O perigo mora ao lado
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Eu saí sufocada de lá... Totalmente sem ar.
Sem acreditar.
Sem lágrimas.
Peguei minhas chaves, meu celular, minha carteira e saí olhando para o corpo de Keira, foi então comecei a chorar...
Saí correndo da casa aos tropeços, deixando a porta aberta. Nada importava agora.
Eu não sabia para onde ir, como quem falar... Liguei para Julie, mas ela não atendia, então saí do prédio. Assim como a chuva, a ideia veio tão de repente. Não sabia se era certo, mas parecia o certo para mim.
–Jace? Por favor, você precisa me ajudar... – Murmurei chorando.
***
Duas avenidas, um metrô e um táxi depois eu estava na casa de Jace Ross.
Ele estava me esperando com um guarda-chuva nas mãos em frente ao prédio. Não sabia o que havia comigo, só sei que quando o vi o abracei como se meu mundo dependesse disso.
Jace me deu uma calça e um casaco de moletom seu e insistiu que eu dormisse em sua cama, ele iria dormir na sala.
Quando formos para a sala ele colocou uma garrafa de Vodka sobre a mesa da sala e se sentou do meu lado.
–Sabe... Isso tudo vai passar, você sabe disso – Disse Jace.
Eu não respondi.
Ele colocou um copo cheio de vodka e me entregou.
–Aqui. Vai te ajudar a parar de tremer e vai aquecer – Disse me entregando o copo e eu tomei um grande gole.
A vodka desceu rasgando por minha garganta, devia estar fazendo o mesmo com meu fígado. Depois de dois minutos terminei de beber.
Mais um copo.
Mais um copo e comecei a ver tudo brilhoso e se mexendo. Jace e eu ficamos vendo as luzes dos faróis dos carros atravessarem a janela, tudo estava tão tranquilo. Tão calmo...
–Durma. Amanhã é outro dia... Tudo melhora no dia seguinte – Sussurrou Jace de repente e eu me levantei.
Assim que me deitei na cama, apaguei.
E agradeço aos céus por isso.
***
Quando acordei era tarde demais para que eu pudesse ir trabalhar, também não tinha vontade.
Jace chamou uma amiga médica. Ela disse que eu estava em choque, me receitou um calmante e um remédio para dormir caso eu precisasse e me deu uma licença, no qual eu enviei para o meu chefe por e-mail, ele respondeu logo em seguida me desejando melhoras.
Passei o dia em silêncio, deitada, acabava cochilando o tempo todo. Jace passava várias vezes no quarto para ver como eu estava, acho que ele tinha medo que eu me matasse ou algo assim.
Algumas vezes eu via que ele me observava, mas não me importava. Estava me sentindo tão oprimida, tão humilhada. Bastava somente que ele e Julie soubessem o que estava acontecendo comigo.
Eu estava decidida a abandonar tudo aqui, iria pedir a Jace dinheiro emprestado para a passagem de volta ao Canadá e ficaria morando na casa de Julie por um bom tempo.
Vocês tem noção o que é deixar sua casa para trás? Seus móveis? Seu dinheiro? Eu comparava isso a perder minha casa em uma enchente ou furacão...
Não conseguia ver outra alternativa para me livrar de Dante, ele era um psicopata, matou minha cachorra! Poderia me matar! Manter-me presa em um quarto por não sei quanto anos me estuprando todos os dias, como o pai dele fez com a mãe... Não duvido de nada!
E mais uma vez eu comprovava o quanto as atitudes dos pais influenciam os filhos, eu e ele... Os dois com traumas, mas eu superei os meus, ele seguiu os mesmos passos.
Eu fui abandonada e ele sufocado pelo controle do pai.
Não há como está história ter um final feliz.
O que não saia da minha mente é por que ele matou Keira... Era por que ela latia para ele? Porra! Cachorros latem! É isso que eles fazem!
De alguns pontos eu entendia o porquê ele fez isso:
1- Ele queria me assustar;
2- Mostrar que não tinha piedade de matar nada, nem ninguém;
3- De me mostrar o quanto louco ele é;
***
Os dias se passaram e eu continuei na casa de Jace, não tinha força, nem coragem para sair e por minha cara na rua. Eu vomitava constantemente, todos os dias... Antes que vocês pensem que estou grávida, eu digo que não estou. Minha regra foi embora semana passada.
Eu colocava tudo para fora por que... Eu não conseguia esquecer o corpo de Keira no chão, os olhos dela abertos, da espuma branca saindo de sua boca... Não conseguia parar de sonhar com a mãe de Dante... De lembrar como e quantas vezes ele havia me tocado...
Por isso não conseguia segurar nada no estômago e mesmo que ele estivesse vazio, eu também colocava para fora. Eu perdi vários kilos, me sentia desidratada e estava. Estava o lixo que estava me sentindo.
***
Pelas minhas contas, no terceiro dia eu me levantei da cama e fui para a sala. Jace havia ido trabalhar e eu estava sozinha.
O apartamento de Jace era bem masculino, cheirava como um. A decoração era uma mistura de móveis de madeira e móveis modernos, um verdadeiro desastre.
E eu acabei rindo, depois de semanas.
Homens são criaturas perdidas sem uma mulher, dependentes, escravos de buceta como Julie costuma dizer... Ela e aquele linguajar.
Quando Jace chegou havia acabado de preparar o jantar, estava vestindo uma blusa dele dos Beatles.
–Oi! – Disse claramente surpreso – Você se levantou! E aí?! Como está?
–Bem... – Respondi com a voz estranha, também depois de tanto tempo sem falar.
–Que bom... – Sussurrou e voltou a sorrir – Você fez o jantar! O cheiro está incrível! – Disse se levantando e indo direto para a cozinha.
Eu o segui e sentei-me à mesa o ouvindo falar sobre uma obra que está atrapalhando o trânsito perto do Pentágono. Jace nos serviu e comeu animado.
–Por Deus! Clair está sensacional! Sabe quanto tempo não como uma comida caseira?! – Perguntou animado – Minha mãe ficara doida com isso – Comentou gargalhando.
Olhei para meu prato.
Era só carne ensopada!
Jace comeu três vezes e eu consegui comer tudo que ele havia colocando no meu prato.
Fomos para a sala e ficamos vendo televisão. Quando Jace percebeu que eu não estava assistindo desligou a TV e se virou para mim.
–Clair – Disse sério – O relatório que eu mandei para os diretores... Eles negaram – Disse com a voz mal contida pela fúria – Eles alegaram faltas de provas e que era somente relatos de uma civil canadense, nada concreto o suficiente “para investigar o agente De La Torre que se encontra há tantos anos na corporação” – Disse Jace fazendo aspas com os dedos e imitando a voz de uma mulher.
Fiquei tão surpresa pela situação, por seu tom... Mais uma chance que vi indo por água abaixo. Dante não seria preso ou punido, ou seja, continuaria a me infernizar.
–Mas eu e Derry, meu amigo que também está te ajudando, temos quase certeza que foi por causa de Emily, foi ela quem negou nosso pedido e recomendação. Todos do prédio seis sabem que ela sempre foi afim do agente De La Torre – Murmurou frustrado e olhou para mim em busca de... Ciúme, mas não havia nada em meu rosto, nem em meu coração – Desculpe Clair... Eu falhei com você, lhe fiz uma promessa, mas não te ajudei em nada.
–Você não precisa se desculpar comigo – Sussurrei e sorri olhando em seus olhos – O que você está fazendo por mim agora é mais do que eu possa agradecer um dia. Não se preocupe por não conseguir pega-lo, eu vou embora e tudo vai acabar – Digo suavemente.
–Você vai embora?! – Disse surpreso e balançou a cabeça – Você acha mesmo que ele não vai te seguir no Canadá?!
–Não sei, mas lá eu tenho mais opções, aqui eu ainda fico limita por ser estrangeira – Respondo cansada.
–Entendo... – E olhou para mim – Você sabe que um dia isso vai terminar, não é? Você vai ser livre dele.
Somente na morte, quis dizer, mas não disse.
Nós tomamos um susto quando meu celular tocou, trocamos um olhar e eu olhei para a tela.
–É Alice, do trabalho – Murmurei para Jace e atendi – Oi, Ali!
–Onde você está?
O celular quase caiu da minha mão quando ouvi sua voz. Jace percebeu tudo e pegou o celular da minha mão colocando no viva voz.
–Clair! Onde você está? – Disse Dante furioso, mais alto.
–Onde está Alice? – Perguntei fria, sem vida.
Ele riu – Está do meu lado... Ela está um pouco bêbada, querida... Acho que vou ajuda-la, por que você não vem vê-la? Elas sentem sua falta.
Então eu desliguei.
–Você está louca? – Gritou Jace – Por que fez isso?
–Eu sei o que fazer! – Gritei desesperada.
Dante havia dito elas, mesmo que estive se referindo a ele. Pelo que eu conhecia de Alice ela não saia sem Suzi, elas estavam sempre juntas, tinham que estar...
Fui trocando de roupa, gritando para Jace fazer o mesmo.
Onze minutos depois Suzi atendeu o celular, as batidas da música ainda faziam ecos, mas eu podia ouvi-la claramente.
–Clair! Clair! Cadê você sua doida? Você sumiu... – Gritou Suzi por cima da música.
–Suzi agora não dá para responder. Alice está com você?
–Sim... Está. Nós encontramos o seu ex, ele ficou conversando com ela... – Disse receosa.
–Agora quero que me escute com muita atenção Suzi! E faço o que digo! Se aproxime de Alice e a tire de perto de Dante! Peça que ela te acompanhe até o banheiro e fiquem lá até eu chegar!
–Mas por quê...?
–Só faça o que estou dizendo Suzi! Em qual boate vocês estão?
–Na Night of Delilah...
–Ótimo, já chego ai… Faça o que eu te falei! Aja como se sua vida dependesse disso! Mas sem que eles percebam, Suzi.
–Tudo bem... Eu vou fazer Clair – Disse Suzi nervosa, mas atenta.
E desligamos.
Jace e eu corremos até seu carro e eu lhe expliquei tudo. Quando chegamos á Night of Delilah Jace não desgrudou do meu braço, pude perceber a arma presa a sua cintura e fomos direto para o banheiro, mas só eu entrei.
Não posso descrever o tamanho do meu alivio ao vê-las ali, e bem!
–Clair! – Disseram em unissinio.
–Dante foi embora antes de eu chegar Clair! Eu estava lá fora quando você me ligou, ele não me viu atendendo ao telefone! – Disse Suzi agitada.
–Ele foi embora por que ficou chateado por você ter desligado o telefone... Ele disse que está arrependido por vocês terem terminado assim – Murmurou Alice triste.
Minha cara de nojo as surpreendeu.
–Ele não contou que matou minha cachorra, não é? Não disse que pôs um rastreador no meu carro ou que ouvia minhas ligações, não é? – Digo quase gritando... Talvez estivesse surtando.
Elas ficaram boquiabertas, pálidas e eu passei a mão no rosto tentando me acalmar.
–Escutem meninas! Fiquem longe dele! Não falem ou olhem para ele! Ele é louco. Dante trabalha para o FBI e possuí uma arma. Eu estou fugindo dele, só... Façam o mesmo – Pedi arrasada e encostei-me à parede, eu ia desmaiar.
–Clair... – Disse Suzi com pesar.
Alice me segurou e molhou meu rosto.
–Tem onde ficar querida? Sei que vocês eram vizinhos... – Comentou Alice e o horror tomou suas feições, ela entendeu tudo.
–Sim... Tenho – Respondi pensando em Jace.
Conversamos com Jace e ele as levou em casa, entrando nos apartamentos para ver se tudo estava bem. Quando terminamos de leva-las voltamos em silêncio dentro do carro, então paramos novamente na boate.
–Por que paramos aqui? Por que não fomos para casa? – Perguntei surpresa.
–Eu preciso relaxar, você precisa relaxar – Murmurou Jace soltando o cinto. Ele deu a volta no carro e abriu a porta para mim.
Enquanto eu saia do carro só conseguia olhar para o meu moletom.
–Não se preocupe, você está linda – Disse Jace e pegou minha mão.
Nós ficamos no bar bebendo algumas margaridas, Jace começou a me contar sobre sua vida para me distrair e funcionou.
Aquele rapaz loiro, de olhos amendoados e pele bronzeada era dos pés a cabeça um texano, seu pai é dono de terras de gado e sua mãe herdeira de roestes de petróleo. Ele sempre viveu no campo, mas ambicionava viver na cidade, com o perigo e a adrenalina, fora isso que o fez entrar no FBI.
–Estou falando demais, não é? – Disse Jace envergonhado.
–De forma alguma, eu gosto das suas histórias, sua família é engraçada – Digo sorrindo e ele sorri de volta.
–Então a senhorita me daria à honra? – Disse erguendo a mão, como um verdadeiro cavalheiro sulista.
–Sim – Digo sorrindo como uma boba, adorava o sotaque sulista dele.
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Jace Ross me arrastou para a pista e começou a dançar, ele me girava várias vezes e isso só fazia minhas risadas ficarem cada vez mais altas.
Quando a música chegou ao seu final ficamos somente nos balançando, apreciando as últimas notas.
Algo no olhar de Jace mudou, sua respiração se tornou mais rápida, então ele pegou meu queixo.
Seu beijo foi como uma caricia, tão leve... Nossos lábios se tocaram uma, duas... Três vezes, foi quando me afastei.
–Desculpe... – Murmurou Jace e soltou meu rosto.
–Tudo bem... – Respondi vazia e abracei seu pescoço.
Então continuamos a nos balançar em meio à multidão.
***
Quando acordei Jace Ross não estava na sala e nem em outro lugar da casa. Era estranho já que era domingo e ele não havia deixado nenhum bilhete como normalmente fazia quando saia.
Acabei tomando o café da manhã sozinha, assim que terminei meu celular pitou, me joguei no sofá e peguei o celular para ler a mensagem.
*Clair estou no seu apartamento. Vim pegar a caixa, mas seu apartamento está todo revirado e Dante deixou algo para você aqui... Preciso que você venha aqui, ele sumiu*.
Eu fiquei apavorada!
Como Jace é doido de ir para lá sozinho?! E como assim Dante sumiu? E deixou algo para mim?
Deus... Que ele não tenha esquartejado o corpo da minha cachorra...
Troquei de roupa e fui o mais rápido possível para o apartamento. Quando cheguei ao prédio o Sr.Gideon não estava na portaria, mas encontrei uma vizinha no elevador. Ela disse que o Sr.Gideon saiu de férias, eu agradeci pela informação e saí no meu andar.
Havia caixas do lado da porta de Dante e minha porta estava fechada. Assim que entrei no meu apartamento me abracei, o lugar estava gélido e o cheiro de podre tomou conta de tudo, quase vomitei se não tivesse engolido o mesmo.
Keira estava no mesmo lugar... Meio verde, as moscas estavam devorando seu corpo.
Corri até a cozinha e vomitei tudo que havia em meu estômago. Cobri meu rosto com um pano e voltei para a sala. Tudo estava revirado, havia papéis espalhados por todo o chão.
–Jace? – O chamei por cima do pano e fui até o meu quarto.
Quando abri à porta a única coisa que vi foi Jace todo machucado, amarrando a uma cadeira.
–Jace! – Gritei.
Então houve um disparo.
...
...
...
...
Meu grito ecoou pelo quarto assim como as manchas de sangue cobriram tudo.
Caí no chão com a respiração presa. Eu não conseguia enxergar direito. Quando passei a mão por meus olhos vi minhas mãos sujas de sangue.
Minhas roupas. O chão. As paredes.
Tudo estava marcado de sangue.
Arrastei-me até Jace e toquei em sua testa tentando fazer parar de sangrar. O sangue estava caindo sobre seus olhos, quente, encharcando nossas peles, se espalhando pelo chão.
–Por favor, aguente! Aguente! – Sussurrei baixinho chorando.
Mas ele já estava morto.
Escutei passos atrás de mim e virei para olhar. Eu não conseguia parar de chorar, de tremer.
Dante suspirou fundo e se sentou na beirada da cama, olhando para o nada. A arma ainda estava saindo fumaça em suas mãos, mas ele parecia triste.
–Você partiu meu coração, Clair – Disse para o nada e seu olhar se voltou para mim, não havia vida neles – Você me traiu! Beijou outro homem! E disse que me amava... – E deu uma gargalhada – O que vale o seu amor, Clair? O que um homem precisa para ficar contigo?
Eu balancei a cabeça atordoada. Ele estava mais louco que do que eu.
Eu ainda sentia o sangue de Jace correndo sobre meus dedos, os olhos dele haviam perdido o brilho de vida.
–Você o matou! O matou! – Gritei com a voz estrangulada.
–Sim. Eu disse que seria o único homem da sua vida, querida. Mas você foi estúpida o bastante para ficar com outro... Isso é sua culpa, consequência dos seus atos – Disse Dante apontando para Jace e para o sangue que manchava as paredes.
–Se você quer me machucar seja homem e faça isso comigo! Não com as pessoas próximas de mim! – Gritei.
–Ah... Mas eu vou – Murmurou Dante e o vi pegar um pano em cima da cama.
Então eu corri.
Quando estava chegando à porta da sala Dante me alcançou e puxou meu cabelo com tudo, me fazendo cair para trás. Eu comecei a gritar e me debater, então ele colocou o pano contra meu nariz.
O cheiro era sufocante, ardia, queimava minhas narinas.
Dante pressionou com toda sua força a parte de trás da minha cabeça e meu rosto, meu nariz começou a sangrar.
Não havia ar.
Logo veio a inconsciência.
***
Acordei no susto, respirando profundamente. Todo meu corpo doía e as coisas giravam.
–Então você acordou...
Dante estava encostado na porta olhando para mim.
O instinto de fugir foi tão rápido que pulei da cama, mas acabei caindo porque nenhuma parte do meu corpo me obedecia, meus dedos do pé estavam dobrados e eu não conseguia senti-los.
–O que... O que você-ê... Fez comigo? – Gaguejei tentando me levantar.
–É a droga... Você vai ficar assim por um tempo.
Dante veio até mim e me colocou de volta na cama, meu corpo continuava dando espasmos e eu olhei aterrorizada para ele.
–Não se preocupe, vai passar Clair – Disse suavemente e tentou tocar em meu rosto, mas eu desviei.
Isso o aborreceu e ele se levantou.
–Traidores merecem serem punidos! Devem ficar sozinhos para se arrependerem do que fizeram – Disse transtornado e foi para a porta pegando a chave.
–Não! Não! – Gritei tentando me levantar.
Dante bateu a porta e eu escutei a porta ser trancada.
–Não! Dante! Por favor, não me tranque aqui! NÃO!
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