você, saber que quando eu chegasse em casa você estaria aqui me esperando, ficar com você me conforta! Eu vejo tantos assassinatos, roubos, mas eu sei que quando eu chegar em casa você estará lá com essa sua aura de calma – E riu – Lembra quando eu disse que você me acalmava? Eu não podia estar sendo mais sincero por isso você é diferente.

Dante ficou olhando para o banheiro e eu continuei a tomar meu banho, passando o condicionador no meu cabelo.

–Eu sei que tudo que eu fiz foi errado, mas eu não consigo me arrepender, talvez você estivesse certa quando me chamou de doente, você foi a primeira a falar isso... Todas tinham medo de mim – Sussurrou tão baixo que eu tive que me aproximar para ouvir melhor – Mas eu... Eu sinto falta de como era antes... Quando você sorria, conversava comigo, quando fazíamos amor, tudo era mais autentico! Mesmo assim eu não conseguia e nem consigo evitar de ter controle sobre tudo...

Fiquei um tempo refletindo o que ele disse, escolhendo as palavras certas para dizer. Não havia me esquecido de suas repentinas mudanças de humor e os efeitos que causam.

–Você podia ter conversado comigo... Procurado por ajuda! Você sempre soube que sou uma pessoa compreensiva, se você tivesse me contado eu teria te ajudado – E ri sem vontade – Mas quando eu descobri tudo aquilo eu fiquei apavorada, para mim você fazia isso por que gostava, mas depois de saber sua história e ouvir você agora eu percebi que você é mais um garoto perdido... – Murmurei massageando meu cabelo, sentia o olhar dele sobre mim, mas preferi ignorar.

–Então você acha que sou um garoto perdido? – Disse sem vontade, não havia agressividade em sua voz.

–Agora eu acho – Respondo – Tudo poderia ter sido diferente...

–Então vamos recomeçar Clair! – E pegou minha mão – Eu sinto sua falta!

Soltei a sua mão e abracei minhas pernas.

–Eu não consigo... – Disse com dificuldade, as lágrimas tomando meus olhos – É tarde demais... – E respirei fundo antes de continuar — E você Dante? Estaria mesmo disposto a procurar por ajuda? Você acha as vezes que o que você fez comigo e com meus amigos é certo! Às vezes você muda de ideia, nem você mesmo sabe!

Dante soltou o ar várias vezes, eu via a confusão em seu semblante, uma luta interna.

–Quando você realmente, de todo o seu coração achar que o que você fez foi errado você vai admitir isso e vai procurar por ajuda, mas eu quero que você sabia que mesmo que você faça isso, será por você! Eu não vou voltar a ficar com você, terás meu apoio, mas não meu coração. O que nós tivemos acabou...

Dante respirou fundo várias vezes, passando a mão pelo rosto e se levantou da banheira, encharcando todo o chão.

–Pode deixar que eu vou secar tudo depois, não se preocupe – Disse enrolando a toalha em sua cintura.

–Tudo bem – Eu respondi, ele precisava de um tempo sozinho.

Minha razão e vontade diziam que ele iria se arrepender por tudo que fez, que tentaria se consertar, mas lá no fundo eu não achava isso... Ele é perverso! Gosta quando faz essas monstruosidades, não iria mudar. Se ele está confuso agora é por que percebeu que a coisa que ele mais quer ele nunca teria de mim, independente do que ele fizesse, ele nunca teria meu amor de volta.

E todos querem ser amados.

***

Vesti minha camisola e me sentei em minha penteadeira para meu “ritual”.

Toda a noite a mesma coisa: escovar meus cabelos, passar hidratante e um creme no rosto. É gostoso, é reconfortante se cuidar, uma mulher deve sempre ser vaidosa.

“A coisa mais importante é o seu rosto, com a outra parte você senta.” Wallis.

Sempre me lembrava dessa frase, a duquesa era uma das mulheres mais vaidosas de seu tempo, e quando eu me cuidava era impossível não me lembrar dela.

Fui me deitar sozinha e logo acabei pegando no sono.

Acordei com Dante me abraçando, eram três da manhã.

–Não! Faz cocegas! – Disse rindo quando ele passou a mão por minha barriga.

Eu tirei a mão dele, mas ele estava todo tenso, paralisado. Eu me virei assustada e Dante estava pálido como giz, me encarando boquiaberto.

–O que houve? – Perguntei assustada e já me sentei na cama.

Dante continuou a me encarar depois balançou a cabeça, como se estivesse negando algo.

–Eu... Nada... Quer dizer... Não precisa...

–Mas que porra você está falando Dante? Por que você está gaguejando? O que houve?

Dante respirou fundo, colocando os braços malhados atrás da cabeça e me encarou com a expressão séria.

–Amanhã nós vamos dar uma saída – Disse sério.

–Mas o que houve? – Perguntei sem entender nada.

–Não se preocupe você vai gostar da surpresa – Respondeu e me puxou para ficar em cima dele.

Dante começou a beijar meu rosto, depois me girou na cama para que eu ficasse debaixo dele. Ele tirou minha camisola e minha calcinha e começou a beijar todo o meu corpo.

Ele só fez isso! Beijou-me com a devoção de um amante, com desejo, por um longo tempo.

Eu não conseguia relaxar, conhecia o Dante o suficiente e aprendi a não gostar de suas surpresas.

Notas finais
Tenho algumas coisinhas para dizer: Haverá um novo personagem Julie vai se recuperar, e ela vai voltar com tudo Para as fãs de Dante, ele vai decepcionar vocês novamente E para quem quer matar a Clair, ela vai voltar a agir Bom fim de semana!