Notas iniciais
Bom dia.
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Boa leitura.

Milo e Camus já moravam praticamente juntos a cerca de três anos. Todavia Camus insistia em ainda manter o seu apartamento próximo ao trabalho. E isto não estava agradando nem um pouco a Milo, que achava que já era hora de ambos juntarem as escovas de dentes.

Este fato levou Milo Scorpius a ter uma nova missão em sua vida, que consistia em pedir seu amado namorado em casamento. Mas para isto ele teria que bolar um plano. Afinal, seu cubinho de gelo preferido poderia lhe dizer um belo Não ao termino de sua bela declaração de amor. Por isto era necessário que tudo fosse perfeito. Camus não poderia resistir ao seu pedido. Ele faria daquele homem seu marido ou não se chamava Milo Scorpius.

A primeira etapa do plano consistia em ter a aliança. Porém antes teria que saber o número do dedo de Camus. Seria até fácil de resolver o problema se Camus usasse um anel. Todavia, aquela criatura só usava um relógio de pulso que fora um presente dado por sua finada mãe. Ou seja, como conseguir esta numeração?

A primeira idéia de Milo foi durante uma brincadeira com a lata de refrigerante, pegar a tampinha e ver se cabia no dedo do amado. Qual foi a sua surpresa que a mesma além de não caber, ficou entalada no dedo de Camus. Isto lhe rendeu uma boa sessão de xingamento de seu ilustríssimo futuro cônjuge.

Sua segunda tentativa foi com seu próprio anel. Com a desculpa de que gostaria de ver como Camus ficaria com seu anel de formatura. O anel até coube, porém só foi até a segunda falange do dedo. Com receio de que Camus começasse a suspeitar de algo Milo resolveu pesquisar no Google em como fazer para conseguir a bendita numeração. Segundo o aplicativo, para se tirar a medida do diâmetro de um dedo era necessário cumprir as seguintes etapas: Primeiramente dê a volta com o barbante ou linha no dedo de forma que não fique apertado nem frouxo demais. Em seguida marque a exata circunferência do dedo e depois estendê-la sobre uma régua. Marque a medida e verifique na tabela qual é a numeração. Desta vez não tinha erro. Agora era, como fazer todo este processo sem que Camus desconfiasse? A solução foi esperar seu amado dormir. Graças a Deus, quando seu gostosinho ficava cansado ele dormia como uma pedra. Após conseguir a medida só restava partir para a compra.

Mais onde ele poderia comprar um anel que por si só convence Camus a desposá-lo? Abrindo o aplicativo do Google e deu uma pesquisada nas lojas:Buccellati,Cartier,Chanel,Dior,Tiffany... Céus,eram tantas lojas. Com receio de errar, resolveu pedir conselho ao seu melhor amigo, Afrodite. Este lhe indicou a Tiffany. Segundo ele era a melhor loja de jóias de Nova York.

Como tudo na vida de Milo nada é simples. Era justamente o horário do rush quando ele resolveu sair às compras. Do prédio onde ficava sua empresa até a loja em um dia comum levava cera de vinte minutos. Hoje, ele levou duas horas e quinze minutos. O motivo foi um acidente justamente no horário de pico.

Sabe aquele momento onde você pensa que os astros estão de dizendo: não saia é furada, deixe para amanhã que será melhor. Pois bem, ele não seria influenciado por estes pensamentos depressivos, que vem quando você deseja logo chegar em algum lugar, e tudo está contribuindo para que não aconteça. Foi sua perseverança que o levou a conquistar seu amado e seria ela que iria fazer com que ele conseguisse cumprir a primeira etapa de seu plano.

Chegando a loja, foi recebido por uma atendente que perguntou o que ele desejava. Enquanto esta foi buscar o pedido, foi lhe oferecido uma taça de champanhe. Bem, que sua mãe dizia: a roupa faz o homem. Será que seria tão bem atendido se não estivesse usando um terno da última coleção de Armani? Será que se estivesse vestindo calça jeans e camiseta estaria sendo tão bem recebido naquele estabelecimento? Mais isto não importa. O foco não era ele e sim a escolha do anel ideal. Tendo isto em mente, ficou aguardando sentado em frente à bancada a vendedora chegar com os anéis. Mais é claro que antes avisou que deseja o melhor da casa, não se importando com o preço. Para seu homem tinha que ser o melhor.

Quando a atendente veio com a bandeja e a colocou a frente de Milo, está continha vários anéis. Mais um destacava-se dos demais. Os olhos de Milo brilharam, era aquele. Era uma aliança de ouro grossa, tendo como único enfeite um solitário enorme encrustado no centro da joia. Era simplesmente perfeita. Ela por si só dizia: afaste-se, este homem já tem dono. A vendedora ficou feliz com a escolha. Falou que o anel era o mais caro da loja. Fazer o quê! Ele tinha bom gosto e faro para as coisas caras. Já estava indo pagar pelo anel quando bateu aquela insegurança típica de quem compra algo para alguém sem a sua presença.

Será que Camus irá gostar? Será que não é espalhafatoso demais para seu gosto? Afinal o ruivo era uma das pessoas mais discreta que já tinha conhecido. Ele só se vestia de cores neutras e de preferência escuras tipo: preto, azul marinho. Acho que ele tinha medo das cores porque seu cabelo por si só já chamava muita atenção. Na sua casa só existia duas cores: branco e preto. A primeira vez que Milo entrou no apartamento de Camus, acho-o lindo, deslumbrante. Porém depois de um tempo começou a achar que a falta de cores fazia o ambiente ficar enfadonho. Tão diferente do seu apartamento, que era cheio de vida e cores. Eles eram tão diferentes. Eram como água e vinho, gelo e fogo. Este era um dos motivos que sempre levava a discussões entre eles. Mais ao mesmo tempo era o que os completavam. Dizem que os opostos se atraem e os semelhantes se reconhecem. Com certeza este ditado era o certo para defini-los.

Eu não posso comprar um anel pensando no meu gosto, pensava, Milo. Eu tenho que compra- lo pensando no gosto de Camus. Em qual ele usaria? Porque senão haveria o risco dele dizer não só em olhar para a aliança. E isto estava fora de cogitação. Mais qual seria a aliança prefeita para meu amor? Deveria ser uma discreta, porém com uma beleza única. Esta era a representação de Camus para Milo.

E novamente ele volta a bancada para escolher o anel ideal. Uma hora tinha se passado, e ele ainda não tinha escolhido qual levar. Já estava pensando em procurar em outra loja, quando a atendente vendo que não iria conseguir a venda, resolveu lhe mostrar uma aliança que estava ainda para ser lançada. Ela era de platina e ouro dezoito quilates com seis milímetros de largura. Era discreta e elegante ao mesmo tempo, igual ao seu amado. E o melhor, completamente diferente de seu gosto extravagante. Duas alianças perfeitas para o pedido perfeito.

Milo estava radiante ao sair da loja. Tinha comprado a aliança que Camus não conseguiria resistir. E o melhor, esta no dedo de seu amado iria afastar todos os embustes que tentassem dar em cima dele. Milo pensava que deveria ter colocado um Bambolê no dedo de seu homem desde o começo do namoro. Era praticamente um letreiro de propriedade privada.

Para finalizar a etapa da compra da aliança era só agora escondê-las onde seu amor não a achasse. Nada como uma meia de pouco uso, escondida no fundo sua gaveta de roupa. Como Camus prezava por privacidade, ele nuca iria mexer em suas coisas.

Agora era começar a pensar na fase dois: como fazer o pedido. Novamente, o Google iria lhe ajudar. Milo entrou em diversos sites online onde viu vários pedidos e vídeos que demonstravam sobre como realizar um pedido de casamento. Tinham no site deste os mais extravagantes aos mais singelos. A questão era: como dosar a sua natureza que gritava extravagante, para em contra partida a natureza de Camus que gritava, ou melhor berrava discrição. Ele resolveu anotar as melhores idéias de como realizar o pedido para depois lê-las e avaliar uma a uma qual seria a melhor escolha.

A primeira consistia em reservar um jantar num bom restaurante e solicitar ao garçom que fosse servi-los que sutilmente colocasse o anel dentro da taça de bebida. Como Camus só bebia vinho, ficava fácil de esconder a aliança no liquido vermelho escuro. Mas e se Camus estivesse com muita sede e bebesse tudo de uma vez? E pior morresse engasgado com o anel. Ele poderia ficar viúvo antes de realizar o pedido. Esconder na bebida esta fora de questão.

Havia ainda a hipótese de esconder a aliança na sobremesa. Era também muito comum segundo o site e romântico. Mas e se Camus levasse o anel a boca em uma garfada junto à comida? Ele poderia morder o anel e com certeza quebraria um dos dentes. Oh, Jesus.... Se Camus quase o matou com o episódio da tampa de refrigerante imagina se quebrasse um dos dentes. Quem iria para no hospital seria ele junto com seu amado.Porém não como acompanhante e sim como paciente. Nada de restaurantes! Estes pedidos podem ser mortais.

Milo resolveu então fazer um jantar romântico em casa. E nada de colocar a aliança na refeição. Ele simplesmente iria após o jantar se ajoelhar e realizar o pedido de casamento. Ele poderia fazer isto no restaurante, todavia seu ruivinho com certeza ria xingá-lo até as gerações futuras por estar pagando mico. Não. Para este tipo de pedido o melhor era fazer em casa onde poderia conter os chiliques de seu amado. Milo comprou todos os ingredientes para o jantar. Agora era só seguir passo a passo o vídeo do Youtube de como fazer uma lasanha de camarão ao molho branco, prato predileto de seu amor.

A idéia de cozinhar era muito boa. Pois amar é como cozinhar: ou você tem o dom ou sabe seguir bem as receitas. Do contrário,tudo passa do ponto, e você será obrigado a procurar um fastfood. Ele heroicamente conseguiu graças à internet e a sua força de vontade, preparar a bendita lasanha em sua segunda tentativa. Pois na primeira tentativa a massa ficou cozida demais e os camarões borrachudos. Mas como Milo é precavido tinha comprado todos os ingredientes em dobro. Já prevendo futuros desastres. Agora era partir para o banho, enquanto a lasanha estava no forno.

Ai, é que o idéia de cozinhar não deu certo. O aplicativo só esqueceu de avisar ao Milo que nunca se deve sair da cozinha quando se está cozinhando. Para não correr o risco de queimar a comida. Quando este saiu do quarto, quase uma hora depois de ter colocado a lasanha para aquecer. A mesma estava simplesmente tostada. Milo chorava de frustração, pois seu plano perfeito foi por água a baixo. E o pior não dava para pedir comida pronta porque seu amado tinha mandado uma mensagem dizendo que já estava no prédio.

Apesar do infortuno, Milo não se abateu. Ele jurou que iria conseguir fazer o pedido a Camus. E ele ia cumprir o prometido. Sua segunda tentativa de declaração foi decorar o terraço do prédio onde morava com balões em formato corações, velas aromáticas, pétalas de rosas vermelhas e um cartaz enorme dizendo: quer casar comigo. Tudo estava correndo como o deveria. Camus estava tomando seu banho tranquilamente. Era só aguardar para levá-lo ao terraço e pronto. Tudo resolvido para o acontecimento do ano,o tão desejado pedido. Milo não se aguentava de ansiedade.

Quando de repente, ele ouve uma trovoada e em seguida começa a cair uma forte chuva. Milo saiu correndo para o terraço, mas todo o seu trabalho já estava perdido. Será que era um sinal dos céus para não realizar o pedido? Será que Deus estava falando com ele que Camus não iria aceitar o seu pedido? Milo olhava para as suas anotações no celular. Raios, ele seguiu direitinho as anotações. Quando de repente observou que no final da anotação estava escrito: antes de pensar em fazer esta forma de pedido, observe primeiro a meteologia, climatempo. Pois tudo irá depender do tempo no dia em questão. Milo ao termino da leitura, desejou tacar seu celular na parede. Como ele se esqueceu de verificar o tempo? Mais uma tentativa fracassada.

Ele já estava começando a ficar desanimado. Nada do que ele fazia dava certo. Bem, dizem que na terceira tentativa é que dá certo. Com este pensamento Milo resolve colocar seu plano em pratica. E desta vez seria do seu jeito. Quando o final de semana chegou, Milo foi com Camus assistir a uma opera que estava passando e em seguida levou o seu picolé de limão no melhor restaurante francês da cidade.

Camus chegou a questionar o que estava havendo, pois Milo sempre odiou operas por que lhe davam sono. E naquele dia ele além de o convidar para assistir uma opera, o levou para comer a comida que segundo ele: era de gente fresca. Quando chegaram no apartamento Milo pediu para que ele o aguarda-se na cama com uma venda nos olhos e foi para o banheiro. A primeira coisa que Camus sentiu quando Milo entrou no quarto foi o cheiro de baunilha característico de seu sabonete. Milo se aproxima da cama e pede para que ele retire a venda e abri-se os olhos. Qual foi o espanto deste ao encontrar Milo nu a sua frente, tendo como única joia um cordão com duas alianças e lhe perguntando se gostaria de passar o resto da vida com ele. Como negar um pedido deste? Tendo um homem lindo, nu a sua frente e com o mastro em ponto de bala para fudê-lo.

Milo sorriu quando Camus disse sim e foi lhe puxando para colar seu corpo junto ao dele. Existem várias formar de se pedir alguém em casamento. O Google que o diga! Todavia, nenhuma é tão perfeita quanto a de Milo Scorpius.

FIM.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!