O país secreto.
6 A bola de luz
Notas iniciais
Depois que vi que não dava mais para voltar atrás, entrei no quintal da casa, com Luize agarrada em mim. Todos ainda estavam do lado de fora da casa, esquadrinhando-a com os olhos. Os mais burros, que são meus dois irmãos e o tapado do Chris, foram os que decidiram que era a hora de entrar. Os dois primeiros a entrar na casa, são Will e Chris. Depois Stive. Liam entra em seguida, acompanhado por Hellena. Annabely sobe os degraus e quando está para entrar, chama os que ainda estão no quintal. Amélia e Júnior, um pouco resmungões, sobem a escadinha. Annabely entra e os dois metidos também. Parece que só sobrou a Luize, Dianna e eu. Quando decido que é a hora de entrar, Dianna me impede, me puxando pelo braço. Luize entra na casa, tremendo de frio e medo.
–Dianna?- Pergunto, fitando-a sem entender.- Quer ir embora?
Dianna balança a cabeça, afirmando.
–Não quero entrar aí.- Ela engole em seco.- Tenho um mal pressentimento.
E lá vem Dianna me falar novamente de pressentimentos.
–Didi, eu já falei que não acredito nessas coisas, O.K.?- Desvencilho do aperto dela, e sigo para a casa. Ele me segue, relutante.
Sabe, deveria ouvir Dianna mais vezes. Eu realmente não queria entrar naquela casa, mas também não queria deixar Hellena, Luize e Annabely sozinhas. Digo “Sozinhas” por que estar acompanhada de Will, Stive, Chris, Liam, Amélia e Júnior é o mesmo que não estar acompanhada por ninguém. Quero protegê-las se algo der errado naquela casa estúpida.
Quando entro, vejo que a casa está exatamente como me lembrava: Poeirente e espaçosa. Eu sei que há naquela casa uma força negativa, ainda mais no escuro. Fico perdida em pensamentos, até que alguém- pela voz sei que é Liam- Decide falar.
–O que acham de nos dividirmos?- Ele diz.- Somos onze. Cinco podem subir a escadaria.- Dava para se saber que tinha uma escadaria devido a altura da casa.- E seis ficam aqui em baixo.
–Fazendo o que?- Pergunto, com as sobrancelhas arqueadas, embora ninguém pudesse ver.
–Não sei...- Ele responde.- Talvez procurando coisas que podemos aproveitar.
–Procurar?- Uma voz feminina fala, e fico confusa se é Luize ou Hellena, já que ambas tem a voz parecida. Mas pelo tom irônico que ela disse, sei que se trata de Hellena.- No meio do escuro?
A resposta para a pergunta dela vem a seguir. Uma luz aparece, provavelmente a lanterna de algum celular. Então o dono ou dona da lanterna a mira em direção ao seu rosto, para que possamos saber de quem se trata. E é Amélia. Ela aponta aquela luz forte na direção de todo mundo.
–Pronto. Podemos procurar.- Diz Liam.
–Como se só temos uma lanterna para dois grupos?- Pergunta Chris. Primeira vez que ele pensa, eu acho.
–Quem mais está com o celular...?
Sua pergunta foi cortada. De repente começa a ventar. Espere! Ventar dentro da casa?
–O que está acontecendo?- Pergunta Annabely enquanto o vento vai ficando mais intenso.
De repente aparece uma bola de luz no fim da sala. E a bola vai crescendo. E o vento nos empurrando na direção da bola. Então percebo que, na verdade, a bola está nos sugando.
Ouço os gritos desesperados dos outros, e só tenho tempo de segurar em alguma coisa, para não ser levada. Agora, o vento está praticamente tirando nossos pés do chão.
Escuto nomes serem chamados e vejo alguém passar por mim, gritando, já que agora a sala está suficientemente iluminada. É uma garota. Uma garota loura. E só há apenas duas garotas louras na sala. Ou é Luize ou é Hellena, e tenho certeza que uma das duas foi sugada para dentro da bola.
Eu queria chorar, mas agora não era o momento. Mesmo quando o vento vai cessando, continuo agarrada ao, que agora vejo, corrimão da escada. Percebo que, mesmo com o vento parando, a bola não some. Continua ali, iluminando todo o local.
Agora não há mais vento, apenas pessoas descabeladas e desnorteadas. Olho em volta para ver quem foi sugado. Conto mentalmente o número de pessoas, incluindo eu.
Sete. Há sete pessoas, o que indica que quatro foram levados. Vejo quem falta, e depois olho para o chão com os olhos marejados.
Todos estão em silêncio. Por enquanto.
De repente, Hellena começa a esmurrar Stive.
–Seu completo idiota!- Sua voz está abafada. Hellena está chorando.- Grande ideia a sua, de entrar nessa barraca velha!
Evidentemente, os tapinhas de Hellena não surtiam efeito nenhum em Stive, que apenas a olhava assustado.
Então ela se voltou para Will.
–E você- Ela começa a bater nele também- Foi sua ideia de ir para rua, seu imbecil! Agora... Minha irmã... Eu...
Ela desaba no chão e vejo Dianna correr para ajudá-la. Estou em estado de choque com tudo o que aconteceu.
–Só tem uma solução.- Diz Liam, abraçando Amélia, que está chorando também.- Vamos entrar também. Não podemos deixar eles sozinhos lá dentro. Não é correto.
Hellena, que está com o rosto afundado nas mãos ergue os olhos e diz duas únicas palavras:
–Eu topo.
Eu também topei, pois não poderia deixar Luize sozinha. Nem Annabely. Os que haviam sido sugados foram Annabely, Luize, Chris e Júnior.
Eu estava assustada demais, e perplexa para tomar qualquer decisão que fosse. Mas ao ver Liam com o braço envolto em Amélia atravessar a bola de luz, seguidos por meus dois irmãos e Hellena, percebo que só restam Dianna e eu.
–É uma decisão importante, Emma.- Ela diz. E depois adentra a bola também.
É. Só tem eu agora.
Caminho até a bola de luz. Dou um longo suspiro. Sabia que poderia morrer ao fazer aquilo que estava prestes a fazer. Mas precisava ser tão corajosa quanto os demais.
Quando adentro a bola, sinto um sensação horrível de afogamento e desmaio.
Acho que morri.
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